Cristãos orando com a bandeira da Venezuela (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A democracia na Venezuela tornou-se apenas uma sombra do que já foi. “Hoje, não passa de um rótulo vazio, uma lembrança do passado”, lamenta o pastor Moisés*, advogado e pastor que serve sua igreja há mais de cinco anos. Segundo a revista SIC, o sistema democrático da Venezuela transformou-se em um regime autoritário centralizado.
A separação de poderes foi enfraquecida, o que eliminou os controles e equilíbrios essenciais para garantir justiça e transparência. As eleições, que deveriam representar a vontade do povo, têm sido marcadas por constantes irregularidades. Um artigo do New York Times, de julho de 2024, detalhou intimidações aos eleitores e mudanças abruptas nos centros de votação e acesso restrito aos registros físicos de votação durante a última eleição presidencial, na qual Nicolás Maduro foi declarado vencedor.
Essas irregularidades, desde 2004, somam-se a mais de 200 meios de comunicação na Venezuela que foram fechados. A supressão sistemática silenciou vozes dissidentes e privou milhões de venezuelanos de informações confiáveis. Para os críticos do governo, incluindo líderes cristãos, falar abertamente traz riscos significativos.
Censura e pressão
“Não é permitido falar em termos contrários ao sistema governante, o que cria um ambiente de autocensura e medo em todos os setores, incluindo a igreja”, acrescenta o pastor Moisés. Embora restrições explícitas à prática religiosa sejam raras, o governo usa métodos indiretos para controlar a igreja. Pastores enfrentam ameaças de prisão, fechamento de igrejas e infiltração por agentes do governo para influenciar os seguidores.
Na Venezuela, as igrejas são frequentemente categorizadas como “aprovadas” ou “na lista malquista” pelo governo. Igrejas aprovadas beneficiam-se de recursos estatais, enquanto as que resistem enfrentam obstáculos burocráticos e operacionais, incluindo dificuldade para renovar status legal ou organizar eventos.
Outra estratégia usada pelo regime é pressionar líderes religiosos a participar de eventos públicos ou comunitários, na tentativa de retratá-los como apoiadores do governo e ganhar credibilidade entre a comunidade cristã. Apesar disso, a fé permanece um refúgio, as igrejas da Venezuela permanecem firmes, comprometidas com sua missão de ser “sal e luz” para a nação.
Há muito a ser feito. A Venezuela continua enfrentando desafios significativos, com um longo caminho pela frente para as igrejas e a liberdade religiosa. “As necessidades são esmagadoras. É necessário apoio para famílias pastorais e pequenas igrejas. A crise econômica afetou nossa saúde física e mental. Precisamos continuar sendo fiéis em meio a esta tempestade política”, diz o pastor Gabriel*.
Bandeira do Iêmen no alto da cidade de Sanaa, patrimônio mundial da UNESCO, agora destruída pela guerra civil (Foto: Canva Pro)
Em um dia de semana sombrio, Zahra, uma cristã que é líder do ministério de mulheres no Iêmen, recebeu uma ligação dizendo: “Anis foi morto”. Anis era um irmão em Cristo. Juntos, faziam visitas e encontros para falar sobre Jesus. “Eu realmente gosto do meu ministério. Costumava falar com moças e mulheres enquanto Anis servia aos homens. Foi um tempo frutífero e Deus trabalhava por meio de nós. Entretanto, quando extremistas assumiram nossa cidade, Anis começou a receber diversas ameaças: ‘Seu infiel, vamos matar você’”, conta a cristã.
Tais ameaças não eram estranhas para Zahra e seus parceiros de ministério, afinal de contas, eles vivem no Iêmen, o terceiro país mais perigoso no mundo para os seguidores de Cristo. Mas dessa vez, Anis teve um sentimento ruim. “Os extremistas sabiam sobre nossa fé e suas tentativas para nos impedir eram inevitáveis. Certa vez, Anis e eu estávamos andando na rua com o filho dele. Naquele dia, Anis recebeu diversas mensagens de texto dizendo: ‘Queremos matar você hoje, mas vimos você andando com outras pessoas. Não queremos prejudicá-los, mas vamos atrás de você’”, conta.
Anis conversou com Zahra sobre as ameaças, mas ela as ignorou. “Eu li as mensagens como se fossem apenas mais uma entre as que recebemos antes. Entretanto, dessa vez, eles estavam falando sério e planejavam matar Anis”, explica. Uma semana depois, extremistas assassinaram Anis ao meio-dia, na frente dos filhos. As palavras que vieram do telefone foram: “Anis* foi morto”. “Eu fiquei chocada. Não podia acreditar. Foi um tempo muito difícil para mim. Fui assombrada pelas mensagens que ele havia me mostrado uma semana antes. Fiquei aterrorizada. Não acreditei quando ele me mostrou, mas agora, era diferente. E se eu fosse a próxima?”, relembra.
