Entrou em vigor na cidade americana de Las Vegas nesta sexta-feira uma lei que proíbe que obras de caridade ofereçam comida aos sem-teto. Infratores estão sujeitos a uma multa de até US$ 1.000 e a pena de prisão de até seis meses.
Longe das luzes vibrantes e dos enormes cassinos, há cerca de 12 mil sem-teto na cidade – uma população que dobrou nos últimos dez anos.
Políticos locais dizem que a grande quantidade de cozinhas ambulantes que circulam pelos parques da cidade à noite para oferecer alimentos e bebidas a quem não tem onde morar só agrava o problema.
Organizações de defesa dos direitos humanos dizem que vão contestar a norma nos tribunais, mas as autoridades municipais alegam que há tantas cozinhas ambulantes que residentes e turistas evitam freqüentar áreas que deveriam ser públicas.
A administração espera que a lei estimule os sem-teto a procurarem centros apropriados de assistência social.
Mas críticos da medida dizem que o que se deseja com ela é esconder os problemas sociais de Las Vegas. Há três anos, a cidade foi considerada por uma organização assistencial como a mais mesquinha dos Estados Unidos.
A nova lei certamente não vai ajudar a melhorar a reputação da cidade.
No Líbano, os cristãos não escondem que estão divididos. Uma parte ressalta o papel de Israel na extensão do atual conflito e a importância do Hezbollah como uma força de resistência. A outra argumenta que o pior inimigo é a Síria e demonstra temer a criação de uma república islâmica no Líbano.
“A culpa do Hezbollah é de três centímetros. Já a de Israel tem 3 mil quilômetros”, diz o médico Mounir Rahmé, debaixo do caramanchão de seu jardim depois de dar as últimas ordens aos pedreiros que reformam o pátio de sua casa de veraneio na cidade de Hrajel, na região cristã de Monte Líbano.
Horas antes, a alguns quilômetros dali, em Baabdat, também nas montanhas, o general reformado do Exército Kamal Karam perguntou: “Por que a Síria, que está por trás do Hezbollah e teve as Colinas do Golan invadidas por Israel, não mexe um dedo para entrar nessa guerra?”
Até agora nenhuma pesquisa de opinião tentou medir o tamanho de cada grupo.
Na verdade, a divisão dos cristãos já vem de antes do início da guerra. As Forças Libanesas, com cinco deputados, estão ao lado do grupo da família Hariri, que é sunita. Já o general Michel Aoun, líder cristão histórico com 14 deputados e o apoio de outros 7 independentes, decidiu se juntar ao bloco dos xiitas, composto pelo Hezbollah e a Amal.
Nos últimos dias, Aoun tem tentado deixar claro que não foi consultado nem aprovou a decisão do Hezbollah de capturar soldados israelenses, o que acabou sendo o estopim do atual conflito.
“Desconfio que o grupo majoritário entre os cristãos é o que critica a ação do Hezbollah. É difícil saber se o general Aoun será punido nas urnas por ter se aproximado dos xiitas”, diz Boutros Labaki, presidente do Instituto para o Desenvolvimento Econômico e Social Libanês.
Os xiitas foram unificados por Hezbollah e Amal na base da força. No sul, durante a ocupação israelense, o Hezbollah acabou com as outras facções que faziam parte da resistência, como a dos comunistas. Os sunitas, nos últimos anos, caíram sob a influência da família Hariri.
O único grande grupo libanês a se manter dividido é o cristão. “A educação cristã no Líbano tem forte influência européia. Por isso, discordar e respeitar as diferenças é mais comum entre esse grupo religioso”, diz Labaki.
Nos últimos meses, a comunidade cristã se sentiu, pelo menos uma vez, ameaçada pelos xiitas, que são cerca de 40% da população e a base de apoio do Hezbollah.
No começo de fevereiro, milhares de xiitas invadiram o bairro cristão de Beirute onde está o consulado da Dinamarca. Antes de atacar o prédio para protestar contra a publicação das charges do profeta Maomé, incendiaram carros, atacaram uma igreja cristã maronita e brigaram com jovens cristãos, o que trouxe de volta lembranças da guerra civil.
