Bandeira da Nicarágua ao lado da Catedral Velha em Managuá, capital do país. (Foto: canva)
A família do pastor Pablo* sempre foi muito humilde, então, ele e seus irmãos sempre quiseram estudar e contribuir com a renda familiar na Nicarágua. Um dia, os militares foram a sua escola, e ele foi um dos jovens selecionados para servir o Estado. Por mais de dez anos, ele foi membro ativo do Serviço Militar Patriótico (SMS), um grupo criado para combater as guerrilhas durante a Revolução Nicaraguense, entre 1979 e 1990.
Por meio de seu trabalho, Pablo testemunhou a guerra em primeira mão. Sua vida estava frequentemente em perigo por bombas e balas nas colinas de Mulukuku, onde a guerra se concentrou enquanto estava no exército. Mesmo em meio ao conflito, ele ouviu muitas pessoas louvando a Deus e falando sobre Jesus.
Nas tendas, durante os períodos de descanso, ouvia de um Deus que cuidava do seu povo. Ele ficou intrigado e pediu explicações ao companheiro de batalhão, Saul, que ensinou o evangelho a Pablo e o ajudou a orar para receber a Jesus em seu coração. Mas ver tanta morte, caos e violência afetou a saúde mental de Pablo e causou sérios problemas psiquiátricos.
Por isso, o cristão decidiu deixar o exército, mas a decisão teve consequências que afetam Pablo e sua família ainda hoje. Entre elas, há a negação da matrícula dos filhos na escola para continuar os estudos, menos oportunidades de emprego para sua esposa e a negação do status legal da igreja que ele fundou em 2000, mesmo após várias tentativas de apresentar todos os documentos exigidos pelo governo. Como resultado, hoje, sua igreja não tem status legal e não pode continuar a funcionar aos olhos da lei.
A igreja persiste
Devido aos obstáculos do governo, o pastor e os membros da igreja decidiram se reunir em casas. “Conversamos com a igreja, que tem cerca de 31 membros, e decidimos começar a nos reunir nos lares por enquanto”, ele conta. Desde a implementação da Lei 1.115, em 2022, esta é uma situação que muitas igrejas no país enfrentam.
O governo Ortega mostra uma pressão contínua contra os líderes das igrejas não alinhadas com seu governo, por isso as fecha e expropria. Apesar disso, a igreja não deixa de se reunir e continua a levar a mensagem de esperança. “Tenho tentado com todas as minhas forças continuar o ministério e permanecerei enquanto Deus permitir, porque o governo tem lutado para me parar. Mas não vou desistir”, acrescenta Pablo.
Em 2023, o pastor foi convidado a participar de um treinamento sobre técnicas de ensino cristão, organizado pela Portas Abertas. Mais de 446 pastores e líderes participaram do encontro de capacitação, no qual aprenderam a implementar novas formas de ensinar suas congregações, capacitando ainda mais os membros de suas igrejas.
“Eu sei que meu Deus está nos protegendo e tem provido ajuda aos cristãos perseguidos. Graças à Portas Abertas, aprendi muito para melhorar e continuar o trabalho em minha igreja. O treinamento foi uma bênção porque aprendemos muito sobre como agir nesses tempos de crise”, conclui Pablo.
Diretoria da Igreja Pentecostal Deus é Amor (Foto: Reprodução)
A Igreja Pentecostal Deus é Amor (IPDA) publicou uma nota de esclarecimento pedindo desculpas aos fiéis e à comunidade evangélica por um comunicado que gerou ampla repercussão negativa. O documento inicial, publicado na sexta-feira (6), direcionado aos obreiros da denominação, trazia uma série de restrições sobre aparência pessoal, incluindo penteados afro e vestimentas, que foram criticadas como discriminatórias e excludentes.
Na nota de retratação, a diretoria da IPDA admitiu que o texto do comunicado original foi “mal redigido” e reconheceu que a mensagem transmitida não refletia sua real intenção. A igreja afirmou estar comprometida com os princípios bíblicos e com a santidade, mas lamentou o tom utilizado no documento, pedindo desculpas a qualquer fiel que possa ter se sentido ofendido.
“Pedimos sinceras desculpas se as palavras mal redigidas, que não estão de acordo com o que a diretoria desejava comunicar, tenham ferido algum irmão em Cristo”, destacou a nota.
As Restrições Polêmicas
O comunicado inicial gerou indignação por impor regras consideradas por muitos como ultrapassadas e preconceituosas. Entre as proibições estavam o uso de maquiagem, barba por fazer, calças justas, cabelos curtos para mulheres e penteados afro. A publicação foi amplamente criticada nas redes sociais e por líderes religiosos de outras denominações, que consideraram as restrições contrárias ao espírito de inclusão e amor pregado pelo Evangelho.
A inclusão do penteado afro na lista de proibições gerou indignação, especialmente entre membros da comunidade negra, que acusaram a igreja de reforçar estigmas raciais e de não respeitar a diversidade cultural e estética. “Proibir o penteado afro é negar a identidade de uma parcela significativa de seus fiéis”, afirmou um ativista pelos direitos raciais.
