Independentemente da vestimenta ou do símbolo religioso (saia longa, véu hijab, cordão com crucifixo), a discriminação por motivo de fé tem se tornado cada vez mais frequente no ambiente de trabalho no Brasil. O tema ganha destaque nesta quarta-feira (21), quando é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Dados do Disque 100, canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), apontam 3.853 registros de intolerância religiosa em 2024 — um aumento de 80% em relação ao ano anterior. Entre evangélicos, as denúncias quase dobraram, passando de 61 para 111 casos no período.
No ambiente corporativo, o cenário também é preocupante. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, 4 em cada 10 brasileiros — cerca de 55,6 milhões de pessoas — já sofreram algum tipo de discriminação no trabalho. Aproximadamente 70% desses episódios não são comunicados aos setores de Recursos Humanos. As situações vão desde “piadinhas” e exclusão até agressões físicas, muitas delas resultando em ações judiciais e indenizações.
Direito à fé é garantido pela lei, afirma especialista
De acordo com a advogada trabalhista Anna Paula Toniato, a liberdade religiosa é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, mas ainda gera conflitos no cotidiano profissional. Segundo ela, a legislação brasileira oferece proteção ampla contra qualquer forma de discriminação por crença.
“A CLT proíbe práticas discriminatórias, a Lei nº 9.029/95 veda condutas discriminatórias no acesso e manutenção do emprego, e a Constituição, no artigo 5º, inciso VI, garante a liberdade de consciência e de crença, inclusive o direito de expressar a fé por meio de símbolos, vestimentas ou manifestações”, explica. Toniato também lembra que o Brasil é signatário da Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe discriminação no emprego por motivo religioso.
Quando a empresa pode impor limites
A advogada ressalta, no entanto, que o empregador possui o chamado poder diretivo, que permite organizar e disciplinar suas atividades, incluindo a adoção de códigos de vestimenta e uso de uniformes. Esse poder, porém, encontra limites claros quando confronta direitos fundamentais.
“A restrição ao uso de símbolos ou vestimentas religiosas só é admissível em situações excepcionais, quando houver justificativa concreta, como riscos à segurança, à saúde ou à integridade física do trabalhador ou de terceiros”, afirma. Segundo ela, nesses casos, a limitação não se baseia em preconceito, mas em exigências técnicas da função exercida.
Por outro lado, Toniato é enfática ao afirmar que qualquer restrição motivada por incômodo pessoal, estigmas ou intolerância é ilegal. “Preferências do empregador não podem se sobrepor à dignidade e à liberdade religiosa do trabalhador”, pontua.
Vestuário, dignidade e abuso de poder
A especialista também destaca que normas internas sobre apresentação pessoal são legítimas quando visam à boa execução do serviço, à identificação funcional ou ao cumprimento de normas sanitárias. No entanto, essas regras não podem violar convicções religiosas.
“O empregador não pode impor vestimentas que desrespeitem dogmas ou tradições religiosas nem constranger o trabalhador a agir contra sua fé. Isso configura abuso do poder diretivo, podendo caracterizar discriminação, assédio moral e violação da dignidade humana”, alerta.
O que fazer em caso de discriminação religiosa
Em situações de preconceito ou intolerância no trabalho, a advogada orienta que o trabalhador reúna provas, como e-mails, mensagens, áudios ou testemunhos de colegas. “Quanto mais bem documentado o episódio, maior a segurança jurídica”, afirma.
Entre os caminhos possíveis estão buscar orientação com um advogado, procurar o setor de Recursos Humanos ou compliance da empresa, denunciar o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e, se necessário, ingressar com reclamação na Justiça do Trabalho.
“A legislação brasileira prevê responsabilização civil e trabalhista para práticas discriminatórias, incluindo indenização por danos morais e até a rescisão indireta do contrato, com os mesmos direitos de uma demissão sem justa causa”, conclui Toniato.
Cristãos perseguidos no México. (Foto: Ilustração/Portas Abertas)
Onze cristãos evangélicos foram presos na última sexta-feira (16) por autoridades comunitárias na comunidade de Pinar Salinas, no município de Zinacantán, nas Terras Altas de Chiapas, no México. A detenção ocorreu após os fiéis se recusarem a participar de uma festa católica tradicional promovida pela comunidade.
Segundo relatos, as autoridades locais exigiram o pagamento de uma multa de 100 mil pesos — cerca de R$ 30 mil — para libertar os detidos. A prisão aconteceu por volta das 11h da manhã, quando líderes comunitários, acompanhados por outras pessoas, entraram à força em uma residência onde os evangélicos realizavam um culto religioso.
De acordo com Antonio Vázquez Méndez, representante do grupo, os cristãos foram retirados à força do local, agredidos e levados à cadeia comunitária, onde permaneceram presos por dois dias.
“Estamos solicitando a intervenção do governo estadual, porque o que está acontecendo não é justo. Não estamos nos anos 70 ou 80, estamos em 2026 e, infelizmente, a intolerância religiosa ainda existe”, afirmou Vázquez Méndez à imprensa local.
Acordo garante libertação, mas punições continuaram
Após horas de negociação com autoridades comunitárias e representantes do governo estadual — incluindo o prefeito de Zinacantán, José Pérez Martínez — foi firmado um acordo que resultou na libertação dos 11 cristãos sem o pagamento da multa exigida.
No entanto, segundo o portal Evangélico Digital, mesmo após a soltura, as famílias sofreram novas punições. O fornecimento de água e energia elétrica das residências dos evangélicos foi cortado, agravando a situação de vulnerabilidade do grupo.
As autoridades tradicionais do município se recusaram a comentar publicamente as acusações de intolerância religiosa.
Conflito religioso recorrente na região
De acordo com Vázquez Méndez, o episódio não é isolado. Ele afirma que conflitos religiosos na região persistem desde pelo menos 2010, quando moradores que se converteram ao cristianismo passaram a enfrentar perseguições, prisões arbitrárias e a suspensão de serviços básicos.
Segundo o líder, há quase quatro anos diversas famílias evangélicas vivem sem acesso à água, energia elétrica e educação para seus filhos, além de sofrerem ameaças de expulsão da comunidade e até de morte.
“Quando uma família decide mudar de fé, o que fazem é prendê-la, cortar seus serviços e pressioná-la até que mude de ideia. Mas essas famílias permaneceram firmes, e é por isso que a perseguição aumentou”, declarou.
