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Homem encontra bíblia de 188 anos no lixo

O eletricista Michael Hoskins sempre dá uma olhada no lixo alheio antes de largar o seu, e recentemente foi recompensado. O homem encontrou uma bíblia de 188 anos em Danville, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, e já tem ofertas de até US$ 1 mil.

“Eu vou lá toda hora para largar meu lixo, e lá estavam. Haviam três ou quatro caixas de livros. Achei a bíblia em quatro pedaços, os juntei e levei para casa”, disse Hoskins.

Razoavelmente intacta, a bíblia tinha marcas de fogo e água em algumas páginas. O livro, encadernado com pele de cabra, foi publicado em Pittshburgh em 1818 e, de acordo com as pesquisas de Hoskins, existem menos de seis cópias no mundo.

Com a notícia de sua descoberta se espalhando, Hoskins já recebeu dezenas de ofertas, todas as quais resistiu. “Esta bíblia já passou por muito. Eu vou ficar com ela por enquanto. Venderei pelo preço adequado, mas US$ 1 mil não é realista. Não com apenas seis cópias no mundo.”

Fonte: Terra

Empresária que matou ladrão encomenda missa

Traumatizada com a tentativa de assalto que resultou na morte do assaltante e na amputação da perna da companheira dele, a empresária Chrislaine Guedes Mesquita, 26, mandou rezar uma missa em intenção da alma do ladrão.

Ela diz que fecha os olhos e revê a cena: em uma motocicleta, os dois assaltantes tentaram levar sua mochila de dentro do carro. Na confusão, o Fox preto que Mesquita dirigia prensou a moto contra um poste, causando a morte de Luiz Correa dos Santos Filho, 25.

A companheira do assaltante precisou passar por cirurgia para amputar parte da perna esquerda. Presa em flagrante, a jovem de 22 anos está internada na Santa Casa de Santos, sob escolta policial.

Mesquita foi autuada sob acusação de homicídio culposo e lesão corporal culposa. O acidente aconteceu na última segunda-feira, por volta das 10h30, no bairro da Pompéia, em Santos.

Ontem, ela recebeu a reportagem no escritório do advogado criminalista Marcelo Cruz, contratado para cuidar do caso.

“Ando com a mochila presa no braço. Eu senti ela puxar. A mochila prendeu na minha mão porque eu estava segurando o volante. Ela falou: “Dá porque ele vai te matar, ele está armado”. E eu soltei”, contou Mesquita.

Resgate

A empresária disse que não se lembra do momento do acidente. Não sabe dizer se acelerou o automóvel ou se a moto bateu em algum carro parado antes de ser prensada contra o poste.

Ao sair do veículo, machucada, ela não percebeu que os dois ocupantes da moto estavam prensados no poste. “Quando eu vi, a primeira coisa que eu fiz fui gritar pedindo o resgate.”

A empresária afirmou que não havia nada de valor na mochila, apenas pedaços de tecido, moldes e alguns documentos. Ela tem uma pequena confecção em São Vicente e uma loja de roupas de praia e ginástica em Santos.

Por conta do calor, os vidros dianteiros do carro estavam abaixados.

Calmantes

Desde o dia do acidente, Mesquita está dormindo com a ajuda de calmantes.

Ela marcou consulta com um psicólogo e está indo ao médico para cuidar dos ferimentos decorrentes da colisão. O cinto de segurança queimou a pele do tórax, e o impacto da batida provocou hematomas nas pernas e no quadril.

Sem tirar os óculos escuros, Mesquita disse que tem orado mais nos últimos dias. Católica, mandou rezar uma missa em intenção ao assaltante morto.

Leitora de livros espíritas, a empresária prefere não acompanhar a celebração para não atrapalhar as orações pela alma dele.

Além do trauma causado pelo acidente, ela perdeu o carro, que não tinha seguro. “Tudo [me preocupa]”, disse ela. “O que vem para cima de mim, que eu posso pagar por alguma coisa que não foi premeditada. Acho injusto responder por um crime que não cometi. Não foi proposital.”

Para o advogado, há chances de Mesquita, mãe de uma menina de 11 anos, não responder pelos crimes.

“Quem responde pelo resultado é o agente que deu causa à ação. No caso, seriam os dois [assaltantes]”, afirmou Cruz à Folha. “Vamos impetrar um habeas corpus no Tribunal de Justiça para trancar o inquérito policial com relação a ela como autora.”

Fonte: Folha de São Paulo

O partido da fé : Igrejas mobilizam fiéis para as eleições

Alta capacidade de mobilização, comprovada em reuniões semanais ou diárias com milhares de pessoas. Unidade ideológica, já que o rebanho segue quase o mesmo código de conduta e transita num campo ético-filosófico muito semelhante. Igrejas mobilizam fiéis para elegerem deputados federais e estaduais com o objetivo de ampliar seus espaços na administração pública. A religião é o paraíso da política.

Cumplicidade inquestionável com os líderes, que exercem um grande poder de convencimento acerca das principais dúvidas do cotidiano. Para completar, toda essa organização não tem custos. Ou, melhor ainda: na verdade é provável que um eventual apoio do grupo se reverta em dividendos, na forma das tradicionais oferendas.

A religião é o paraíso da política. Sempre foi e continuará sendo, enquanto os homens precisarem referendar representantes para governá-los. O modelo liberal, em qualquer parte do mundo e em qualquer época, nunca conseguiu separar o laico e o eclesiástico em suas entranhas políticas. Assim como o socialismo apenas mitigou a superfície do fenômeno religioso — mesmo adotando atitudes tão dogmáticas quanto seus inimigos do clero. O crescimento vertiginoso da ocupação religiosa sobre o campo político ultrapassa a discussão meramente eleitoral e se torna tema de primeira grandeza para a sociologia contemporânea.

A abertura de mais um processo eleitoral, o sétimo para a eleição de governadores e o quinto para presidente da República desde a redemocratização, é uma nova oportunidade para auferir esse crescente poder de articulação política do universo religioso. Enquanto o mensalão, os sanguessugas e outros escândalos em Brasília motivaram a Igreja Católica a reforçar sua tradicional defesa da ética na política, mantendo-se institucionalmente fora da disputa direta por votos, outras denominações religiosas parecem ter acirrado a disposição de operar nas urnas sem intermediários.

