O presidente Jair Bolsonaro, a primeira-dama Michelle Bolsonaro e ministros, receberam orações e em evento evangélico no dia 5 de outubro de 2021 (Foto: Reprodução/Palácio do Planalto)
O presidente Jair Bolsonaro, a primeira-dama Michelle Bolsonaro e ministros, receberam orações e em evento evangélico no dia 5 de outubro de 2021 (Foto: Reprodução/Palácio do Planalto)

Em tom de pré-campanha, o presidente Jair Bolsonaro e 9 ministros participaram nesta 3ª feira (5.out.2021) de encontro evangélico, em Brasília. O Simpósio Cidadania Cristã reuniu também congressistas aliados do governo. Entregue no encontro, um material impresso detalhava o currículo de ministros, ações do Executivo e continha uma frase atribuída ao presidente.

O simpósio é promovido pela Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil, presidida pelo bispo Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra.

Na cartilha distribuída aos participantes do simpósio, é apresentado um resumo sobre o currículo e ações dos ministros Milton Ribeiro (Educação), Onyx Lorenzoni (Trabalho), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

Ao menos 12 ministro do governo Bolsonaro devem se candidatar nas eleições do próximo ano. Dos 9 ministros presentes no evento desta 3ª feira (5.out), 6 deles podem ser candidatos em 2022: Anderson Torres, Damares Alves, Flávia Arruda, Marcelo Queiroga, Onyx Lorenzoni e Rogério Marinho.

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e a presidente em exercício do PTB, Graciela Nienov, também participaram do encontro. O partido estuda até mesmo a expulsão de filiados, entre eles Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, para atrair a filiação do presidente Bolsonaro.

Além de Bolsonaro, os ministros também discursaram no evento com os evangélicos -uma das principais bases de apoio de Bolsonaro. Damares afirmou no evento que os evangélicos ficarão “muito tempo no poder” e que era “melhor se acostumar”. Milton Ribeiro disse que sua “ação no MEC é muito mais espiritual do que política”.

O ministro Onyx Lorenzoni foi chamado mais de uma vez de “futuro governador do Rio Grande do Sul”. No material entregue, Onyx é apresentado como “aliado de primeira hora” de Bolsonaro.

Em um dos textos, é dito que “em 2018 a verdade surgiu como guia para a transformação do país e da vida dos brasileiros” e que “a libertação do Brasil está em andamento” Na cartilha, também é dito que o Brasil enfrentou a pandemia de forma “exemplar”.

Pastores oraram pelos ministros e também fizeram pedidos a Bolsonaro, entre eles, a promoção da educação domiciliar e da pauta pró-vida (contra a legalização do aborto).

A cartilha entregue também contém uma foto de Bolsonaro e frase atribuída ao presidente: “O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição e valoriza a família”. Ao final do encontro, Bolsonaro ficou mais de uma hora tirando fotos com pastores e congressistas aliados.

Frase e foto do presidente Jair Bolsonaro em destaque no material impresso entregue no Simpósio Cidadania Cristã nesta 3ª feira

O indicado “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-ministro André Mendonça, também falou no evento. Ele aguarda sua sabatina no Senado para assumir vaga na Corte.

Mendonça, que além de advogado é pastor presbiteriano, disse que “o tempo de Deus é relativo” e que foi Deus que fez Bolsonaro indicá-lo ao STF. “Até 2005 eu não conhecia Brasília e, quinze anos depois, Deus pega um menino do interior de São Paulo e coloca ele diante de um presidente da República, que o indica para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Deus faz coisas impossíveis”, afirmou.

O discurso de Bolsonaro

Em seu discurso aos cerca de 600 pastores presentes no evento, Bolsonaro disse ter a “consciência muito tranquila” sobre sua atuação diante da pandemia, que matou 598 mil brasileiros desde março de 2020, segundo os números oficiais. “Fiz a minha parte”, disse Bolsonaro, que reiterou a defesa do suposto “tratamento precoce” contra a covid-19, comprovadamente ineficaz, e ridicularizou a cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. “Temos que nos consultar com os Três Patetas da CPI?”

Bolsonaro disse ainda que o fato de ter se aconselhado com os médicos negacionistas Nise Yamagushi e Osmar Terra, seu ex-ministro da Cidadania, não configura a formação de um “gabinete paralelo”, como aponta a CPI. “Conversei com Nise Yamagushi, conversei com Osmar Terra e isso passou a ser gabinete paralelo. E conversei em lives, com embaixadores, com médicos do Brasil”, afirmou o presidente.

Nesta terça-feira, o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que “com certeza” pedirá o indiciamento de Bolsonaro em seu parecer final por crimes de responsabilidade e crimes contra a vida. Além disso, disse que, do ponto de vista do direito internacional, estuda acusar o presidente de crimes contra a humanidade e, relação aos indígenas, de genocídio.

Bolsonaro também se queixou da investigação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os atos que ele convocou para 7 de Setembro. Na ocasião, Bolsonaro reuniu milhares de apoiadores nas ruas, chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de “canalha” e afirmou que não mais cumpriria suas ordens judiciais.

“Estamos mudando as cores do Brasil. Há poucos anos só se via vermelho por aí, hoje é um mar de verde e amarelo”, afirmou o presidente. “O TSE está investigando os ‘atos antidemocráticos de 7 de Setembro’. Quem financiou? Não tem do que nos acusar. São os saudosos da corrupção, dos desmandos.”

Bolsonaro fez ainda um apanhado do que chamou de tentativas de “destruir a família brasileira” supostamente feitas no passado, e disse que, caso não seja reeleito, elas iriam voltar. “Não podemos esquecer isso, pessoal, porque tem gente que, voltando ao poder, vai ressuscitar tudo isso aí.”

A fala do presidente foi transmitida pela TV Brasil, rede de televisão pública do Executivo, que pertence à estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

O encontro foi realizado na Igreja Batista Central de Brasília. Na entrada do local, um grupo de 5 pessoas abordava pessoas reunindo “fichas de apoio” à criação do Aliança Pelo Brasil, partido que Bolsonaro tenta estabelecer. Para criar uma sigla é preciso reunir 491.967 assinaturas com apoio de eleitores. As assinaturas devem ser validadas pela Justiça Eleitoral.

O simpósio foi promovido pelo Concepab (Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil), pela Fenasp (Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política) e pelo Movimento Acorda. O encontro teve como objetivo promover “o despertamento do segmento cristão e a participação efetiva, especialmente dos líderes eclesiásticos, na construção de um Brasil mais justo”.

Fonte: Poder 360 e Valor Econômico