Pedido por intervenção do governo estadual
Antonio Vázquez Méndez também contestou a legalidade da multa imposta, afirmando que não há base jurídica para a penalidade, já que os evangélicos não cometeram crime algum. Segundo ele, apesar das autoridades alegarem que o caso não tem motivação religiosa, o fato de a prisão ter ocorrido durante um culto comprova a perseguição por motivos de fé.
Ao final, o representante pediu intervenção urgente do governo de Chiapas para garantir o respeito à liberdade religiosa, prevista na Constituição mexicana.
“Queremos viver em paz, harmonia e respeito. Que não haja mais violência, prisões ou expulsões por motivos religiosos”, concluiu.
Folha Gospel com informações de Guia-me e Evangelical Focus
Moradores de uma aldeia no estado de Kaduna confirmaram ao portal de notícias Truth Nigeria que 177 cristãos foram sequestrados de três igrejas no domingo (18 de janeiro), após tentativas do governo de impedir o acesso e bloquear informações sobre o crime.
Entrevistas com autoridades da igreja, sobreviventes e líderes comunitários em Kurmin Wali, no condado de Kajuru, revelaram ao Truth Nigeria que 11 vítimas conseguiram escapar, deixando 166 cristãos ainda em cativeiro, após ataques dos fulanis a duas igrejas Querubim e Serafim e a uma classe da Escola Dominical da Igreja Evangélica Vencedora de Todas as Nações (ECWA).
Com a Nigéria sob pressão da administração dos EUA para pôr fim à violência contra os cristãos, o governo do estado de Kaduna e a Polícia Federal da Nigéria haviam negado anteriormente que quaisquer sequestros tivessem ocorrido em Kurmin Wali. A polícia divulgou um comunicado na terça-feira (20 de janeiro) reconhecendo os sequestros.
Yunana Dauji, secretária da Igreja Querubim e Serafim em Kurmin Wali, disse ao Truth Nigeria que “terroristas fulani” atacaram duas congregações da Igreja Querubim e Serafim simultaneamente durante o culto de domingo, por volta das 9h.
“Estávamos na igreja orando quando terroristas fulani surgiram de três direções”, disse Dauji ao Truth Nigeria, operado pelo grupo missionário americano Equipping the Persecuted. “Eles estavam armados com fuzis AK-47 e cercaram a igreja. Avisaram que qualquer um que tentasse fugir seria baleado.”
Os agressores se identificaram como fulanis e forçaram os fiéis a irem com eles até a segunda igreja de Querubins e Serafins, resultando no sequestro de mais de 50 cristãos de ambas as congregações, disse ele.
Os fulanis invadiram a igreja ECWA por volta das 9h, quando uma aula da Escola Dominical estava prestes a começar, disse Joseph Bawa, secretário da ECWA de Kurmin Wali, ao Truth Nigeria: “Eles invadiram a igreja gritando [o slogan jihadista] ‘ Allahu Akbar ‘. Eles nos avisaram para não corrermos ou seríamos mortos.”
Segundo relatos, os agressores juntaram fiéis da igreja ECWA com os de outras igrejas e os levaram para uma área de mata próxima. Disseram-lhes que estavam indo para a floresta de Rijana, onde outras vítimas de sequestro foram mantidas em cativeiro e torturadas, mas alguns ficaram para trás quando receberam a ordem de atravessar um rio e fugiram de volta para a aldeia depois que os sequestradores já haviam cruzado.
Em declaração emitida na terça-feira (20 de janeiro), o Superintendente Chefe de Polícia Benjamin Hundeyin afirmou que os comentários feitos pelo Comissário de Polícia do estado de Kaduna visavam evitar pânico desnecessário enquanto os fatos estavam sendo confirmados.
“Essas declarações, que desde então foram amplamente mal interpretadas, não negavam o incidente, mas sim davam uma resposta ponderada enquanto aguardávamos a confirmação dos detalhes no local, incluindo a identidade e o número de afetados”, disse Hundeyin. “A verificação subsequente por parte das unidades operacionais e fontes de inteligência confirmou que o incidente de fato ocorreu. A Polícia Federal da Nigéria, portanto, ativou operações de segurança coordenadas, trabalhando em estreita colaboração com outras agências de segurança, com o objetivo claro de localizar e resgatar as vítimas em segurança e restabelecer a calma na área.”
Esposa e filha do padre assassinado são libertadas.
Também no estado de Kaduna, a esposa e a filha de um padre anglicano que morreu enquanto estava em cativeiro nas mãos de terroristas fulani foram resgatadas na quinta-feira (15 de janeiro), disseram líderes religiosos.
Sarah Achi e sua filha foram sequestradas junto com o reverendo Edwin Achi em 28 de outubro, na igreja onde viviam, na comunidade de Nissi, condado de Chikun.
“Louvado seja Deus, que atende às orações”, diz um comunicado de imprensa da Diocese Anglicana de Kaduna. “Podemos agora confirmar que a esposa do falecido Venerável Achi, que foi sequestrada e assassinada em outubro do ano passado, a Sra. Edwin Achi, e sua filha, foram resgatadas na noite de 15 de janeiro.”
Líderes religiosos afirmaram que tanto a esposa quanto a filha do padre foram resgatadas e estão recebendo tratamento em um centro de saúde na cidade de Kaduna.
Kate Ebere, membro da igreja, agradeceu a Deus pela libertação da esposa e da filha do padre.
“Senhor, somos gratos pelo retorno seguro deles após três meses em cativeiro”, disse Ebere. “Minha oração é que Deus continue a consolar a família Achi, a Diocese Anglicana de Kaduna e toda a comunhão anglicana. E que a alma do Venerável Edwin Achi continue a descansar em paz.”
O governador de Kaduna, Uba Sani, visitou Sarah Achi e sua filha no domingo (18 de janeiro) no Hospital Militar de Kaduna.
“Foi um momento de profunda solenidade, e expressei minhas mais sinceras condolências à família por enfrentar o luto e o longo caminho para a recuperação”, disse Sani em um comunicado. “Assegurei à Sra. Achi o apoio inabalável do Governo do Estado de Kaduna. Isso inclui o fornecimento de uma casa, o patrocínio integral da educação das crianças, o pagamento de todas as despesas médicas e o acompanhamento psicossocial contínuo para auxiliar na recuperação e reintegração delas à sociedade.”
Em 25 de dezembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou ataques aéreos contra o que sua administração alegou serem militantes do Estado Islâmico no estado de Sokoto, no noroeste da Nigéria, na fronteira com o Níger. Vários outros grupos militantes islâmicos estariam ativos na região, incluindo o Lakurawa, a Al-Qaeda e o Boko Haram. Um oficial do Pentágono afirmou que os Estados Unidos trabalharam em conjunto com o governo nigeriano para realizar os ataques.