Candidatos proporcionais, que não integram o esquema de trabalho político das igrejas (especialmente os evangélicos), reclamam que enfrentam uma disputa injusta. Como as campanhas têm se profissionalizado cada vez mais, eleição após eleição, é raro encontrar alguma candidatura competitiva que não tenha um planejamento completo, chegando a detalhar o custo unitário dos votos que vão garantir a vitória ou a derrota nas urnas. Para muitos deles, é revoltante imaginar que boa parte do eleitorado de seus adversários não tem custo algum e ainda pode ajudar com doações e trabalho voluntário.

Esse é o tipo de reclamação que pode ser relativizada. É verdade que os fiéis de determinada igreja tendem a votar nos candidatos indicados pelo líder espiritual. Contudo, praticamente todas as denominações religiosas são pródigas operadoras sociais, com programas que freqüentemente se parecem muito com qualquer lista de pedidos assistencialistas que os demais comitês recebem todos os dias. A diferença é que os religiosos fazem esse trabalho durante o ano inteiro e solidificam vínculos afetivos e morais que esses potenciais eleitores não esquecem na hora de votar.

Faro eleitoral — Quando se discute a situação dos candidatos majoritários e a influência religiosa, o problema da competição acontece em outro plano. Os religiosos (especialmente os evangélicos) somente em poucos Estados brasileiros possuem cacife financeiro e eleitoral para bancar um candidato a governador oriundo de suas fileiras. O caso do Rio de Janeiro, com a hegemonia do casal Garotinho se confirmando agora em sua terceira eleição, deve ser analisado à parte, pois ali se encontra o maior contingente de evangélicos do país.

Assim, na maioria das eleições majoritárias, pastores (e outras denominações) trabalham indiretamente a orientação dos votos. Mas isso não representa muito consolo para os candidatos leigos. Dada a natureza das organizações religiosas, que trabalham de forma muito objetiva suas relações com os governos, é possível observar como padrão comum a atrelagem às candidaturas favoritas ou às que estão ligadas à situação. Existem as exceções, que confirmam a regra, mas é muito difícil ver um grupo evangélico, por exemplo, muito tempo na oposição. Por isso mesmo, o apoio desses segmentos costuma ser decidido apenas em estágio adiantado do processo eleitoral, muitas vezes no segundo turno.

Entretanto, depois de feita a opção por determinada candidatura, o escolhido pode comemorar. O faro político dos evangélicos raramente falha. Aos candidatos preteridos pelo comando das igrejas resta trabalhar com os segmentos de oposição, que também existem internamente em cada uma das denominações. Na eleição de Goiânia em 2004, por exemplo, a Assembléia de Deus (maior igreja evangélica do país) tinha alguns de seus principais líderes apoiando tanto Iris Rezende (PMDB) quanto Sandes Júnior (PP).

Este caso específico mostra bem o pragmatismo político dos pastores, uma vez que Iris era o favorito segundo as pesquisas e Sandes, o candidato apoiado pelo governo. Durante a maior parte da campanha, o discurso oficial era o da liberdade democrática: institucionalmente, a igreja deixou o apoio a qualquer um dos candidatos como uma questão aberta. Para os críticos, no entanto, o que aconteceu foi um clássico jogo duplo para garantir benefícios à igreja nos dois campos em disputa. Quando o segundo turno foi definido com a presença do petista Pedro Wilson (diretamente vinculado à Igreja Católica), Iris levou a fatura.

O pragmatismo da Assembléia de Deus

E como serão as eleições de 2006 para os evangélicos? As campanhas eleitorais deste ano enfrentam uma situação diferenciada. No plano geral, será o primeiro pleito após a eclosão de dois dos maiores escândalos políticos da história nacional, o do mensalão e o dos sanguessugas. O plano específico da atuação dos segmentos religiosos na política também não passou incólume. Nacionalmente, o caso mais destacado foi o do ex-bispo da Igreja Universal Carlos Rodrigues, que renunciou ao mandato de deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro após ser flagrado com várias malas recheadas de dinheiro.

Em Goiás, o caso mais notório estourou no final do ano passado, com a denúncia de desvio de verbas públicas na Assembléia Legislativa, por meio da contratação de funcionários-fantasmas. O esquema, segundo inquérito da Polícia Civil, teria como personagens o pastor Abigail Almeida Filho e seu filho Wendel, irmão e sobrinho do presidente da Casa, deputado Samuel Almeida (PSDB), todos vinculados a um dos segmentos religiosos mais representativos do Estado. O parlamentar se disse surpreso com a denúncia, abriu seu sigilo bancário e telefônico às investigações, além de exonerar todos os suspeitos, inclusive seu irmão.

Diante desse quadro de descrédito da atividade política, é natural que o envolvimento direto de igrejas no processo eleitoral passe por adaptações na formulação do discurso que farão à sociedade. O pastor Abigail Carlos de Almeida, pai dos envolvidos no caso citado acima e uma das principais lideranças da Assembléia de Deus em Goiás, por exemplo, está recomendando certo distanciamento das eleições. Por meio de sua assessoria, disse que não se envolverá na campanha deste ano.

Presidente da Convenção das Assembléias de Deus do Ministério Madureira, o que o credencia como a maior liderança do segmento em Goiás, o pastor Oídes José do Carmo pensa diferente do colega Abigail, que é o seu vice. Ele defende uma atitude pragmática durante o processo eleitoral, recomendando aos fiéis que procurem votar nos candidatos majoritários que mais valorizem o trabalho social da igreja. “Temos várias parcerias em projetos sociais e educacionais que precisam ser reconhecidos pelos próximos governantes”, afirmou o pastor.

Segundo Oídes José do Carmo, a defesa da ética na política é uma atitude constante em seu segmento religioso, pois esta seria uma recomendação implícita do cristianismo. “Nem fazemos uma campanha específica quanto à ética (a exemplo da que foi desencadeada pela Igreja Católica neste ano), porque nossa preocupação com esse tema reside em todas as ações do dia-a-dia. Fazer tudo como prescreve as leis é uma busca contínua de qualquer evangélico”, disse o pastor.

Indecisão — A Assembléia de Deus ainda não decidiu qual candidato majoritário apoiará em Goiás. “Estamos conversando com todos eles, procurando fazer a melhor escolha para o futuro da igreja”, afirmou Oídes. Oficialmente, “nos termos da Convenção Nacional das Assembléias de Deus”, completou o pastor, o indicativo seria de declarar apoio ao governador Alcides Rodrigues (PP), candidato à reeleição. Mas, como ele mesmo reiterou, a decisão oficial da igreja em Goiás ainda não foi tomada. “É possível que deixemos para o segundo turno.”

