O número de igrejas na Indonésia estão aumentando em ritmo acelerado nos últimos anos, segundo uma pesquisa recente.
O estudo muçulmano “Campanha Salve Maryam” revelou que o Evangelho está se espalhando rapidamente pelo país de maioria islâmica, preocupando os líderes muçulmanos.
Conforme o relatório, 2 milhões de muçulmanos se convertem à fé cristã todos os anos na Indonésia, como resultado de trabalhos evangelísticos.
Azim Kidwai, gerente da pesquisa, prevê que a Indonésia não será mais uma nação muçulmana até o ano de 2035, com base nos dados coletados em pesquisas de campo e documentos de políticas governamentais.
Uma pesquisa da Universidade de Cornell também mostrou a multiplicação do cristianismo na Indonésia.
Em 1900, a população cristã na nação era apenas de 1%. Hoje, o número aumentou para 10,5%.
“Dez anos depois de 1961, o cristianismo aproximadamente dobrou em Jacarta (de 4,8% para 8,1% da população), em Jogjakarta (de 2,8% para 4,6%) e em Java Oriental (de 0,9% para 1,7%)”, afirmou a pesquisa.
De 1933 a 1971, na província de Sumatra do Norte, o número de seguidores de Jesus aumentou 100 vezes, passando de 8.200 para 891.800.
“A nação está sendo transformada por Deus”
Entretanto, segundo o pastor local Billy Njotorahardjo, a população cristã é maior do que apontam as pesquisas. Ela afirmou que os cristãos na Indonésia já chegam a 30% da população.
Em quatro anos, sua igreja cresceu de 400 membros para 6.000. “Oramos: ‘Abra o céu, Deus toque as pessoas'”, relatou Billy, em entrevista ao God Reports.
O líder acredita que um avivamento vai tomar o país. “As pessoas estão sendo curadas mesmo fora da igreja. Elas estão sendo salvas fora da igreja. Estamos orando pelo avivamento de Jacarta e da Indonésia. Estamos pensando que toda a nação está sendo transformada por Deus”, declarou.
Segundo o Global Christian Relief, os convertidos são frequentemente confrontados com duras reações e perseguições no país islâmico.
Os muçulmanos que se convertem ao cristianismo são falsamente acusados de estarem possuídos por espíritos malignos, por isso são coagidos a voltar ao Islã a qualquer custo.
Edir Macedo, líder e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus
A Igreja Universal do Reino de Deus decidiu investir pesado na TV em 2024, o que não fazia desde 2019 quando diminuiu as cifras em televisão aberta. A maior congregação pentecostal do Brasil vai voltar a gastar um valor acima de R$ 1 bilhão por locações de horários.
O grosso deste investimento, claro, é na Record, emissora que tem Edir Macedo como dono. Somente com a venda das madrugadas para telecultos e programas especiais, a IURD tem a previsão de desembolsar R$ 910 milhões até dezembro, segundo o F5 apurou.
O valor pode ser ainda maior porque ele não contabiliza a produção de novelas bíblicas. Desde 2022, para diminuir custos próprios da Record, a Igreja Universal produz atrações como “Reis” e a recém-estreada “A Rainha da Pérsia”, exibidas em horário nobre.
O que fez o valor se elevar para 2024 foi a retomada de uma parceria que estava suspensa desde dezembro de 2022. A Igreja Universal voltou a ocupar 22 horas da programação da Rede 21, canal do Grupo Bandeirantes de Comunicação, dono da Band.
O retorno aconteceu após um acordo oriundo de uma disputa judicial que se arrastava há dois anos. A estimativa de gastos até o fim do ano da Igreja Universal com esse contrato é de R$ 300 milhões anuais.
Para retomar com a Rede 21, a Band se comprometeu a fazer investimento em melhorias de transmissão de sinal para todo o Brasil para crescer sua cobertura nacional para até 70% do território brasileiro. Essa era a principal queixa da IURD quando rescindiu com o acordo antigo.
A igreja também ampliou seus investimentos na TV Gazeta de São Paulo e na RedeTV!, com despesas de R$ 300 milhões e R$ 350 milhões, respectivamente. Um contrato com a CNT, que prevê a ocupação de 22 horas diárias de programação, acrescenta mais R$ 100 milhões anuais aos custos.
A decisão de retomar os investimentos pesados na TV aberta foi motivada pelo retorno insatisfatório de iniciativas no meio digital. A Universal espera, com isso, reforçar sua presença e atrair novos fiéis através da televisão, além de continuar com suas produções de novelas bíblicas.
A Igreja Universal não divulgou detalhes contratuais dos acordos com as emissoras.