Pastores fulani e outros terroristas “bandidos”, frequentemente aliados a eles, mataram mais civis na Nigéria durante um período de quatro anos do que os grupos extremistas islâmicos Boko Haram e Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), de acordo com um relatório de 29 de agosto de 2024 do Observatório da Liberdade Religiosa na África (ORFA) sobre assassinatos ocorridos entre outubro de 2019 e setembro de 2023. Os “pastores fulani armados” mataram 11.948 civis, enquanto “outros grupos terroristas”, comumente chamados de “bandidos fulani”, mataram 12.039 civis durante o mesmo período. Em contraste, o Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), juntos, mataram apenas 3.079 civis.
Os pastores fulani fazem parte da Milícia Étnica Fulani (FEM), e acredita-se que parte dos “Outros Grupos Terroristas” conhecidos como “bandidos fulani” estejam ligados à FEM, de acordo com o relatório.
“Isso implica que o FEM é um fator muito mais importante na cultura de violência nigeriana do que o Boko Haram e o ISWAP”, afirmou o relatório da ORFA.
De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026 (LMP) da Portas Abertas, mais cristãos foram mortos na Nigéria do que em qualquer outro país entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025. Dos 4.849 cristãos mortos em todo o mundo por causa de sua fé durante esse período, 3.490 – 72% – eram nigerianos, um aumento em relação aos 3.100 do ano anterior. A Nigéria ocupa o 7º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 dos 50 países onde é mais difícil ser cristão.
Com milhões de habitantes espalhados pela Nigéria e pelo Sahel, os fulanis, predominantemente muçulmanos, compreendem centenas de clãs de diversas linhagens que não sustentam visões extremistas, mas alguns fulanis aderem à ideologia islâmica radical, conforme observou o Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade Internacional de Crença (APPG) do Reino Unido em um relatório de 2020 .
“Eles adotam uma estratégia comparável à do Boko Haram e do ISWAP e demonstram uma clara intenção de atacar cristãos e símbolos importantes da identidade cristã”, afirma o relatório do APPG.
Líderes cristãos na Nigéria afirmaram acreditar que os ataques de terroristas contra comunidades cristãs na região central do país são motivados pelo desejo de tomar à força as terras dos cristãos e impor o islamismo, já que a desertificação tem dificultado a criação de seus rebanhos.
Na região Centro-Norte do país, onde os cristãos são mais comuns do que no Nordeste e Noroeste, milícias extremistas islâmicas Fulani atacam comunidades agrícolas, matando centenas de pessoas, sobretudo cristãos, segundo o relatório. Grupos jihadistas como o Boko Haram e o grupo dissidente Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), entre outros, também atuam nos estados do norte do país, onde o controle do governo federal é escasso e os cristãos e suas comunidades continuam sendo alvos de ataques, violência sexual e assassinatos em bloqueios de estradas, de acordo com o relatório. Os sequestros para resgate aumentaram consideravelmente nos últimos anos.
A violência se espalhou para os estados do sul, e um novo grupo terrorista jihadista, o Lakurawa, surgiu no noroeste, armado com armamento avançado e uma agenda islâmica radical, observou a LMP. O Lakurawa é afiliado à insurgência expansionista da Al-Qaeda, Jama’a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin, ou JNIM, originária do Mali.
Templo da Assembleia de Deus de Condado, na Mata Norte de Pernambuco. (Reprodução/ Google Street View)
A solicitação da Assembleia de Deus de Condado, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, para que blocos e arrastões carnavalescos evitem barulho durante os horários de culto levou o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) a instaurar um inquérito civil. A medida foi adotada no dia 15 de janeiro e tem como objetivo reunir informações junto à prefeitura sobre a organização dos eventos do Carnaval no município.
Segundo o MPPE, a igreja pediu que os blocos se abstenham de utilizar equipamentos sonoros ou produzir ruído ao passarem em frente aos templos durante o período das celebrações religiosas, que ocorrem diariamente das 19h às 21h. De acordo com a denominação, o som dos eventos carnavalescos tem interferido diretamente na realização dos cultos.
Em nota, o Ministério Público afirmou que o inquérito busca “ponderar e, se possível, harmonizar os direitos fundamentais à liberdade religiosa e à liberdade cultural”, ambos garantidos pela Constituição Federal. O órgão destacou que a iniciativa não tem caráter punitivo, mas visa compreender como o município organiza os eventos e se há medidas adotadas para respeitar a proximidade entre manifestações culturais e locais de culto.
Apuração e diálogo
Embora a portaria de abertura do procedimento cite a Prefeitura de Condado como “investigada”, o MPPE esclareceu que não se trata de uma investigação contra a gestão municipal, mas de um levantamento de informações sobre políticas públicas relacionadas ao Carnaval. O objetivo, segundo o órgão, é avaliar se existem ações ou critérios que considerem a convivência entre eventos culturais e atividades religiosas.
O Ministério Público ressaltou ainda que, até o momento, não foi cogitada oficialmente a imposição de silêncio aos blocos carnavalescos ao passarem pelos templos. Caso seja necessário, o MPPE afirmou que atuará como mediador entre as partes, buscando soluções que respeitem tanto a liberdade de culto quanto a liberdade de expressão cultural.
“A Constituição Federal assegura tanto a liberdade de manifestação cultural quanto a liberdade de culto religioso. Nesse sentido, o MPPE atua como interlocutor, buscando ajustes que se mostrem convenientes e oportunos, se assim se mostrar adequado após a coleta das informações”, destacou o órgão.
Procurada, a Assembleia de Deus de Condado não se manifestou sobre o caso até a última atualização da reportagem.
Folha Gospel com informações de Diário de Pernambuco
Robert Rieweh Cunville (1939-2026) - Foto: Cortesia de Vijayesh Lal.
Robert Rieweh Cunville, o evangelista indiano de voz suave que proclamou o evangelho a milhões de pessoas na África, Ásia e Europa e que mais tarde atuou como evangelista associado de Billy Graham, faleceu no sábado, 17 de janeiro de 2026, em um hospital em Shillong. Ele tinha 86 anos.
Ao longo de mais de cinco décadas de ministério, Cunville pregou para multidões grandes e pequenas em dezenas de países, mas amigos e colegas dizem que ele era conhecido menos por seu alcance global do que por sua humildade, vida de oração e cuidado pastoral discreto.