Além disso, o comunicado estabelece que membros que não cumprirem as regras serão afastados da comunhão, sem permissão para participar de eventos e atividades da igreja até que se “corrijam”.
Escrevemos este comunicado com o intuito de orientar e fortalecer a nossa caminhada cristã à luz dos princípios da Palavra de Deus. Como igreja, somos chamados a ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16), refletindo em nossas vidas o caráter de Cristo em todas as áreas.
Nosso compromisso com a santidade se reflete não apenas em nossas palavras e atitudes, mas também em nossa aparência e comportamento. Entendemos que o sensualismo, ou qualquer forma de vestir-se ou comportar-se que promova valores contrários à modéstia cristã, não está de acordo com os ensinamentos bíblicos. A Palavra de Deus nos ensina em 1 Timóteo 2:9-10 que as mulheres, assim como todos os cristãos, devem adornar-se com modéstia e discrição, priorizando a piedade acima da aparência exterior.
Da mesma forma, reforçamos que nossa identidade em Cristo não está vinculada ao uso de maquiagens ou artifícios que alterem nossa aparência natural. Nossa verdadeira beleza é aquela que vem de um espírito manso e tranquilo, conforme descrito em 1 Pedro 3:3-4.
Portanto, à luz de I Coríntios 6:19-20 (“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”), informamos que:
1.Não será mais tolerado o uso de:
•Roupas justas, curtas, sensuais, transparentes, rachadas ou decotadas.
•Maquiagens, pintura nos olhos, cílios postiços, sobrancelhas de henna e pintura nas unhas.
•Cortes de cabelo para as mulheres, uso de calças compridas e saltos altos.
2.Para os homens, é proibido:
•Manter a barba por fazer.
•Usar penteado afro e calças coladas ao corpo.
Essas orientações devem ser seguidas independentemente do ambiente, seja dentro ou fora da igreja.
Os membros que não cumprirem essas diretrizes ficarão fora de comunhão, sendo impedidos de participar de eventos ou qualquer atividade da igreja, até que corrijam o mal testemunho.
Contamos com a colaboração de cada dirigente para o cumprimento deste comunicado, com todo amor e ética pastoral.
Sem mais,
A Diretoria
Reações e Pedido de Unidade
Após a polêmica, a IPDA ressaltou seu desejo de promover unidade e amor dentro da comunidade evangélica. Citando Provérbios 10:12 – “O ódio provoca dissensão, mas o amor cobre todos os pecados” – a igreja reafirmou que seu objetivo é preservar o bom testemunho cristão sem impor normas que possam ser interpretadas como ofensivas ou excludentes.
“A Igreja permanece firme no compromisso de seguir os princípios bíblicos, mas deseja que todos se sintam acolhidos na comunhão com Cristo”, concluiu o comunicado.
Leia a íntegra da nota de esclarecimento:
A IPDA vem pelo presente esclarecer o Comunicado anteriormente encaminhado. Infelizmente, o texto encaminhado não reflete o que a diretoria queria, de fato, comunicar. Reiteramos o nosso zelo e amor pela poderosa palavra de Deus e pelo bom testemunho dos fiéis.
O nosso desejo é comunicar que os nossos irmãos em Cristo zelem, sempre, pelo bom testemunho, pela santidade em suas vidas e pela observância dos princípios bíblicos. Pedimos sinceras desculpas se as palavras mal redigidas, que não estão de acordo com o que a diretoria desejava comunicar, tenham ferido algum irmão em Cristo.
Provérbios 10:12 nos alerta: “O ódio provoca dissensão, mas o amor cobre todos os pecados”.
O pastor Luiz de Jesus, da igreja evangélica Catedral da Família, em Palmas (TO), enfrenta denúncias após orar pela sexualidade de uma adolescente de 13 anos durante um culto. Um vídeo do episódio, publicado nas redes sociais da igreja, gerou acusações de homofobia e “cura gay”. Além disso, o pastor também foi citado por um suposto caso de curandeirismo envolvendo uma idosa.
O vídeo, gravado no dia 26 de novembro, mostra o pastor orando pela adolescente, referindo-se a um “demônio” que teria influenciado sua sexualidade. Luiz afirma que Deus revelou que a menina deveria mudar seu comportamento, vestir-se como mulher e que seu desejo por homens seria restaurado.
A publicação provocou grande repercussão negativa e foi excluída horas depois. O Coletivo SOMOS, um grupo político que defende direitos da comunidade LGBTQIA+, apresentou denúncia ao Ministério Público do Tocantins (MPTO), alegando violação de direitos humanos.
Declarações da Família
O pai da adolescente defendeu o pastor, afirmando que a oração foi mal interpretada e que não houve relação direta entre a menção a demônios e a sexualidade de sua filha. Segundo ele, o pastor se referia a pesadelos que estavam tirando o sono da jovem.
“A questão lá era da insônia, que ela estava sem dormir há meses. A palavra demônio não foi associada à escolha sexual dela”, declarou.
A família também destacou sua fé cristã e defendeu o direito de culto, garantido pela Constituição Federal.
