Apesar de o relatório de uma equipe representante da minoria nacional confirmar a violência contra os cristãos em Madhya Pradesh, o governo do Estado aprovou, em 25 de julho, uma emenda que torna mais rígida a lei anticonversão, que aumentou a perseguição aos cristãos.
A emenda, apresentada à Assembléia em 21 de julho, exige que clérigos e “potenciais convertidos” notifiquem as autoridades da intenção de mudar de religião um mês antes da “cerimônia de conversão”. Na forma atual, o Ato de Liberdade Religiosa de 1968 exige que a notificação seja enviada à magistratura distrital no prazo de sete dias depois da conversão.
A informação antecipada deve trazer o nome e endereço da pessoa que se converte, além da data e local da cerimônia de conversão. A partir daí, as autoridades decidem se a conversão foi “forçada” ou aconteceu “por aliciamento”.
A penalidade por deixar de notificar à administração é de até um ano de prisão ou multa de até mil rúpias (21 dólares), ou ambas.
Aprovação controversa
Apresentada pelo ministro do Interior Nagendra Singh, a emenda foi aprovada por aclamação, sem ser discutida, em meio ao tumulto na Assembléia provocado por membros oposicionistas do Partido do Congresso, segundo informou a agência de notícias Indo-Asian. A emenda precisa ser assinada pelo governador antes de se tornar lei.
“Isso viola o direito fundamental das pessoas, já que o governo é que passa a decidir se uma pessoa pode se converter ou não”, declarou Indira Iyengar, membro da Comissão de Minorias de Madhya Pradesh.
Ela questionou a necessidade da emenda. “Apesar do fato de numerosos casos terem sido registrados contra os cristãos sob acusações de conversão, ninguém foi condenado por uma corte”, ela disse. “Dá impressão de que isso serve para dar aos fundamentalistas uma ferramenta para agredir os cristãos”.
O partido Bharatiya Janata (BJP), ligado aos extremistas hindus, tem maioria na assembléia estadual.
Conivência da polícia
Defensores da emenda disseram que ela era necessária porque a lei atual não exige a notificação antecipada, essencial para prevenir conversão por força, indução ou fraude.
Eles também citaram reportagens sobre conversões de povos tribais, principalmente ao cristianismo, e o freqüente confronto entre missionários e “ativistas hindus” como evidência da necessidade da legislação.
Frequentemente os extremistas hindus invocaram a lei estadual “anticonversão” como um meio de incitar as multidões contra cristãos ou para prendê-los sem provas. Dois membros da Comissão Nacional para as Minorias, Harcharan Singh Josh e Lama Chosphel Zotpa, visitaram Madhya Pradesh e o Estado vizinho de Chattisgarh, de 13 a 18 de junho, para investigar relatos dos crescentes incidentes de violência anticristã.
“Obviamente, a vida dos cristãos se tornou horrível nas mãos dos vilões em conivência com a polícia”, registrou a comissão em seu relatório. “Existem alegações de que quando as atrocidades contra os cristãos são cometidas por esses elementos, a polícia permanece como mera espectadora e, em certos casos, sequer registra os boletins de ocorrência”.
Desapontamento
Em alusão à lei anticonversão, o relatório recomendou que “em um país secular como a Índia, o direito fundamental de professar e praticar uma religião não deve ser desrespeitado”.
O relatório concluiu que se nenhuma ação severa for tomada contra os “responsáveis pela desarmonia religiosa e se suas atividades não forem cortadas pela raiz, isso acarretará uma conseqüência adversa para as minorias”.
Entre outros incidentes de cristãos presos sob a lei anticonversão, em outubro passado um trabalhador cristão foi preso em Indore, Madhya Pradesh, depois que membros do Dharma Raksha Samiti (DRS ou Comitê de Proteção Religiosa), um grupo extremista hindu, cercou a delegacia de Heera Nagar protestando contra “conversões”. John, que administrava três escolas para crianças, foi acusado de converter 11 crianças, com idades entre 5 e 10 anos, apesar de nenhuma delas ter se convertido ao cristianismo ou reclamado de tentativa de conversão. (Leia essa notícia aqui.)