Escolhido pessoalmente por Billy Graham para servir na Associação Evangelística Billy Graham, Cunville viajou muito, mas evitou os holofotes, acreditando que o próprio evangelho — e não o pregador — deveria permanecer no centro. Líderes cristãos na Índia e em outros países afirmam que sua influência continua por meio dos muitos pastores, evangelistas e fiéis que ele orientou, treinou e encorajou.
A saúde de Cunville vinha se deteriorando desde que ele sofreu um ataque cardíaco em 26 de dezembro de 2025, durante as férias de Natal. Apesar dos cuidados médicos intensivos em Shillong, ele faleceu na manhã de 17 de janeiro.
“Ele nunca buscou a fama, mas sua pregação tinha peso porque emanava de uma vida enraizada na oração e na obediência”, disse o Rev. Vijayesh Lal, secretário-geral da Aliança Evangélica da Índia.
Da Lei ao Evangelho
Robert Rieweh Cunville nasceu em 15 de março de 1939, em Tezpur, Assam, filho do Dr. RL Cunville e Felicia Kharshiing, ambos cristãos de origem Khasi, oriundos das montanhas do nordeste da Índia. Segundo a Associação Evangelística Billy Graham, ele nasceu em uma família de classe alta e com alto nível de escolaridade, e seu futuro já estava traçado: ele estudaria direito na Inglaterra.
Mas um sermão mudou tudo. Certa noite, enquanto ouvia um pregador descalço falando da varanda de uma casa, Cunville sentiu-se convencido por Deus. Quando o convite lhe foi feito, ele se arrependeu e entregou sua vida a Jesus Cristo.
“Os pais de Cunville ficaram chocados quando ele anunciou que iria se dedicar ao ministério, mas apoiaram sua decisão e seu compromisso de obedecer ao chamado de Deus”, relatou a BGEA.
Os livros de direito foram deixados de lado. Seu chamado para o ministério em tempo integral havia chegado.
Ele cursou estudos teológicos na Universidade de Serampore, concluindo seu bacharelado em Divindade e mestrado em Teologia entre 1958 e 1965. O Sínodo Presbiteriano Khasi Jaintia o ordenou em 1966. Posteriormente, obteve um mestrado em missões pelo Seminário Teológico Fuller, na Califórnia, em 1975, com pesquisa focada no crescimento da Igreja Presbiteriana nas colinas Khasi e Jaintia.
Após se formar em Serampore, Cunville atuou como professor no Cherra Theological College em Sohra e como secretário da juventude do Conselho Nacional de Igrejas por quatro anos.
Em 1965, casou-se com Carol Rani, também de Shillong. O casal teve dois filhos. Ele assumiu o cargo de pastor da Union Chapel em Calcutá, onde serviu por quatro anos. Em 1998, ingressou formalmente na Igreja Presbiteriana de Laitumkhrah em Shillong, mantendo essa ligação até sua morte.
Logo depois, Cunville começou a trabalhar com o Conselho Mundial de Igrejas no ministério jovem. Em seguida, enquanto atuava como secretário do Conselho Cristão do Nordeste da Índia, assumiu o papel de coordenador da cruzada histórica de Billy Graham em Kohima, Nagaland, em 1972.
A conexão com Billy Graham
A cruzada no campo local de Khuochiezie, em Kohima, deixou uma marca indelével no nordeste da Índia e no próprio Cunville. O evento “marcou um marco significativo na história cristã de Nagaland, trazendo fé renovada, unidade e reavivamento entre os fiéis”, segundo o Conselho da Igreja Batista de Nagaland.
O Ministro-Chefe de Nagaland, Neiphiu Rio, que participou da cruzada quando jovem, relembrou mais tarde o papel de Cunville. “Ela semeou sementes de fé, esperança e despertar que continuam a dar frutos até hoje”, disse Rio.
Cinco anos após essa primeira colaboração, Graham convidou Cunville para se juntar à sua equipe de evangelização. A partir de 1977, Cunville atuou como evangelista associado da Associação Evangelística Billy Graham, pregando em diversos países. Billy Graham escreveu em sua autobiografia, Just As I Am (Tal Como Sou) , que o “espírito humilde e o compromisso inabalável de Cunville com a evangelização nunca deixaram de me inspirar”.
O Rev. Dr. Richard Howell, que conhecia Cunville há mais de quatro décadas, disse que a escolha de Graham foi deliberada. “O Rev. Dr. Robert Cunville foi escolhido pessoalmente por Billy Graham para servir como evangelista associado”, disse Howell, diretor do Instituto Teológico Caleb e ex-secretário-geral da Aliança Evangélica da Ásia. “Deus o usou amplamente em todo o mundo, e sua pregação do evangelho levou inúmeras pessoas a Cristo.”
Franklin Graham, presidente da BGEA, disse que Cunville “foi o último evangelista ainda vivo que trabalhou com meu pai”.
“Ele era um dos homens mais humildes e tementes a Deus que já conheci”, disse Franklin Graham. “Sentiremos muito a sua falta. Ele foi uma grande inspiração para mim e para nossa equipe.”
Ao contrário de alguns evangelistas que adaptavam sua mensagem para diferentes públicos ou acrescentavam histórias pessoais e comentários culturais, a pregação de Cunville permanecia consistente. Ele acreditava que o evangelho transcendia cultura e tempo. Em um Congresso Europeu de Evangelismo em Berlim, em maio de 2025, Cunville disse a mais de mil líderes cristãos: “Nunca se esqueçam do sangue de Jesus Cristo. Não importa qual sermão vocês preguem, terminem falando sobre o sangue.”
David Bruce, diretor do Centro de Arquivos e Pesquisa Billy Graham, disse que Cunville pregou para multidões que variavam de 300 a 200 mil pessoas somente na Índia, e mesmo assim sua humildade jamais vacilou.
“O atributo mais incrível da vida dele [foi] a sua humildade, o seu amor por Jesus e, claro, o seu coração voltado para o ministério”, disse Bruce.
O ministério de Cunville ia além da pregação para grandes multidões. Ele era “um professor apaixonado, que apoiava seus irmãos na fé por meio de treinamentos evangelísticos, conferências bíblicas e encontros pastorais”, disse Bruce.
“Ele multiplicava seu ministério treinando outros. Ele deixou como legado uma força extraordinária para a igreja.”
