O primeiro muçulmano a ocupar um cargo de ministro na Grã-Bretanha afirma que a cultura de hostilidade contra os seguidores da religião islâmica está em alta no país (e também no resto do continente europeu).

De acordo com Shahid Malik, ministro do Departamento de Desenvolvimento Internacional, está cada vez mais aceitável provocar, isolar e atacar os muçulmanos. Ele próprio foi vítima de ataques motivados por suas crenças.

Malik teve seu carro incendiado e foi perseguido depois de sair de um posto de gasolina. Segundo ele, casos como esses fazem com que os muçulmanos sintam-se como “estrangeiros em seu próprio país”. “Se você perguntar aos muçulmanos como eles se sentem, muitos dirão que sentem-se como os judeus da Europa”, comparou ele, em referência às perseguições sofridas pelos judeus no mundo todo, especialmente antes da II Guerra.

“Não quero comparar essa situação com o Holocausto, mas sim com a forma pela qual se tornou quase legítimo atacar os judeus, assim como os muçulmanos.” Para ele, “corre por aí a mensagem de que é OK atacar as pessoas, desde que elas sejam muçulmanas”. As declarações do ministro foram divulgadas na edição de sexta-feira do jornal “The Independent”. Elas fazem parte de uma entrevista que exibida na segunda-feira.

A entrevista, gravada pelo Channel 4 britânico, marca o terceiro aniversário dos atentados terroristas praticados por jovens muçulmanos em Londres. Uma pesquisa feita por ocasião da data confirma as preocupações do ministro. A sondagem mostrou que metade da população do país culpa o Islã pelos ataques de 2005, enquanto um quarto da população muçulmana acredita que os valores islâmicos não sejam compatíveis com os britânicos.

Fonte: Veja Online