Sobre as campanhas proporcionais, contudo, a questão já foi fechada. O pastor disse que a Assembléia de Deus apoiará a reeleição do deputado federal João Campos (PSDB) e três candidatos a deputado estadual (o próprio Samuel Almeida e seu colega tucano Daniel Messac, além do peemedebista Luís Carlos do Carmo, irmão de Oídes). Esse número de candidaturas não preocupa o pastor. Segundo ele, o último levantamento do IBGE identificou que vivem em Goiás cerca de 1 milhão de evangélicos, sendo que 600 mil estariam vinculados à Assembléia de Deus.

O pastor não concorda com a avaliação de alguns analistas políticos que criticam o segmento evangélico pelo freqüente adesismo. Afinal, estão sempre compondo com os governos, independentemente da cor partidária. Agindo dessa forma, dizem esses analistas, os evangélicos perdem o senso crítico e a oportunidade de agregar valor ao debate político. “A igreja tem uma responsabilidade muito grande diante de seus fiéis e da sociedade. Não perdemos nunca a capacidade de ver e apontar os erros que possam existir na atividade política”, garantiu Oídes.

Em função da abrangência e da importância de seus projetos sociais, o pastor disse acreditar que o posicionamento mais natural da igreja é o de procurar uma composição, e não a oposição. Para provar a independência de seu segmento, comentou que na eleição passada, em Goiânia, a Assembléia de Deus apoiou a candidatura de Iris Rezende, mantendo-se na oposição ao candidato do governo federal (Pedro Wilson) e ao postulante apoiado pelo governo do Estado (Sandes Júnior).

Eleito em 2002 com 61.323 votos, o deputado federal João Campos também disse que não concorda com a pecha de adesista que colou na imagem dos segmentos evangélicos. “Apesar de certos fatos objetivos realmente colaborarem para essa análise, nossa participação na política é sempre pautada pela qualidade”, afirmou. Como exemplo, ele citou a própria experiência como parlamentar. “Fui procurado várias vezes para mudar de partido, inclusive com a perspectiva de presidir a legenda, mas mantive a minha coerência.”

Qualidade — Campos justifica a participação dos evangélicos na política com quatro motivos. Em primeiro lugar, trata-se de um segmento numeroso da sociedade, que possui peso demográfico para ser ouvido por qualquer governo. O segundo motivo diz respeito à representatividade, pois ajuda a dar voz a um contingente que desfruta de interesses e objetivos comuns. “Temos os mesmo direito de sermos representados na política, como ocorre com os segmentos do agronegócio, dos empresários ou das donas de casa.”

O terceiro e o quarto pontos do deputado João Campos são um pouco mais subjetivos. Segundo ele, a participação dos evangélicos na política se justifica pela qualidade dos quadros que indica para representá-los. Seriam sempre nomes de alto nível, preparados ética e culturalmente para exercer as funções públicas. O último motivo seria o que descreveu como contribuição pedagógica da igreja para o espaço da ação política, com a oferta de valores religiosos. “É, então, uma contribuição tanto pela quantidade quanto pela qualidade.”

Para o deputado, a igreja exerce uma função importante ao coadunar ações sociais do campo privado com as iniciativas públicas. “O Estado precisa da ação do terceiro setor, pois não consegue responder a todas as demandas sociais”, disse. Além de sua capilaridade, a igreja se coloca como organismo com vocação para áreas que o Estado poderia encontrar dificuldades para agir. Essa seria uma tendência mundial, já que até nos Estados Unidos, a nação mais rica do mundo, o presidente George W. Bush conta com as igrejas evangélicas em várias ações, como a de recuperação de dependentes químicos.

O deputado estadual Daniel Messac, eleito com 23.509 votos em 2002, agrega mais uma justificativa para a participação dos evangélicos na política. Segundo ele, poucos segmentos organizados teriam tanto controle de qualidade na atuação de seus representantes. “Os parlamentares eleitos com o apoio da Assembléia de Deus prestam contas de suas atividades diante dos fiéis, em reuniões realizadas a cada três meses”, declarou. Com isso, seria difícil encontrar algum político ligado à igreja que não seja atuante.

Essa vantagem seria reforçada pela convivência estreita com os fiéis. “Estamos com eles todos os dias, participando de todos os cultos. Eles nos conhecem, sabem das nossas vidas.” Outra característica da atuação política da Assembléia de Deus, de acordo com Messac, é a separação entre as atividades pastorais e a atuação política. Todo pastor que é eleito, afasta-se do púlpito. “A vida partidária não condiz com a missão inerente do pastor, que é a de apassentar (o ato de conduzir o rebanho) e exige estar acima das diferenças de pensamento de cada fiel”, disse o deputado. (Danin Júnior)

Pastor defende mudança radical

Fenômeno nas últimas eleições de Goiânia, o vereador Fábio Sousa (PSDB) foi o mais votado do pleito, com apenas 22 anos de idade. Seu número foi digitado 9.374 vezes nas urnas eletrônicas, quase quatro vezes mais do que o vereador menos votado. Pastor e filho dos líderes da Igreja Fonte da Vida, apóstolo César Augusto e bispa Rúbia de Sousa, ele promete repetir a dose com a campanha deste ano para deputado estadual, tendo como base um discurso de renovação na representação política.

“Queremos e precisamos de mudanças. O Brasil não agüenta mais tanta falta de competência e de ética na classe política”, disse Fábio Sousa. Outro mote de sua plataforma eleitoral é o combate às desigualdades sociais — segundo ele, uma coisa absurda que aflige um país com tantos recursos naturais. Pastor há quase sete anos, o vereador não abandonou o ofício e afirmou que sua igreja realiza um grande trabalho ao colocar “os irmãos para orar e pedir ajuda de Deus a todos os governantes”.

O exército da Fonte da Vida não é tão numeroso quanto o da Assembléia de Deus, mas mostrou grande capacidade de mobilização ao arrebanhar tantos votos para Sousa. De acordo com ele, a igreja (criada em Goiânia) está presente em mais de 100 cidades goianas, somando cerca de 120 mil fiéis. Como outras denominações religiosas, a Fonte da Vida ainda não decidiu oficialmente quem apoiará entre as candidaturas majoritárias. “Meu voto pessoal é para [o presidenciável tucano, Geraldo] Alckmin, Alcides e Marconi [ex-governador, candidato ao Senado], mas não estou falando pela igreja”, disse ele.

Também a exemplo do que acontece com outras igrejas, Fábio Sousa revela que a Fonte da Vida está seguindo à risca a legislação eleitoral, que não permite manifestações diretas sobre as eleições durante a realização de cultos. Além de proibida a distribuição de material publicitário dos candidatos dentro dos templos, é vedada qualquer menção sobre eles nas cerimônias religiosas. “Não queremos desrespeitar a lei, e o nosso trabalho ficou restrito ao corpo-a-corpo, às visitas de casa em casa”, disse o jovem pastor.