Um Ministério da Presença
Cunville continuou viajando e pregando até bem depois dos oitenta anos. Em 30 de novembro de 2025, quando atrasos no visto impediram Franklin Graham de participar do evento “Nagaland United: A Gathering of Faith, Hope and Revival” em Kohima, Cunville o substituiu para proferir a mensagem do evangelho. Essa seria sua última pregação pública.
O Ministro-Chefe Rio recebeu Cunville calorosamente naquele dia. “Tê-lo conosco novamente aprofunda nosso sentimento coletivo de gratidão pela graça de Deus”, disse Rio.
Mas aqueles que melhor conheciam Cunville diziam que seu impacto não era medido pelo tamanho das multidões ou pelos países visitados. Estava nos telefonemas e nos momentos de aprendizado.
Em 2022, Cunville atuou como um dos líderes de estudo bíblico na 17ª Reunião Ordinária do Sínodo da Igreja do Norte da Índia. A CNI afirmou que “suas percepções, humildade e profundo entendimento das Escrituras enriqueceram nossa reflexão e comunhão coletivas”.
Naquele mesmo ano, Lal, da Aliança Evangélica da Índia, trabalhou com Cunville para organizar um seminário para mais de 500 pastores em Delhi. O evento foi “profundamente frutífero e espiritualmente fortalecedor”, disse Lal. Mas o que ele mais se lembrava eram os telefonemas de acompanhamento, a cada poucos meses, apenas para saber como estavam.
“Essas ligações nunca foram apressadas”, disse Lal. “Elas refletiam o coração de um pastor e uma preocupação sincera com o bem-estar dos outros.”
O Rev. Dr. S. Duraiswamy, diretor de relações com parceiros da Igreja Evangélica da Índia, lembrou-se de ter se encontrado com Cunville em diversas ocasiões, juntamente com o Bispo Ezra Sargunam, que faleceu em 2024. Cunville mantinha uma forte parceria com a ECI e desfrutava de uma profunda amizade com Sargunam.
“Embora tivesse muitas responsabilidades e uma agenda exigente, ele sempre arranjava tempo para as pessoas”, disse Duraiswamy.
Um momento se destacou: em 2024, durante um período de perdas devastadoras, Cunville veio pessoalmente orar pela filha do Bispo Sargunam.
“Aquele ato revelou o verdadeiro coração de pastor que ele carregava”, disse Duraiswamy. “Foi em momentos como esses que testemunhei a grandeza deste homem de Deus, não em proeminência ou posição, mas em humildade, compaixão e fidelidade.”
O reverendo J. Edwin John Wesley, secretário-geral da Igreja Evangélica da Índia, disse que Cunville “trabalhou em estreita colaboração com o nosso Pai Bispo Ezra Sargunam para alcançar a nação com o evangelismo em nome da ECI”.
“Ele era um verdadeiro homem de Deus, cujos sermões refletiam não apenas uma profunda percepção espiritual, mas também a força serena que o guiava em seu dia a dia”, disse Wesley.
Howell observou que, mesmo enquanto Cunville viajava pelo mundo, ele permaneceu devotado à sua esposa, Carol Rani, que estava doente.
“Em casa, ele demonstrava a mesma fidelidade no cuidado com sua esposa doente, sempre garantindo que retornava para ela assim que seus compromissos ministeriais permitiam”, disse Howell.
Will Graham, neto de Billy Graham, disse: “O Dr. Cunville foi um evangelista poderoso, e só Deus sabe quantas almas foram salvas para a eternidade por meio de seu ministério ungido. Apesar de seu impacto notável, ele não buscava reconhecimento e sempre colocava os outros acima de si mesmo.”
Uma testemunha global
O compromisso de Cunville em tornar as Escrituras acessíveis o levou a assumir funções de liderança nas Sociedades Bíblicas Unidas. Ele foi eleito presidente em 2010 e reeleito em 2016 para um novo mandato de seis anos. Em 2023, foi homenageado como presidente emérito. Ele foi o primeiro asiático a ocupar a presidência da Sociedade Bíblica Unida. Também atuou como presidente da Sociedade Bíblica da Índia.
Sua posição na comunidade cristã global era evidente nos convites para palestrar em importantes encontros da igreja. Em julho de 2022, Cunville discursou na Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana do País de Gales, falando a congregações cada vez menores com uma mensagem de esperança e renovação.
“A igreja não é apenas um encontro social, nem um encontro religioso, é uma embaixada divina, onde o domínio de Deus no céu é trazido à terra”, disse Cunville à assembleia galesa.
Ele encerrou sua mensagem citando Evan Roberts, figura fundamental no reavivamento de 1904 no País de Gales: “O que precisamos é de uma nova visão da Cruz. E que esse Seu amor poderoso e abrangente não seja mais uma influência instável e vacilante em nossas vidas, mas a paixão dominante de nossas almas.”
A Igreja Presbiteriana do País de Gales lamentou seu falecimento esta semana, destacando “a profundidade dessa relação” entre as igrejas e chamando-o de “nosso amado irmão”, de quem sentirão falta com “sábios conselhos e amizade”.
Quando Billy Graham faleceu em 2018, Cunville foi escolhido para proferir orações no funeral, uma profunda honra que refletia sua posição entre os evangélicos do mundo todo. Na cerimônia, realizada sob uma enorme tenda branca em frente à Biblioteca Billy Graham em Charlotte, Carolina do Norte, Cunville discursou para aproximadamente 2.000 convidados, incluindo líderes cristãos de 50 países.
“Sabemos que foste Tu, Tu que conduziste as inúmeras almas aos pés da cruz”, orou ele. “Pois é isso que o teu servo diria: ‘Ó Deus, não fui eu. Não fui eu, mas Deus que o fez’”.
Essas palavras, disseram os amigos, poderiam ter sido o próprio lema de Cunville.
Lembrado em toda a Índia e além
O povo Mizo se lembrava especialmente de Cunville como o orador na cruzada de 1988 no campo da Government High School e como um dos oradores na cruzada de Will Graham no campo de Vaivakawn em 2012. Em uma celebração de Will Graham em 2013 em Bidar, na Índia, mais de 41.000 pessoas compareceram para ouvir o evangelho. Quando circunstâncias imprevistas impediram Will Graham de pregar naquela noite, Cunville o substituiu para transmitir a mensagem.
Lalmalsawma Nghaka, tesoureiro do PCC de Mizoram e ex-presidente estadual do Congresso da Juventude Indiana, o chamou de “um crente convicto e uma pessoa espiritual, um proeminente proclamador da morte e ressurreição de Cristo e da mensagem da cruz”.