A Justiça do Maranhão condenou os líderes religiosos das igrejas evangélicas Pentecostal Jeová Nissi e Igreja Ministério de Gideões a pagarem uma multa de R$ 5 mil por danos morais coletivos.
Além disso, a decisão também determina que os religiosos se abstenham de promover manifestações que ameacem ou perturbem a prática de religiões de matriz africana no Maranhão. A Justiça impôs, ainda, multa de R$2.000 por qualquer nova tentativa de perturbação.
A decisão da Justiça, divulgada nesta sexta-feira (28), veio após os membros das igrejas, sob liderança de Flávia Maria Ferreira dos Santos, Charles Douglas Santos Lima e Marco Antônio Ferreira, realizarem um “protesto”, em abril de 2022, em frente à Casa Fanti Ashanti, terreiro de matriz africana, em São Luís. O ato tinha como tentativa a evangelização dos praticantes do candomblé, que faziam parte da comunidade .
Durante o ato, os membros das igrejas faziam uma marcha pelos 12 anos de aniversário da comunidade. A programação previa caminhada com orações ao ar livre pelo bairro, com parada final em frente a Igreja Pentecostal Jeová Nissi, na Rua Militar.
Entretanto, no mesmo dia, os integrantes do terreiro estavam se preparando para uma festividade tradicional dedicada ao orixá Ogum, quando foram surpreendidos pelos protestos.
Versão do envolvidos
Os membros da Casa Fanti Ashanti, que fica no bairro Cruzeiro do Anil e funciona há mais de 64 anos, afirmam que os membros das igrejas cometeram o crime de intolerância religiosa. No ato evangelístico, os evangélicos levaram caixas de sons, faixas com dizeres bíblicos e distribuíram panfletos com palavras de ordem contra a religião de matriz africana.
De acordo com uma Ação Civil Pública ajuizada pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão, os manifestantes gritavam palavras como “vamos expulsar os demônios” e “a palavra de Deus não pode parar”, em referência às práticas religiosas da Casa. Alguns evangélicos chegaram a subir na calçada do terreiro para distribuir panfletos com mensagens que diziam “Jesus te ama”.
Na época, a Casa Fanti-Ashanti emitiu uma nota de repúdio pelo ato das igrejas. A casa afirma ainda que sentiu sua liberdade de culto ser desrespeitada.
O pastor do Ministério Gideões, Charles Douglas, contrapôs a versão da comunidade do terreiro, alegando que não houve ofensas em nenhum momento à Casa Fanti-Ashanti, mas somente os membros da igreja participando do culto ao ar livre, em frente a outra igreja, também pentecostal, voltado a eles mesmos.
“Nós completamos 12 anos de ministério e todo ano fazemos uma marcha para Cristo declarando que o Senhor é a nossa bandeira. Nós percorremos todos os bairros, Cruzeiro do Anil, Isabel Cafeteira. Em locais estratégicos, nós parávamos, evangelizávamos, pregávamos o evangelho de Deus, e o último ponto que paramos foi em frente a uma igreja evangélica. Era o último ponto de parada para fazer o último clamor voltado para o nosso ministério, para encerrar a marcha!”, afirmou.
Uma cristã na região sul do estado Chhattisgarh, na Índia, foi esfaqueada até a morte por parentes hindus após ser confrontada por sua fé em Jesus, na última segunda-feira (24).
De acordo com o International Christian Concern (ICC), o incidente chocou toda a comunidade cristã de Chhattisgarh.
Parentes da falecida, Bindu Sori, fizeram uma queixa ao chefe da polícia local informando que a família tinha sido assediada e ameaçada por outros familiares desde que se tornaram cristãos, há quatro anos.
A queixa também alega que, apesar das reclamações anteriores da família de Sori, as autoridades locais não tomaram nenhuma medida contra os agressores.
Recentemente, os parentes extremistas e outros aldeões começaram uma briga com a família de Sori por causa de sua propriedade. Eles alegaram que os cristãos não tinham direitos sobre a terra depois que decidiram seguir Jesus.
Na ocasião, os extremistas ameaçaram a família dizendo que haveria “consequências terríveis” se eles trabalhassem no campo.
O ataque
Tempo depois, a família de Sori saiu para arar e semear no campo. Enfurecidos, os hindus os atacaram com flechas e machados.
Alguns familiares conseguiram escapar, mas Sori não conseguiu. Dois homens a atacaram e a mataram.
De acordo com o ICC, um dia antes do ataque, o Fórum Cristão de Chhattisgarh emitiu um comunicado à imprensa afirmando que havia apelado ao governador do estado para intervir na violência contra minorias religiosas.