O ministro chefe Shivraj Singh Chouhan, entretanto, negou que os cristãos enfrentem perseguição no Estado. “Não há importunação; a justiça é feita a todos. Não há discriminação no campo religioso ou público”, ele declarou à agência Indo-Asian, em 23 de julho.
No debate que surgiu depois da introdução da emenda, a Comunidade Evangélica da Índia resumiu seu desapontamento com os oponentes da legislação.
“Enquanto existe a necessidade de providenciar proteção à comunidade em meio à crescente violência anticristã, o governo do Estado, em vez disso, prefere tornar a lei anticonversão mais severa”, declarou a organização em um pronunciamento em 22 de julho. “Isso é claramente uma interferência da administração no direito das pessoas de escolher sua religião”.
Os bispos europeus se insurgem: “A instrumentalização dos embriões humanos para fins de pesquisa, ou seja, para a sua destruição, não é aceitável.”
O bispo de Roterdã, Dom Adrianus Herman van Luyn, e Mons. Noel Treanor, respectivamente presidente e secretário-geral da Comissão dos Episcopados da União Européia (COMECE), fizeram um apelo, em nome das 34 conferências episcopais européias, à opinião pública, para que esteja atenta ao texto do sétimo programa de pesquisa submetido, na última segunda-feira, ao Conselho de Ministros da União Européia.
“A gravidade da decisão tomada nos obriga a sublinhar, uma vez mais, as implicações éticas, sociais e bioéticas desse debate, para a Europa do futuro” _ afirmam.
Numa nota, os bispos europeus convidam os católicos a tomar consciência do desafio antropológico que se insere nesse debate. “Um desafio _ acrescentam os bispos _ que implica a defesa da dignidade humana.”
Os bispos sublinham que “o embrião humano tratado como um objeto de pesquisa não é compatível com o respeito à dignidade humana” e que este é um aspecto “não aceitável” no âmbito dessa questão.
Enquanto a batalha prosseguia, uma reunião dos Estados Unidos e países europeus e árabes em Roma fracassou em chegar a um acordo quanto a um plano para colocar um fim ao combate entre Israel e o Hezbollah, com os Estados Unidos resistindo aos pedidos para um cessar-fogo imediato.
O conflito em duas frentes de Israel viu seu dia de combates mais pesados na quarta-feira, com a morte de nove soldados israelenses, dezenas de combatentes do Hezbollah e pelo menos 23 palestinos em Gaza. Enquanto a batalha prosseguia, uma reunião dos Estados Unidos e países europeus e árabes em Roma fracassou em chegar a um acordo quanto a um plano para colocar um fim ao combate entre Israel e o Hezbollah, com os Estados Unidos resistindo aos pedidos para um cessar-fogo imediato.
O Hezbollah manteve seu fogo sustentado contra o norte de Israel, com 130 foguetes atingindo a região, ferindo mais de 10 israelenses.
O número de mortos já é de pelo menos 433 no Líbano e 51 em Israel, segundo a agência de notícias “Reuters”.
Israel sofreu o maior número de baixas desde que o combate teve início em 12 de julho, depois que o Hezbollah capturou dois soldados israelenses durante uma incursão em território israelense. O combate terrestre mais intenso ocorreu em torno da cidade de Bint Jbail, uma fortaleza do Hezbollah no alto de uma colina, a poucos quilômetros da fronteira de Israel.
Na reunião em Roma, enquanto outros países pressionavam por um cessar-fogo imediato, os Estados Unidos defendiam um “cessar-fogo sustentável”, com o governo libanês recuperando a soberania sobre o sul do Líbano e o debandar de milícias como o Hezbollah.
A falta de ação levou o primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, a atacar com um grito de desespero. “O valor da vida humana no Líbano é menor do que o de cidadãos de outros lugares?” perguntou Siniora. “Somos filhos de um deus menor? Uma lágrima israelense vale mais do que um gota de sangue libanesa?”
Acusando Israel de “destruição bárbara”, ele prometeu buscar justiça, anunciando que o Líbano dará início aos procedimentos legais para indenizações de guerra.