Lamento e choro
Anis pediu que Zahra cuidasse de sua família caso as ameaças se tornassem realidade. “Quero que você cuide de minha esposa, Rania*, e dos meus filhos. Ela não será capaz de lidar com isso sozinha”, disse a Zahra. Mas a cristã disse que nada lhe aconteceria. “Ele foi morto por ser cristão”, compartilha com lágrimas nos olhos. “Ele me pediu para cuidar de sua família, mas naquele momento, eu não podia ajudá-los. Precisava cuidar de mim primeiro. Precisei de Deus mais do que nunca”, explica.
Zahra teve seu tempo para lamentar e orar. Mas, após algumas semanas, quis manter a promessa feita a Anis. “Precisava estar presente com a esposa e os filhos dele. Não podia continuar me escondendo e me afogando em tristeza”, disse. Zahra visitou a família que não era cristã. “Rania estava devastada. Ela se tornou viúva e mãe solo de duas crianças da noite para o dia. Eu precisava contar a ela sobre Jesus. Apenas ele podia ajudá-la”, explica.
Os filhos de Anis também estavam traumatizados. Zahra relembra como foram os dias após sua morte: “‘Se meu pai não fosse cristão, ainda estaria vivo’, compartilhou o mais velho. Toda vez que eles viam alguém segurando uma arma na rua, apontavam e diziam: ‘Esse homem matou Baba. Foi ele que matou Baba’. Eu tentei ao máximo estar por perto, além de fortalecê-los constantemente em oração”, compartilha. Mas Zahra sempre soube que poderia ser o próximo alvo. Tudo por ser cristã no Iêmen. “Vivemos entre lobos e sabemos disso. Eu escolhi esse caminho e sei as provações que resultaram disso. Jesus tomou minha dor, sofrimento e culpa. Agora é minha vez de carregar a cruz”, conclui.
Iêmen
O Iêmen é um dos lugares mais perigosos do mundo para se seguir a Jesus. O islamismo é a religião nacional e a sharia (conjunto de leis islâmicas) é a fonte de toda a legislação. Além disso, uma guerra civil que dura mais de dez anos levou o país a um estado caótico e perigoso. Sua doação permite que líderes cristãos recebam capacitação e recursos para desenvolver o ministério pastoral e cuidar da igreja local.
A igreja da Imaculada Conceição em Saint-Omer foi afetada por um grande incêndio em 2024. (Foto: Observatório da Intolerância e Discriminação Contra os Cristãos)
Um relatório de inteligência territorial consultado pela rádio francesa Europe 1 mostra que os atos anticristãos na França caíram em 2024, enquanto as tentativas de ataques incendiários e incêndios em locais de culto aumentaram, assim como os roubos em edifícios religiosos.
A polícia registrou uma queda de 10% nos ataques anticristãos no ano passado, com um total de 770 incidentes (853 em 2023).
Por outro lado, o relatório revela que houve quase 50 tentativas e incêndios criminosos em locais de culto cristãos em 2024, em comparação com 38 em 2023, um aumento de mais de 30%.
Segundo o relatório, o aumento pode ser explicado, entre outras coisas, pelos ataques incendiários a igrejas na Nova Caledônia (um grupo de ilhas francesas no Pacífico Sul) durante os tumultos que ocorreram lá no ano passado.
Na França continental, os dois maiores incêndios afetaram a igreja católica de Saint-Omer, quando todo o telhado da igreja e seu campanário foram devastados pelas chamas, e a igreja de Saint-Hilaire-le-Grand, em Poitiers, que foi alvo de dois surtos simultâneos de incêndio e danos.
Além dos incêndios, os roubos em locais de culto também estão aumentando, com 288 incidentes registrados em 2024, em comparação com 270 no ano anterior, um aumento de 7%. Isso significa uma média de cinco roubos por semana em locais de culto cristãos.
As regiões mais afetadas são Nouvelle-Aquitaine, Ile-de-France, Grand Est, Auvergne-Rhône-Alpes e Occitanie.
Apesar desses dados recentes, os atos anticristãos não são os atos antirreligiosos mais frequentes na França. Desde 2023, a comunidade judaica tem sido a mais visada.
Os incidentes antissemitas representam 62% dos incidentes antirreligiosos, os incidentes anticristãos, 31%, e os incidentes antimuçulmanos, 7%.
