Ainda que desejasse reencarnar num escritor, Fidel Castro não acredita numa outra vida, nem sequer na eterna, e aos 80 anos, completados em convalescença, este ateu comunista comunga com o pensamento do Cristianismo, o qual considera “revolucionário” em sua ética e origem.

Nascido num lar católico, Castro foi mandado desde pequeno a escolas de ordens religiosas, nas quais adquiriu ampla cultura católica. Ele incorpora em seu inquieto caráter o sentido de sacrifício e elementos da ética cristã.

Durante a luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista (1952-58), Castro organizou um movimento plural do ponto de vista religioso, tanto para tomar de assalto o Quartel Moncada (1953), quanto para a expedição do Granma (1956) ou para a luta guerrilheira em Sierra Maestra (1956-58).Católicos, evangélicos e maçons integravam sua tropa.

A intervenção do Arcebispo de Santiago de Cuba, Monsenhor Enrique Pérez Serantes, evitou que Castro fosse assassinado após o fracasso do Moncada; o sacerdote Guillermo Sardiñas, com o grau máximo de comandante, atuou como capelão em sua coluna da Sierra Maestra.

Em seu encontro com Frei Betto, em 1986, Castro explicou que do ponto de vista educativo, fixou sua atenção “para os aspectos revolucionários da doutrina cristã”.”Ao longo destes anos, tive a oportunidade de expressar a coerência que existe entre o pensamento cristão e o pensamento revolucionário”, acrescentou.

Mas após o triunfo da Revolução de 1959, e sobretudo depois da definição de seu caráter socialista em abril de 1961, teve início um enfrentamento com a hierarquia católica.Boa parte das propriedades da Igreja Católica, sobretudo colégios, figurava entre as nacionalizações realizadas pela revolução. A hierarquia eclesiástica perdeu também acesso aos meios de comunicação.

Os vigários satanizavam nos templos o novo governo comunista e apoiavam a oposição. Castro expulsou duas centenas de sacerdotes estrangeiros, sobretudo espanhóis.Durante 48 anos de governo, as relações de Castro com os bispos católicos têm sido tensas e oscilantes. Após a crise dos anos 60, houve duas décadas de tensa convivência nos 70 e 80.

Em seguida, anos muito difíceis com a crise econômica da década de 90.As outras religiões também foram marginalizadas até 1992, quando o IV Congresso do Partido Comunista reconheceu a plena liberdade e igualdade de cultos e aceitou militantes crentes.

No entanto, Castro não é acusado de anticlerical. Foi amigo pessoal do primeiro núncio após o triunfo da revolução, monsenhor Cesare Sacchi.Com o Papa João Paulo II houve uma corrente de empatia, além de coincidências de Castro com a doutrina social do Pontífice.

Após sua visita à ilha, em janeiro de 1998, as relações Igreja-Estado se tornaram mais próximas.Cuba, um dos últimos países comunistas, teve um verdadeiro luto oficial com a morte de João Paulo II.A visão de Castro, como estadista, sobre a religião começou a variar após conversas com católicos no Chile, em 1971, e com evangélicos na Jamaica, em 1977.

Após sua entrevista publicada em todo o mundo como um livro, “Fidel e a Religião”, Frei Betto o vê assim: “Fidel é um homem privilegiado por sua formação cristã e sua opção marxista”.

Para seu amigo pessoal, o presidente Hugo Chávez, é um “cristão social”, o que o líder cubano aceita com gosto.

Doutrinalmente, Castro segue se proclamando um marxista-leninista, mas nos últimos anos, quando descobriu “que quase tudo ficou pata trás e que a vida tem seus limites”, seu discurso se voltou mais para princípios éticos do que nas projeções dos clássicos do comunismo.

Pensa que o sentido da vida é adquirir “valores e conhecimentos” para ajudar os demais.Perguntado por Stone se gostaria de viver para sempre, responde rápido: “não, porque minha mente está acostumada às idéia de que há um período limitado de tempo”.