Os governos europeus e árabes, assim como o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e o chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, o apoiaram e pressionaram por um fim imediato das hostilidades ou mesmo uma trégua baseada em questões humanitárias, disseram vários participantes.
Mas em um debate tenso, às vezes tempestuoso, que durou quase uma hora, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, firmou o pé e prevaleceu.
Posteriormente, ela defendeu a recusa dos Estados Unidos em pedir um cessar-fogo imediato, dizendo: “Não fará bem a ninguém gerar falsas esperanças sobre algo que não vai acontecer. Não vai acontecer. Eu disse ao grupo: ‘Quando vamos aprender?’ Os campos do Oriente Médio estão repletos de cessar-fogos violados”. Ela disse que espera que a questão acabará sendo resolvida pelo Conselho de Segurança da ONU.
Em uma coletiva de imprensa após as negociações, o normalmente calmo Annan não fez nenhum esforço para controlar sua raiva em relação a Israel pelo que chamou de “ataque aparentemente deliberado” contra um posto de observação da ONU no sul do Líbano, na terça-feira. O ataque matou quatro observadores.
“O sr. Olmert acredita que foi um erro”, disse Annan, se referindo ao primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. Apesar de pelo menos 10 telefonemas de pessoal da ONU para Israel alertando que suas posições estavam sendo atacadas, Annan acrescentou: “O bombardeio às posições da ONU começaram ao amanhecer e prosseguiram durante todo o dia”.
Ele prometeu uma investigação formal.
Rice e Annan discordaram em uma coletiva de imprensa sobre se a Síria e o Irã deveriam ser adicionados ao esforço para colocar um fim à violência. Annan pediu para trabalhar “com os países da região para encontrar uma solução”, citando o Irã e a Síria como participantes; Rice, por outro lado, disse estar preocupada com o papel do Irã e pediu para que a Síria cumpra suas responsabilidades, uma referência às resoluções anteriores da ONU.
Enquanto o mundo se concentrava na luta no Líbano, Israel prosseguiu atacando Gaza. A maioria dos mortos em Gaza na quarta-feira eram militantes, mas uma mãe e suas duas filhas pequenas morreram quando fogo de artilharia atingiu a casa delas, disse o Ministério da Saúde palestino. Uma terceira menina também foi morta e dezenas de palestinos ficaram feridos.
Em sua campanha, que teve início como um esforço para deter os ataques de foguete e que se intensificou depois que militantes palestinos capturaram um soldado israelense no mês passado, Israel atingiu casas nas áreas residenciais onde o país acredita que armas estão estocadas, causando mortes de civis em alguns casos.
Israel disse que despejou panfletos e até mesmo deu telefonemas para as famílias na área, alertando que deveriam partir porque os militantes estavam operando na área e que as forças armadas israelenses realizariam operações.
No sul do Líbano, a conversa inicial de Israel de quebrar as costas do Hezbollah aos poucos tem dado lugar a metas mais limitadas, já que as tropas terrestres israelenses estagnaram a apenas poucos quilômetros no seu avanço pelo país. A mais recente conversa é a de criação de uma zona tampão de apenas dois quilômetros país adentro, que Israel disse que poderia policiar do seu lado da fronteira.
“É possível criar uma zona tampão não necessariamente estando lá, mas entrando e saindo”, disse o general de divisão Benny Gantz, que está encarregado das forças terrestres israelenses.
Olmert informou um comitê parlamentar israelense na quarta-feira sobre os planos para a zona, segundo os participantes da sessão fechada.
Um alto oficial israelense que falou sobre o plano na terça-feira disse que tropas terrestres seriam usadas na zona. Mas Olmert sugeriu que Israel tentaria patrulhá-la de seu lado da fronteira com artilharia e ataques aéreos.
O plano já está sendo criticado, assim como o lento progresso militar por terra. Yuval Steinitz, um membro do comitê para defesa e relações exteriores que se reuniu com Olmert, descreveu o plano do governo como inadequado.
“Nós já temos tropas no Líbano, mas o governo está muito relutante em usar as forças terrestres em grande escala”, disse Steinitz, um membro do partido Likud de direita.
