Igreja Evangélica Luterana da Islândia (Foto: Wikipédia)
Igreja Evangélica Luterana da Islândia (Foto: Wikipédia)

A agência de notícias AFP, por meio de sua página “Checamos”, que verifica a veracidade das notícias e as fake news, informou que a publicação compartilhada milhares de vezes na internet e em redes sociais de que a Islândia proibiu o ensino de qualquer religião até os 21 anos de idade não é verdadeira.

Segundo a agência AFP, desde que foi publicado, em 17 de setembro de 2018, o texto foi compartilhado milhares vezes em diversas postagens em redes sociais. Inclusive, o Folha Gospel publicou esta notícia, em 18 de setembro de 2018.

No entanto, uma busca no Google pela suposta medida adotada na Islândia não leva a qualquer registro informativo.

A pesquisa tampouco encontra informações sobre a Lei Nacional de Ensino Religioso Mínimo (NMRIA, na sigla em inglês), citada no artigo, ou sobre organizações como a Mothers Against Religion (MAR), a quem o texto atribui a iniciativa de proibir o ensino religioso.

O único resultado encontrado com a mesma informação do texto viralizado é um artigo em inglês intitulado “Iceland Raises Age Of Religious Consent To 21” (“Islândia aumenta a idade de consentimento religioso para 21”), publicado em 27 de agosto de 2018.

No entanto, a suposta fonte não é nada mais que um artigo satírico, identificado como tal ao final do texto e publicado em uma página cujo nome é “Laughing in disbelief. Liberté, Égalité, Absurdité” (“Rindo com descrença. Liberdade, Igualdade e Absurdo”).

O autor da página é Andrew Hall, que se autodefine como “comediante”. No entanto, o artigo chegou a ser compartilhado como uma notícia verdadeira, por exemplo, em setembro de 2018 em inglês.

Embora o ensino religioso não seja proibido na Islândia, os representantes locais das três principais religiões monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo) manifestaram, em março de 2018, seu desconforto com uma proposta parlamentar para proibir a circuncisão sem fins médicos, alegando que a medida iria contra a “liberdade religiosa”. A circuncisão consiste na remoção do prepúcio masculino de bebês recém-nascidos e é uma tradição do judaísmo e do islamismo.

A lei da Islândia pretende evitar “danos ao corpo ou a saúde de um menino ou de uma mulher eliminando todo ou parte de seus órgãos sexuais”. Por outro lado, o artigo 63 da Constituição da República do país reconhece a liberdade religiosa.

Em resumo, a Islândia não proibiu o ensino religioso até os 21 anos.

NOTA: Folha Gospel reconhece que a notícia publicada no dia 18 de setembro de 2018 não é verdadeira, porém, decidimos mantê-la. Uma nota no início da matéria foi incluída informando que mesma não é verídica.

Fonte: AFP