“Eles querem fundar uma república fundamentalista”, diz Karam, o general reformado.
Há várias décadas o Líbano não faz um censo com classificação por religião justamente para evitar problemas. Estima-se que os cristãos sejam por volta de 30% da população, ou cerca de 1,4 milhão de pessoas. No começo do século 20, já foram mais da metade. Com a guerra civil, muitos emigraram e os que ficaram perderam a corrida da taxa de natalidade, muito maior entre os xiitas.
Ainda assim, o Líbano continua sendo o país árabe com a maior proporção de cristãos. Eles são, na sua maioria, católicos das igrejas orientais e, assim como os xiitas, sunitas e drusos, levam vidas segregadas para os padrões brasileiros. Moram em bairros cristãos, estudam em escolas cristãs e casam entre si.
Bush e Blair propõem força de paz
O presidente dos EUA, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, chegaram a um acordo ontem para propor à ONU o envio de uma força multinacional ao sul do Líbano, como parte de um conjunto de medidas para pôr fim ao conflito entre Israel e o grupo xiita Hezbollah. Ontem a guerra completou 17 dias. A proposta consiste no retorno, hoje, da secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, ao Oriente Médio; reuniões na ONU, a partir de segunda-feira, para discutir a formação de uma força multinacional para envio ao sul do Líbano; e apresentação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU, no fim da próxima semana, definindo os termos para o fim das hostilidades.
Condoleezza se reunirá com o governo israelense e o libanês (do qual o Hezbollah faz parte). Sua missão será buscar um acordo para o texto da resolução que EUA e Grã-Bretanha pretendem propor, com base num capítulo da Carta da ONU que prevê sanções ou uso da força se não for cumprida.
Ao lhe perguntarem se a força de paz iria “impor” ou “policiar” o cessar-fogo, Blair admitiu que a propsota só funcionará se o Hezbollah o aceitar. “O Hezbollah tem de avaliar. Se forem contra, não estarão só prestando um desserviço ao povo do Líbano, mas novamente ficarão diante do fato de que uma ação terá de ser tomada contra eles”, respondeu Blair. Ficou claro mais uma vez que Blair e Bush endossam a posição de Israel e não pressionarão por um cessar-fogo incondicional, como defendem líderes europeus e árabes. Seu objetivo principal é fazer com que o Exército libanês passe a patrulhar o sul, fronteira com Israel – hoje controlado pelo Hezbollah -, e que o grupo seja desarmado, conforme resolução do Conselho de Segurança de 2004.
O Washington Post observou que a proposta não responde às perguntas “como fazer isso, quando e com que tropas estrangeiras”. Além disso, Israel insiste que só porá fim aos bombardeios e a seu plano de criar uma zona de segurança no sul do Líbano se o Hezbollah libertar os dois soldados israelenses que capturou no dia 12, recuar da fronteira e for desarmado.
Já o Hezbollah – que deu origem ao conflito ao invadir Israel e capturar os dois militares – é taxativo: só vai soltá-los se os israelenses libertarem os libaneses capturados em 18 anos de ocupação no Líbano (encerrada em 2000). Diplomatas europeus avaliam que é mínima a perspectiva de trégua próxima.
Condoleezza no Líbano
O Hezbollah aceitou na semana passada que o governo do país negocie a questão. Ontem o gabinete libanês se reuniu para definir um pacote de propostas a ser entregue a Condoleezza. Segundo funcionários, o Hezbollah aceitou uma força de paz no sul e a promessa de desarmar-se no futuro. Mas o pacote também incluiria trégua imediata, troca de prisioneiros com Israel e retirada israelense de Fazendas de Shebaa, pequena área síria cedida ao Líbano e ocupada por Israel desde 1967.
Blair e Bush disseram que qualquer plano de paz duradouro tem de contemplar “antigas disputas regionais” e seu objetivo é aproveitar a oportunidad para uma mudança ampla na região. Eles voltaram a acusar a Síria e o Irã de patrocinar o terrorismo internacional. “Minha mensagem para a Síria é: torne-se um participante ativo pela paz na vizinhança.”