Pastora Denise Seixas, viúva do Apóstolo Rina, da Igreja Bola de Neve (Foto: instagram @deniseseixas)
A pastora Denise Seixas, viúva do apóstolo Rina, anunciou sua renúncia ao cargo de presidente interina da Igreja Bola de Neve, na noite de terça-feira (12/2). Em um comunicado oficial, ela afirmou que a decisão foi tomada após um período de oração e diálogo com os conselheiros da instituição.
Desde a morte de Rinaldo Luiz de Seixas, conhecido como Apóstolo Rina, em 17 de novembro de 2023, Denise Seixas vinha enfrentando disputas internas pelo comando da igreja. Após o falecimento do fundador, o conselho da Bola de Neve nomeou Gilberto Custódio de Aguiar como vice-presidente interino em 18 de novembro, o que levou a um impasse jurídico sobre a sucessão.
A 12ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reconheceu Denise Seixas como presidente interina e vice-presidente da igreja em 9 de janeiro, invalidando a nomeação de Aguiar. A decisão determinou que a estrutura diretiva da instituição permanecesse como estava antes da morte de Ap. Rina.
No entanto, a situação ficou ainda mais complexa devido a um acordo de divórcio assinado três meses antes da morte de Rina. O documento revelava que Denise havia aceitado deixar o cargo de vice-presidente da igreja em agosto de 2024 e que, em troca, manteria o título de cofundadora, receberia um salário de R$ 10 mil mensais e teria plano de saúde custeado pela instituição.
Diante das tensões internas e da batalha judicial, Denise Seixas optou por renunciar à presidência interina da Bola de Neve, alinhando sua decisão com a diretoria e o conselho da igreja.
Em sua nota oficial, ela destacou que sua escolha respeita “o legado e as direções estabelecidas pelo Ap. Rina e pela Pra. Denise, ao Conselho, sempre com o objetivo de buscar o melhor para a Igreja” e disse que “com a certeza de que Jesus Cristo é soberano, Dono e conduz sua Igreja, seguimos confiando que Ele guiará este novo tempo”.
Jovens adolescentes reunidos lendo a Bíblia (Foto: Canva Pro)
Embora a filiação religiosa e a frequência à igreja estejam em declínio, mais da metade dos adolescentes americanos, 52%, afirmam estar “muito motivados” a aprender mais sobre Jesus.
Outra parte desses jovens, pouco mais de 75%, dizem estar pelo menos “um pouco motivados” a conhecer a figura central do cristianismo,
Esses resultados estão no relatório “The Open Generation: United States”, da Barna Research, divulgado em 30 de janeiro.
Menos de um em cada cinco se declara desmotivado, o que significa 6% um pouco desmotivados e 10% nem um pouco motivados, enquanto outros 7% estão incertos.
Citando dados da pesquisa Gen Z Vol. 3 da Barna, que também destaca uma crescente abertura e curiosidade sobre questões espirituais entre adolescentes e jovens adultos, os pesquisadores observaram que essas descobertas representam uma oportunidade para os líderes cristãos se envolverem com esse público.
“Esta geração tende a acreditar que há algo mais poderoso do que eles. Ainda assim, muitos permanecem hesitantes em abraçar a religião ou frequentar a igreja. Líderes da igreja devem reconhecer que a abertura dos adolescentes para aprender sobre Jesus representa uma oportunidade significativa para um engajamento significativo”, disseram pesquisadores.
Barna aconselhou os líderes da igreja: “Embora os adolescentes expressem interesse em Jesus, eles podem abordar a fé de maneira diferente das gerações anteriores. Além disso, autenticidade e relevância são fundamentais. Esteja preparado para abordar questões difíceis honestamente e demonstrar como Jesus e a Bíblia se relacionam com o mundo em que vivemos hoje.”
Resultados anteriores
Outra pesquisa com 2.000 adultos nos EUA, realizada em outubro de 2022 pela organização de pesquisas evangélicas, revelou que 77% dos participantes acreditam em um poder superior e 74% expressaram o desejo de crescer espiritualmente.
As descobertas são semelhantes aos dados da pesquisa do Pew Research publicados em 2018, que mostraram que, embora 80% dos americanos afirmem acreditar em Deus, apenas uma pequena maioria dos aproximadamente 327 milhões de habitantes do país acredita em Deus conforme descrito na Bíblia.
Na época, o CEO da Barna, David Kinnaman, afirmou que essa descoberta trazia uma mensagem esperançosa para os líderes cristãos.
“Embora a afiliação religiosa e a frequência à igreja continuem a declinar, a abertura espiritual e a curiosidade estão em ascensão. De fato, em todas as gerações, vemos um desejo sem precedentes de crescer espiritualmente, uma crença em uma dimensão espiritual/supernatural e uma crença em Deus ou em um poder superior”, observou Kinnaman.