Declarações do Pastor
O pastor Luiz de Jesus negou que a oração tenha tido cunho discriminatório ou relação com uma “cura gay“. Ele alegou que o vídeo foi editado de maneira que distorceu os fatos e reafirmou que estava tratando de questões espirituais ligadas aos pesadelos da jovem.
“Estão jogando para o outro lado, desvirtuando a coisa. Eu não fiz nada de errado. A menina e a família estão felizes”, declarou Luiz, acrescentando que possui a gravação completa do culto para comprovar sua versão.
Acusações de Curandeirismo
Outro ponto levantado na denúncia envolve um vídeo em que uma idosa aparece vomitando em um balde após uma oração, com o pastor declarando que ela havia “vomitado o câncer”. Segundo Luiz, o evento foi mal interpretado e complementou que a fiel buscou ajuda médica após a oração, confirmando sua cura posteriormente.
“Eles procuraram a medicina depois da oração e ela está curada. Não desencorajamos ninguém a buscar tratamento médico”, disse ele.
Luiz relatou estar enfrentando ameaças de morte e grande pressão desde que o caso se tornou público. Ele afirmou estar disposto a colaborar com a Justiça e que não teme os desdobramentos legais.
O MPTO confirmou que recebeu uma denúncia formal por possível violação de direitos fundamentais, encaminhando o caso para a 15ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela defesa dos direitos humanos e das minorias.
Organizações de defesa LGBTQIA+ pedem que o caso seja investigado como um exemplo de homofobia, enquanto líderes religiosos e fiéis da Catedral da Família defendem o pastor, classificando as acusações como ataques à liberdade religiosa.
Homem segura foto do ditador da Síria, Bashar al-Assad, que renunciou e deixou o país (Foto: Flickr/Beshr Abdulhadi)
O líder rebelde Abu Mohammed al-Jawlani, à frente do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS), fez sua primeira aparição pública após a derrubada do ditador sírio Bashar al-Assad, na histórica Mesquita dos Omíadas, em Damasco, capital da Síria.
Acompanhado por uma multidão que clamava “Allahu akbar” (Deus é grande), al-Jawlani declarou que a Síria estava finalmente “livre” do regime de Assad. Ele enfatizou a importância da diversidade religiosa no país, mas também afirmou que “esta vitória, meus irmãos, é uma vitória para toda a nação islâmica”.
O discurso aconteceu no domingo (08), marcando simbolicamente a transição de poder no país. A Mesquita dos Omíadas, considerada o quarto lugar mais sagrado para os muçulmanos, foi palco das celebrações, refletindo o fim de 24 anos de governo de Bashar al-Assad, que fugiu para a Rússia após a ofensiva final dos insurgentes.
Regime teocrático
Segundo analistas e estudiosos do Oriente Médio, as declarações de al-Jawlani indicam uma grande possibilidade de a Síria passar a ser governada por um regime teocrático.
Isso pode significar que as minorias religiosas, incluindo os cristãos, enfrentariam um futuro incerto e perigoso sob o controle das forças rebeldes lideradas por islâmicos.
Mesmo com a população cristã minoritária da cidade, significativamente reduzida após anos de guerra civil, persiste o medo de ameaças e restrições crescentes.
Grupo terrorista
Há cerca de uma semana, as forças rebeldes islâmicas, lideradas por Hay’at Tahrir al-Sham, que é designada como uma organização terrorista pelos EUA e Reino Unido, tomaram Alepo.
Em seguida, tomaram outras cidades, como Homs, e a capital, Damasco, no final da noite de sábado, em uma ofensiva abrangente que derrubou as forças do governo sírio.
Após 24 anos no poder, o presidente sírio Bashar al-Assad renunciou e deixou o país com sua família em um voo para a Rússia na noite de sábado, onde se encontra exilado sob a proteção de Vladimir Putin.
Desde que o grupo terrorista HTS assumiu o poder em Alepo, muitos cristãos fugiram, deixando para trás um grupo pequeno, mas decidido, tentando manter sua fé e tradições.
“Os próximos dias e semanas serão cruciais para o destino da comunidade cristã”, disse Jeff King, presidente da International Christian Concern, em uma declaração ao The Christian Post.
“Os cristãos, com raízes que remontam a quase dois milênios, agora enfrentam um futuro incerto e perigoso.”
A Portas Abertas compartilha da mesma opinião: “Comunidades minoritárias, incluindo cristãos, estão se preparando para um futuro incerto. Precisamos orar por nossos irmãos e irmãs pedindo que Deus lhes dê força e coragem”.
Dificuldades
Segundo a Catholic News Agency (CNA), a escassez de pão se agravou, e a água potável continua indisponível em diversas regiões. A agência destaca que essas são apenas algumas das dificuldades enfrentadas pelos moradores.
Os toques de recolher impostos pelo grupo militante, das 17h às 5h, restringem ainda mais a vida cotidiana, deixando muitos moradores, incluindo cristãos, se sentindo confinados e vulneráveis.
Pequenas vans que distribuem pão e água gratuitamente em alguns bairros proporcionam um alívio limitado.
De acordo com a CNA, uma rodovia importante entre Damasco e Alepo também foi bloqueada, deixando os moradores com apenas uma rota alternativa congestionada e perigosa.