ONU pede trégua para envio de ajuda humanitária no Líbano. Israel nega
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu uma trégua de três dias entre Israel e o Hezbollah para levar ajuda humanitária e remoção de feridos.
O coordenador de ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland, disse que crianças, idosos e mulheres estão indefesos depois de duas semanas de combate no sul do país, ao completar uma visita ao Líbano, Israel e à Faixa de Gaza.
Egeland afirmou que um terço das 600 pessoas mortas pelos ataques israelense sao Líbano são crianças.
“É uma coisa horrível. Há algo fundamentalmente errado com uma guerra onde morrem mais crianças do que homens armados”, disse Egeland.
O coordenador da Onu pediu que os dois lados cessassem as agressões por pelo menos “72 horas para que seja possível a evacuação de mulheres, crianças, feridos e idosos” do sul do Líbano.
Segundo Egeland, os atuais corredores por onde passa a ajuda humanitária não são suficientes para atender as imensas necessidades dos atingidos pelo conflito,
Mark Malloch-Brown, vice-secretário-geral das Nações Unidas, disse que a ONU não se sente impotente depois que quatro observadores da entidade foram mortos por um bombardeio israelense, mas sim “preocupada e frustrada”.
Segundo o governo israelense, não há necessidade para uma trégua, pois o Exército israelense já mantém um corredor aberto para a passagem de ajuda humanitária.
Ele disse que o Hezbollah é que estava criando problemas para a passagem dos medicamentos e alimentos para criar uma crise humanitária – e depois culpar Israel.
Envio de tropas
O presidente americano, George W. Bush, voltou a repudiar novos pedidos por uma trégua, argumentando que uma força de paz internacional deveria ser enviada para a região.
A secretária de estado americana, Condoleezza Rice, está voltando ao Oriente Médio neste sábado, para se encontrar com líderes de países da região.
Bush disse que a secretária de estado “trabalharia com os líderes de Israel e Líbano para chegar a uma solução que traga a paz de maneira definitiva”.
O presidente americano disse que seu país e a Grã-Bretanha pressionariam por uma “resolução que delimitasse claramente as condições de um cessar-fogo imediato e o envio de uma força internacional”.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que se encontrou com Bush em Washington nesta sexta-feira, disse que o envio de tropas à região seria discutido em um encontro nas Nações Unidas, na próxima segunda-feira.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que os países em condições de enviar tropas à região tomariam parte no encontro.
“Por hora, são discussões preliminares, porque nós não temos uma determinação do Conselho de Segurança”, afirmou Annan.
Ataques continuam
O chefe do Exército israelense, Dan Halutz, afirmou que Israel matou 26 militantes do Hezbollah em Bint Jbeil, causando “enormes perdas” para o grupo radical xiita.
Pelo menos dez civis, incluindo um jordaniano, morreram durante os ataques israelenses ao sul do Líbano nesta sexta-feira.
Em Rmeish, cidade próxima à fronteira com Israel, um comboio que evacuava civis foi atingido por um ataque, ferindo dois passageiros do carro de uma estação de TV alemã.
Relatos de refugiados da cidade dão conta de que a situação em Rmeish está se deteriorando rapidamente.
Big Bang, seleção natural, evolucionismo, conceitos muito difundidos no meio científico internacional, seriam idéias falsas e ultrapassadas. A afirmação é do conferencista norte-americano Grady Mc Murdry, mestre em ciências pela Universidade do Estado de Nova York.
Ele está em Bauru desde quinta-feira, para realizar uma série de palestras sobre temas como a idade da terra, dinossauros, a Bíblia, registro fóssil, etc. Mc Murdry é inimigo declarado das teorias evolucionistas, as quais classifica como pseudociências.
“O que os defensores dessa doutrina querem é convencer as pessoas de que o universo não foi criado todo de uma vez, perfeito e acabado, mas sim que evoluiu de estruturas simples para outras mais complexas. Isso é uma loucura, sem base metodológica alguma”, ataca.