Eleito vereador em Goiânia com votação muito próxima à de Fábio Sousa, com 8.195 votos, o pastor Rusembergue Barbosa de Almeida diz que a Igreja Universal do Reino de Deus também vai às ruas neste ano para pedir mais ética na política. Segundo ele, o episódio com o bispo Carlos Rodrigues já foi superado. “Foi, inclusive, uma oportunidade de mostrar que não admitimos qualquer suspeita de corrupção sobre nossos quadros, uma vez que o bispo foi inteiramente afastado de suas funções”, disse ele.

Cor partidária — Além de comportamento ilibado de seus representantes, Rusembergue afirmou que a Universal exige ainda comprometimento com as causas sociais da igreja. “A política representa um poder de decisão muito importante para a sociedade, pois cada medida pode influenciar o futuro da igreja. Por isso, nós não devemos ficar omissos durante o processo eleitoral”, argumentou. De acordo com o pastor, o seu trabalho pessoal com cursos profissionalizantes envolveu mais de 1,5 mil pessoas no ano passado e 800 no primeiro semestre de 2006.

A Universal, como a Assembléia de Deus e a Fonte da Vida, também mantém aberta a questão do apoio a candidaturas majoritárias em Goiás. “Mas vamos decidir sobre isso em breve”, prometeu Rusembergue. Na disputa proporcional, a igreja lançou os bispos Ronaldo Carneiro (deputado federal) e Miguel Ângelo (deputado estadual), ambos do PMDB. Curiosamente, o Partido Republicano Brasileiro (PRB) foi fundado no ano passado com mais de 600 mil assinaturas de fiéis da igreja do bispo Edir Macedo.

É mais uma prova de que a preferência dos fiéis na hora de votar fica acima da cor partidária dos candidatos. Os cerca de 70 mil fiéis da Universal, segundo Rusembergue, vão trabalhar seus dois postulantes tendo como base os 240 templos espalhados pelo Estado. “Não vamos desrespeitar a legislação eleitoral, pedindo votos durante os cultos, mas vivemos em uma democracia. Podemos distribuir o material da campanha na porta da igreja”, arrematou o vereador. (Danin Júnior)

Freud, a religião e a política

Criador da psicanálise, Sigmund Freud produziu uma das teses mais interessantes sobre o surgimento da religião e dos primeiros rudimentos de política. Os dois conceitos teriam aparecido e evoluído ao mesmo tempo, de acordo com a fantástica e polêmica conceituação das primeiras sociedades humanas, realizada por ele em Totem e Tabu (1912). Partindo de sua teoria sobre o complexo de Édipo — a disputa sexual inconsciente entre pai e filho pela mãe —, Freud diz que a religião nasce no momento em que os filhos tomam coragem para matar e assumir o poder do pai como líder do bando.

Para chegar a essa formulação, Freud levou em conta todos os avanços da ciência natural de seu tempo — o início do século 20. Os estudos iniciados por Charles Darwin com animais apontavam que o poder de um macho dominante tinha uma motivação muito mais sexual (para procriar com as melhores fêmeas) do que de outro tipo, como a disputa por território ou por comida. Com exceção dos bonobos, que desenvolveram uma espécie de democracia sexual para evitar a perda dos machos mais fortes em disputas por fêmeas, os primatas costumam ter um comportamento semelhante: somente o chamado macho alfa pode copular com as fêmeas do bando.

Para Freud, essa organização prevaleceu até as primeiras manifestações da inteligência humana, quando os integrantes da horda não só respeitavam a força do macho dominante (para afastar inimigos e caçar), como passaram a “dramatizar” esse poder — como se possuíssem uma “sede de obediência”. A própria sobrevivência do bando dependia da presença de seu integrante mais forte. Não é estranho imaginar, segundo o pensador vienense, que essa horda ficasse aterrorizada quando da morte do líder — provavelmente em conluio de machos portadores de seus dotes genéticos, seus filhos.

Nesse momento de terror, o tabu primordial para Freud, a coesão do grupo foi mantida por algum artifício dos filhos que venceram o pai. Eles garantiram a sobrevivência da horda assumindo uma nova espécie de poder, dessa vez de ordem espiritual e baseada na fraternidade (laços entre irmãos). Estava criada a primeira pajelança e a primeira divisão do poder, com rudimentos complementares de religião e política. Com o tempo, eles adotariam rituais cada vez mais elaborados para simbolizar esse poder sobrenatural, que não provinha da força bruta. Desde então, quase nenhuma sociedade se firmou sem essa divisão entre o objetivo e o subjetivo, entre o cacique e o pajé, entre o rei e o papa.

Inseparáveis — Mesmo considerada por muitos cientistas apenas como literatura instigante, a tese de Freud serve como ponto de partida para discussões atuais sobre a coexistência da religião e da política. É uma prova de desinformação imaginar que uma instituição consiga se desvincular inteiramente da outra. Assim como é ingenuidade desejar que isso aconteça. Mesmo com indefectíveis distorções dessa aproximação (ainda mais no Brasil), políticos e religiosos têm muito a oferecer no âmbito público. É preciso conferir como isso poderia acontecer.

Professor de ciência política e sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, Joanildo Burity é um estudioso dessa intersecção entre fé e fazer político. Segundo ele, desde os anos 90, as diversas denominações religiosas têm avançado sobre os espaços tradicionais da atuação do Estado. Estariam caindo por terra os conceitos liberais da neutralidade do Estado e da separação da Igreja do domínio público. Para Burity, é falsa a própria noção de desvínculo entre política e religião que, por um longo tempo, tentou-se vender à sociedade. (Danin Júnior)

Católicos devem fiscalizar políticos

Lançada pelo papa Bento XVI no Natal de 2005, a encíclica Deus Caritas Est prescreve a atuação da Igreja Católica e de seus fiéis para os próximos tempos. No documento denso, destinado à conceituação do amor cristão e sua profissão de fé, a palavra “política” é mencionada 11 vezes. De acordo com as palavras do papa, “não dá para separar demais a fé da política. A fé bem vivida tem implicações políticas, porque pleiteia um certo modo de viver e de conviver em sociedade, ou seja, uma atitude política”.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) segue essa orientação e recentemente encampou, com outras entidades, um movimento amplo de combate à corrupção na política. Na verdade, trata-se de uma reação a uma dolorosa ironia imposta pelos recentes escândalos políticos. A CNBB foi a entidade que deu início à coleta de 1 milhão de assinaturas, que resultou na criação da Lei 9.840, em setembro de 1999. Também conhecida como lei de combate à corrupção, foi justamente sob sua vigência que vingaram o mensalão e o caixa 2 nas campanhas.