O isolamento resultou em várias mortes, incluindo a do Dr. Arwant Arslanian, um médico cristão que foi fatalmente atingido por tiros enquanto tentava fugir da cidade, informou a página do Facebook dos Armênios da Síria.
Um ônibus que transportava jovens cristãos também ficou preso na estrada de Alepo, encontrando abrigo posteriormente na Arquidiocese Ortodoxa Siríaca.
Vários líderes cristãos permaneceram na cidade, oferecendo orientação espiritual e apoio prático às suas comunidades.
Eles se comunicam por meio das mídias sociais, onde realizaram os serviços e orações. Os líderes estão encorajando os moradores cristãos a encarar a realidade com consciência, coragem e fé, segundo relatos.
Proteção a cristãos é duvidosa
A facção islâmica HTS, que é um desdobramento da Al-Qaeda, prometeu proteger os civis, incluindo os cristãos.
Conforme relatado pelo Al-Monitor, em Alepo, o líder al-Jawlani teria declarado:
“Alepo sempre foi um ponto de encontro para civilizações e culturas, e continuará sendo, com uma longa história de diversidade cultural e religiosa”.
Apesar das garantias, os temores continuam entre os cerca de 30.000 cristãos de Alepo, uma diminuição em relação aos centenas de milhares que habitavam a cidade antes do início do conflito sírio, em 2011.
O grupo Christian Solidarity International (CSI), com sede na Suíça, reagiu à garantia dada pelo HTS, afirmando: “A ideologia e a história do HTS oferecem às minorias religiosas em Alepo razões sérias para duvidar dessas promessas”.
O HTS frequentemente tem como alvo cristãos em toda a Síria, realizando ataques violentos e sequestros, matando esses civis e confiscando suas propriedades, conforme explicou o CSI.
“Na visão de mundo salafista que orienta o HTS, os cristãos não são hereges a serem destruídos (como os alauítas e os drusos), mas sim ‘povo do Livro’ – seguidores de religiões reveladas antes da vinda do profeta [islâmico] Maomé. Em terras governadas pelo Islã, eles devem ser feitos dhimmis – um povo protegido, que é mantido em subordinação legal e paga um imposto adicional chamado jizya”, continuou o CSI.
“Até agora, o HTS tem evitado impor o status de dhimmi aos cristãos em Idlib, referindo-se a eles como musta’min, ou residentes temporários”, reconheceu o grupo. “Mas por quanto tempo o HTS manterá essa distinção?”, perguntou o CSI.
A comunidade cristã em Alepo historicamente se alinhou ao governo sírio, que, sob a liderança de Bashar al-Assad, um membro da minoria alauíta, foi visto como protetor das minorias.
A ascensão dos rebeldes ao poder marca uma mudança dramática, despertando lembranças de perseguições passadas durante o regime do Estado Islâmico em partes da Síria.
O EI perseguiu sistematicamente os cristãos, destruindo igrejas e realizando sequestros em massa, antes de ser derrotado em 2019.
Fonte: Guia-me com informações de The Christian Post
Muçulmanos em uma vila na Indonésia impediram um coral de igreja de ensaiar na noite de domingo para um culto de Natal, sob a falsa premissa de que os cristãos precisavam de permissão dos líderes comunitários, disseram fontes.
No bairro predominantemente muçulmano de Matajang, na vila de Caile, distrito de Ujunbulu, regência de Bulukumba, província de Celebes do Sul, o chefe da associação local do bairro disse aos membros da igreja católica St. Yoseph Station: “É importante que o ensaio do coral seja relatado ao governo local”, de acordo com um vídeo que apareceu na conta do TikTok @sellsellss e em outras redes sociais.
O chefe da associação do bairro, Andi Arman, conhecido como Aples, alegou estar mediando entre o coral católico e os muçulmanos da área, dizendo ao membro do coral no vídeo: “Primeiro, direi aos vizinhos [muçulmanos] que haverá atividades como esta. Se vocês pedirem permissão, posso dizer a eles que houve um relatório ao governo local. Se for assim [sem permissão], direi que não há permissão.”
Mais tarde, ele disse ao site de notícias radarselatan.jajar.co.id, “Os moradores me pediram para vir porque eles achavam que era uma atividade de adoração. Acabou sendo um ensaio de música para o Natal.”
Aples disse que os moradores muçulmanos e a igreja tinham um acordo prévio proibindo os católicos de adorar no local, e que ele estava tentando protegê-los da violência da multidão.
“Vim para proteger meus amigos católicos”, ele disse ao canal de notícias. “Com a permissão, posso garantir que outras partes não perturbariam suas atividades.”
Um paroquiano disse ao Morning Star News que a congregação nunca usou o prédio multiuso onde eles estavam ensaiando como local de culto; ele foi construído para o culto na igreja, mas nunca foi usado devido à oposição dos muçulmanos locais.
“Temos realizado cultos na casa de um membro da congregação, longe da comunidade muçulmana”, ela disse. “Fazemos outras atividades da igreja neste prédio multiuso.”
O Indonesian Movement for All, um podcast líder de organização inter-religiosa moderada, declarou que foi triste saber sobre a proibição do ensaio do coral de Natal, afirmando: “A proibição é incompreensível. Desde quando o ensaio do coral de Natal requer permissão do governo local?”