Mc Murdry qualifica da teoria do Big Bang como um “antigo conceito, que há muito tempo já está superado”. Ele também não suporta ouvir falar no cientista inglês Charles Darwin, morto em 1882 e autor da famosa teoria da seleção natural.
Mc Murdry, que reconhece ter sido defensor no evolucionismo na juventude, hoje é cristão evangélico e adepto do criacionismo. “É que fui doutrinado durante toda minha infância, por isso não era capaz de enxergar a verdade científica”, conta.
A “verdade científica” de Mc Murdry, ou criacionismo, é uma concepção que predominou no pensamento ocidental até o século 18. De acordo com a doutrina, a vida, o planeta, enfim, todo o universo, teriam sido criados ao mesmo tempo, em sua forma acabada, por um ato divino.
Nos séculos seguintes, a teoria perdeu espaço para as idéias evolucionistas. Hoje em dia, a tese está restrita principalmente aos meios religiosos. Mc Murdry, que também é líder religioso da igreja New Life Church, espera que sua visita ajude a difundir criacionismo.
“Nas escolas, só ensinam evolucionismo, porque é uma tese popular e fácil de ser aceita pelos que não conhecem as verdades científicas”, coloca. Mc Mudry já ministrou duas palestras em Bauru. Amanhã, ele participa de uma café da com pastores evangélicos, na parte da manhã.
Haverá também palestras à tarde e à noite, tanto no sábado quanto no domingo, em igrejas evangélicas da cidade. Durante os eventos, Mc Murdry tentará convencer o público de que relatos bíblicos como o Adão e Eva ou o Dilúvio Universal podem ser comprovados cientificamente.
Pastores evangélicos de vários municípios do Estado estão articulando um encontro de todas as lideranças do segmento em Rondônia para que possam colocar a limpo toda a onda de denúncias que caíram sobre o deputado federal Agnaldo Muniz (PP), candidato que foi escolhido para representar a Assembléia de Deus nas eleições de 2006 para a Câmara Federal.
Agnaldo foi denunciado no final da última semana como um dos membros da nova lista dos parlamentares envolvidos no esquema das Sanguessugas, máfia que atuava na aquisição de ambulâncias através de emendas parlamentares. A nova lista foi publicada pela Revista Veja, em sua edição do último sábado e divulgada na segunda pela CPI dos Sanguessugas. Agnaldo nega, mas as investigações apontam sua participação no esquema.
O pastor Nelson Luchtemberg, presidente da Convenção das Assembléias de Deus do Estado de Rondônia (Cemaderon) também está sofrendo os efeitos do estrago provocado pela denúncia das Sanguessugas.
Sogro
Ele é sogro de Agnaldo Muniz e um dos principais articuladores para a escolha do genro como representante da Assembléia de Deus na Câmara Federal na convenção realizada em maio deste ano em Mirante da Serra. Com certeza, terá muito que ter muito jogo de cintura para demover os pastores da idéia de mudar a representação da Igreja na Câmara Federal nas eleições deste ano.
A lei espanhola sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo — promovida pelos socialistas e considerada inconstitucional pelo conservador Partido Popular, de oposição — está gerando uma nova polêmica desde que o prefeito de Madri, do PP, resolveu casar hoje dois militantes gays de seu partido.
Alberto Ruiz Gallardón conseguiu atrair tanto as críticas da Igreja Católica, quanto de setores ligados ao seu partido e mesmo de socialistas (PSOE), que o acusam de celebrar o casamento sem exigir que o PP retire o recurso contra e lei diante do Conselho Constitucional.
— A lei existe e deve ser cumprida — disse Ruiz Gallardón.
O prefeito afirmou que, como já fez com outros casais heterossexuais de seu partido que lhe pediram, oficiará a boda de hoje. Os noivos são Javier Gómez, ativista dos direitos dos homossexuais, e Manuel Ródenas, advogado e responsável pelo Programa de Assessoramento de Gays, Lésbicas e Transexuais da região de Madri, governada pelo PP.