E continuou: “De forma esmagadora, os adolescentes cristãos de hoje dizem que Jesus ainda é importante para eles; 76% afirmam que ‘Jesus fala comigo de uma maneira que é relevante para a minha vida’. Em uma cultura que geralmente rebaixou a reputação dos cristãos e relegou o culto dominical e outras atividades relacionadas à igreja para as margens da sociedade, os adolescentes permanecem surpreendentemente abertos a Jesus como uma influência em suas vidas.”
Kinnaman também ressaltou que, apesar dos adolescentes estarem receptivos ao testemunho cristão, eles também demonstram abertura para outras religiões.
“Eles estão abertos a diferentes crenças, incluindo o cristianismo, e estão receptivos a amigos, causas e ideias. Embora pais, educadores e outros que orientam os jovens tenham a tarefa desafiadora de fornecer orientação sábia aos adultos em formação, os adolescentes de hoje estão apresentando à igreja algo que acredito que não vimos antes — uma espécie de página em branco; uma chance de imaginar um futuro diferente.”
Fonte: Guia-me com informações de The Christian Post
Nasser Navard Gol-Tapeh [à esq.] e Joseph Shahbazian [à dir.] são cristãos que foram presos no Irã. (Fotos: Article 18)
Dois cristãos, que haviam sido libertados da prisão no Irã em 2022 e 2023, foram presos novamente em 6 de fevereiro, conforme informou o Artigo 18.
Nasser Navard Gol-Tapeh e Joseph Shahbazian foram presos em suas casas por agentes de inteligência que os levaram de volta para a Prisão de Evin, em Teerã, junto com outros cristãos que foram presos por sua fé na mesma época, segundo o grupo de defesa.
Gol-Tapeh, 63 anos, um convertido do islamismo, foi “perdoado” e libertado em outubro de 2022 após cumprir quase cinco anos de uma sentença de 10 anos por acusações de “ações contra a segurança nacional” devido ao seu envolvimento em uma igreja doméstica.
“Nasser aparentemente está se recusando a comer em protesto contra sua nova prisão ilegal, enquanto fontes do Artigo18 relatam que vários outros cristãos de Teerã também foram presos ao mesmo tempo e permanecem sob custódia”, informou o Artigo 18.
Shahbazian, um iraniano-armênio de 60 anos, passou pouco mais de um ano na Prisão de Evin por acusações semelhantes antes de ser “perdoado” e libertado em setembro de 2023.
Embora as igrejas armênias sejam legais no Irã, sua prisão e a volta a ela demonstram que nenhum cristão está seguro no país, conforme declarou o Artigo 18.
“Ambos os grupos permanecem como alvos potenciais das autoridades iranianas”, relatou o grupo. “De fato, como mostra o novo relatório anual do Artigo 18, qualquer cristão considerado ‘não alinhado’ com os objetivos da República Islâmica pode enfrentar prisão e encarceramento sob acusações de ‘segurança’.”
Relatório de apelação
O relatório anual, apresentado nas Nações Unidas em Genebra no mês passado, apelou às autoridades iranianas para “cessarem a criminalização da organização e dos membros das igrejas domésticas” e pediu esclarecimentos sobre “onde os cristãos de língua persa podem adorar livremente em sua língua materna, sem medo de prisão e perseguição”.
Uma terceira recomendação solicitou que as autoridades iranianas retirassem todas as acusações contra cristãos relacionadas a atividades da igreja que a Suprema Corte iraniana havia considerado legais.
Esta recomendação faz referência a uma decisão de 2021 em Teerã, que esclareceu que o envolvimento em igrejas domésticas ou a propagação do que foi rotulado como “seitas sionistas evangélicas” não deveria ser considerado uma “ação contra a segurança nacional”.
Os motivos para as novas prisões de Gol-Tapeh e Shabazian não estavam claros.
Cartas
Durante seus cinco anos na prisão, Gol-Tapeh havia solicitado várias vezes um novo julgamento ou liberdade condicional e escreveu inúmeras cartas abertas questionando como a participação em uma igreja doméstica poderia ser considerada uma “ação contra a segurança nacional”, conforme relatado pelo Artigo 18.
Sua libertação aconteceu dois dias após um incêndio espalhar o caos na prisão, resultando na morte de pelo menos quatro prisioneiros e provocando disparos e projéteis lançados para dentro da instalação.
Não ficou claro se o incêndio estava relacionado à libertação de Gol-Tapeh, que enfrentou vários problemas de saúde durante o encarceramento.
“Nasser foi arbitrariamente preso e detido, falsamente acusado, injustamente encarcerado por quase cinco anos e desumanamente privado de uma chance de novo julgamento, liberdade condicional e assistência médica”, disse o diretor do Artigo18, Mansour Borji, após sua libertação em 2022.
