Milhares de peregrinos se dirigiram hoje à cidade cisjordaniana de Hebron – onde nos últimos dias colonos e extremistas religiosos enfrentaram a população palestina e o Exército – para a celebração do Shabat Chaiê Sara.

Fontes policiais israelenses informaram à Agência Efe que cerca de 20 mil pessoas foram a Hebron por ocasião deste dia, em que se lê nas sinagogas o capítulo da Vida de Sara, que narra a compra por Abraão do Túmulo dos Patriarcas, situado em Hebron.

As forças de segurança temem que a grande quantidade de pessoas aumente a tensão vivida recentemente.

Esta semana, colonos e jovens de extrema-direita protagonizaram enfrentamentos, profanaram um cemitério muçulmano e uma mesquita, e danificaram veículos policiais, em protesto contra a decisão do Tribunal Superior de Justiça de desocupar uma casa onde judeus moravam ilegalmente.

Após a decisão da Corte, o ministro de Segurança Pública israelense, Avi Ditcher, anunciou que, nos próximos 30 dias, os ocupantes do imóvel serão retirados do local.

As forças de segurança israelenses proibiram, desde ontem, o acesso da população palestina ao centro da cidade e ao Túmulo dos Patriarcas (mesquita e sinagoga ao mesmo tempo) e tomaram medidas para evitar que “elementos extremistas” se misturem aos peregrinos e provoquem enfrentamentos, informou hoje a imprensa local.

Hebron é a única cidade palestina com assentamentos urbanos e nela residem 500 colonos judeus – protegidos por cerca de 500 soldados israelenses – e aproximadamente 170 mil palestinos.

O porta-voz dos colonos judeus em Hebron, Noam Arnon, assegurou ontem ao jornal “Yedioth Aharonot” que vários dos jovens violentos foram expulsos. De acordo com ele, grandes esforços para acabar com os fatos recentes estão sendo feitos e espera-se que eles dêem resultado.

Arnon mostrou esperança de que o shabat de oração “transcorra com normalidade e seja virtuoso. Um shabat com orações e a leitura da Torá, um shabat baseado na experiência espiritual judaica”.

Cerca de 70 colonos se instalaram na casa em disputa, onde foram colocadas barricadas e barras de ferro nas portas e nas janelas para dificultar o desocupação, informou hoje o canal religioso “Arutz Sheva”.

A ministra de Exteriores e candidata à primeira-ministra, Tzipi Livni, afirmou ontem que uma situação em que “os direitistas desafiam as sentenças do Tribunal Superior de Justiça é intolerável”.

Além disso, acrescentou que espera que “as autoridades atuem em uníssono contra este fenômeno” e que façam “as normas, os valores e a lei” serem cumpridos.

Fonte: EFE