Pelo menos três pastores foram atacados e 70 cristãos dalits foram reconvertidos ao hinduísmo no domingo de Páscoa. Na quinta-feira santa, policiais prenderam quatro pastores sob a falsa acusação de conversão.

Esses incidentes se seguiram a violentos ataques ocorridos na semana anterior, no domingo, a duas procissões, e a um pastor que foi espancado e torturado.

Militantes do grupo extremista hindu dharma sena atacaram cristãos no dia 1º de abril, insultando sete deles durante as orações na Igreja de São Paulo, que pertence a uma denominação do norte da Índia em Gokulpur, Jabalpur, Madhya Pradesh. No segundo incidente, dois cristãos no distrito de Damoh foram seriamente ferimentos na cabeça durante o ataque de um grupo extremista não-identificado a uma procissão que reuniu, no domingo, estudantes de diferentes igrejas locais. A agressão ocorreu assim que o grupo parou em uma venda de caldo de cana.

Dois pastores da Igreja dos Crentes foram espancados em 8 de abril (Páscoa), no vilarejo de Salwa, distrito de Mandla. De acordo com o relato de uma fonte local, os extremistas hindus foram até a casa dos jovens pastores, Dinesh Toppo e Chandan Chhinchani, interrogá-los.

Há cerca de três meses, Toppo and Chhinchani mudaram para o vilarejo, antes de liderarem uma caminhada da Igreja dos Crentes pelo Evangelho da Ásia.

Os extremistas vasculharam a casa, bateram, chutaram os pastores e os arrastaram à força, gritando insultos aos moradores da vila que assistiam à ação. Os agressores alegaram que os pastores estavam induzindo a conversão e o comércio sexual.

No fim do dia, a polícia local intimou os cristãos a passarem por um interrogatório, por causa das falsas acusações feitas pelos agressores. A polícia prendeu os pastores no dia 9 de abril, mas eles foram soltos sob fiança.

Extremistas hindus iniciaram dois ataques aos cristãos no domingo que antecede a Páscoa, 1º de abril, em dois incidentes separados nos distritos de Jabalpur e Damoh, que ficam em Madhya Pradesh. Pelo menos nove cristãos foram feridos.

Ataque a Himachal Pradesh

Em uma ação semelhante, cerca de 60 extremistas recrutados pelo grupo de jovens extremistas Bajrang Dal, um braço do Conselho Mundial Hindu, invadiram uma igreja doméstica durante o culto de Páscoa no vilarejo de Krotal, no Vale do Shirad, em Himachal Pradesh. O ataque ocorreu por volta das 11 horas, quando aproximadamente 25 cristãos estavam em adoração.

Sam Abraham, secretário-geral do Estado de Himachal Pradesh do Conselho Geral dos Cristãos da Índia (AICC), relatou ao Compass que os intrusos espancaram o pastor Yona Babu, ao sul do Estado de Andhra Pradesh.

Os agressores entraram na sala de oração e se sentaram calmamente durante a reunião. Um a um, eles começaram a fazer um ruído, contou Sam. Eles exigiram que o pastor Yona queimasse bíblias e abandonasse a fé cristã. Quando ele se negou, foi espancado até perder a consciência. Os criminosos levaram livros e instrumentos musicais da igreja. Sam Abraham contou ao Compass que até o presente momento Yona Babu não havia registrado a ocorrência na polícia.

Além disso, os mesmos extremistas que atacaram o pastor Yona Babu invadiram outra pequena congregação independente em Pathilikundu, perto de Manali, mas não foi registrado nenhum incidente grave.

Estes incidentes de 8 de abril são o sexto caso de ataque a cristãos registrados no Estado, desde a aprovação do projeto de lei anticonversão em Himacham Pradesh, em 30 de dezembro.

Reconversão em Andhra Pradesh

Segundo informações do jornal diário “Andhra Jyoti”, durante a Páscoa, um adivinho hindu, Shankaracharya Sri Swaroopanandenda Saraswati, liderou a reconversão de cerca de 70 cristãos dalits em uma cerimônia no templo de Maridimamba, em Recherla, no distrito de Andhra Pradesh Kakinada.

Os reconvertidos relataram que fizeram um juramento maldito: “Nós viveremos como hindus e morreremos como hindus”. Não se sabe ao certo quantos desses reconvertidos estão atualmente no cristianismo.

O adivinho, que é o líder da seita Visakha Sarada Peetham, disse que organizou o ato para proteger o hinduísmo. Ele também fez acusações sobre conversões forçadas a pessoas inocentes. O programa de reconversão, anunciou ele, seria ampliado no final do mês aos distritos de Srikakulam, Chittoor e Hyderabad.

O grupo extremista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), com inúmeros filiados, roubou em 2 de abril uma moto de corrida em Kaviti, entre Andhra Pradesh e Tekkali, alegando que os cristãos estavam induzindo com dinheiro a conversão forçada de hindus, de acordo com o Conselho Global de Cristãos na Índia (GCIC).

No dia 21 de março um grupo não-identificado atacou brutalmente o cristão Samuel Bandaru, de 29 anos, no Estado de Andhra Pradesh. O doutor Sajan K. George, presidente do GCIC, disse ao Compass que o jovem foi atacado por volta das 19h30 quando voltava de bicicleta de um encontro de oração na casa de outro cristão em Thumnalapalli, região de Srirangapuram, distrito de Nalgonda.
Os agressores cobriram o rosto de Samuel com uma máscara e o espancaram durante três horas enquanto zombavam e diziam que “Jesus é um deus estrangeiro” e acusando Samuel de ser um terrorista. Os extremistas arrastaram o cristão até o pátio de uma escola e tentaram estrangulá-lo. Eles o golpearam no corpo todo, o ameaçaram com uma faca na garganta e destruíram sua bicicleta. Uma queixa contra o grupo foi registrada no posto policial, mas nenhum deles foi preso.

Andhra Pradesh está sendo governado pelo partido do Congresso, cujo ministro é Y.S. Rajasekhara Reddy, um cristão. Apesar disso, os extremistas hindus mantém uma atividade intensa no Estado. Eles acusam o ministro de dar liberdade aos missionários cristãos e freqüentemente promovem ataques contra trabalhadores cristãos.

Prisões em Uttar Pradesh

Em 5 de abril, quinta-feira santa, um policial no Estado de Uttar Pradesh, distrito de Chandauli, prendeu o pastor do ministério GEMS sob uma falsa acusação. O inspetor do posto policial de Nawgad disse ao Compass que os moradores locais deram queixa com base em uma notícia de jornal que dizia que o pastor Munsi Lal havia convertido famílias hindus em troca do pagamento de 2.000 rúpias (R$ 90,00). Lal ficou preso por um dia até ser libertado após o pagamento de uma fiança de 111 rúpias (R$ 4,50).

Lal disse ao Compass que estava seguro, mas a atmosfera no vilarejo permanece tensa após o incidente. As eleições da assembléia de Uttar Pradesh começam em 7 de abril e vão até 8 de maio.

Fonte: Portas Abertas