Ruiz Gallardón é considerado um político de centro, pertencente à ala moderada do PP. Ele declarou que sua decisão não geraria nenhum tipo de reprimenda, mas, segundo o jornal “El Pais”, o PP recomendou a seus integrantes que não compareçam ao casamento. O prefeito lembrou ainda que esta não é a primeira união de pessoas do mesmo sexo que autoriza.
Num comunicado, o Arcebispado de Madri criticou a união homossexual e disse que fiéis católicos, incluindo políticos, estavam sujeitos à doutrina da Igreja. O Fórum Espanhol da Família, ligado ao PP, criticou o apoio do prefeito a uma lei “que o próprio partido rechaça”. E o vereador socialista Pedro Zerolo — um dos primeiros a se casar segundo a nova lei— exigiu de Ruiz Gallardón coerência.
A lei foi aprovada no ano passado e desde então mais de 4.500 casais homossexuais — 80% deles do sexo masculino — já se uniram na Espanha.
Dez testemunhas de acusação foram ouvidas ontem no processo que apura três homicídios em Delta, Minas Gerais, tendo o pároco da cidade entre as vítimas.
O autor dos crimes é Marcos Antônio de Jesus Martins, 24 anos, réu confesso nos autos, tendo assumindo que tirou a vida do padre José Carlos Cearense, do braçal Wanderson Luís dos Santos e do pedinte Josimar Nunes Gonçalves.
O padre foi assassinado na madrugada de 9 de maio, enquanto os outros dois foram atacados por Marcos na noite do dia 28 para 29 de abril deste ano.
A motivação do crime seria a mesma nos três casos. Como o próprio autor vem sustentando, ele teria feito um pacto com o diabo para matar sete pessoas, das quais também deveria beber o sangue.
Na audiência de ontem, na 1ª Vara Criminal, cinco das dez testemunhas arroladas nada souberam informar ao juiz Ricardo Cavalcante Motta. Manoel Araújo Carneiro, Maria de Lourdes Pereira Carneiro, Júlio Lopes dos Santos, Camila Chagas e Maria Aparecida dos Santos se limitaram a informar que nada sabiam informar, testemunhando apenas o momento em que a polícia encontrou o corpo do padre Cearense.
Nos depoimentos, algumas testemunhas fizeram menção a comentário geral na cidade quanto ao comportamento do padre na intimidade, inclusive recebendo pessoas na casa paroquial “altas horas da noite”, como afirmaram a dona-de-casa Elisângela Lucas Ávila Santos e o comerciante Lucinélio Silva.
Diferente do alegado pelo réu quando de seu interrogatório, o comerciante Rubens Gonçalves dos Reis, dono de um bar em Delta, disse que Marcos costumava beber em seu estabelecimento, mas não ficava agressivo e “nunca se mostrou como doido”. Segundo ele, o réu se comportava normalmente, sorrindo e bebendo, sem nada que realçasse um comportamento estranho.
Ainda conforme o comerciante Rubens, antes do assassinato do padre e depois da morte das duas primeiras vítimas, o réu esteve no bar, se mostrando “meio aflito”. Mesmo assim, bebeu catuaba e conhaque. Numa das vezes chegou a pedir caldo de mocotó, ficando bravo pela demora, enquanto o alimento era aquecido.
O pastor que acompanhou o réu na apresentação na delegacia de polícia. Paulo Henrique Ferreira, 37 anos, identificou-se como operador de máquinas. Ele confirmou que Marcos confessou os crimes espontaneamente, sem qualquer tipo de pressão do delegado Heli Andrade. Já o PM José Antônio de Matos, que trabalhou nas diligências para apuração dos fatos, descreveu o réu como pessoa fria e calculista.
Nova audiência será marcada, desta vez para ouvir testemunhas de defesa. Marcus continua preso na cadeia do Parque das Américas, sem qualquer chance de livrar-se da prisão.