Cultos domésticos
Shahbazian foi inicialmente condenado a 10 anos por realizar cultos em sua casa, mas essa sentença foi reduzida para dois anos em maio de 2023.
Ele teve tratamento médico negado para uma doença por vários meses e, mesmo após receber um diagnóstico, não foi informado sobre a sua condição, conforme relatado pelo Artigo 18.
Ele optou por não solicitar liberdade condicional, pois isso exigiria prometer não participar das atividades pelas quais foi inicialmente preso, como organizar e sediar reuniões de igrejas domésticas com convertidos cristãos, conforme relatado pelo Artigo 18.
“Iranianos de famílias armênias e assírias têm um certo grau de liberdade para adorar – em suas próprias línguas –, mas as igrejas que ofereciam serviços em língua persa foram sistematicamente fechadas nos últimos 15 anos”, relatou o Artigo 18.
“Como resultado, os iranianos que desejam adorar na língua nacional persa – sejam convertidos, armênios ou assírios – não têm lugar para adorar.”
O fechamento de igrejas levou ao aumento de cultos domésticos como a de Shabazian, afirmou o grupo.
“Mas esses grupos foram proibidos pelas autoridades iranianas e referidos como ‘grupos inimigos,’ e seus membros foram sistematicamente presos e encarcerados sob acusações de ‘atos contra a segurança nacional’”, relatou o Artigo 18.
Em 2025, o Irã ocupou a 9ª posição na Lista Mundial da Perseguição, da Portas Abertas, que enumera os 50 países onde é mais difícil ser cristão. Apesar da perseguição, o relatório destacou que “a igreja no Irã está crescendo de forma constante”.
Cristão segura cartaz contra a perseguição religiosa na Nicarágua (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Mais de 380 milhões de cristãos sofrem algum tipo de perseguição religiosa ao redor do mundo. Esta realidade evidenciada na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2025 lançada pela Missão Portas Abertas. O relatório chama a atenção da Igreja Livre para os 50 países, onde é mais difícil para o cristão viver.
Dentre eles, quatro estão localizados na América Latina: Cuba (26ª), Nicarágua (30ª), México (31ª) e Colômbia (46ª). “A maioria dos nossos irmãos na América Latina não conhece a situação de perseguição no nosso continente”, afirma Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas.
“É uma surpresa quando falamos de países de maioria cristã, como o México, que é um país livre, mas há regiões onde há forte perseguição aos cristãos, especialmente nas comunidades indígenas e onde operam os traficantes de drogas.”
Segundo o pastor Ruy Oliveira, líder global de DNA Missionário da Junta de Missões Mundiais, da convenção Batista Brasileira, e diretor de Missões da União Batista Latino Americana, é preciso olhar essa região com atenção no que diz respeito à perseguição religiosa.
Isto porque, no geral, a situação é um pouco diferente da enfrentada em outros países, especialmente quando há a presença de religiões dominantes, que são hostis ao cristianismo, e, principalmente, ao evangélico.
“No geral, as situações de perseguição estão atreladas a restrições governamentais, como vigilância e leis que dificultam o estabelecimento de igrejas em templos, ou ainda à ausência da própria autoridade legal, como no caso das regiões dominadas pelas milícias, forças paramilitares e o narcotráfico de maneira geral”, detalha o pastor Ruy.
Cuba
Em Cuba, de acordo com ele, as ações de perseguição se misturam às restrições governamentais a seus cidadãos. “As igrejas evangélicas podem se reunir e celebrarem seus cultos com certo grau de liberdade, mas desde que não se aborde temas considerados de justiça social ou crítico às autoridades do país.”
O pastor também destaca que, em Cuba, a geração nascida nas décadas de 70 e 80 ainda enfrenta a incerteza de quantos membros da igreja estão dispostos a relatar às autoridades qualquer situação que possa ser vista como uma violação da liberdade religiosa concedida pelo Estado.
As ‘casas culto’ são ainda o principal meio de se estabelecer novas igrejas, já que há restrições quanto à construção de novos templos. “Ao mesmo tempo, esta restrição tem sido o incentivo para a plantação de novas casas em todo o país”, comenta Ruy.
Ele menciona ainda que há uma intensa mobilização missionária em Cuba, o que gera a esperança de que, à medida que as políticas de viagens internacionais para os cidadãos cubanos se tornem mais flexíveis, será possível enviar missionários para além das fronteiras. Atualmente, isso é uma tarefa muito difícil.
“Em Cuba, observa-se o crescimento do número de pessoas que se declararam sem religião, o que aumenta o desafio de evangelização nos limites da ilha caribenha.”