A instituição, que reúne diversas jovens figuras indonésias, declarou que somente o estabelecimento de uma casa de culto exige que as pessoas obtenham uma autorização com base no Decreto Conjunto dos Dois Ministros, Capítulo 1, Artigo 3.
“A prática do coral não precisa de autorização”, declarou o grupo. “Pessoas que proibirem isso devem ser tratadas imediatamente.”
O líder muçulmano local Ustaz Andi Satria disse que lamentava o incidente.
“A prática de canto para as celebrações de Natal deve ser protegida, não intimidada”, disse Andi Satria. “O islamismo ensina a tolerância como uma bênção para todos os humanos, não apenas para os muçulmanos.”
A intolerância, disse ele, surge devido à má compreensão dos ensinamentos islâmicos.
“Às vezes, entendemos a religião de forma muito superficial, então pedimos permissão até para praticar canto. Nosso trabalho é proteger, não atrapalhar”, disse Andi Satria, acrescentando que o governo local deve ser sábio ao lidar com relatos de moradores. “Se a prática exigir permissão, o governo deve estar presente como um protetor, não como uma parte que interrompe a atividade. Deve ser seguido por um diálogo frio para encontrar a melhor solução.”
Interromper atividades religiosas por qualquer motivo deve ser evitado, disse ele, acrescentando: “Nosso país não é um país de uma religião específica, mas um país de leis que garantem a liberdade de religião”.
O chefe da Paróquia de Santa Maria de Fátima, Immanuel Asi, disse ao Morning Star News: “O problema foi resolvido graças à cooperação de várias partes”, mas fontes da área disseram que não houve resolução e que o conflito continua.
A Estação St. Joseph faz parte da Paróquia de Santa Maria de Fátima em Bentaeng Regency, South Celebes, e pertence à Arquidiocese de Makasar. Atendendo aproximadamente 50 famílias ou cerca de 215 membros, representa cerca de 50% de toda a congregação da Paróquia St. Mary of Fatima. A estação fica a cerca de 30 a 40 minutos de carro da paróquia.
A Indonésia ficou em 42º lugar na Lista Mundial da Perseguição de 2024 da organização de apoio cristão Portas Abertas, que mostra os 50 países onde é mais difícil ser cristão. A sociedade indonésia adotou uma ideologia islâmica mais rigorosa e as igrejas envolvidas em evangelismo correm o risco de serem alvos de grupos extremistas islâmicos, de acordo com o relatório da Portas Abertas.
Folha Gospel com texto original de Morning Star News
Bíblia em formato físico e digital. (Foto: Canva Pro)
Neste dia especial, celebrado por cristãos em todo o Brasil, relembramos a história fascinante da Bíblia Sagrada, o livro que transformou incontáveis vidas e moldou a cultura de nações. Desde seus primórdios em pergaminhos manuscritos até as versões digitais acessíveis em qualquer dispositivo, a Bíblia percorreu uma longa jornada, refletindo a providência divina e o avanço humano na disseminação da Palavra de Deus.
Os Primórdios: Pergaminhos e Tábuas de Pedra
A história da Bíblia começa com a revelação divina entregue a Moisés, que recebeu os Dez Mandamentos em tábuas de pedra no Monte Sinai. Ao longo dos séculos seguintes, textos sagrados começaram a ser escritos em pergaminhos de papiro e couro, utilizando-se de ferramentas rudimentares. Os escribas dedicavam-se meticulosamente a copiar os textos, garantindo que a Palavra fosse preservada e transmitida entre as gerações.
Os manuscritos do Antigo Testamento, incluindo a Torá, os Salmos e os Profetas, eram lidos em sinagogas e passaram a constituir o fundamento da fé judaica e, posteriormente, da cristã.
A Chegada do Novo Testamento
Com a vinda de Jesus Cristo, seus ensinamentos e ministério foram registrados pelos apóstolos e discípulos em cartas e evangelhos. Escritos em grego koiné, a língua franca da época, esses textos do Novo Testamento foram rapidamente compartilhados entre as comunidades cristãs, muitas vezes perseguidas.
Combinados ao Antigo Testamento, eles formaram o cânon das Escrituras, consolidado pela igreja primitiva. Este foi o início da Bíblia como a conhecemos hoje.
O Papel Revolucionário da Imprensa
Por mais de mil anos, a reprodução da Bíblia dependia do árduo trabalho manual dos monges copistas, que ilustravam e decoravam os manuscritos em mosteiros. Contudo, essa prática tornou a Bíblia um item raro e acessível apenas à elite.
Isso mudou radicalmente no século XV, quando Johannes Gutenberg inventou a prensa móvel. A Bíblia de Gutenberg, publicada em 1455, foi o primeiro livro impresso em grande escala, democratizando o acesso às Escrituras.
A Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero, também foi decisiva para a disseminação da Bíblia. Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, permitindo que o povo comum lesse o texto em sua própria língua. Esse movimento se espalhou por toda a Europa, inspirando traduções em diversas línguas.