Allen Brooks, porta-voz do Fórum Cristão Unido do Nordeste da Índia, descreveu Cunville como “um farol de fé que iluminou o Nordeste e além, especialmente Shillong”.
O Rev. PK Samantroy, que serviu como o 13º moderador da Igreja do Norte da Índia, lembrou-se dele como “um bom amigo mais velho que frequentemente ligava para saber sobre a família”.
“Vou sentir muita falta dele”, disse Samantroy.
O Conselho da Igreja Batista de Nagaland afirmou que Cunville “será lembrado como um homem de Deus humilde e devoto, de fala mansa, gentil, fervoroso em oração e profundamente atencioso. Sua vida refletiu a humildade, a gentileza e o compromisso inabalável com o Evangelho, valores típicos de Cristo.”
A Igreja do Norte da Índia, em sua mensagem oficial de condolências, afirmou que Cunville “será lembrado por sua simplicidade, integridade, espírito ecumênico e fé inabalável”.
“Sua vida continua a inspirar pastores, evangelistas e fiéis, especialmente no nordeste da Índia”, disse a CNI.
O Ministro-Chefe de Meghalaya, Conrad K. Sangma, descreveu Cunville como alguém cujos “sermões refletiam não apenas uma profunda percepção espiritual, mas também a força serena que o guiava diariamente”.
“Um verdadeiro pastor de Cristo, o Reverendo Cunville aproximou as pessoas Dele por meio de uma vida marcada pela humildade e uma espiritualidade profundamente enraizada na fé”, disse Sangma.
O Dr. Paul Dhinakaran, reitor da Universidade Karunya e chefe do Ministério Jesus Calls, disse em uma homenagem em vídeo que Cunville “combateu o bom combate” e “correu a corrida sem mácula, com um nome honrado no céu, honrado pelo povo e honrado pela Igreja”.
Dhinakaran citou Provérbios 20:7 : “O homem justo anda na sua integridade; os seus filhos serão abençoados depois dele.”
“Rezo para que todos os seus filhos na família, todos os seus filhos espirituais no ministério e todos nós continuemos a levar o evangelho que ele levou até chegarmos aos pés de Jesus”, disse Dhinakaran. “Creio que hoje a coroa da justiça e a coroa da alegria, a alegria que vem da salvação das almas, foram colocadas sobre ele.”
A Aliança Evangélica da Índia encerrou sua homenagem com uma oração que capturou como Cunville gostaria de ser lembrado: “Que o Senhor a quem ele amou e proclamou o receba no descanso eterno e que o testemunho de sua vida continue a encorajar aqueles que trabalham fielmente no campo de Deus.”
A Igreja do Norte da Índia ofereceu orações pela esposa de Cunville, Carol Rani, e seus filhos, pedindo “ao Deus de toda consolação que lhes conceda força, paz e esperança neste momento de luto”.
Cunville deixa esposa, Carol Rani, e dois filhos.
O funeral foi marcado para esta terça-feira, 20 de janeiro de 2026. Após uma cerimônia em sua residência ao meio-dia, houve um culto na Igreja Presbiteriana de Laitumkhrah seguido de um sepultamento no cemitério cristão.
Acidente de trem na Espanha em janeiro de 2026 (Foto: Reprodução/X)
Uma importante organização evangélica da Espanha pediu orações e ofereceu condolências públicas às vítimas e familiares do recente acidente ferroviário de Adamuz, na província de Córdoba, Andaluzia, que matou 41 pessoas e deixou centenas de feridos, segundo informações recentes.
A tragédia, descrita como o pior desastre ferroviário do país em uma década, ocorreu quando um trem da Renfe Alvia, que viajava de Málaga para Madri, colidiu com um trem da Iryo que seguia de Madri para Huelva. Pelo menos 292 pessoas ficaram feridas, sendo que 12 receberam atendimento em unidades de terapia intensiva, incluindo quatro crianças, segundo as autoridades.
As equipes de resgate continuam tentando libertar outras pessoas no local da colisão, e autoridades do governo andaluz alertaram que o número de mortos ainda pode aumentar. Acredita-se que algumas vítimas estejam presas sob os destroços dos vagões mais danificados.
A teoria atual para o acidente é uma junta defeituosa entre dois trechos de trilhos, segundo investigadores da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários. O Ministro dos Transportes, Óscar Puente, observou que o acidente é “extraordinariamente estranho”, visto que a linha férrea havia sido reformada em maio de 2025, a um custo de € 700 milhões (US$ 815,1 milhões).
Após o acidente, a Federação de Entidades Religiosas Evangélicas da Espanha (FEREDE) emitiu um comunicado nas redes sociais convocando as igrejas a se unirem em oração.
“Em vista do trágico acidente ferroviário ocorrido neste fim de semana na cidade de Adamuz (Córdoba), no qual, segundo as primeiras informações, dezenas de pessoas perderam a vida e muitas ficaram feridas, expressamos nossas mais sinceras condolências e a solidariedade de toda a comunidade evangélica às famílias das vítimas, aos feridos e seus parentes”, dizia o comunicado da FEDERE em espanhol.
“Compartilhamos com todos eles o choque e a profunda dor por esta terrível tragédia. Convidamos nossas igrejas e líderes religiosos a se unirem em oração, pedindo a Deus conforto e força para os afetados e sabedoria para as autoridades, equipes de emergência, especialistas e peritos que trabalham para esclarecer as causas do incêndio.”
“Solicitamos também que sejam tomadas as medidas necessárias para reforçar a segurança ferroviária e evitar a repetição de tais eventos lamentáveis.”
“Confiamos na esperança da vida eterna em Cristo e afirmamos, mesmo em meio à dor, a certeza do amor de Deus e de seus propósitos eternos.”
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou Adamuz hoje e declarou três dias de luto nacional oficial.
O rei Felipe VI expressou “consternação e preocupação” em relação à tragédia durante o funeral de sua tia materna, a princesa Irene, em Atenas hoje.
“Os dois trens que sofreram este acidente e com tantas vítimas… parece que, bem, os esforços de resgate ainda não terminaram”, disse Felipe VI. “Estamos em contato com o Presidente do Governo (Primeiro-Ministro) e o Presidente do Governo Regional (da Andaluzia) para saber os detalhes desde ontem à noite.”
“E hoje, assim que terminarmos, voltaremos o mais rápido possível, é claro, para nos mantermos atualizados e possivelmente preparar uma visita à região.”
