O presidente da Argentina, Néstor Kirchner (foto), reiterou nesta quinta-feira suas críticas à Igreja Católica local ao defender a política oficial “contra a impunidade” dos crimes da última ditadura militar (1976-1983).

“Nosso Deus é de todos, mas cuidado: O diabo também chega a todos. Tanto a quem usa calças, quanto a quem veste batina”, declarou o governante em um ato público na periferia de Buenos Aires.

Kirchner respondeu a declarações do porta-voz do arcebispado da capital argentina, Guillermo Marcó, que afirmou esta semana que “se um presidente estimula a discórdia, isto acaba sendo perigoso para todos”. Além disso, ele recomendou ao chefe de Estado que “deixe de encorajar ódios e de acusar”.

“Por que este secretário do senhor arcebispo de Buenos Aires diz que sou um presidente da discórdia? Por que brigo pela justiça, pela eqüidade e para que não haja impunidade? Se isto é ser um presidente da discórdia, sou um presidente da discórdia”, rebateu o governante.

Kirchner iniciou polêmicas com a Igreja em várias oportunidades desde que chegou à Presidência, em 2003, e, nas últimas semanas, a relação voltou a se tornar tensa por causa da decisão de um bispo de se candidatar nas eleições para a Convenção Constituinte da província de Misiones (nordeste argentino).

O monsenhor Joaquín Piña, que acaba de renunciar à diocese argentina de Puerto Iguazú, liderará a oposição à reforma constitucional dirigida pelo governador de Misiones, Carlos Rovira, que tem o apoio de Kirchner.

Na última semana, o governante argentino esteve nesta província, onde reiterou suas críticas à Igreja por sua atitude com relação à “guerra suja” realizada pela última ditadura militar, e disse que “alguns sacerdotes teriam que se molhar com água benta”.

No último domingo, o arcebispo de Buenos Aires e cardeal da Argentina, Jorge Bergoglio, convocou o país a “recuperar a memória de como se vive como irmãos” e a erradicar “a discórdia e o ódio”, declarações interpretadas como uma resposta ao governante.

Kirchner também comentou hoje o caso Jorge López, que desapareceu após testemunhar no julgamento de um repressor da ditadura cujo paradeiro é desconhecido há 18 dias. López está sendo procurado em todo o país.

“Caso tivéssemos feito justiça como deveríamos, todas estas coisas estariam no passado, mas vai haver justiça, pois há uma decisão do Governo e um presidente que não se curva, que não tem medo”, encerrou o líder argentino.

Fonte: Último Segundo