A Bíblia no Brasil
No Brasil, a Bíblia chegou com os missionários, sendo inicialmente traduzida para o português por João Ferreira de Almeida no século XVII. A versão Almeida continua sendo uma das mais lidas e amadas pelos evangélicos brasileiros, marcando a presença da Palavra em nossa cultura.
A Era Digital: A Bíblia ao Alcance de Todos
Com o advento da tecnologia, a Bíblia deu mais um salto. Hoje, ela está disponível em aplicativos, sites e formatos de áudio, podendo ser acessada em smartphones, tablets e computadores. Plataformas como YouVersion e Bíblia Online têm levado as Escrituras a bilhões de pessoas em centenas de idiomas.
Além disso, a tecnologia permite que cristãos personalizem suas leituras, compartilhem versículos nas redes sociais e até estudem a Bíblia em profundidade com recursos interativos. A Bíblia digital representa um cumprimento moderno do mandamento de Jesus: levar o Evangelho “até os confins da terra” (Atos 1:8).
Nesse contexto, surge a Bíblia Filament, que combina a clareza da Nova Versão Transformadora com recursos digitais acessíveis por meio de um aplicativo gratuito. Basta escanear um ícone ao lado da numeração das páginas para acessar comentários, devocionais, vídeos, mapas interativos e áudios, ferramentas que aprofundam a experiência com o texto sagrado. Atende tanto quem deseja estudar as Escrituras com profundidade quanto quem busca uma leitura prática na palma da mão. (Veja mais aqui)
Bíblia é o livro mais marcante para brasileiros
A 6º edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” foi divulgada em novembro e mostrou que a Bíblia Sagrada alcançou o primeiro lugar entre os livros mais marcantes para os brasileiros. O relatório foi coordenado pelo Instituto Pró-Livro e realizado pelo Instituto IPEC que apresentou livros que exercem influência na cultura literária brasileira.
O relatório constatou a importância de contextos culturais e literários brasileiros que estimulam o interesse dos leitores. Um exemplo é o recorde mundial alcançado pela Sociedade Bíblica do Brasil, que no início de novembro comemorou a impressão de 200 milhões de exemplares bíblicos em um período de 29 anos.
A Bíblia e a Igreja Perseguida
A Igreja Perseguida conhece outra realidade. A Bíblia para eles representa dias mais difíceis, encontros cada vez mais vigiados. Quanto às comemorações, elas devem ser discretas ou até mesmo secretas. A leitura bíblica não pode ser feita em público. Aliás, portar uma Bíblia é cometer um crime e estar disposto a pagar com a própria vida por isso. Na Coreia do Norte, por exemplo, uma família inteira foi condenada com prisão perpétua porque acharam um exemplar da palavra de Deus na casa dos cristãos. Dentre os presos, estava uma criança de dois anos.
Em países da África Subsaariana, como o Quênia, cristãos que receberam Bíblia na língua suaíli celebraram com louvores e danças. Um dos parceiros que participou da entrega das escrituras testemunha: “Eu me senti conectado com aqueles cristãos ao ouvir seu testemunho e vê-los recebendo as Bíblias. Oro para que eles continuem fortes na fé em Cristo por meio da palavra de Deus”.
Por isso, os cristãos, principalmente da Igreja Perseguida, precisam compreender o processo de salvação que só vem por meio do aprendizado bíblico feito por meio do discipulado e treinamentos. Conforme o cristão aprende e coloca os ensinamentos da Bíblia em prática, mais compreende o que acontece ao seu redor. Ainda mais em contextos onde é comum enfentar pressão e violência por seguir a Jesus.
Celebrando o Dia da Bíblia
O Dia da Bíblia foi criado em 1549, na Grã-Bretanha, pelo Bispo Cranmer e, no Brasil, a data começou a ser celebrada em 1850, quando os primeiros missionários cristãos evangélicos chegaram da Europa e dos EUA.
Durante o período do Império, a liberdade religiosa era restrita e impedia as manifestações públicas dos protestantes, mas por volta de 1880, essa liberdade foi crescendo e o movimento evangélico, juntamente com o Dia da Bíblia, se popularizou entre os fiéis.
A comemoração passou a integrar o calendário oficial do país em dezembro de 2001, graças à Lei nº 10.335/2001, que institui a celebração do Dia da Bíblia em todo o território nacional, conforme a Agência Senado.
Neste Dia da Bíblia, reconhecemos a fidelidade de Deus em preservar e expandir Sua Palavra ao longo dos séculos. Seja no papel, em pergaminhos antigos ou em telas modernas, a mensagem da Bíblia permanece viva e poderosa. Que este dia nos inspire a valorizar o acesso que temos à Palavra e a compartilhá-la com aqueles ao nosso redor.
“A Palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qualquer espada de dois gumes” (Hebreus 4:12).
Folha Gospel com informações de ChatGPT, Portas Abertas, Guia-me e Comunhão
Jovem cristão lendo a Bíblia no Níger (Foto: Portas Abertas)
Hoje é o Dia da Bíblia e todo cristão deve dirigir sua vida por meio de dela. No Brasil, há diversas traduções, modelos e designs da palavra de Deus em várias livrarias, mas isso não acontece em países onde há perseguição como o Níger.