“Compreendo o desespero das famílias e o elevado número de feridos neste acidente, e estamos todos verdadeiramente preocupados. Em suma, esperamos que recuperem o mais rapidamente possível.”
O rei também confirmou que estavam sendo tomadas providências para ver se ele poderia visitar o local do acidente.
“Estávamos ouvindo o rádio até agora, e de fato, os técnicos e os serviços de emergência ainda estão procurando por possíveis vítimas. A prioridade agora é atender, acompanhar, ajudar e prestar assistência a todas as pessoas afetadas por este acidente brutal.”
A bravura dos moradores de Adamuz que prestaram auxílio no local da colisão do trem também foi elogiada pelo rei, que expressou “palavras de gratidão a eles”.
Ativistas anti-ICE interromperam culto na igreja batista de St. Paul, em Minessota. (Captura de tela/YouTube/Fox News)
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação federal após ativistas interromperem um culto dominical em uma igreja batista do sul, em St. Paul, no estado de Minnesota. A ação ocorreu na Cities Church, onde um dos pastores atua, segundo denúncias, como funcionário do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
Durante o culto conduzido pelo pastor sênior Jonathan Parnell, manifestantes ligados à Racial Justice Network e ao Black Lives Matter Minnesota invadiram o santuário, interrompendo a celebração. O protesto teria sido motivado pela suposta atuação do pastor David Easterwood como líder de um escritório local do ICE na cidade.
De acordo com relatos, os ativistas gritaram palavras de ordem como “ICE fora!” e exigiram justiça para Renee Good, mulher que morreu após ser baleada por um agente do ICE em 10 de janeiro. A manifestação acabou forçando o encerramento do culto.
No domingo, Harmeet Dhillon, procurador-geral assistente para Direitos Civis do Departamento de Justiça, afirmou nas redes sociais que o órgão federal apura o caso por possíveis crimes federais.
“Um local de culto não é um fórum público para o seu protesto!”, escreveu Dhillon.
“É um espaço protegido exatamente contra tais atos por leis federais criminais e civis! A Primeira Emenda também não protege seu pseudojornalismo de interromper um culto de oração. Considere-se avisado!”
Reações da Casa Branca e do Departamento de Justiça
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, também se manifestou sobre o episódio, afirmando que o governo federal não aceitará atos de intimidação contra cristãos.
“O presidente Trump não tolerará a intimidação e o assédio contra cristãos em seus locais sagrados de culto. O Departamento de Justiça iniciou uma investigação completa sobre o incidente desprezível que ocorreu mais cedo hoje em uma igreja em Minnesota.”
Já a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, informou que entrou em contato direto com a liderança da igreja atingida.
“Acabei de falar com o pastor em Minnesota cuja igreja foi alvo. Ataques contra as forças de segurança e a intimidação de cristãos estão sendo enfrentados com todo o rigor da lei federal”, escreveu ela no X.
“Se as lideranças estaduais se recusarem a agir de forma responsável para impedir a ilegalidade, este Departamento de Justiça continuará mobilizado para processar crimes federais e garantir que o Estado de Direito prevaleça.”
Identidade do pastor gera controvérsia
O site oficial da Cities Church identifica David Easterwood como um de seus pastores. Informações pessoais dele, segundo a Associated Press, parecem coincidir com dados presentes em documentos judiciais que mencionam um David Easterwood como diretor interino do escritório do ICE em St. Paul.
A agência de notícias também informou que ele teria participado, ao lado da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, de uma coletiva de imprensa realizada em outubro.
Apesar disso, veículos como FOX 9 e Hindustan Times ressaltam que não há confirmação independente de que o pastor da igreja e o funcionário do ICE sejam a mesma pessoa. As publicações destacam que, embora os dados “pareçam coincidir”, ainda é necessário cautela quanto à identificação definitiva.
Folha Gospel com informações de Guia-me e The Christian Post
O requerimento para convocar o pastor Silas Malafaia a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS provocou forte repercussão política e reacendeu o debate sobre a possível relação entre lideranças religiosas e fraudes em benefícios previdenciários. A iniciativa partiu do deputado federal Rogério Correia (PT-MG), presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, e foi anunciada nesta quinta-feira (15).
Segundo o parlamentar, a convocação ocorreu após Malafaia reagir publicamente a declarações da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), integrante da CPMI. A senadora afirmou haver indícios de envolvimento de igrejas em esquemas de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS.
Em publicação nas redes sociais, Rogério Correia informou que, além da convocação, solicitou um pedido adicional de acareação entre o pastor e a senadora. “E solicitei, de forma complementar, acareação com a senadora Damares, para esclarecer contradições e responsabilidades. A CPMI do INSS não pode recuar. Fraudes contra aposentados exigem investigação séria, sem blindagens políticas ou religiosas”, escreveu o deputado.
As declarações que motivaram o embate foram dadas por Damares Alves em entrevista ao SBT News. Na ocasião, a senadora relatou dificuldades internas para avançar em apurações que envolvem lideranças religiosas. “Nós estamos identificando igrejas no esquema de fraude com aposentados. Há pastores que pedem para não investigar, não decepcionar os fiéis. (…) E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes'”, afirmou.
Malafaia reage
Diante da movimentação no Congresso, Silas Malafaia respondeu publicamente nesta sexta-feira (16), por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais. O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo ironizou o pedido de convocação e afirmou que vê a iniciativa como positiva.
“Que notícia boa eu recebo hoje, dia 16 de janeiro, prova que Deus me ama. Ontem, o deputado do PT, Rogério Correia, apresentou um requerimento na CPMI do INSS, da roubalheira dos aposentados, para me convocar. Cara, top. Mas, uma perguntinha ao deputado: que tal você fazer também um requerimento para convocar o irmão ou o Lulinha filho do Lula? Ou você é covarde e omisso?”, declarou o pastor.
Na sequência, Malafaia fez um apelo direto aos parlamentares que integram a comissão, defendendo a aprovação do requerimento. “Quero fazer um pedido a todos os deputados e senadores dessa magna comissão. Por favor, aprovem o requerimento deste deputado. Vai ser um prazer. Aprovem. Não vai ser brincadeira me encarar lá”, completou.
CPMI do INSS
A CPMI do INSS é composta por 32 parlamentares titulares, sendo 16 senadores e 16 deputados federais, além do mesmo número de suplentes. O colegiado investiga descontos indevidos em benefícios previdenciários praticados por associações que representariam aposentados e pensionistas, em um esquema que teria começado em 2019.