O senador evangélico Magno Malta (PL-ES), acusado pelo empresário Luiz Antônio Vedoin de receber um veículo como forma de pagamento pela apresentação de emendas para aquisição de ambulâncias a preço superfaturado, incluiu 14 emendas ao Orçamento da União, de 2002 a 2005, para “ações passíveis de serem utilizadas para aquisição de unidades móveis de saúde (ambulâncias)”, como descreve a página do Senado na internet.
As inclusões ao orçamento feitas pelo senador voltadas para a saúde totalizaram R$ 2,155 milhões. Entre as ações listadas há algumas genéricas, como, por exemplo, “estruturação do serviço de urgência e emergência do Hospital Evangélico” ou “implantação, aparelhamento e adequação de unidade de saúde”. Uma, no entanto, é clara no objetivo: “aquisição de unidade móvel de saúde”, o que os técnicos classificam de ambulância.
A emenda para a compra do equipamento, no valor de R$ 75 mil, foi feita no Orçamento de 2003 e tinha como destinatária a prefeitura de Pinheiros, no Espírito Santo. A verba autorizada foi de R$ 59 mil, mas, no fim, acabou não sendo liberada.
De acordo com a denúncia de Vedoin, Malta recebeu um Fiat Ducato para atuar em favor da Planam. No entanto, ainda segundo depoimento do empresário, o senador não teria cumprido o acerto.
As emendas de Malta na área da saúde contemplaram municípios como Cachoeiro do Itapemirim (R$ 600 mil), Muniz Freire (R$ 50 mil), Vila Velha (R$ 150 mil), Pinheiros (R$ 444,9 mil), Jaguaré (R$ 50 mil), São José do Calçado (R$ 260 mil), Vitória (R$ 200 mil), Divino do São Lourenço (R$ 100 mil) e Baixo Guandu (R$ 300 mil).
A assessoria de imprensa de Malta negou que ele tenha feito emendas em favor das empresas de Vedoin e até mesmo para a compra de ambulâncias. Sobre o carro, informou que o senador usou um veículo, de setembro de 2003 a julho de 2005, que teria sido emprestado pelo deputado Lino Rossi (PP-MT).
A assessoria informou, ainda, que das emendas apresentadas pelo senador na área da saúde apenas cinco foram contempladas pelo governo federal e nenhuma delas foi para a compra de veículos. No total, segundo a assessoria de imprensa de Malta, os recursos liberados atingiram a soma de R$ 383,7 mil. “Volto a informar que nos dois mandatos, de deputado federal e de senador, jamais dirigi emendas especificamente para ambulâncias. Tampouco tive emendas para a área de Ciência e Tecnologia pagas, e não fiz emendas para o setor de Comunicações”, diz a nota.
Nota à imprensa
O senador evangélico Magno Malta publicou um nota à imprensa falando sobre as novas acusações contra ele. Confira a íntegra da nota abaixo:
Diante de novas declarações publicadas pela imprensa, mais uma vez me vejo no dever de informar que todo e qualquer tipo de acusação contra a minha pessoa, aventando a possibilidade de uma ligação com o esquema de fraudes para aquisição de ambulâncias, a partir de emendas ao Orçamento, é improcedente, caluniosa e sem a menor possibilidade de respaldo, diante do que venho a expor abaixo:
1- Reafirmo que nunca, em tempo algum, durante meus mandatos de deputado federal e de senador tive qualquer tipo de contato, relação ou mesmo conversa com os empresários, funcionários, ou pessoa ligada a Planam, ou mesmo à família Vedoim.
2- Nunca ganhei ou me foi ofertado qualquer carro pela família Vedoin ou qualquer funcionário da empresa Planam.
3- Todos os veículos em meu nome e em nome de meus familiares têm procedência legítima, e estão devidamente registrados e declarados à Receita Federal.
4- Parece-me um tanto absurdo que mafiosos, que comprovadamente agiram de forma espúria, subtraindo o dinheiro público através de licitações fraudulentas, incorram no erro de “dar” um veículo para um parlamentar em troca de uma possível alocação de emenda, conforme o suposto depoimento do sr. Vedoim.