Arun Pannalal, presidente do fórum, declarou que as autoridades estão ajudando extremistas religiosos que estão fechando igrejas em Chhattisgarh de forma inconstitucional.
Pannalal também mencionou no comunicado à imprensa que fazendeiros cristãos não estão sendo autorizados a cultivar suas terras.
“No distrito de Dhamtari, ocorreram 27 ataques contra mulheres e locais religiosos nas últimas duas semanas”, relatou Pannalal.
Quase 2.000 cartas de reclamação foram apresentadas e nenhuma ação foi tomada. Além disso, a polícia fechou 37 igrejas no distrito de Dhamtari.
A Índia ficou em 11º lugar na Lista Mundial da Perseguição da Missão Portas Abertas de 2024 dos lugares mais difíceis para ser cristão.
Coreia do Norte: Praça Kim Il Sung em Pyongyang (Fotos: Canva Pro / Montagem: FolhaGospel)
A Portas Abertas opera em muitos abrigos na China, onde recebe cristãos norte-coreanos refugiados. Ali, eles recebem alimentos, remédios e estudos bíblicos. A maioria volta para a Coreia do Norte, porque permanecer na China é muito perigoso para eles. Graças ao apoio da igreja brasileira e de parceiros de outras partes do mundo, eles têm sido fortalecidos no evangelho.
A rua de um dos abrigos fica convenientemente escondida em profunda escuridão. Há poucas pessoas na região e elas não conseguem enxergar o trabalho que acontece ali. É difícil imaginar que irmãos e irmãs em Cristo atravessam o rio e se reúnem em segredo para prestar culto a Deus. Por dentro, o abrigo parece com uma casa ou apartamento chinês comum.
“Muitos refugiados perambulam pelas ruas em busca de lugar para dormir. Eu me aproximo deles e os ajudo até que eles possam seguir adiante sozinhos. Eles perguntam por que faço isso sem pedir algo em troca. É nesse momento que falo sobre Deus e a Bíblia, e muitos voltam para a Coreia do Norte como cristãos. Algumas vezes, esse trabalho me deixa esgotado. Então me ajoelho e oro pedindo a Deus que renove minhas forças”, disse Yun Hee*, que cuida de um dos abrigos na China.
Renovo das forças pela oração
O trabalho de Yun Hee é cuidar dos refugiados e oferecer o amor de Deus a eles. “Já vi até mesmo espiões mudarem porque fui gentil com eles. Alguns deles chegam a confessar que foram enviados para fazer um relatório sobre mim para a Agência de Serviço Secreto, mas em seguida dizem que ficam tão gratos pelo que faço que escreveriam apenas coisas boas sobre mim e não comentariam nada sobre as atividades ilegais”, acrescenta a parceira.
Quando cristãos norte-coreanos chegam querendo aprender mais sobre Deus, eles são conectados com parceiros locais que entregam Bíblias para eles na China. “Temos um código. Se meu contato local diz essa palavra, sei que preciso encontrá-lo em um lugar secreto. Ali, explico o evangelho e como podem aprender mais sobre a Bíblia nos abrigos. Assim eles ficam preparados para compartilhar as boas-novas com suas famílias e amigos quando voltarem à Coreia do Norte”, disse Beom-Seok*, outro parceiro que trabalha com refugiados na China.
A única maneira de muitos cristãos na Coreia do Norte receberem conteúdo cristão é por meio de programas de rádio clandestinos. Uma doação permite que cristãos norte-coreanos isolados tenham acesso a transmissões de rádio que os encorajam na caminhada com Jesus.
Família cristã em Bangladesh (Foto representativa: Portas Abertas)
Cristãos de origem muçulmana são alvos recorrentes de violência em Bangladesh pela escolha de deixar o islã para seguir a Jesus. Até mesmo a própria comunidade do vilarejo onde vivem pode se tornar a fonte desse tipo de perseguição. Recentemente, uma família de cristãos foi agredida por um grupo de dez vizinhos e teve a casa saqueada em um vilarejo.
O ataque aconteceu quando a família ainda estava dormindo. Os radicais arrastaram os homens da casa, Shana Mia, de 55 anos, e Hanif Uddin, de 34 anos, e começaram a espancá-los com pedaços de pau e armas feitas por eles. Além de saquear a casa da família, os agressores quebraram tudo que encontraram.
Quando os radicais foram embora, pedestres que viram o ataque levaram Shania e Hanif para o hospital. Ambos continuam internados. Shana quebrou o pulso direito e Hanif ficou com cortes profundos na mão e com as costas esfoladas.
As mulheres e crianças conseguiram fugir dos agressores, mas ainda estão escondidas e a casa da família está desprotegida. A mãe de Hanif foi a única ferida, pois tentou proteger o marido e os filhos dos agressores, mas também conseguiu fugir. A família havia relatado para parceiros da Portas Abertas que estava sendo vigiada todos os dias.