De acordo com investigações da Polícia Federal, as fraudes podem ter causado prejuízo de até R$ 6,4 bilhões ao longo de seis anos. O caso envolve cobranças não autorizadas diretamente nos benefícios pagos pelo INSS, atingindo milhões de segurados.
A eventual convocação de Silas Malafaia ainda depende de aprovação da CPMI, mas o episódio já evidencia o aumento da tensão política em torno das investigações, especialmente quando envolvem figuras religiosas de grande influência pública.
Folha Gospel com informações de Itatiaia, Brasil 247, UOL e G1
O cantor Rodolfo Abrantes confirmou nesta quarta-feira (14) um dos anúncios mais inesperados do rock cristão nacional: o retorno oficial da banda Rodox, após um hiato de 22 anos. A volta marca a reunião da formação original e reacende a memória de um dos projetos mais emblemáticos do início dos anos 2000.
Reunião histórica da formação original
O retorno contará com Fernando Schaefer, Pedro Nogueira e Patrick Laplan, integrantes que ajudaram a consolidar a identidade sonora e conceitual do grupo. O anúncio foi feito por meio das redes sociais de Rodolfo e destacou a intenção de resgatar não apenas o som pesado que marcou época, mas também a mensagem de fé, introspecção e autenticidade que definiu o Rodox.
No vídeo divulgado, Rodolfo afirmou que o reencontro representa mais do que nostalgia: trata-se da retomada de uma mensagem que continua relevante, especialmente em um cenário musical cada vez mais superficial. A resposta do público foi imediata, com milhares de comentários celebrando a volta e pedindo uma turnê nacional.
Um marco na trajetória de Rodolfo Abrantes
O Rodox ocupa um lugar singular na carreira de Rodolfo Abrantes. Após sua saída da banda Raimundos, o projeto simbolizou uma virada artística e espiritual, consolidando o músico como uma das principais vozes do rock cristão brasileiro. Com letras densas e sonoridade influenciada pelo hardcore e pelo new metal, o grupo se tornou referência para uma geração que buscava fé sem abrir mão de atitude e identidade musical.
O que esperar para 2026
Embora datas e locais ainda não tenham sido anunciados, a expectativa é que o retorno tenha como eixo central os álbuns “Estreito” e “Rodox”, trabalhos que seguem sendo redescobertos por novas audiências nas plataformas digitais. Fãs destacam que os temas abordados pelo grupo — como crise existencial, espiritualidade, autoconhecimento e crítica social — permanecem atuais mesmo décadas depois.
Um revival com propósito
A volta do Rodox acontece em meio a um movimento global de resgate de bandas de new metal e hardcore do início dos anos 2000, impulsionado pela nostalgia da Geração Y e pelo consumo via streaming. No Brasil, o retorno atende a um público que busca alternativas ao modelo de louvor congregacional que dominou o cenário evangélico na última década.
Nesse contexto, o Rodox preenche uma lacuna importante: a de um rock cristão com atitude, densidade lírica e fundamentação bíblica, capaz de dialogar com festivais de música alternativa e grandes arenas. Em um mercado cada vez mais guiado por produções efêmeras e algoritmos, a volta da banda representa a retomada de um discurso artístico mais profundo — e, para muitos, necessário.
Bispo Rodovalho, Jair Bolsonaro e o Pastor Thiago Manzoni (Foto: Reprodução/Instagram)
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) receba assistência religiosa durante sua permanência no Complexo Penitenciário da Papudinha, no Distrito Federal. A decisão foi tomada no mesmo despacho que determinou a transferência de Bolsonaro para a unidade prisional, nesta quinta-feira (15).
De acordo com o documento, o acompanhamento espiritual poderá ser realizado pelo bispo Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra, e pelo deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF), pastor da igreja IDE Brasília. As visitas ocorrerão de forma individual, uma vez por semana, às terças ou sextas-feiras, com duração de uma hora, respeitando as normas do sistema prisional.
Segundo Manzoni, a assistência religiosa dá continuidade ao apoio espiritual iniciado durante o período em que Bolsonaro esteve em prisão domiciliar, quando participava de encontros de oração organizados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. “A Bíblia contém ensinamentos capazes de consolar, confortar, animar e fortalecer o coração humano em todas as circunstâncias da vida”, afirmou o parlamentar.
Manzoni é um dos principais nomes do bolsonarismo no Distrito Federal. Atualmente, preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa e ocupa o cargo de secretário-geral do PL-DF. Ele também é ligado à deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e já participou da organização de manifestações em apoio ao ex-presidente no ano passado.
Quem são os líderes religiosos autorizados
Robson Rodovalho, de 70 anos, é bispo e fundador da comunidade Sara Nossa Terra, criada em 1992 ao lado da esposa, Lúcia Rodovalho. A denominação afirma ter mais de 900 unidades no Brasil e presença internacional, com cerca de 1,3 milhão de membros. Ele também fundou a Rede Gênesis, emissora de televisão gospel com transmissão no Brasil, Estados Unidos, Europa e África.
Além da atuação religiosa, Rodovalho tem formação acadêmica em Física, com doutorado em física quântica, e já exerceu mandato como deputado federal pelo Distrito Federal entre 2007 e 2011, período em que Bolsonaro também atuava no Congresso. Nas últimas semanas, o bispo manifestou preocupação pública com a saúde do ex-presidente após sua prisão.
Já Thiago Manzoni, de 42 anos, é advogado formado pelo UniCEUB e ingressou na política após atuar como produtor de conteúdo nas redes sociais com pautas conservadoras. Ele foi eleito deputado distrital em 2022 e afirma que a defesa da família é uma de suas principais bandeiras no Legislativo local.
Outras garantias na Papudinha
Além da assistência religiosa, a decisão de Alexandre de Moraes assegura a Bolsonaro atendimento médico 24 horas, visitas de seus médicos sem necessidade de autorização prévia, continuidade das sessões de fisioterapia e alimentação especial. Segundo o ministro, a transferência permitirá melhores condições, como ampliação do tempo de visitas familiares, liberdade para banho de sol e exercícios físicos em qualquer horário do dia, inclusive com uso de equipamentos recomendados pela equipe médica.
No ano passado, Moraes havia vetado a participação de Rodovalho em encontros coletivos de oração durante a prisão domiciliar do ex-presidente, ao alegar risco de desvio de finalidade das visitas. Desta vez, a autorização foi concedida de forma individualizada e restrita ao acompanhamento espiritual.
Folha Gospel com informações de G1, O Globo e Folha de S. Paulo