5- Volto a informar que não tive emendas para ambulâncias pagas nos meus mandatos de deputado federal e de senador. Também não tive emendas para a área de Ciência e Tecnologia pagas, e não fiz emendas para a área de Comunicações.
6- Mantenho a convicção de que não tenho do que me defender. Afinal, trata-se de uma acusação infundada e sem a menor possibilidade de fundo verídico. Todos os meus sigilos estão à disposição da Justiça Federal, do Ministério Público e da Polícia Federal.
7- Da mesma forma, constituí advogado para acompanhar esse caso de perto, para que possa ter mais informações sobre a origem dessas ilações.
Fica claro, portanto, que essas “denúncias” têm o propósito único de denegrir minha imagem e macular uma história de combate ao crime organizado e ao narcotráfico no país. Estranho o fato de tudo isso acontecer em um momento em que me encontro fora do País, em atividade parlamentar, representando o Congresso Nacional. Não vou deixar impunes esses que torcem pela criminalidade. Ao contrário, tomarei todas as providências para que os fatos sejam esclarecidos. E mais: vou me empenhar pessoalmente, ainda com mais afinco, para que esses que participaram, de uma forma ou de outra, desse esquema ilícito tenham a punição legal mais severa.
Magno Malta
Senador da República
Fonte: Estadão e site do senador Magno Malta (www.magnomalta.com.br)
O pastor Ricardo Luiz Duarte, de 43 anos, foi preso ontem, após ser surpreendido pelo pai de uma menina de seis anos, que estava sem calcinha e sendo bolinada sexualmente pelo pastor, em sua casa, no bairro Portão do Rosa, em São Gonçalo.
Ricardo, que é da Igreja Assembléia de Deus daquele bairro, fugiu, mas foi localizado escondido no quintal de casa, perto da residência dele, por PMs que foram chamados pelo pai da criança.
Ricardo foi levado para a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher – Deam – de São Gonçalo, onde a delegada titular Aparecida Mallet, após ouvir o relato da menina e do pai, autuou em flagrante o pastor por atentado violento ao pudor. A criança disse à delegada que o “tio Ricardo” já tinha feito carícias nela várias vezes.
De acordo com a delegada, o pai da menina disse que estava estranhando o comportamento da filha que andava muito arredia e em uma determinada ocasião comentou que o “ tio Ricardo” pedia para que ela arrumasse a casa dele. Ainda segundo o pai, inicialmente, não desconfiou que tal crime estivesse acontecendo, porque sua filha brincava com as filhas do pastor, da mesma faixa etária.
O pai da menor relatou também que quando saía de sua casa pela manhã, viu Ricardo chamar sua filha, e em seguida foi até a porta dos fundos da casa do pastor, quando ouviu ele dizer para a menina tirar a calcinha e sentar no seu colo.
O pai da menina invadiu a casa de Ricardo, que fugiu. A polícia militar foi chamada. O pastor foi localizado e levando para a Deam de São Gonçalo.
A Igreja Católica denunciou nesta quinta-feira que pelo menos 5 milhões de colombianos passam fome e que a falta de comida afeta especialmente para a população infantil, ao anunciar o início de uma campanha em conjunto com as Nações Unidas para combater o drama.
“Queremos chamar atenção para o fato de que pelo menos 5 milhões de colombianos vão dormir todos os dias com fome”, disse o diretor da Pastoral Social da Igreja Católica, monsenhor Héctor Fabio Henao.
Ele acrescentou que pelo menos “33% dos menores de 4 anos, 1,3 milhão de crianças, sofrem de anemia aguda”. “Podemos dizer que o país está sacrificando seu futuro, pois cada criança que cresce nestas condições será um adulto com limitações”, acrescentou Henao.
“É preciso fazer um forte apelo à consciência dos colombianos sobre sua realidade social e o que podemos fazer para evitar que este drama continue aumentando”, disse Henao, ao citar números do Instituto Colombiano de Bem-estar Familiar (federal) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.