Nicarágua e Colômbia
Apesar de ter uma grande população evangélica, a Nicarágua segue sob um regime com diversas ações de intimidação e restrição às ações religiosas. “Há igrejas, convenções e associações evangélicas denominacionais, mas há sempre o risco de algum tipo de intervenção nas organizações e instituições, como colégios, rádios e hospitais”, revela o pastor Ruy, que acrescenta: “O acesso ao país com um visto religioso não é algo fácil e sua liberação tem um caráter arbitrário, não seguindo regras claras.”
Na Colômbia, conforme Ruy, grande parte do que é considerado perseguição religiosa tem ocorrido principalmente nas chamadas zonas vermelhas, áreas controladas por traficantes e milícias paramilitares. “Nessas regiões, iniciativas evangélicas de plantação de igrejas, evangelização e discipulado são consideradas por vezes, uma ameaça ao recrutamento de jovens aos exércitos estabelecidos para o controle das regiões.”
México
Quanto ao México, o pastor revela que é um dos países da América Latina onde até os dias atuais apresenta relatos de perseguição religiosa, especialmente originada dentre os católicos, cujas tradições seguem muito fortes. “Há regiões no país consideradas não alcançadas, tendo em vista que possuem a presença de menos de 1%a 2% de cristãos evangélicos.”
Em território mexicano há também regiões onde o domínio do narcotráfico é uma ameaça às iniciativas missionárias de evangelização, alerta o pastor Ruy. “Assim, o discipulado e o desenvolvimento de projetos comunitários que possam dar oportunidades a moradores locais também sofrem riscos.”
Na comunidade de Piedras Blancas* em Oaxaca, México, uma crescente tensão entre as tradições indígenas e o direito à liberdade religiosa veio à tona. Em 2024, uma multidão se reuniu em frente ao barracão verde que serve como a cadeia local para prender o pastor Rigo*, preso por professar e compartilhar uma fé diferente da praticada pela comunidade.
Sua recusa em participar das festividades religiosas da comunidade e sua decisão de apresentar uma queixa à Comissão Estadual de Direitos Humanos sobre os abusos que sofreu selaram seu destino. Ele foi rotulado como “traidor” e convocado para ouvir sua sentença. Os líderes tradicionais o declararam culpado de “rebelião” e “agressão”.
Essa não foi a primeira vez que o pastor Rigo enfrentou perseguição. Há quatro anos, sua casa foi incendiada, uma mensagem clara de que suas crenças não eram bem-vindas. Para coexistir pacificamente, ele concordou em participar de certas atividades tradicionais da comunidade que não comprometessem sua fé. Mas a recusa contínua em participar de tradições que conflitavam com suas crenças irritou os líderes e as ameaças se intensificaram.
Violação de direitos básicos
Semanas antes de sua prisão, seu filho foi expulso da escola, e os líderes municipais cortaram os serviços básicos de sua casa. Essas ações levaram Rigo a apresentar a queixa que acabou resultando em sua prisão. Após a prisão, sua esposa Ana* recorreu às redes sociais para expor a injustiça e a realidade da perseguição religiosa. A reação foi brutal. Ela foi presa junto ao marido por dois dias.
Rigo também foi forçado a assinar um documento sob coação, admitindo que ele não havia cumprido seus deveres comunitários. Essa ação o enquadrou ainda mais como inimigo da comunidade. A Portas Abertas tomou conhecimento do caso e agiu rapidamente. Com a ajuda de um advogado e o apoio do Escritório de Assuntos Religiosos em Oaxaca, as negociações começaram. O diálogo entre a família e as autoridades comunitárias resultou em um acordo, mas a um custo alto: uma multa de 50.000 pesos.
Ana foi libertada no mesmo dia, e Rigo no dia seguinte, mas a provação deixou feridas físicas e emocionais duradouras. Embora livres, eles continuam a enfrentar restrições na prática da fé. Não podem construir uma igreja, nem receber pastores. Apesar disso, eles permanecem comprometidos em servir a comunidade, demonstrando amor e respeito até mesmo para com aqueles que os prenderam, pois entendem que o amor de Jesus pode transformar a comunidade.
Piedras Blancas não é um caso isolado. De acordo com a pesquisa da Portas Abertas, 102 incidentes de perseguição religiosa foram registrados em Oaxaca de outubro de 2023 a outubro de 2024, com 100 ocorrendo em comunidades indígenas. A história de Rigo e Ana destaca o delicado equilíbrio entre a preservação cultural e o respeito pela diversidade e ressalta a necessidade urgente de órgãos de direitos humanos intervirem e promoverem mecanismos de diálogo que protejam os direitos fundamentais enquanto respeitam o patrimônio cultural.