“Se quisermos conseguir algo com esta operação, então precisaremos realizar grandes operações terrestres e limpar todo o sul do Líbano”, ele disse.
Três dias atrás, oficiais militares israelenses na fronteira anunciaram confiantemente que primeiro a aldeia de Maroun al Ras, depois a cidade maior de Bint Jbail, tinham sido subjugadas. Mas novos combates surgiram na região, por volta do amanhecer de quarta-feira, e à tarde oficiais militares se mostravam mais circunspectos com seu progresso.
Na aldeia de Maroun al Ras, um soldado israelense foi morto e três outros ficaram feridos na quarta-feira, disseram as forças armadas israelenses. Os combatentes do Hezbollah dispararam um foguete antitanque que atingiu os soldados em um prédio, elas disseram.
Quando perguntado sobre o que as forças armadas israelenses conseguiram após duas semanas de combate, Gantz respondeu: “Eu sugeriria perguntar o que o Hezbollah conseguiu. Eles se diziam defensores do Líbano mas basicamente destruíram o país”.
Gantz, um homem grisalho e esguio que é famoso por ter sido o último israelense a deixar o sul do Líbano, depois da retirada há seis anos após uma presença de 18 anos no país, insistiu que o combate, apesar de longo, no final penderia a favor de Israel. Mas ele exibiu sinais de frustração com as pressões políticas que estão moldando o plano de batalha.
Quando perguntado se achava que a resposta de Israel à incursão inicial do Hezbollah foi desproporcional, como muitos críticos têm acusado, ele não mediu palavras. “Eu não acho que foi desproporcional”, ele disse. “Deveria ser muito mais forte e é o que faremos.”
Ele acrescentou: “Nós temos um longo caminho pela frente e muito a fazer”, apesar de não ter dito quantas aldeias precisariam ser expurgadas de combatentes do Hezbollah. Oficiais do exército israelense estão dizendo que provavelmente é irreal esperar que as forças armadas conseguirão eliminar o arsenal disseminado e bem escondido do Hezbollah, que supostamente continha mais de 10 mil mísseis quando o combate teve início.
Gantz reconheceu que seria difícil deter os foguetes que ameaçam o norte de Israel apenas com meios militares, notando que os lançadores são móveis e fáceis de esconder, podendo ser disparados de forma remota ou com temporizadores.
Outro oficial, que pediu para que seu nome não fosse citado por não estar autorizado a falar com a imprensa, notou que mesmo se Israel conseguir destruir 50 ou 60% destes foguetes, ainda restará o suficiente para manter o atual ritmo de cerca de 100 foguetes por dia por semanas.
“Tudo o que o Hezbollah precisa para vencer é não perder”, disse outro
oficial.
Enquanto isso, Israel respondeu às fortes críticas internacionais ao ataque aéreo que matou quatro observadores da ONU na terça-feira, na cidade de Khiyam, no sul do Líbano. Eles eram do Canadá, Finlândia, Áustria e China.
“Foi um erro trágico”, disse Gantz, acrescentando que não há motivo para Israel visar observadores internacionais. Outros oficiais israelenses negaram a sugestão de que Israel escolheu o posto como alvo, dizendo que tal ação não faria sentido em um momento em que o país está tentando obter uma força multinacional de manutenção da paz junto a uma comunidade internacional já relutante.
Em outro assunto que tem atraído críticas, o general reconheceu que Israel usou munições de fragmentação no conflito. As munições dispersam pequenas bombas por uma grande área e foram proibidas por alguns países devido ao alto número de vítimas civis que provocam.
O Human Rights Watch acusou Israel no início desta semana de usar munições de fragmentação contra a aldeia libanesa de Blida, em 19 de julho, matando uma mulher e ferindo pelo menos 12 outros civis, incluindo sete crianças. Mas Israel disse que as armas que usa são autorizadas pela lei internacional. “Nós tentamos minimizar seu uso”, disse Gantz. “Nós apenas as usamos em áreas específicas que foram isoladas até pelo próprio Hezbollah.”