Sob vigilância
“Eles ficaram observando para saber se alguém nos ajudaria. Quando um dos líderes da igreja que frequentamos foi à nossa casa, um vizinho o interrogou sobre o motivo pelo qual foi nos visitar”, disse Hanif. Desde que Shaha e a família se entregaram a Jesus em 2010, têm sido perseguidos, ofendidos e excluídos pelos vizinhos.
Shaha e Hanif têm uma fé fervorosa e deixaram claro que não abandonarão Jesus. Mas reconhecem que muitas vezes a perseguição se tornam insuportáveis. “Como ser humano, quanto tempo mais vamos aguentar esse comportamento? Algumas vezes me sinto triste e fico irado, mas não podemos fazer nada. Eles são a maioria”, disse Hanif.
“É muito difícil sobreviver e praticar a fé em Jesus aqui. Não sei como nos mantemos firmes na fé. Somos trabalhadores, dependemos do salário diário e servimos os muçulmanos. Se eles não nos chamam para trabalhar, não podemos sobreviver. A mão do meu pai está quebrada e eu não posso trabalhar. Não sei como conseguiremos comida para toda a família”, acrescentou Hanif.
Parceiros locais da Portas Abertas estão orando pela família. Eles também visitaram Shana e Hanif no hospital e os ajudaram com o tratamento de que precisam. Contamos com as orações da igreja brasileira pela família de Shana.
Léia Miranda e David Miranda Neto, líderes da Igreja Deus é Amor
A BBC News Brasil publicou uma matéria detalhada sobre a acirrada disputa por poder na Igreja Pentecostal Deus é Amor (IPDA), que envolve a família fundadora da instituição religiosa. A reportagem destaca como, após a morte do fundador David Martins Miranda em 2015, a igreja se tornou palco de um conflito familiar pelo controle e pelos bens milionários deixados por ele.
David Miranda, que fundou a IPDA em 1962, transformou a igreja na 11ª maior denominação evangélica do Brasil, com 845 mil fiéis, antes de sua morte aos 78 anos. Após seu falecimento, a liderança passou para sua esposa Ereni Miranda, também de 78 anos, que agora enfrenta oposição de alguns de seus filhos e netos.
Segundo a BBC, a disputa na Igreja Pentecostal Deus é Amor (IPDA) se divide entre dois grupos principais. De um lado, Ereni Miranda conta com o apoio de sua filha Débora Miranda e seu neto David Miranda Neto, este último sendo preparado como possível sucessor.
Do outro lado, estão David Miranda Filho e Leia Miranda, que questionam as decisões dos atuais líderes da igreja.
A matéria também detalha os conflitos internos de cunho doutrinário e administrativo na instituição. David Miranda Neto tem buscado modernizar os cultos com novas tecnologias, o que encontrou resistência entre os fiéis mais tradicionais.
Em setembro de 2022, Leia Miranda foi afastada por comportamento inadequado, resultando em tumulto durante um culto e intervenção policial.
Apesar das disputas internas, a igreja mantém sua missão religiosa, com membros devotos que continuam a confiar na eficácia espiritual da IPDA.
A BBC News Brasil tentou obter comentários dos envolvidos, mas até o momento da publicação da matéria, não houve pronunciamento oficial.
A batalha pelo controle da igreja e seu patrimônio, avaliado em R$ 86,3 milhões em 2015, permanece sob segredo de justiça, enquanto as tensões familiares são amplamente discutidas nas redes sociais e por influenciadores religiosos.
Fonte: Portal de Prefeitura e Fuxico Gospel com informações de BBC News Brasil
Apóstolo Rina e seu enteado Nathan (Imagem: Reprodução/Instagram)
Nathan Gouvêa, de 30 anos, enteado de Rinaldo Pereira, conhecido como Apóstolo Rina, líder da Igreja evangélica Bola de Neve, revelou, em entrevista, ser vítima de agressões por parte do líder religioso.
Nathan disse ao portal UOL que via Rinaldo como um pai. Ainda assim, contou ter sido alvo de agressões físicas e abusos psicológicos na infância.
Nathan contou em um episódio em que foi vítima de chutes na cabeça por colocar um CD úmido em seu videogame: “Para cada vez que eu tentava fazer o jogo funcionar e não dava certo, ele me dava um chute na cabeça”. Em outros episódios em que os dois jogavam videogame juntos, o enteado também relatou ameaças sofridas por cometer muitas faltas no jogo.
