Os parlamentares espanhóis presentes na 116ª Assembléia da União Interparlamentar (UIP) defenderam hoje o respeito a todas as crenças, incluindo o direito a não crer, e o diálogo de civilizações.

O deputado socialista Juan Moscoso apresentou hoje a conferência espanhola na discussão sobre a coexistência entre todas as comunidades religiosas e crenças do mundo.

Moscoso fez uma alegação da separação entre Igreja e Estado e insistiu na necessidade de pôr a liberdade religiosa acima de tudo.

“Não só é importante ter direito a professar qualquer religião, mas também é necessário respeitar o direito a não ter nenhuma”, disse à agência Efe.

O deputado defendeu com ênfase “o direito a não crer em nada”, um conceito estranho em um país como a Indonésia, onde a toda a população professa uma das cinco religiões reconhecidas oficialmente.

O socialista espanhol rejeitou propostas, como as do Irã, que falam de “difamação e falta de respeito às religiões”, conceitos, a seu entender, subjetivos e que enfraquecem a liberdade de expressão e religião.

Moscoso também agradeceu a referência que o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, fez ontem na sessão de abertura à Espanha e Turquia por sua proposta da Aliança de Civilizações.

O senador Carlos Bonet, da Esquerda Republicana, encarregou-se de expor a posição dos parlamentares espanhóis em matéria de segurança do trabalho e disse à agência Efe que “nos próximos dez anos o mundo tem que criar 430 milhões de empregos”.

Para alcançar esta meta, é necessário, segundo Bonet, um contexto de paz e segurança no qual é fundamental o diálogo de civilizações.

“Tem que haver uma interação muito forte entre Estados, empresas e sindicatos para que a globalização não produza a precariedade de emprego e a diminuição dos salários que está acontecendo em nível mundial”, disse o senador.

A Assembléia da UIP, iniciada ontem na ilha indonésia de Bali, acolhe mais de 700 parlamentares de todo o mundo e tem este ano como tema central o aquecimento global, embora também inclua outros três temas de discussão: a criação de emprego, a coexistência pacífica de religiões e a universalização da democracia.

A UIP, estabelecida em 1889 e organização política multilateral mais antiga do mundo, tem como objetivo promover a democracia no mundo e conta com 148 Parlamentos nacionais e sete assembléias regionais como membros. EFE

Fonte: G1