A Bíblia é rara no país da África Subsaariana porque não pode ser vendida em livrarias em que os donos sejam muçulmanos. Além disso, os preços dos exemplares do livro sagrado são altos e não podem ser comprados pela maior parte da população. Porém, parceiros locais da Portas Abertas presentearam jovens com 150 Bíblias.
Cerca de 85 rapazes e 65 moças de cinco diferentes vilas foram beneficiados com Bíblias em hausa e francês. Alisabatu foi um desses jovens que expressou sua gratidão: “Hoje, estou com a Bíblia em minhas mãos, e ela é minha, minha propriedade. Obrigado, Deus, por ser o provedor, e oro pelas bênçãos dele aos irmãos e irmãs que nos apoiaram com essas Bíblias”.
Ter uma Bíblia é essencial para cristãos de origem muçulmana. Mas quando os familiares descobrem a nova fé, costumam tomar e destruir a palavra de Deus, para forçá-los a seguir o islamismo novamente. Sem apoio financeiro da família, esses jovens não conseguem comprar outra Bíblia.
Salisu se alegrou com sua nova Bíblia e explicou que na igreja ele só ouvia os versículos, porque não tinha uma Bíblia para acompanhar a mensagem. “Agora, pela graça de Deus, tenho meu próprio exemplar da Bíblia Sagrada. Posso lê-la na igreja, em casa, ou enquanto trabalho e até mesmo viajando. Muito obrigado, irmãos e irmãs, por esse apoio.”
Filibus também agradeceu o presente que recebeu e lembrou que há mais cristãos como ele que necessitam de uma Bíblia: “Estamos felizes por causa dessas Bíblias, as recebemos na hora certa. Mas ainda precisamos de mais porque somos muitos”.
Há cristãos que precisam de uma Bíblia no Níger, mas não têm condições de comprar um exemplar da palavra de Deus. Doe e presenteie um irmão na fé com uma Bíblia em sua língua materna.
A planta da espécie Commiphora. (Foto: Divulgação/Guy Eisner/Nature Communications Biology)
Pesquisadores reencontraram o bálsamo de Gileade, mencionado na Bíblia, em uma semente de 1000 anos, no norte do deserto da Judeia, em Israel.
A semente foi encontrada em uma caverna em Lower Wadi el-Makkuk por arqueólogos da Universidade Hebraica de Jerusalém, durante explorações de 1986 a 1989.
A semente milenar achada há quase 30 anos foi armazenada na universidade até ser plantada pela Dra. Sarah Sallon, membro do Projeto de Plantas Medicinais do Oriente Médio (MEMP), dentro de uma estufa no Centro de Agricultura Sustentável em Israel, em 2010.
Apelidada de “Shema”, a semente brotou e se transformou em uma árvore. Após ser analisada, a semente foi identificada como uma planta produtora da resina Bálsamo de Gileade, citada em várias passagens da Bíblia.
A semente da espécie Commiphora, pertencente à mesma família do incenso e da mirra, foi datada entre 993 dC e 1202 dC.
Segundo os pesquisadores, os “triterpenos pentacíclicos” presentes na planta revelam que o Bálsamo de Gileade era usado para fins medicinais, como cicatrização de feridas, anti-inflamatórios, antibacterianos, antivirais e antitumorais.
“O bálsamo bíblico, provavelmente o produto de uma espécie local, foi associado à região histórica de Gileade, no vale do Rift do Mar Morto-Jordão, uma área montanhosa e ricamente florestada na antiguidade com um vale fértil inferior intensamente cultivado ao longo da história”, afirmou a revista Communications Biology.
“Localizada na margem leste do rio Jordão, entre o rio Yarmuk e o extremo norte do Mar Morto, Gileade hoje ocupa a região noroeste do Reino Hachemita da Jordânia”, acrescentou.
Citado na Bíblia
O bálsamo reencontrado pelos arqueólogos é mencionado nas Escrituras em Jeremias 8:22: “Não há bálsamo em Gileade? Não há médico lá? Por que, então, não há cura para a ferida do meu povo?”.
E em Jeremias 46:11: “Suba a Gileade e pegue bálsamo, Virgem Filha Egito. Mas você tenta muitos remédios em vão; não há cura para você”.
Assim como em em Gênesis 43:11: “Então seu pai Israel lhes disse: ‘Se for necessário, então façam o seguinte: coloquem alguns dos melhores produtos da terra em suas bolsas e levem-nos ao homem como presente, um pouco de bálsamo e um pouco de mel, algumas especiarias e mirra, algumas nozes de pistache e amêndoas’”.
Pesquisadores da religião identificaram um aumento no número de católicos que frequentam igrejas evangélicas no Brasil. Esse fenômeno reflete um movimento comum entre fiéis que são atraídos por características específicas dos cultos evangélicos, como proximidade geográfica, convite de amigos ou identificação com a liturgia e o pastor, conforme apurado pela Folha de S. Paulo.
Cláudia, de 55 anos, residente do Rio de Janeiro, é um exemplo desse cenário. Apesar de ter sido batizada, crismada e casada na Igreja Católica, ela encontrou motivação para frequentar também cultos evangélicos. Durante uma entrevista conduzida pelo professor de antropologia da UFRJ, Rodrigo Toniol, Cláudia explicou sua postura aberta a ambas as tradições religiosas.