Nathan tinha 6 anos quando sua mãe, Denise Seixas, casou-se com Rina. Ele passou a ter uma relação de “pai e filho” com o padrasto —a quem hoje Nathan acusa de agredir e abusar psicologicamente tanto dele quanto da mãe, a pastora Denise, que conseguiu na Justiça uma medida protetiva de urgência contra o marido e está afastada dele pela Lei Maria da Penha.
“Meu pai era ausente e, quando Rinaldo começou a se relacionar com a minha mãe, passei a chamá-lo de ‘pai 2’. Coisa de criança, não tinha muita consciência. Ele não gostou e disse: ‘Não é pai 2. Você tem que me chamar de pai’. Então, nosso relacionamento passou a ser de pai e filho”, conta.
Além das agressões físicas, a vítima relatou que na infância Rinaldo o fez ficar pelado, junto com um amigo, na sacada da casa onde moravam, após ver as crianças dançando a música “Olha a Onda”.
“Eu não enxergava algumas coisas que ele já fazia comigo como ruins, mas, na verdade, como uma coisa que um pai deve fazer. Tinha 7 anos, estávamos eu e um amigo na casa de praia dançando aquela música ‘Olha a Onda’. Ele viu e ficou extremamente irritado, me bateu e deixou, eu e meu amigo, pelados numa sacada. Dava para todo mundo ver. Ficamos assim por horas.”
O castigo, que Nathan acreditava ser “normal”, voltou a se repetir. “Era bem novinho, coisa de uns 8 anos. Morávamos em um apartamento todo de vidro, no terceiro andar e, mais uma vez, ele me deixou de castigo, pelado.”
Quando não era agredido, era ameaçado, diz. “Estava fazendo muita falta [no game Fifa, um jogo de futebol] e ele se irritou. Disse que eu ia levar um soco por cada falta que fizesse. No final, não me bateu.”
Mãe tratada como “escrava”
De acordo com a entrevista, a mãe, a cantora gospel Denise Seixas, via as agressões, mas era vítima do “mesmo abuso”: “Ele sempre a tratou como escrava e ela não se posicionava”, afirmou ao portal.
Nathan ainda contou que a mãe usava texto bíblicos para se referir ao Apóstolo Rina: “Tem um texto que fala que Deus vai inclinar o coração do rei”, diz, sobre o fato de o líder religioso ser tratado como um rei dentro de casa.
Ao UOL, Nathan revelou que até completar 12 anos não se lembrava das agressões sofridas pela mãe. A partir dessa idade, começou a perceber marcas roxas estranhas no braço da mãe.
Em 2022, a mulher falou pela primeira vez sobre o fato de ser agredida pelo marido. Um ano depois, Denise Seixas disse ao filho que queria pedir separação.
Segundo Nathan, ela também contou sobre os planos para outras pessoas da igreja e a história chegou a Rinaldo. A partir desse momento, o líder religioso começou a espalhar para o seu círculo mais próximo que Denise não estava bem psicologicamente e que pensava em interná-la.
“Pra gente, era muito claro que ele ia interná-la. Foi por isso que publiquei um vídeo de uma discussão entre eles, para provar que a situação estava muito ruim. Lá no vídeo, ele fala que ela está louca, que ele não queria mais ficar com ela”, afirmou Nathan.
O que diz Rina
Em nota, a defesa do apóstolo Rina negou “categoricamente as falsas afirmações”. Além disso, a equipe acredita que todas as denúncias se mostrarão “infundadas” após as investigações do Ministério Público e da Justiça.
Ao UOL, Rinaldo rebateu as falas do enteado sobre seu relacionamento com Denise e afirmou: “Nathan saiu de casa há dez anos. Não tem a mínima ideia do que vivemos. Tudo o que eu sempre quis foi vê-la com saúde física, mental e emocional. Isso incluiu todo o cuidado com acompanhamento profissional, porém, em nenhuma hipótese, uma internação em clínica psiquiátrica. Essa foi só uma difamação para colocá-la contra mim.”
Importunação sexual
Uma ex-funcionária também denunciou Rinaldo Pereira por importunação sexual. O crime teria acontecido em 2017, enquanto a mulher trabalhava na casa do líder religioso.
Segundo boletim de ocorrência, o Apóstolo Rina pedia ajuda para realizar alongamentos e massagens. Em algumas dessas situações, também chegava a massagear a vítima e, segundo testemunho, aproximava as mãos de seus seios.
Ainda de acordo com o depoimento da mulher, Rinaldo Pereira foi se aproximando cada vez mais ao longo dos anos até que, em 2017, a puxou pelos braços de frente. Constrangida, a mulher se desvencilhou do homem e gritou: “Me solta seu animal”. Ela deixou a casa com marcas da agressão nos braços.