Em Goiás, o arcebispo dom Washington Cruz tem declarado que o principal mote da igreja neste ano continua sendo o de defesa da ética na política. Segundo ele, não basta aos fiéis apenas votar nos candidatos que possuam passado limpo. “É preciso participar de todo o processo”, disse o arcebispo em artigo divulgado pela arquidiocese na semana passada. E, entre as atitudes dessa participação, estaria o acompanhamento atento das eleições, inclusive com denúncias de irregularidades pelo telefone 0800-6468666 — criado pelo Movimento Goiano de Combate à Corrupção.

Fora dessa cobrança institucional no campo ético, entretanto, o arcebispo recomenda que a igreja não se envolva na política partidária, não coloque sua estrutura a serviço dos candidatos nem use sua credibilidade junto aos eleitores para pedir votos. “Os fiéis leigos podem e devem, sim, assumir a vida pública e a política partidária… Os padres, por sua vez, devem estar acima de qualquer facção ou partido político para preservarem sua missão de pastores de todos.”

Fonte: Jornal Opção

Falsa igreja aplica golpes em Santo André

A Igreja Internacional da Promessa, no Centro de Santo André, se aproveita do desespero de seus ‘fiéis‘ para vender milagres. No discurso dos falsos bispos, entidades de Umbanda viram demônios que destruirão a vida de qualquer um que não coloque a mão no bolso para ‘desfazer o trabalho‘.

Há quem tenha perdido quase R$ 50 mil para a falsa instituição religiosa. O jornal Diário do Grande ABC comprovou o caso de charlatanismo.

O repórter inventou uma história triste e freqüentou a igreja para confirmar a veracidade das denúncias. Um dos bispos não precisou de muito tempo para diagnostigar os problemas fictícios como conseqüência da atuação do Exu-Caveira, uma entidade da Umbanda. A solução do problema seria um trabalho espiritual utilizando cinco velas especiais. As velas precisariam ser encomendadas na própria igreja, ao preço total de R$ 500 (R$ 100 cada uma). Nas lojas do ramo, esse tipo de vela (28 dias) custa cerca de R$ 20.

A igreja é internacional. Mas a única sede conhecida da entidade, na rua Carlos de Campos, próximo ao terminal de trólebus da cidade, fica em um prédio sem regulamentação na Prefeitura e sem alvará de funcionamento. Em uma das denúncias recebidas pelo jornal, que virou inquérito criminal, a família acusa a igreja de ter conseguido R$ 47 mil por meio de estelionato. No outro golpe, as vítimas, com medo, preferiram não registrar nenhuma ocorrência. Alegam ter perdido R$ 25 mil. As denúncias citavam o bispo Carlos Roberto de Miranda, que trabalha em uma rádio da Capital. Outro homem tentou aplicar o golpe na reportagem. O que leva a crer que bispos não faltam no templo da instituição.

A reportagem visitou o local na última quarta-feira, às 14h (horário do culto, segundo a placa da entrada), mas foi aconselhada a tratar diretamente com o bispo. Foi aí que se percebeu o quão espontâneas eram as doações. “Para falar com o bispo, pedimos uma contribuição de R$ 20 para nossa rádio”, disse a moça no balcão do fim da escadaria. A reportagem insistiu, mas não teve escolha. Teve de pagar e recebeu recibo. A moça colheu dados preliminares, como estado civil, situação trabalhista, local de residência e idade. Todos os dados foram inventados.

Na sala das consultas, atrás das cadeiras dos fiéis, outro homem, com jeito de segurança. Pela descrição feita por vítimas, é o bispo Carlos Roberto de Miranda. Depois do pagamento (depositado na urna do altar), o bispo chamou o repórter. O homem usava camisa de manga curta, gravata e uma espécie de batina por cima. Perguntou o que trazia o suposto fiel até o templo.

A história inventada foi sobre um pai doente e um irmão supostamente viciado em cocaína (leia diálogo na página 6). O bispo mordeu a isca. “Esses problemas foram causados por um Exu-Caveira que colocaram na sua casa”, disse o bispo. Ele alegou que, para retirar a entidade da vida do repórter, era preciso realizar um trabalho, utilizando, entre outros itens, cinco velas fornecidas pela igreja. Era preciso freqüentar um culto realizado no domingo.

O repórter saiu da igreja alegando ter de ir ao banco retirar o dinheiro. Quando voltou, dizendo que não havia conseguido sacar e que demoraria um pouco mais, o bispo não desistiu. “Quando você saiu daqui, apresentei seu problema a Deus. Você não vai chorar mais”. E depois insistiu para trazer o dinheiro o mais rápido possível.

Estelionato, artigo 171 do Código Penal, tem pena de um a cinco anos de prisão. Consiste em “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio ou tratamento”. O promotor criminal Amaro José Thomé, da 1º Vara Criminal de Santo André, diz que é comum que golpistas se apóiem na liberdade religiosa garantida pela Constituição para praticar crimes de estelionato impunemente.

Perseguição

Após ser procurado pela reportagem, na sexta-feira, o presidente da Igreja, que se identificou como Carlos Roberto de Miranda, disse que sofre perseguição religiosa. Alegou que o próprio repórter é quem acenderia as velas, e que ele poderia as ter comprado em qualquer lugar. Por isso, não viu nada de errado na ação. Segundo o bispo, o preço da vela é o praticado no mercado. Sobre a falta de regularização e alvará de funcionamento junto à Prefeitura, voltou a usar o argumento da perseguição religiosa. Depois, desligou o telefone.

Ex-metalúrgico perdeu R$ 47 mil

A Igreja Internacional da Promessa desfalcou o metalúrgico Antônio Luiz Ferreira, 54 anos, em R$ 47 mil, indenização que recebeu pelos 18 anos de serviços prestados à Volkswagen. O bispo da Igreja Internacional da Promessa, Carlos Roberto de Miranda, teria dito que um ‘trabalho‘ encomendado resultaria na morte de dois integrantes de sua família, cujos nomes nunca foram revelados. Nos cultos, o bispo prometia que em breve Ferreira arrumaria outro emprego e que, por meio da “fé em Cristo”, recuperaria todo o dinheiro investido para que a ‘macumba‘ fosse desfeita. O ex-funcionário da montadora continua desempregado e conta os dias para começar a receber a aposentadoria. A casa é mantida pelos filhos.