Yousif* é um cristão que esteve preso durante três anos no Iêmen. Ele foi detido por seu compromisso inabalável de compartilhar o evangelho. Apesar das condições difíceis e da perseguição extrema no 3º país da Lista Mundial da Perseguição 2025, a fé de Yousif só se fortaleceu, e seu testemunho agora é uma poderosa prova da fidelidade de Deus.
Nas provações, ele se apegou à promessa de 2Coríntios 4.8-9: “De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos”. Essas palavras se mostram verdadeiras na vida dele e a libertação é um lembrete de que Deus é fiel às suas promessas e ouve as orações do seu povo.
Apesar dos desafios, Yousif, assim como a comunidade cristã no Iêmen, está imensamente alegre pela libertação e pela coragem que ele demonstra ao continuar compartilhando o evangelho em seu país. Ele ainda corre risco de ser preso mais uma vez entre outras formas de punição aos seguidores de Jesus.
Ainda na Península Arábica, uma cristã chamada Jericho* encontrou segurança e esperança em um novo país após fugir de sérias ameaças de sua família. Por tanto tempo, Jericho viveu com medo, constantemente olhando por cima do ombro e temendo as repercussões de sua fé em Cristo. Mas agora, ela está experimentando maior liberdade e paz.
O novo começo de Jericho, embora cheio de esperança, também traz desafios. Ela está se ajustando a um novo ambiente e, às vezes, sente o peso da saudade de casa. Ela, Yousif e outros cristãos perseguidos na Península Arábica e em todo o Oriente Médio precisam das suas orações.
Placa escrito "Sem Refugiados" e uma bandeira dos EUA em uma cerca na fronteira do país (Foto: Montagem/FolhaGospel)
Embora os evangélicos apoiem a segurança na fronteira, a maioria acredita que os Estados Unidos têm a obrigação moral de aceitar refugiados e os cristãos têm a responsabilidade de cuidar dos imigrantes, independentemente de estarem ou não legalmente nos EUA, sugere uma nova pesquisa.
A Lifeway Research publicou os resultados de uma pesquisa que examinou as atitudes dos evangélicos sobre a política de imigração nos EUA na semna passada. A pesquisa foi baseada em entrevistas conduzidas entre 13 e 21 de janeiro e teve uma margem de erro de +/-3,1 pontos percentuais.
Os patrocinadores da pesquisa incluem organizações evangélicas que têm criticado a política de imigração do governo Trump. Elas incluem a Evangelical Immigration Table, a National Latino Evangelical Coalition e a World Relief, o braço humanitário da National Association of Evangelicals, que o Departamento de Estado dos EUA paga para reassentar refugiados no país.
Ao assumir o cargo em 20 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva suspendendo o Programa de Admissão de Refugiados dos EUA depois que mais de 100.000 refugiados foram reassentados nos EUA no ano fiscal de 2024 sob o governo Biden, o maior total anual em três décadas.
Foi perguntado aos entrevistados se eles concordavam com a declaração de que os EUA “têm a responsabilidade moral de aceitar refugiados, que a lei dos EUA define como alguém que foge da perseguição devido a fatores específicos, como raça, religião ou opinião política”.
Cerca de 70% dos entrevistados evangélicos indicaram que concordavam fortemente ou um pouco com a declaração, enquanto 23% disseram que discordavam um pouco ou fortemente com a declaração. Sete por cento disseram que não tinham certeza.
Pouco menos de dois terços dos entrevistados concordaram com a afirmação: “Os cristãos têm a responsabilidade de cuidar sacrificialmente dos refugiados e outros estrangeiros”.
Quando se trata de imigração ilegal, a maioria dos evangélicos pesquisados apoia a deportação de imigrantes ilegais condenados por crimes violentos (67%) e aqueles “razoavelmente suspeitos de representar uma ameaça à segurança nacional” (63%). Mas a deportação de outros grupos de imigrantes ilegais recebeu muito menos prioridade entre os evangélicos.
Menos da metade dos evangélicos disseram que os EUA deveriam priorizar a deportação daqueles que se recusaram a pagar uma multa por residir ilegalmente no país (30%), imigrantes ilegais que chegaram aos EUA nos últimos cinco anos (25%) e aqueles trazidos ilegalmente ao país quando crianças (19%).
Porcentagens ainda menores de evangélicos disseram que o governo deveria priorizar a deportação daqueles que estariam dispostos a pagar uma multa por residir ilegalmente no país (17%), imigrantes ilegais que chegaram aos EUA entre 5 e 10 anos atrás (16%), imigrantes ilegais que residem nos EUA há pelo menos 10 anos (14%), aqueles que têm pelo menos um filho cidadão americano (14%) e “indivíduos que são casados com um cidadão americano ou residente permanente legal” (14%).