“Fidel é responsável pelos cubanos ante Deus”, diz patriarca ortodoxo

O patriarca ortodoxo russo Alexis II prestou homenagem nesta segunda-feira a Fidel Castro e o classificou de “responsável pelos cubano ante Deus”, no dia seguinte ao aniversário de 80 anos do presidente cubano.

“Sua vida está indissoluvelmente ligada ao destino de sua pátria. Há muitos anos o senhor se converteu em líder e assumiu a responsabilidade da comunidade cubana ante Deus”, escreveu o chefe da Igreja ortodoxa em um telegrama de felicitação.

“Eu desejo que, no futuro, o Senhor lhe dê a força de continuar inspirando solidariedade entre as pessoas com as pessoas com seu exemplo”, acrescenta, dirigindo-se a Fidel como “sua excelência”.

Alexis II também agradeceu ao presidente cubano sua “atenção pessoal no desenvolvimento da Igreja ortodoxa em Havana”.

O presidente russo Vladimir Putin também prestou homenagens, na véspera, a Fidel, definindo-o como “um dos políticos mais brilhantes” do mundo atual.

Fidel diz que está melhorando

Um jornal cubano publicou no domingo as primeiras fotos feitas de Fidel Castro desde a cirurgia abdominal à qual foi submetido há duas semanas, quando transmitiu o poder a seu irmão Raúl Castro, que fez sua primeira aparição pública neste domingo.

Fidel enviou aos cubanos uma mensagem para o dia de seu 80o aniversário que foi publicada pelo diário Juventud Rebelde e inclui quatro fotos dele, da cintura para cima, usando agasalho de ginástica e falando ao telefone, aparentemente sentado numa cadeira.

Ele não aparece em público desde que transmitiu o poder a seu irmão Raúl Castro, em 31 de julho, depois de ser submetido a cirurgia para estancar uma hemorragia intestinal.

Uma das fotos mostra Castro segurando um suplemento sobre ele publicado no sábado pelo jornal do Partido Comunista, o Granma, aparentemente para indicar que as fotos são recentes.

“Dizer que a estabilidade melhorou consideravelmente não é mentira. Dizer que o período de recuperação será breve e que já não existe mais risco seria absolutamente incorreto”, disse Fidel na mensagem divulgada no Web site do jornal.

“Sugiro que vocês sejam otimistas e, ao mesmo tempo, se mantenham sempre preparados para receber uma má notícia”, disse ele.

“O país está funcionando bem e vai continuar assim”, disse o homem que lidera Cuba há 47 anos.

Os detalhes sobre a saúde de Fidel são considerados segredo de Estado, e por essa razão muito pouco foi informado até agora sobre sua condição, nem sequer uma confirmação de que ele está vivo.

Embora sua condição pareça ser estável, não se sabe se Fidel poderá retomar seus deveres no governo.

As autoridades cubanas dizem que, para que possa se recuperar, o workaholic Castro, cuja hemorragia intestinal foi provocada por exaustão e sobrecarga física, terá que reduzir sua carga de trabalho.

Raúl Castro, 75, fez sua primeira aparição pública neste domingo, quando foi receber no aeroporto de Havana o presidente venezuelano Hugo Chávez, aliado de Fidel que foi à ilha para comemorar o aniversário do líder cubano.

Vestido com seu uniforme militar, Raúl Castro apareceu sorrindo, de acordo com imagens da TV estatal cubana.

Alguns cubanos duvidam que o irmão de Fidel possa tocar o trabalho de seu irmão.

O ministro do Açúcar, General Ulises Rosales del Toro, entretanto, defendeu Raúl Castro, durante um evento em homenagem a Fidel num campo de cana-de-açúcar fora de Havana.

“Raúl é um homem com qualidades para liderar o destino da nação junto com Fidel e quando ele não estiver mais conosco”, disse Rosales a repórteres.

A maioria dos cubanos se mostrou aliviada ao ouvir sobre a recuperação de Fidel Castro, mesmo considerando que ele não deve voltar ao trabalho no curto prazo. Mas alguns cubanos questionaram se as fotos publicadas neste domingo foram feitas recentemente.