“Eu gosto de frequentar a missa, mas não qualquer missa, com qualquer padre. Tem um padre de uma igreja que gosto de ir que é jovem, ele faz uma homilia maravilhosa e canta maravilhosamente bem. Ele se assemelha muito a um pastor de uma igreja evangélica. Acontece que eu também adoro o louvor da igreja evangélica, a forma como eles louvam, a forma como eles oram”, relatou.
Embora casos como o de Cláudia representem um aumento da presença de católicos em igrejas evangélicas, o pesquisador Rodrigo Toniol observa que muitos desses fiéis não chegam a se converter.
“Durante as últimas quatro décadas, pesquisadores da religião analisaram relatos desse tipo como processos de conversão. Segundo essa interpretação, se esperaria que, pouco a pouco, Cláudia deixasse de ser católica para se tornar evangélica”, disse Toniol.
“No entanto, pessoas como Cláudia não ‘completam’ a conversão. Elas permanecem se declarando católicas e, ao mesmo tempo, frequentam cultos evangélicos.”
Esse fenômeno, denominado por estudiosos como “múltiplos pertencimentos religiosos”, descreve fiéis que se envolvem em mais de uma tradição religiosa simultaneamente.
“São comuns os relatos de pessoas que se autodeclaram católicas, mas eventualmente tomam um passe no centro espírita ou participam de uma festa em algum terreiro de umbanda”, explicou Toniol. Ele ainda destacou que, embora anteriormente houvesse uma separação mais rígida entre católicos e evangélicos, essa barreira tem se tornado mais fluida.
Dados do Censo 2010 confirmam essa complexidade. Embora 64,6% da população brasileira fosse declarada católica e 22,2% evangélica, práticas religiosas mais fluidas, como as de Cláudia, desafiam análises simples. “Estatisticamente, Cláudia é católica, mas, ao observarmos suas práticas de perto, o caso é mais complexo”, exemplificou Toniol.
Além disso, o levantamento do IBGE revelou um crescimento expressivo no número de evangélicos. Entre 2000 e 2010, o grupo cresceu 61,5%, representando 16 milhões de novos fiéis. Em contraste, o número de católicos continua a cair, como observou o pesquisador do IBGE, Cláudio Dutra.
“Temos notado um declínio acentuado da população católica no Brasil, e essa é uma tendência observada nos Censos de 1991, 2000 e 2010”, disse Dutra. “No crescimento da população evangélica como um todo, os pentecostais puxam o crescimento”, acrescentou.
Folha Gospel com informações de Guia-me e Folha de S. Paulo
O escritório nacional da Igreja Prebiteriana (EUA), localizado em Louisville, Kentucky. (Foto: Cortesia PCUSA)
A Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA, sigla em inglês) registrou uma perda de aproximadamente 1 milhão de membros ativos nos últimos 15 anos, segundo um relatório estatístico divulgado na última terça-feira (3). O declínio é contínuo desde 2009, afetando uma das principais denominações protestantes dos Estados Unidos.
De acordo com o levantamento, a PCUSA contava com cerca de 1,094 milhão de membros em 2023, 46 mil a menos que em 2022, quando o número era de 1,14 milhão. O número de congregações afiliadas também diminuiu, passando de 8.705 em 2022 para 8.572 em 2023, uma redução de 133 igrejas.
O relatório sugere que a queda de membros está associada, em parte, à adoção de uma linha teológica mais progressista pela denominação, incluindo a aceitação de homossexualidade e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em 2010, a PCUSA decidiu permitir que órgãos regionais ordenassem líderes homossexuais não celibatários, provocando a saída de centenas de congregações.
Em 2009, a PCUSA tinha cerca de 2,07 milhões de membros e 10.657 congregações, números que mostram o impacto do declínio nos últimos 15 anos.
O relatório de 2023 também destaca que 33,46% dos membros da PCUSA têm 71 anos ou mais, enquanto apenas 3,99% têm 17 anos ou menos. Apesar da diminuição geral, foi observado um pequeno aumento no número de membros que se identificam como homens, de 348 mil em 2022 para 365 mil em 2023, e daqueles que se identificam como “Não Binários/Genderqueer”, que passaram de 1.317 para 1.547 no mesmo período.
O reverendo Jihyun Oh, diretor executivo e secretário da Assembleia Geral da PCUSA, reconheceu o declínio e os desafios enfrentados pela denominação, mas destacou os aspectos positivos. “Embora possamos nos preocupar com os números, há ministérios vitais e discipulado fiel acontecendo. Deus continua a fazer coisas novas em nós e através de nós”, afirmou.
Em resposta às dificuldades, a PCUSA anunciou em outubro de 2024 a fusão de duas de suas principais agências, o Escritório da Assembleia Geral (OGA) e a Agência de Missões Presbiteriana (PMA). A unificação tem como objetivo reduzir custos administrativos e otimizar operações, diante do declínio denominacional.
Folha Gospel com informações de Guia-me e The Christian Post