O líder religioso tentou se reaproximar da vítima alegando um “mal entendido”. A ex-funcionária revelou ter se isolado e ficou muito confusa e depressiva após o ocorrido. Ela faz acompanhamento psicológico até hoje e até foi orientada pela profissional que a acompanha a fazer a denúncia.
A advogada Jane Louise, que representa a ex-funcionária, defende que sua cliente passou por abuso religioso, moral e sexual. “Os processos correm em segredo de Justiça, mas, no caso dela, além de abuso moral e sexual, tem diversos direitos trabalhista não cumpridos.”
Ao UOL, a assessoria de Rinaldo negou as acusações. “O apóstolo Rinaldo Seixas nega qualquer prática violenta e confia na apuração isenta e técnica de todos os fatos pela Polícia Civil e Ministério Público. O apóstolo se afastou voluntariamente da direção da Igreja Bola de Neve. Com muita serenidade, aguarda que sejam realizadas investigações imparciais e justas e tem convicção de que, ao final, será comprovada sua inocência”.
Acusação de estelionato e exploração de trabalho voluntário
Em uma live no Instagram, os empresários Márcio Bieda e Thiago Santana fizeram graves denúncias contra a Igreja Bola de Neve e seu fundador, o apóstolo Rina. A transmissão ao vivo expôs alegações de estelionato e má gestão de doações feitas por fiéis.
Márcio Bieda iniciou a live revelando que um instituto de Balneário Camboriú, que supostamente deveria ajudar mulheres carentes com empreendedorismo, foi transformado em um salão de beleza de luxo.
As acusações também se estenderam a outras práticas dentro da igreja. Bieda e Santana alegaram que há uma cantina na igreja onde os voluntários trabalham sem remuneração, beneficiando financeiramente os líderes da igreja.
Rodolfo Abrantes denuncia abusos e manipulações
Rodolfo Abrantes e sua esposa, Alexandra Abrantes, denunciaram abusos sofridos enquanto frequentavam a igreja Bola de Neve em Balneário Camboriú, Santa Catarina, há 13 anos. O ex-vocalista dos Raimundos compartilhou seu desabafo no Instagram nesta quarta-feira, 22, afirmando que ainda carrega “traumas que demoram demais para curar e ainda doem”.
“Eu não devia absolutamente nada. Mas o que quero dizer não se refere às acusações que têm vindo à tona sobre fraudes, pois isso não me diz respeito. Não tenho prova, nem base, nem capacidade de acusar ninguém. O que estou aqui para dizer é que estou com minha esposa e vi o quanto de abusos emocionais que ela sofreu naquele ministério e nós sofremos demais como família. Nosso casamento foi abalado naquela época e nós sobrevivemos. Estamos firmes e carregamos cicatrizes de feridas que demoram a curar.”, disse Rodolfo.
Igreja Bola de Neve se pronuncia após denúncias
A Igreja Bola de Neve emitiu uma nota oficial na quinta-feira (23) em resposta aos relatos de ex-membros que alegam terem sido vítimas de abusos religiosos por parte de pastores e líderes da denominação.
Várias pessoas testemunham que sofreram abuso religioso de pastores e líderes da igreja.
No comunicado, a igreja diz que está ciente dos relatos e que nesses 25 anos de atuação “os trabalhos sempre foram feitos em uma conduta transparente e honesta para que o resultado final fosse a transformação da sociedade”
“A Igreja Bola de Neve lamenta profundamente o descontentamento e a repercussão de notícias e materiais nas mídias sociais que expõem o desagrado de pessoas que já frequentaram a instituição. Ao longo dos 25 anos de atuação do ministério e com mais de 500 igrejas espalhadas no Brasil e no mundo, os trabalhos sempre foram feitos em uma conduta transparente e honesta para que o resultado final fosse a transformação da sociedade,” diz um trecho da nota.
Rina se afasta da Bola de Neve
Em um comunicado durante o culto no domingo (02/06), o apóstolo Rina, presidente da Igreja Bola de Neve, anunciou seu afastamento temporariamente de suas funções ministeriais para cuidar de sua esposa, pastora Denise.
“Um comunicado para essa igreja tão querida e tão amada que eu amo de todo o meu coração. Todos vocês acompanharam as lutas que nós estamos vivendo. Eu gostaria de estar em outro cenário, mas o que está acontecendo hoje é que tudo isso abalou muito a pastora Denise. Ela vinha numa crescente, se recuperando quase 100%, e com tudo isso, ela entrou num lugar onde está tendo crises de ansiedade, síndrome do pânico. Por isso ela não está aqui hoje”, explicou Rina.