Segundo estes números, “temos 6 a 7 milhões de pessoas a mais com riscos de cair em situação de fome”, alertou, afirmando que o problema afeta especialmente as crianças e a população deslocada por causa da guerrilha.
Henao disse que junto com o PMA foi iniciada uma campanha para distribuir em cinco regiões do país um total de 5.621 toneladas de alimentos para as famílias mais afetadas.
Ele destacou que o problema da fome está estreitamente vinculado na Colômbia com o fenômeno do deslocamento causado pela violência e pela pobreza que afeta quase a metade dos 41,7 milhões de habitantes do país.
Só na capital colombiana, 8% de seus sete milhões de habitantes são afetados pela fome e a prefeitura da cidade criou um programa para atender 263.000 pessoas com refeitórios comunitários.
O relatório sobre a fome na Colômbia foi divulgado no âmbito da assembléia anual da Conferência Episcopal Colombiana, na qual os 90 bispos do país se reúnem para fazer um pronunciamento sobre a situação do país e que deve ser encerrada nesta sexta-feira.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciou na quinta-feira que os protestos de setores da Igreja Católica contra um projeto de reforma educacional são “manipulados” por “grupos da oligarquia” que tentam desgastar o seu governo de esquerda.
Mas as mudanças na educação, bem como as transformações políticas e econômicas iniciadas com a posse, em janeiro, de um indígena pela primeira vez na presidência boliviana, continuarão avançando por causa do grande apoio popular, disse Morales à TV Reuters.
“A Igreja não pode ser um instrumento de grupos oligárquicos que, historicamente, fizeram tanto dano ao país. Só peço isso,” disse Morales, que costuma se declarar católico e, ao mesmo tempo, praticante de ritos andinos tradicionais. O distanciamento entre governo e Igreja surgiu devido à posição anticlerical apoiada pelo ministro da Educação, Félix Patzi, quem chamou de “mentirosos” e “oligarcas” os bispos que criticam o projeto que elimina o ensino religioso nas escolas.
Apesar de uma recente promessa de Morales de manter a religião no currículo escolar, o bispo de Pando, na Amazônia boliviana, Luis Casey, pediu na quarta-feira a demissão de Patzi. Em Santa Cruz, ao leste do país, milhares de pais e alunos realizaram um protesto contra o governo.
“Estão tentando usar o tema da religião para desgastar o governo que, finalmente, está com o povo. Tentam manipular e usar a juventude nessas mobilizações,” acrescentou Morales, que prometeu buscar consenso sobre a reforma educacional.
“Não está em debate, a fé religiosa não está em discussão, mas parece que o debate é sobre o poder da Igreja Católica,” afirmou.
Em uma posterior declaração a jornalistas, Morales disse ver muitas afinidades entre o governo e a cúpula católica sobre a liberdade religiosa e afirmou confiar no estabelecimento de um diálogo “o antes possível.”
“Estamos dispostos a escutar. Antes os bispos eram mediadores, agora acho que vamos entrar na mediação”, acrescentou o presidente, que dois dias antes deu forte respaldo a Patzi e chamou alguns bispos –que ele não identificou– de “inquisidores”. A Igreja respondeu com um cauteloso apelo ao diálogo “sem insultos.”
Os atritos entre o governo e a Igreja monopolizam a atenção da imprensa local quando faltam menos de duas semanas para a posse de uma Assembléia Constituinte, dominada pelo oficialismo, com a qual Morales pretende “refundar” o país.
A atual Constituição diz que o Estado boliviano “reconhece e sustenta” a religião católica, embora admita a liberdade de culto. A Conferência Episcopal boliviana disse que aceitaria o fim desse reconhecimento oficial desde que não se restrinjam as práticas religiosas nem se proíba o ensino do catolicismo e de outras religiões nas escolas.
A Constituinte, que segundo Morales deve garantir a participação plena dos povos indígenas na vida do Estado e consolidar as reformas econômicas, como a nacionalização do gás, toma posse no dia 6 de agosto, data da independência do país.