Pelo menos uma de cada 20 emissoras existentes no Brasil pertence à Igreja Católica, que continua crescendo neste segmento. A RCR (Rede Católica de Rádios) reúne 215 concessões de rádios FM, AM, ondas curtas e ondas tropicais.

O número corresponde a 5% do total de rádios em funcionamento no país (4.546), de acordo com os dados oficiais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O poder dos católicos nesse segmento não tem paralelo nas outras igrejas. Grande parte das concessões de rádio da Igreja Católica foi dada pelo governo nas décadas de 50 e 60, para incentivar projetos de educação à distância, o que explica a existência de 18 rádios com o nome de Educadora.

Ela ocupa também espaço entre as rádios comunitárias. Criou a Ancarc (Associação Nacional Católica de Rádios Comunitárias) que orienta grupos de católicos no encaminhamento dos pedidos ao Ministério das Comunicações.

Segundo o presidente da entidade, padre José Donizetti do Amaral, as emissoras ligadas à igreja somam 1.200, o que representa 43% do total de 2.792 rádios comunitárias autorizadas. O padre Antonio Pinelli, presidente da Unda Brasil, que coordena as emissoras católicas comerciais, diz que “”o rádio é o meio de comunicação mais rápido e objetivo, porque não é preciso parar o que se está fazendo para ouvi-lo”.

Segundo Pinelli, as rádios católicas continuam em expansão. Ele calcula que haja pelo menos mais 30, de concessões recentes outorgadas pelo governo, que estão no ar, mas ainda não fazem parte da RCR.

A migração das emissoras de rádio da tecnologia analógica para a digital é vista como um grande desafio para a igreja, em razão dos custos. Pinelli calcula que o custo, por emissora, será de, no mínimo, R$ 150 mil, o que implicaria um gasto total superior a R$ 30 milhões.

As rádios comerciais da igreja são registradas em nome de padres e bispos. É o caso da rádio Voz do Vale, em Fartura (SP), que está em nome dos padres José Aparecido Hergesse e Osman Procópio da Silva. O pároco de Fartura, José Sérgio Lima, administrador da rádio, veta músicas que considera “”profanas”. Ele diz que a rádio depende financeiramente da publicidade, mas só aceita anúncios que não conflitem com a igreja. Anúncio de preservativo, por exemplo, são vetados.

Fonte: Folha de São Paulo