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de não considerar crime a posse para consumo próprio de até 40 gramas de maconha ou seis plantas fêmeas de cannabis levou essa discussão a várias esferas da sociedade, inclusive à classe religiosa. Quais impactos a decisão trará para as famílias? Como a Igreja deve se posicionar em relação a isso?
O pastor e teólogo Lourenço Stelio Rega diz que decisão do STF acaba atendendo à mobilização da Hipermodernidade (Pós-modernidade) de entronizar o indivíduo como portador de plena e inquestionável vontade para fazer de sua vida o que bem quiser.
“Nesse sentido, vivemos em uma sociedade permissiva, sem normas que possam ser aplicadas de forma ampla; uma sociedade imediatista, sem passado e, muitas vezes, sem futuro, pois as pessoas vivem totalmente no presente e buscam gratificação e bem-estar imediatos, a sobrevivência apenas para hoje. Não há comprovação de que, liberando o consumo de maconha, ainda que em quantidade determinada, venha diminuir a criminalidade”, disse.
Para Rega, esse tipo de discussão não pode ficar nos gabinetes protegidos de juízes, “sem que mães de drogaditos possam dar testemunhos sobre o dilema que é ter um viciado em casa”.
“Essa decisão cuida das consequências dessa sociedade secularizada e permissiva, em vez de tratar causas e dilemas que a cada dia mais tornam a vida complexa e degradante. Mais uma vez, os efeitos são focalizados sem o tratamento das causas. A família tem sido fragilizada e perde suporte para poder cumprir o seu papel”, diz o teólogo.
Para o pastor Evaldo Carlos, presidente da Primeira Igreja Batista da Praia da Costa, em Vila Velha (ES), a decisão do STF afronta o poder Legislativo, visto que, recentemente, o Senado já havia definido que qualquer posse de droga é crime, decisão essa que já se encontra em análise pela Câmara.
“É como se o STF estivesse dizendo que não há necessidade de termos deputados e senadores eleitos pelo povo, pois eles (os ministros do Supremo) são suficientes para legislar, julgar e executar, e ponto”, ressaltou Evaldo.
O pastor enfatizou, ainda, que a decisão não levou em consideração as consequências que essa liberação para o consumo trará para a sociedade. “Penso que a decisão tomada é absurda, pois não mede as consequências que ela poderá trazer. Quem se responsabilizará pelas pessoas que livremente e sem nenhum freio utilizarem essa liberação para cometer toda sorte de ilícitos no meio social?”, questiona.
Evaldo lembra que um controle sobre a venda e o consumo será praticamente impossível. “Quem fará o controle da venda, da comercialização e do consumo da quantidade de maconha determinada pelo STF? O que garante que as pessoas vão utilizar apenas aquilo que foi determinado? Em nenhum lugar no mundo a liberação de maconha ou de qualquer outra droga ilícita trouxe algum tipo de melhora”, alerta.
O pastor Jorge Linhares, presidente da Igreja Batista Getsêmani e do Conselho de Pastores do Estado de Minas Gerais (CPEMG), lembra que as grandes tragédias da vida também começaram de forma “pequena”.
“A liberação da maconha é uma porta aberta para a desgraça. É só perguntar a quem luta para se libertar do vício. Eles começaram com um consumo pequeno e hoje não têm mais forças para conseguirem a libertação. E tem outro agravante: os policiais não têm como andar com a balança, o que deverá demandar um trabalho extra quando poderiam estar utilizando em outra ação”, alerta Linhares.
O pastor também lembra que a maioria dos criminosos, quando relatam seus crimes, falam que fizeram uso de entorpecentes como forma de “criar coragem” para cometer o delito. “É como se liberasse um percentual de bebida alcoólica para poder dirigir, tamanha a gravidade dessa decisão e as consequências que virão”, lamenta.
Na opinião do pastor Helio Carnassale, palestrante e consultor internacional em Liberdade Religiosa e mestre em Ciências da Religião, o cristianismo enxerga o ser humano de uma perspectiva holística, mente, corpo, espírito integrados, ou seja, tudo aquilo que venha a interferir na capacidade mental, como é o caso da maconha, também atingirá o espiritual.
“Sendo assim, não concordo com a liberação da maconha e nem de nada que afeta a saúde física e mental, como a bebida alcoólica, que destrói milhares de pessoas e famílias”, afirma.
Igreja deve estimular estilo de vida saudável
Helio Carnassale ressalta que a liderança da igreja deve sempre estimular os fiéis a terem um estilo de vida saudável, pois isso agrada a Deus. “O que precisamos fazer, cada vez mais, é trabalhar para conscientizar as pessoas da importância de viver de forma saudável, equilibrada, evitando todos os elementos que possam trazer prejuízo à saúde, ainda que um estado aprove esse tipo de leis”, sugere Carnassale.