“Ele parece bem. Seu sorriso transmite calma e serenidade”, disse Yasmin, uma professora de 21 anos. “Se é verdade que as fotos foram tiradas depois da operação, não há razão para preocupação”, acrescentou.

Cerca de 3.000 cubanos, em sua maioria jovens, desejaram parabéns a Fidel Castro num concerto de cinco horas que começou à meia-noite do sábado no “Palco Anti-imperialista” montado diante da missão diplomática dos EUA em Havana, no bulevar Malecón, na beira-mar.

“Estamos torcendo por sua melhora. Para todos os povos oprimidos, Cuba é um exemplo de que o socialismo é possível”, disse o boliviano Juan Carlos Cruz, que estuda medicina gratuitamente em Cuba. Os estudantes levados ao show de ônibus carregavam bandeiras de Cuba, da Venezuela e da Bolívia.

HISTÓRIA
O maior desafio de Fidel: que a revolução sobreviva à sua morte

Fidel Castro, decano dos governantes mundiais, completa 80 anos hoje, travando em seu leito de convalescente a maior de suas batalhas: que a revolução de Cuba, único país comunista do Ocidente, sobreviva à sua morte.

A saída de cena de Fidel e a delegação do poder ao irmão Raúl, cercado de seis figuras de destaque de seu governo, marca o início de uma etapa imprevisível para Cuba, entre o desejo de abertura do povo e um regime em busca de um novo alento, meio século depois de Fidel assumir o poder, em 1959.

Fidel é capaz de gerar paixões extremas. Esse homem, de personalidade forte, admirado por alguns como símbolo de tenacidade e coragem política, é odiado por outros, que o classificam de ditador teimoso, que há 48 anos controla a vida de 11 milhões de cubanos e influencia 1 milhão de pessoas no exílio.

Fidel, o mais antigo no exercício de um governo – Elizabeth II, da Inglaterra, e Bhumibol Adulyadej, da Tailândia, são reis -, é o único líder que conhecem as últimas quatro gerações de cubanos, que agora estão preocupados com o futuro incerto.

As dificuldades econômicas e a falta de liberdade marcam o fracasso do regime, segundo os opositores. Mas a revolução de Fidel resistiu a 10 presidentes e 13 governos americanos em quase 48 anos.

Os chamados internacionais pela libertação de 330 prisioneiros políticos e de uma abertura democrática na ilha, regida por um sistema de partido único, não tiveram eco no regime.

A revolução, no entanto, passa por uma prova histórica. Pela primeira vez, em novembro de 2005, evocando sua morte, Fidel reconheceu a possibilidade de autodestruição do sistema socialista da ilha. Ele jamais havia cedido o comando como fez no último dia 31 de julho, após ser submetido a uma cirurgia no intestino.

A deterioração da saúde de Fidel marca um ponto de inflexão. O repentino papel de protagonista de Raúl Castro, seu irmão e substituto natural, e a renovação do quadro do Partido Comunista (PCC) indicam que a engrenagem da sucessão está se movendo.

‘Mataram-me milhares de vezes’

Sobrevivente de 640 complôs, Fidel manteve até a atual crise de saúde um ritmo que dificultava qualquer prognóstico sobre quanto tempo mais ele ficaria no poder. Analistas afirmam agora que o líder não será mais o mesmo, e não descartam a possibilidade de ele retornar à política em uma função honorífica, caso fique com seqüelas.

Acostumado a ser o centro das atenções, Fidel causou polêmica dias atrás, quando compareceu à Reunião de Cúpula do Mercosul na Argentina. “Sinto-me feliz por completar 80 anos”, comentou em Córdoba. “Tentaram me matar centenas de vezes, mataram-me milhares de vezes, e ressuscitei”, ironizou.

Dias depois, num ato em Holguín (leste), Fidel lembrou que, em Cuba, milhares de pessoas chegam aos 100 anos. “Mas que os nossos vizinhos do norte não se assustem, pois não penso em estar exercendo funções com essa idade”, comentou, bem-humorado.