Deprimido, Ferreira conta que a família começou a freqüentar a igreja, em janeiro de 2004, sempre aos domingos, por causa de um filho, cujo nome pediu para não ser citado. “Na segunda vez que ele foi, disseram que tinha de levar minha esposa sem falta. Ela e falaram que uma pessoa da família havia feito uma ‘macumba‘ e que duas pessoas da minha casa iam morrer. O bispo disse que eu tinha de ir lá urgente. No início não dei atenção, mas acabei indo. Mas ele nunca dizia quem ia morrer.”

No início, Ferreira ficou desconfiado, mas caiu na história arquitetada. Para desfazer o suposto ‘trabalho‘, feito em um cemitério da Bahia, a família teria que desembolsar R$ 12 mil. “Pediram outros R$ 1,8 mil para acabar com um outro trabalho que a ex-namorada do meu sobrinho encomendou para acabar com a vida dele.”

O dinheiro serviria para custear a viagem de membros da Igreja à Bahia para resgatar bonecos enterrados em um cemitério e trazê-los a São Paulo, para juntá-los a outros enterrados no Cemitério de Vila Formosa. “Pediram para voltar no domingo seguinte. O bispo disse que tinham desenterrado os bonecos na Bahia e que o Exu queria falar com a gente. No dia seguinte (uma segunda-feira) nos levou a um terreiro, com velas e imagens do candomblé. A figura que apareceu disse ser o Exu, estava de preto e encapuzada. Disse que tinham desfeito o trabalho dele, mas que queria os dois corpos prometidos no trabalho encomendado. O bispo pulou na frente dele com a cruz, fez uma oração e disse que ele (Exu) não ia destruir ninguém. A figura sumiu no meio do mato.” Terminada a encenação, conta o metalúrgico, o bispo pediu outros R$ 32 mil para livrar de vez a família das perseguições do Exu.

Com a ajuda de uma das filhas, que desconfiou estar havendo algo de estranho ao presenciar o pai assinando cheques, a família decidiu registrar um boletim de ocorrência (7682/04) contra o bispo no 1º DP de Santo André. O inquérito policial resultou na abertura de um processo (1154/04) por estelionato. O caso tramita na 1ª Vara Criminal de Santo André e aguarda julgamento.

Trabalhos

Em outra denúncia, um casal de aposentados foi lesado em R$ 25 mil. Quem denunciou foi o namorado da neta do casal, porque todos os demais membros da família diziam estar com medo da Igreja Internacional da Promessa. Nesse caso, a família procurou a igreja por indicação de conhecidos, para tratar de uma doença da neta. O erro do avô foi deixar que os bispos descobrissem uma poupança que tinha, em conjunto com a neta.

O idoso passou a ser abordado por estranhos na rua, que se passavam por médiuns. “Eu tive uma visão. Sua neta vai morrer”, alegavam. Diziam que o problema da neta era um trabalho de umbanda que havia sido feito, e até levaram o idoso para ver o tal trabalho, numa esquina próximo à residência dele. Ele acabou entregando a poupança inteira. A família pediu para não ter o nome revelado e ainda tem medo de possíveis reações.

Outro lado

A respeito do inquérito por estelionato, o presidente da Igreja Internacional da Promessa, Carlos Roberto de Miranda, disse que era para a reportagem procurar o advogado da Igreja, sem dizer quem era ou passar contatos. Sobre a outra denúncia, ele disse que a igreja não tem funcionários trabalhando na rua e desconhece a prática.

Fonte: Diário do Grande ABC

Pastor tentou tirar programa Linha Direta do ar

Ex-policiais militares condenados pela participação na chacina da Candelária tentaram mas não conseguiram impedir a exibição do programa Linha Direta da TV Globo que contou a história do crime na quinta-feira (27/7).

Marcos Vinicius Borges Emmanuel e Nelson Oliveira dos Santos Cunha entraram com ações na 2ª e na 10ª Vara Cível do Rio de Janeiro para proibir a transmissão do programa. Pediam também que, caso o programa fosse exibido, seus nomes não fossem mencionados. Os dois pedidos foram negados.

Nelson Cunha, que está em liberdade condicional, alegou que está em processo de ressocialização. Ele que é pastor e tem família, afirmou que a transmissão do programa poderia prejudicá-lo. O juiz da 10ª Vara Cível deu liminar para suspender o programa, mas a liminar foi cassada pelo Tribunal de Justiça.

Na outra ação, Marcos Emmanuel alegou que está cumprindo pena e que o programa poderia afetar sua imagem. O juiz da 2ª Vara entendeu que como o programa se limitava a narrar fatos históricos e documentados na ação penal, não haveria porque suspender a transmissão.

O escritório San Tiago Dantas Quental Advogados Associados, que fez a defesa da TV Globo, alegou que o programa foi baseado em fatos históricos, que há interesse público manifesto e que a liberdade de expressão deveria ser assegurada. Também afirmou que procurou os envolvidos e os familiares, caso quisessem dar sua versão sobre os fatos, mas que não quiseram gravar entrevista.

A chacina

A chacina da Candelária ocorreu na madrugada de 23 de julho de 1993, quando um grupo de policiais militares assassinou a tiros oito menores moradores de rua, nas imediações da igreja da Candelária, no centro do Rio.

Dos oito policiais citados no crime, apenas três estão cumprindo pena. O ex-policial Marcos Vinícius Emanuel foi julgado e condenado a 300 anos de reclusão em regime fechado. O pastor Nelson Oliveira dos Santos Cunha foi condenado a 18 anos. E Marcos Aurélio Dias Alcântara a 204 anos.

Os policiais Jurandir Gomes de França, Marcelo Cortes e o evangélico Cláudio Luiz Andrade dos Santos foram absolvidos pelo júri popular, depois de passarem 3 anos presos. Arlindo Lisboa Afonso Júnior ainda não foi levado a julgamento. E Maurício da Conceição, conhecido como Sexta-feira 13, foi assassinado antes de ser julgado pelos crimes cometidos na Candelária.

Fonte: Último Segundo

Fiéis desafiam foguetes para serem batizados no Jordão

O pastor chinês Boaz Li levou um grupo de 50 fiéis de Hong Kong, Macau e Austrália para o batismo nas águas do Rio Jordão, onde, numa das passagens bíblicas mais importantes, João Batista batizou Jesus Cristo.