“Menos de 1 em cada 6 evangélicos valoriza a deportação de imigrantes indocumentados cuja família imediata tem status legal ou está no país há mais de cinco anos”, disse o diretor executivo da Lifeway Research, Scott McConnell, em uma declaração . “Esses são seus vizinhos e famílias que eles não querem ver divididos.”
Os evangélicos estavam divididos sobre a ideia de uma “política de tolerância zero” quando se trata de imigração ilegal ao longo da fronteira EUA-México, incluindo a separação de pais de seus filhos. Quarenta e cinco por cento dos entrevistados indicaram que apoiariam tal política, enquanto 43% disseram que se oporiam a ela.
Depois de observar que uma sólida maioria de evangélicos (80%) acha importante que o Congresso dos EUA aprove “legislação significativa sobre imigração” em 2025, a pesquisa perguntou aos entrevistados o que eles gostariam que tal legislação incluísse.
A esmagadora maioria dos entrevistados expressou apoio à legislação que “garante justiça aos contribuintes” (93%), “respeita o Estado de direito” (92%) e “garante fronteiras nacionais seguras” (90%).
Ao mesmo tempo, a esmagadora maioria dos entrevistados sinalizou apoio à legislação de imigração que “respeita a dignidade dada por Deus a cada pessoa” (90%) e “protege a unidade da família imediata” (90%). Uma parcela menor, mas ainda substancial, de evangélicos (74%) queria ver uma legislação de imigração que “estabelecesse um caminho para a cidadania para aqueles que estão aqui ilegalmente”.
Setenta e seis por cento dos entrevistados eram a favor de uma legislação que incluísse maior segurança na fronteira e um caminho para a cidadania para imigrantes ilegais, enquanto 81% disseram que gostavam da ideia de uma legislação que “fortalecesse a segurança na fronteira” e estabelecesse um caminho para a cidadania para o grupo de imigrantes ilegais trazidos ilegalmente para os EUA quando crianças (“Dreamers”) e que buscavam fornecer “trabalhadores agrícolas suficientes”.
“Uma grande maioria dos evangélicos quer maior segurança na fronteira, Dreamers para poder solicitar cidadania e as necessidades agrícolas devem ser atendidas com trabalhadores rurais imigrantes selecionados o suficiente a cada ano”, disse McConnell. “Os evangélicos querem um sistema que seja justo e alivie potenciais ameaças à segurança nacional.”
A pesquisa também examinou qual papel os evangélicos acreditavam que suas igrejas individuais tinham a desempenhar no cuidado com os imigrantes ilegais e na formação do debate sobre imigração, bem como as responsabilidades morais dos cristãos individuais.
A esmagadora maioria dos entrevistados (80%) disse aos pesquisadores que “valorizariam ouvir um sermão que ensinasse como os princípios e exemplos bíblicos podem ser aplicados à imigração nos EUA”
Quando perguntados se acreditavam que os cristãos tinham uma “responsabilidade de cuidar de refugiados e outros que são deslocados à força em outros países”, 73% responderam afirmativamente. Cinquenta e cinco por cento acreditam que “os cristãos têm a responsabilidade de ajudar os imigrantes, mesmo que estejam aqui ilegalmente”.
Em uma declaração sobre a pesquisa, a CEO da World Relief, Myal Greene, compartilhou a esperança de que “o presidente Trump dará ouvidos às vozes dos cristãos evangélicos e restaurará o programa de reassentamento de refugiados dos EUA”. Ela o chamou de “um processo de imigração legal e de longa data que protege os cristãos perseguidos e outros que fogem da perseguição”. Greene espera que Trump busque “uma gama mais ampla de políticas de imigração que protejam a unidade familiar, garantam fronteiras seguras e ordenadas e respeitem a dignidade de todas as pessoas como feitas à imagem de Deus”.
Como uma das poucas organizações sem fins lucrativos que recebem pagamentos do Departamento de Estado para reassentar refugiados nos EUA, a World Relief foi informada em janeiro para interromper todas as atividades financiadas pelo governo que atendem a quase 4.000 refugiados. A instituição de caridade, que cortou 140 funcionários e fechou cinco escritórios em 2017 durante o primeiro mandato de Trump, disse que está enfrentando uma lacuna de financiamento de US$ 8 milhões que “deve ser preenchida no próximo mês como resultado da suspensão do financiamento federal”.
Uma pesquisa separada do Rasmussen Reports na semana passada descobriu que 57% dos prováveis eleitores dos EUA apoiam as “incursões” de imigração do governo Trump depois que ele assumiu o cargo para “apreender e deportar imigrantes ilegais”. A pesquisa foi baseada em 1.229 respostas coletadas entre 26 e 28 de janeiro.
Folha Gospel com texto original de The Christian Post