Segundo depoimento, Zé Bruno (DEM) recebeu, em 2009, maços com notas de R$ 100 por ter intermediado liberação de verbas; acusado nega.

O ex-deputado José Antônio Bruno, conhecido como “Zé Bruno” (foto abaixo) nega a acusação, mas lança suspeitas sobre um ex-assessor, a quem ele se refere apenas como Cremonesi e está citado no depoimento de C.A.A.V à Corregedoria do Estado. “Eu descobri que esse Cremonesi estava fazendo isso, vendendo emendas, descobri isso de uma maneira muito doida foi por isso que eu o exonerei”, disse ontem. “Mas eu prefiro dizer que o exonerei pelo fato de ter desconfiança de que fazia e negociava emendas e isso ia acabar comigo. Na época ele brigou comigo.”

Zé Bruno, que exerceu apenas um mandato, diz que demitiu Cremonesi do cargo de assessor parlamentar porque não queria ver seu nome envolvido em denúncias. “Não queria saber de bagunça na minha vida, sou honesto.”

Ele suspeita que é alvo de vingança de pessoas ligadas à Igreja Renascer, da qual fez parte durante 17 anos e chegou ao topo, como líder interino da igreja. Ele se desligou da Renascer em 2010 e agora integra outra igreja, a Casa da Rocha. “Eu conheço os meandros dos ratos com quem convivi. Essa história é muito maior do que você imagina. Tem alguém querendo denegrir meu nome.”

Sobre os maços de notas de R$ 100, ele reage categoricamente. “Brincadeira! Isso não aconteceu. Não faço isso. Agora eu pergunto: se alguém recebe propina vai deixar testemunha?, a porta entreaberta? Não sou bandido. Se fosse eu não seria burro.”

O ex-deputado diz que não mantém mais contato com Fabrício. “Um dia me alertaram que esse Fabrício não era um cara boa gente. Mandaram eu tomar cuidado. O Fabrício trouxe no gabinete uma relação de emendas. Ele disse: ‘olha, tal cidade tem que reformar a Santa Casa, tal cidade quer construir isso, veja no que pode ajudar.’ Ele dizia que era amigo de outros deputados.”

“O Fabrício foi várias vezes no meu gabinete, sempre com os prefeitos. O meu gabinete era muito povoado, tinha até escala para o pessoal. Você sabe, no gabinete não cabe todo mundo, por isso dividia em turnos. Eu queria gente trabalhando.”

Zé Bruno diz que “imaginou que ele (Fabrício) era o cara que fazia o lobby com o Cremonesi”. “De repente os dois tinham algum esquema. Eu era o cara perfeito para fazer isso porque eu era xucro, não sabia de nada de política, sem nenhuma experiência em fazer emenda.” Afirma que suas emendas contemplavam pequenos municípios. “Teve muita emenda que até perdi. Fiz emenda de R$ 70mil, R$ 100 mil. Nenhuma delas foi de R$ 500 mil. 99% eram coisas pequeninas.”

“Foi assim de monte, 20, 30 emendas que eu mandava. Mas nem todas eram pagas. Não era uma coisa que fazia diretamente, quem atendia era a minha chefia de gabinete. Em alguns casos o Cremonesi atendia, por sugestão do Fabrício. Ele pedia para eu destinar o valor. Teve muitos que eu fiz. Indicações a gente pode fazer quantas quiser.”

Seu patrimônio, diz, são uma perua Santa Fé 2008 e um Siena 2002. “Sou a mesma pessoa desde que nasci, não enriqueci, não moro em palácio.” F.M.

[b]Ex-deputado estadual vendia emendas, diz testemunha à Corregedoria de SP[/b]

“Vi Fabrício entregar nas mãos do deputado José Antonio Bruno (DEM) um maço de notas de R$ 100”, afirmou a testemunha C.A.A.V., em depoimento na Corregedoria-Geral da Administração (CGA). As notas de R$ 100 teriam origem em suposto esquema de venda de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo, denunciado pelo deputado Roque Barbiere (PTB).

A cena relatada ocorreu em agosto de 2009, enfatiza o depoente, que se identifica como “pastor evangélico autônomo”. O depoimento reforça ainda mais a denúncia de Barbiere, segundo quem deputados estaduais paulistas negociam sua cota de verbas no Orçamento do Executivo, por meio das emendas, com prefeitos e empreiteiras.

Ainda conforme o depoente, um homem identificado apenas como “Fabrício” frequentava o gabinete do parlamentar, mas não era funcionário: “Houve uma oportunidade em que Fabrício chegou muito eufórico na sede do gabinete, cumprimentou a todos e entrou direto na sala do deputado”, relata.

A porta da sala de Bruno ficou entreaberta. “Então, eu ouvi ele (Fabrício) dizer ao deputado José Antonio Bruno: ‘Deputado, tá aqui a emenda’. Ato contínuo eu vi Fabrício entregar nas mãos do deputado um maço…”

Zé Bruno, como é conhecido, exerceu mandato no período 2007-2010. Deixou o Legislativo estadual em março passado e hoje se dedica à Resgate, sua banda musical. Ele é guitarrista e vocalista.

O ex-deputado nega ter recebido valores em troca de emendas (leia texto abaixo). “Não faço isso”, afirmou. Porém, ele próprio disse suspeitar que um ex-assessor seu, que identifica apenas como “Cremonesi”, participasse de negociações para a venda de emendas.

Os nomes são apontados em procedimento da CGA, a corregedoria vinculada diretamente ao governador. A CGA está na estrutura da Casa Civil. Atua na prevenção e no combate à corrupção nos órgãos da administração. A investigação da CGA não mira a Assembleia, nem poderia. Não é sua competência institucional vasculhar a vida de parlamentares. Mas a apuração foi aberta porque a preocupação do governo é se o episódio pode ter provocado alguma lesão aos cofres públicos do Estado.

[b]Comissões[/b]

Oficialmente, a CGA informou que conduz uma apuração preliminar. A corregedoria vai se manifestar “no momento oportuno”. Seus primeiros movimentos revelam que não existe nenhum convênio, ou assinatura de repasse de verba atendendo a indicação de Zé Bruno no exercício 2010.

C.A.A.V. foi ouvido por uma equipe de seis corregedores, sob comando do delegado da Polícia Civil João Batista Palma Beolchi.

A testemunha disse que trabalhou no gabinete de Zé Bruno de fevereiro de 2009 a maio de 2010, como auxiliar parlamentar. Ele contou que certa ocasião foi “isolado” depois que se recusou a repassar parte de seu salário para o deputado. “Em meados de abril de 2010 eu fui chamado à sala do deputado, o qual me informou que a partir do mês seguinte uma parte do meu salário deveria ser repassada a ele. Eu não concordei com isso e 15 dias depois, fui exonerado.”

“Deixei de participar de reuniões como costumeiramente fazia”, relata. “Tanto nas reuniões no gabinete como nas nas sedes dos municípios os participantes passaram a ser apenas a chefe de gabinete Fran, Cremonesi, o prefeito, o deputado e, vez por outra, Fabrício.”

Ele declarou que “sabia pelos comentários correntes que o objetivo dessas reuniões era obter comissões para liberação das emendas”.

[b]Fonte: Estadão[/b]

Comentários