O pastor chinês Boaz Li, de 45 anos, fez questão de desembarcar em Israel justamente na semana passada. Trouxe com ele um grupo de 50 fiéis de Hong Kong, Macau e Austrália. Entre eles, os dois filhos, de 17 e 15 anos, que sonhavam ser batizados nas águas do Rio Jordão, onde, numa das passagens bíblicas mais importantes, João Batista batizou Jesus Cristo.

O fato de que a cerimônia de batismo seria realizada perto da cidade de Tiberíades, que se encontra sob bombardeio diário do Hezbollah, não deteve o grupo. Pelo contrário.

“Viemos aqui justamente agora para rezar pelos povos de Israel e do Líbano”, justificou o pastor Li, sob aquiescência dos peregrinos. “Estávamos na Jordânia e poderíamos cancelar a viagem. Mas temos certeza de que tudo isso vai acabar em breve, com ajuda das nossas preces.” Nesse mesmo dia, mais de 15 mísseis Katiusha caíram em Tiberíades e arredores.

O batismo foi realizado às margens do Mar da Galiléia, onde nasce o Rio Jordão, no centro de batismo de Yardenit, um dos locais mais visitados por cristãos em Israel. O grupo do pastor Li recebeu tratamento VIP dos funcionários locais. Não é por menos: são os primeiros turistas a pisarem no local em mais de dez dias.

O fotógrafo Guidi Tzafrir, de 42 anos, que edita vídeos de batismo para peregrinos, não conseguia esconder a satisfação com os visitantes. “É o primeiro trabalho em mais de uma semana. Nem acredito”, dizia, orientando o cinegrafista.

Quando foi aberto, em 1998, o centro de Yardenit fez sucesso imediato. Lá, cristãos que seguem os passos de Jesus na Terra Santa encontram toda a infra-estrutura para o batismo religioso, além de um restaurante e uma loja de souvenirs. Até 2000, ano em que o papa João Paulo II visitou Israel, o local recebeu, em média, meio milhão de peregrinos anualmente. Depois de anos de baixa, por causa da segunda intifada palestina, o número de visitantes voltou a crescer em 2004. Para este ano eram esperados 400 mil fiéis, antes do início dos bombardeios do Hezbollah.

“Nosso estacionamento costumava ficar repleto de ônibus de turismo”, conta o diretor do centro de Yardenit, Yonathan Bobrov. “Mas se o número de turistas cair como aconteceu nas últimas duas semanas teremos que fechar.”

Papa pede cessar-fogo imediato no Líbano

O Papa Bento XVI pediu neste domingo um cessar-fogo imediato no Oriente Médio, para a construção por meio do diálogo de uma convivência estável e duradoura na região.

“Em nome de Deus me dirijo a todos os responsáveis por esta espiral de violência, para que as armas sejam depostas imediatamente por todas as partes”, disse antes da benção dominical do Angelus, celebrada em Castel Gandolfo, a residência de verão dos Papas, perto de Roma.

“Peço aos governantes e às instituições internacionais que não poupem nenhum esforço para obter este necessário fim das hostilidades, para o começo da construção, por meio do diálogo, de uma convivência estável e duradoura entre todos os povos do Oriente Médio”, acrescentou Bento XVI algumas horas depois do sangrento bombardeio israelense contra Cana, sul do Líbano, que matou 51 civis.

Cruz Vermelha necessita de US$ 81 milhões em ajuda para o Líbano

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou na sexta-feira que reforçará suas operações no sul do Líbano e que para isto necessita de ajuda da comunidade internacional no valor de 64 milhões de euros (US$ 81 milhões) até o fim do ano.

O delegado geral do CICV para o Oriente Médio, Balthasar Staehelin, disse hoje em Genebra que atualmente a assistência humanitária internacional trava “uma corrida contra o relógio”, já que a população civil é “refém” dos combates no sul libanês.

Staehelin acrescentou que é necessário que a ajuda humanitária tenha acesso à população afetada “o mais rápido possível” e afirmou que mais de dez mil pessoas estão escondidas no sul do país.

O delegado do CICV também ressaltou que há corpos sob os escombros das casas destruídas e que os feridos precisam de ajuda urgente.

O CICV, com sede em Genebra, tem planos para distribuir ajuda médica a 650 mil pessoas e alimentos a 200 mil libaneses, e já fortaleceu sua presença em Beirute, Tiro e Marjayoun.

O diretor de operações do Comitê, Pierre Krahenbühl, disse que o acesso às rotas do sul libanês continua sendo difícil, com algumas melhoras registradas nos últimos dias.

Krahenbühl afirmou que a situação era “muito perigosa”, embora admita que não acredita que haja uma política deliberada das partes em conflito para impedir o acesso a essa região.

“A situação continua sendo muito perigosa devido às operações militares e não podemos chegar ao sul do país”, acrescentou.

Os responsáveis do Comitê disseram que a organização entrou em contato com a milícia xiita Hisbolá em 12 de julho, após a captura de dois soldados israelenses, para pedir acesso aos dois militares, mas até agora não receberam resposta.

O CICV também se disse preocupado com a situação dos civis no norte de Israel, onde os foguetes lançados pelo Hisbolá deixaram mortos e feridos, e ressaltou a ajuda israelense com ambulâncias e serviços de emergências.

Além disso, a organização internacional anunciou que distribuiu hoje três mil kits de ajuda humanitária para os moradores e deslocados nas aldeias de Naqura, Alma Ech Chaab, Dhaira, Kharine, Ramiye e Rmeish. O CICV ressaltou que “a situação é alarmante em Rmeish”. Pessoas que fugiram dessa aldeia disseram aos delegados do CICV que os moradores estão bebendo água suja de uma fonte usada para regar cultivos e os mantimentos eram escassos, especialmente as comidas para bebês.

Um comboio foi enviado de Marjayoun a Aitaroun, perto de Bint Jbeil, para distribuir ajuda e evacuar deslocados que ficaram isolados na região após saírem de Rmeish. No entanto, o comboio não conseguiu chegar a Aitaroun e teve que voltar devido às operações militares na região.

A instituição informou também que até agora 150 mil pessoas se refugiaram na Síria e que um terço delas já foi para um terceiro país.

Segundo a Crescente Vermelho Árabe na Síria, 90% das pessoas que permaneceram no país está em casa de parentes, amigos ou famílias que ofereceram abrigo, enquanto outros estão hospedados em hotéis, escolas e edifícios públicos.

Fonte: Estadão, EFE e AFP

Igrejas evangélicas vão lançar Manual do Eleitor

O pastor Estevam Fernandes, da 1ª Igreja Batista de João Pessoa, defende que é fundamental a participação da Igreja na política eleitoral do País.