O pastor faz questão de enfatizar que os cristãos não podem esperar que o estado siga os princípios bíblicos e que cabe a cada um permanecer fiel a Deus, mesmo quando as leis são contrárias à Bíblia.
“Não podemos querer que o Estado se conforme com os valores e princípios da Igreja. Quando essas leis ou normas não combinam com os valores e princípios cristãos, nós temos a liberdade para viver do jeito que cremos, de acordo com a nossa consciência, de modo que essas questões não nos afetem”, conclui.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), ao lado do deputado Otoni de Paula (MDB), em evento da Assembleia de Deus - (Foto: Divulgação/Centenário das Assembleias de Deus no Rio de Janeiro)
A gestão Eduardo Paes (PSD) assinou contrato de patrocínio para a celebração do centenário da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro. O repasse de R$ 950 mil foi assinado no dia 20 de junho.
O valor recebido teve como destino o evento do centenário realizado dois dias depois que o deputado Otoni de Paula (MDB), ligado à denominação, fechou as negociações para apoiar a reeleição do prefeito.
Paes discursou na cerimônia ao lado de Otoni e do bispo Abner Ferreira, que participou das negociações políticas para o apoio.
O contrato, obtido pelo gabinete do vereador Pedro Duarte (Novo), mostra que entre as contrapartidas está o direito a “50 spots de 30 segundos na rádio 93 FM”, emissora gospel do Rio.
Ferreira e Otoni negaram vínculos entre o patrocínio e o apoio. Ambos declararam que não fazem parte da entidade beneficiada com o repasse e que participaram do ato como fiéis da Assembleia, que tem diferentes correntes. Os dois integram a Assembleia de Deus – Ministério de Madureira. O patrocínio da prefeitura foi dado à Cemad-RJ (Convenção Estadual de Ministros das Assembleias de Deus do Rio de Janeiro), um outro ramo da mesma denominação religiosa.
A prefeitura disse que a autorização do apoio foi dada no início de maio e que “apoia todos os eventos culturais e religiosos que promovam a cidade”.
Paes escolheu Otoni para atuar junto ao eleitorado evangélico, vinculado ao bolsonarismo. O objetivo é tentar disputar a preferência dos fiéis na disputa contra o deputado Alexandre Ramagem (PL), pré-candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Otoni oficializou o fim de sua pré-candidatura no dia 13, quando fez a primeira reunião com Paes sobre a aliança. Uma semana depois, no dia 20, os dois se reuniram e selaram a aliança, em reunião com a participação de Abner Ferreira.
O que dizem os pastores e a prefeitura
O deputado Otoni de Paula negou relação entre o patrocínio dado pela prefeitura para o evento e seu apoio à pré-candidatura. Ele afirmou que o Ministério de Madureira, ramo da Assembleia de Deus da qual faz parte, não aceita recursos públicos.
“Quero repudiar essa tentativa de ilação, como se meu apoio político ao prefeito Eduardo Paes tivesse essa condicionante”, afirmou ele em discurso na Câmara após ser procurado pela reportagem da Folha de S. Paulo.
“Em nome da verdade, o bispo [Abner] sempre foi contra. Mas como era um evento comum às Assembleias de Deus, acabou entrando. Eu sempre me posicionei contrariamente. Quem quiser marchar para Jesus, que marche com seu dinheiro”, disse Otoni à Folha de S. Paulo.
Abner Ferreira disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que “desconhece que tenha sido destinado algum patrocínio ou verba pública para o evento”. “A igreja que preside nunca recebeu nenhum recurso público para absolutamente nenhum evento em toda a sua história.”
A prefeitura declarou, em nota, que “apoia todos os eventos culturais e religiosos que promovam a cidade”.
“O centenário da Assembleia de Deus é um acontecimento histórico e que merece ser celebrado. A autorização dos patrocínios foi dada no início de maio”, afirma a nota.
Procurada, a Cemad-RJ não se pronunciou.
Em nota, o presidente da Ceader, pastor Flávio Marinho, afirmou que o primeiro contato para o patrocínio ocorreu em outubro de 2023 e que recebeu informações sobre sua conclusão em maio deste ano.
O pastor afirmou também que Otoni “é uma figura querida no meio evangélico, porém, o relacionamento [com a Ceader] é nenhum, além do relacionamento cristão”.
“O prefeito, em sua gestão, tem a marca da equidade no patrocínio de eventos, atendendo não só o segmento evangélico, mas a tantos outros diversos e representativos que trazem sua contribuição à população da cidade”, disse o pastor.