O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana de Portugal, António Vitalino Dantas, reconheceu nesta terça-feira, em Fátima, existir um aumento dos pedidos de apoio de imigrantes às instituições de caridade da Igreja Católica portuguesa.

“Tem aumentado o número de pedidos de ajuda de imigrantes, para quem procuramos dar respostas em parceria com as instituições do Estado, sociais e dos municípios”, afirmou dom António Vitalino Dantas, antes do início da peregrinação internacional ao Santuário de Fátima.

Para o prelado, o crescimento das solicitações deve-se ao desemprego e ao trabalho clandestino. “Quando os imigrantes ficam sem trabalho, ficam na rua”, alertou, acrescentando que “a Igreja nem sempre tem os recursos necessários” para responder a essas solicitações.

O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana explicou que a questão dos imigrantes, sobretudo dos africanos, “tornou-se um tema muito debatido”, não apenas “por causa da Lei da Imigração”, em vigor há um ano em Portugal, mas também devido à realização da Cúpula União Européia-África, em dezembro, e à “nova diretiva européia sobre migrações”.

Sobre o tema, dom António Vitalino Dantas considerou que a chamada “diretiva de retorno” da União Européia “é mais restritiva à liberdade de circulação na Europa”, em contraposição com o fato de “a Igreja ser uma sociedade aberta”.

O diretor nacional da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), padre Francisco Sales Diniz, disse que mais de metade das pessoas que emigram hoje “são jovens e levam um sonho de construir uma vida de dignidade humana”, e que essa esperança não pode ser frustrada.

Para o padre Diniz, junto aos jovens migrantes está a possibilidade de “renovação das comunidades cristãs, que estão muito envelhecidas”, devendo ser dada “muita atenção” também aos filhos de emigrantes portugueses, “para que possam continuar a ser portadores da cultura e da fé que herdaram dos seus pais”.

A peregrinação internacional, que começou nessa terça-feira, no Santuário de Fátima, tem como tema esse ano “Jovens migrantes protagonistas da esperança”. O encerramento será nesta quarta-feira, com a eucaristia presidida pelo arcebispo angolano de Lubango, dom Zacarias Kamwenho.

Fonte: Lusa