Para ele, os líderes evangélicos têm o dever de alertar os seus fiéis para a importância da eleição, orientando como proceder na escolha e sobretudo evidenciar o mérito da participação cívica.

E foi pensando nesses aspectos que, pela primeira vez, as igrejas evangélicas vão lançar, em setembro, o Manual do Eleitor Evangélico. A cartilha começará a ser confeccionada no próximo mês. Os trabalhos serão coordenados pelo Pastor Estevam e terão a participação de pastores de outras igrejas evangélicas de João Pessoa.

“Tivemos a idéia de chamar os nossos membros para que participem ativamente do processo eleitoral, mostrando a importância da participação de cada um na política do seu País, de seu Estado, de seu município. Nas eleições de outubro, vamos escolher quem vai comandar os Poderes Executivo e Legislativo. É uma eleição importantíssima, porque estaremos escolhendo quem faz as leis e quem as executa. Por isso, temos a obrigação de orientar e preparar os nossos fiéis para esse processo”, comentou o pastor.

Para confeccionar o manual, Pastor Estevam vai reunir pastores de outras igrejas. Ele afirmou que, a princípio, a cartilha terá quatro objetivos básicos. “Vamos mostrar alguns critérios, como: conscientizar o público evangélico de que a política é determinante na vida social do cidadão; traçar o perfil político dos candidatos evangélicos; conscientizar os fiéis para o fato de que para ser um bom político não basta ser evangélico, porque existem muitos políticos não-evangélicos bons e outros que se dizem evangélicos, apenas, para tirar proveito da situação, enganando o público evangélico; e por último, fazer uma campanha de conscientização para que os evangélicos votem corretamente, escolhendo os políticos comprometidos na defesa de políticas públicas”, disse pastor Estevam.

O pastor ainda afirmou que a política verdadeira é toda atividade e participação humana na sociedade. Ele disse que a igreja é povo e que a política desenvolve ações que beneficiam o povo. Por isso, a igreja tem a obrigação de orientar os fiéis, esclarecendo a diferença entre a verdadeira política e a politicagem, que, para ele, é o uso da política para o enriquecimento próprio ou da família. “A política abre para os cristãos a possibilidade de participação na caminhada do povo. O candidato verdadeiro é aquele que produz a política com ética, com ação de cidadania, trabalhando por educação, saúde, moradia digna, alimentação, transporte, trabalho e segurança para todos”, informou.

Fonte: Jornal da Paraíba

Promotor exige que USP retire crucifixo de clínica

O Ministério Público enviou ofício à USP (Universidade de São Paulo) cobrando a retirada de um crucifixo colocado na sala de espera da clínica odontológica, por onde passam cerca de 1.400 pessoas por dia, após receber queixa de uma pessoa que alegou ter ficado incomodada com o objeto.

Procurada desde quarta pela Folha, a USP não se manifestou. Se o crucifixo continuar na clínica, a universidade será acionada pelo promotor de Justiça Sérgio Turra Sobrane.

A representação foi protocolada por Vicente Ciccone, que não quis comentar o caso. A Promotoria vai apurar eventual desprestígio a outras crenças religiosas. A queixa segue o princípio institucional de que o Estado é laico, ou seja, não poderia ostentar nem demonstrar nenhuma preferência religiosa, como diz a Constituição.

Como a USP é um órgão público, não poderia, em tese, manter o crucifixo no local. A ligação entre Estado e a Igreja Católica chegou a constar na Constituição de 1824, ainda no Império, mas foi abolida na Constituição de 1890, a primeira da República.

Para o promotor, embora seja um costume arraigado, a legislação é clara ao não permitir que Estado e igreja se misturem, o que hoje ocorre normalmente em teocracias, como o Irã, de governo muçulmano. “No Brasil, até prédios da Justiça costumam manter crucifixos, mas sou contra”, diz.

O padre Juarez de Castro, secretário-geral do Viricato Episcopal de Comunicação da Arquidiocese de SP, concorda que o Estado deva ser laico, mas não vê problema em manter o crucifixo. “Deve-se perguntar o que o povo quer, o crucifixo leva conforto às pessoas.”

Ateu, o professor João Zanetic, diretor da Adusp (associação dos docentes da USP), considera a questão polêmica. “Nunca discutimos isso, mas a USP deve ser laica”, afirma.

Fonte: Corumbá Online

Ordem dos Pastores Batistas aprova ordenação de mulheres

A Ordem dos Pastores Batistas do Espírito Santo realizou esta semana uma votação que determinou a ordenação de mulheres ao ministério pastoral. O resultado da assembléia extraordinária mostrou que quase metade dos eleitores foi contra a medida.

No entanto, por diferença de poucos votos, ao final da assembléia extraordinária da seção capixaba da Ordem dos Pastores Batistas, um passo importante foi dado em relação à participação feminina na sociedade. A ordem aprovou a ordenação de mulheres ao Ministério Pastoral.

Quando a ordenação feminina se tornar vigente, as mulheres pertencentes às igrejas ligadas à Convenção Batista do Espírito Santo poderão ser pastoras, exercendo de igual para igual as funções dos pastores, tais como celebrar casamentos e presidir cerimônias de batismo

Foram 65 votos favoráveis e 58 contrários, em uma assembléia com participação de 155 pastores.

Fonte: Jornal A Gazeta

Rádio de conteúdo cristão recorre ao sexo para aumentar audiência

O novo proprietário de uma emissora de rádio da Califórnia (oeste) tomou medidas radicais para aumentar a audiência, substituindo programas cristãos por emissões e canções relativas ao sexo, revelou nesta sexta-feira à AFP.

“As rádios cristãs nunca tiveram boa audiência”, disse Jerry Clifton, que acaba de comprar a KFWE-FM, instalada no vale vinícola de San Joaquin, no centro do estado. “A rádio funcionava bem no aspecto técnico, mas não tinha sucesso”, destacou.

Os sermões de domingo e os programas sobre a vida dos santos foram, então, substituídos por uma programação cujo lema é “uma rádio sobre sexo, todo o tempo”.

A lista de canções executadas vai desde “I Want Your Sex”, de George Michael, a “Sexual Healing”, de Marvin Gaye.

Clifton reconhece ter recebido algumas ligações de ouvintes incomodados com a mudança da programação, pois a faixa não mudou.

Mas “às vezes, é preciso ferir algumas suscetibilidades para desenvolver uma fórmula que funcione”, explicou.

Fonte: AFP

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