Após a notícia da doença, as comemorações de seu aniversário foram adiadas para dezembro. Fidel também foi obrigado a delegar tarefas pelas quais é obcecado: o envio de um exército de médicos pela América Latina, novos internacionalistas de sua revolução, e a busca da “invulnerabilidade” econômica do país, com a economia energética e a guerra contra o desvio de recursos do Estado para o mercado negro, vital para a vida dos cubanos.

Aferrado, mais do que nunca, ao socialismo, Fidel disse recentemente sentir-se “10, 20, talvez 100 vezes mais revolucionário” do que quando empreendeu a luta que o levou ao poder, em 1959.

O gênio malévolo

Filho do espanhol Angel e da cubana Lina, Fidel nasceu em 13 de agosto de 1926, na cidade de Birán, no leste de Cuba, e era o terceiro dos sete filhos do casal. Quando pequeno, estudou em colégios jesuítas de Santiago de Cuba e Havana e, em 1945, matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Havana.

O líder cubano optou pela luta armada quando o general Fulgencio Batista deu o golpe de Estado em Cuba, no dia 10 de março de 1952. Após 16 anos de conspiração, e liderando um grupo que não chegava a uma centena de homens, Fidel lançou sua operação contra o quartel Moncada (importante depósito de armas) na madrugada de 26 de julho de 1953, ação que marcou o ponto de partida da Revolução Cubana.

Sua vida e a da revolução são uma só. Chefe das máximas instâncias do poder político, o “Comandante” dirigiu Cuba como um exército gigante, sempre em batalhas, desde a invasão da Baía dos Porcos por opositores treinados pela CIA e a crise dos mísseis, em 1962, até a luta contra os ciclones, os esbanjadores de energia e os mosquitos. Também tornou o país uma potência no esporte, saúde e educação.

Muitos contaram os dias que restariam à revolução após o fim do bloco socialista, que rendeu à ilha uma década amarga, de escassez e crise de valores. Mas Fidel, disposto a fazer um pacto até com o diabo por sua revolução, fez, nos anos 90, concessões ao capitalismo, para cortar o cordão umbilical que uniu seu regime à União Soviética por mais de três décadas.

Jogador que não se conforma com derrotas, Fidel recuperou parcialmente a economia privada, abriu as portas para os investimentos e autorizou o uso do dólar. Mas agora, rejuvenescido a partir de uma nova sociedade com Venezuela e China, o regime de Fidel afirma que Cuba está saindo do “período especial”, prevê um crescimento de 12,5% neste año e dá marcha a ré.

Culpando as reformas pelo abismo social, Fidel retomou o centralismo econômico, reduziu o espaço da iniciativa privada e proibiu o dólar. Pelas dificuldades que a ilha ainda enfrenta, o presidente continua culpando o embargo americano, que vigora há 45 anos, enquanto a oposição acusa o sistema econômico “anacrônico” e politizado, e alerta para uma nova versão da antiga dependência da URSS.

Mas Fidel ignora as acusações e se dedica a manter a economia com a venda de serviços sociais, principalmente médicos. Seu amigo e principal aliado, Hugo Chávez, descreveu-o assim, certa vez: “Fidel, você é um gênio malévolo, e eu sou um petroleiro abastado.”

O ‘neocastrismo’

A revolução de Fidel ganhou novo fôlego. Chávez não apenas oxigenou seu governo com 100 mil barris de petróleo diários, mas também é seu melhor “embaixador”.

No fim da década de 60, o presidente cubano começou a “exportar” a revolução, apoiando em sigilo movimentos rebeldes latino-americanos, e explicitamente tropas na África. Mas o fim do bloco socialista significou um duro golpe nas aspirações “internacionalistas” do regime comunista cubano.

Agora, a conjuntura se volta a seu favor. A chegada ao poder dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez, Néstor Kirchner (Argentina), Tabaré Vázquez (Uruguai) e Evo Morales (Bolívia) representa um giro para a esquerda da América Latina. Visto com desconfiança pelos Estados Unidos, esse bloco heterogêneo – moderados, progressistas, populistas – deu uma nova margem de manobra para a revolução cubana, após décadas de isolamento.

A aproximação de Fidel do Mercosul acontece no momento em que os governos do bloco promovem, em seus respectivos países, programas de redução da pobreza, em plena expansão nos últimos anos. É nesse contexto, segundo analistas, que Fidel e Chávez somam à diplomacia petroleira venezuelana uma estratégia social para reduzir a influência de Washington na região.

Com o apoio de Chávez, Fidel envia para toda a região brigadas de médicos, professores e assessores esportivos. Neste ano, a revolução cubana ganhou um novo fôlego, com a formação do eixo Havana-Caracas-La Paz. Milhares de jovens bolivianos e venezuelanos estão em Cuba para estudar medicina e trabalho social.

Além do significado humanista, o efeito político e ideológico de ter um médico numa montanha perdida da América é, para alguns, uma forma de semear uma revolução mais lenta, porém mais eficaz, do que o envio de guerrilheiros, como na década de 60.

Uma Cuba sem Fidel

Incontáveis vezes, circularam rumores de que Fidel havia morrido, mas agora, quando ele completa 80 anos com problemas de saúde, as vozes se multiplicam em torno da mesma pergunta: “O que acontecerá em Cuba após a sua morte?”

Embora a análise seja inexistente na imprensa cubana, porta-vozes do governo, especialistas internacionais, intelectuais e acadêmicos discutem, mais do que nunca, esse tema.

Sem cruzar os braços, o governo de George W. Bush tem pronto um plano para acelerar a transição política e o retorno do capitalismo a Cuba, e aumentou a ajuda financeira à oposição cubana.

Por muito tempo, a saúde de Fidel foi um tabu, até que ele sofreu um leve desmaio, em junho de 2001, durante um ato em Havana. Três anos depois, caiu e fraturou o joelho esquerdo e o braço direito. O homem de ferro, impetuoso e incansável, era mortal.

Um futuro sem Fidel foi colocado sobre a mesa. Raúl Castro, cinco anos mais jovem, é fundamental para garantir a continuidade da revolução. Mas sem o carisma de Fidel, ele permanece invisível após a transferência de poder. Mas é o cabeça dos generais e comandantes históricos, que teriam um papel decisivo em Cuba caso o líder morra.

“O comandante-em-chefe da revolução cubana é um só, e apenas o PCC (…) pode ser o digno herdeiro”, sentenciou Raúl em junho, diante de comandos militares. Para Frank Mora, especialista em assuntos militares cubanos da Escola Nacional de Guerra, em Washington, “o estilo de mobilização popular de Fidel enfatiza a sua autoridade carismática, mas o futuro governo não pode fazer o mesmo, daí a necessidade de construir, inclusive legitimar, organizações políticas como o partido”.

Sucessão, transição, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Analistas assinalam, com algumas variações, que, no futuro de Cuba, será crucial a decisão de uma reforma ou a continuidade do atual modelo econômico, em que o Estado é o único senhor.

“Seria interessante ver como Raúl reagiria se ficasse livre da influência que seu irmão exerceu por quase 50 anos. Ele Controla as Forças Armadas, os serviços de segurança e grande parte da economia”, comentou Brian Latell, ex-analista da CIA.

A Raúl, sob cujo comando as Forças Armadas tomaram o controle de setores-chave da economia, como o turismo, atribui-se um maior pragmatismo, que favoreceria o modelo político-econômico chinês. Mas ninguém fala em um programa econômico diferente da economia estatal centralizada com forte incidência política que Fidel prefere.

Quem parece ter a chave é mesmo Fidel, que sempre monopolizou a tomada de decisões e a administração das crises, inclusive a atual, a maior de suas batalhas. Mas quando sua morte acontecer, e a notícia correr o mundo, depois que Miami e Washington explodirem em alegria, com um maquinário político e militar a postos para assumir o controle, e uma oposição interna atomizada, todos voltarão os olhares para a ilha, para ver qual será a reação do povo cubano.

Fonte: Último Segundo, Reuters e AFP

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