Em outro desdobramento, aviões de carga militares jordanianos pousaram no aeroporto de Beirute carregados com ajuda humanitária. Os vôos chegaram um dia depois de Olmert ter dito a Rice que Israel autorizaria corredores de salvo conduto para que ajuda chegasse aos civis libaneses. Suprimentos de ajuda também começarão a chegar pelo mar aos portos de Beirute, Sidon e Tiro.
Um ataque aéreo israelense perto da fronteira síria atingiu um caminhão que transportava suprimentos médicos e alimentos vindos dos Emirados Árabes Unidos na quarta-feira, matando seu motorista sírio, informou a “Reuters”.
Nos combates em Gaza, blindados israelenses avançaram para os limites da Cidade de Gaza e entraram em choque com os militantes. Os israelenses derrubaram pomares e estufas na área para remover a cobertura usada pelos militantes para disparo de foguetes.
As forças armadas israelenses disseram que realizaram uma série de ataques e dispararam fogo de artilharia contra homens armados na área.
Os militantes palestinos dispararam pelo menos 13 foguetes contra o sul de Israel, ferindo levemente uma pessoa na cidade de Sderot.
O porta-voz da Comissão dos Bispos dos Estados Unidos para a Política Internacional enviou uma carta a senadores e deputados, pedindo-lhes que ajudem a acabar com a escalada da violência no Oriente Médio.
“O terrível ciclo da violência no Oriente Médio está destruindo a vida de pessoas inocentes, em ambos os lados em conflito” _ afirmou o bispo de Orlando, Flórida, Dom Thomas Gerard Wenski, numa carta escrita nos dias passados.
O ciclo de violência “está ainda destruindo as esperanças de negociações e acertos que poderiam levar a uma paz justa, capaz de oferecer verdadeira segurança aos israelenses, um Estado aos palestinos e uma verdadeira independência ao povo libanês” _ acrescentou.
O bispo recordou que “a comunidade católica está profundamente preocupada com os custos humanos, as implicações morais e as conseqüências futuras dos atuais acontecimentos”.
“Esperamos e pedimos para que os senhores possam fazer tudo o que estiver a seu alcance, para acabar com este terrível ciclo de violência, e para proteger a vida e a dignidade dos israelenses, dos palestinos e dos libaneses.”
“Estamos prontos a colaborar com todos aqueles que lutam por uma paz justa e duradoura na terra dos três credos, que chamamos “santa”” _ concluiu.
O governo espanhol está pensando em pedir à Igreja Católica, a eliminação dos símbolos ligados à ditadura do general Franco, que ainda podem ser vistos em muitas igrejas do país.
Trata-se de uma solicitação complementar ao projeto de lei de reconhecimento das vítimas da Guerra Civil Espanhola, que dividiu a Espanha de 1936 a 1939.
O pedido terá caráter de recomendação. O governo socialista solicitará às autoridades locais e regionais que façam o mesmo nas ruas, praças e monumentos espalhados por todo o país. Recordações que glorificam o golpe de Estado comandado pelo general Franco, há 70 anos, deverão desaparecer.
Em muitas igrejas espanholas sobrevivem ainda alguns símbolos franquistas como, por exemplo, listas com nomes de ex-combatentes com dizeres como: aos “caídos por Deus e pela Espanha”.
A petição dirigida à Conferência Episcopal Espanhola se enquadra no processo de recuperação da memória histórica estabelecida pelo governo socialista de José Luís Rodríguez Zapatero, primeiro-ministro espanhol.
O Partido Popular, principal força de oposição, é contra o projeto de lei e diz que a medida servirá apenas para reabrir velhas feridas.
Em apenas duas semanas de exibição, a novela Páginas da Vida produziu algumas das cenas mais impactantes da TV nos últimos tempos. Pesquisas patrocinadas pela ONG Midiativa, voltada às relações entre as crianças e a TV, mostraram que os pais gostariam que a TV os ajudasse a transmitir valores para os filhos.
Ao final do capítulo de sábado 15, foi ao ar o depoimento real de uma dona-de-casa de 68 anos, moradora do subúrbio carioca de Madureira, que descreveu seu primeiro orgasmo num linguajar espantoso. Ela disse que alcançou o prazer pela primeira vez aos 45 anos, numa noite embalada pela música O Côncavo e o Convexo, de Roberto Carlos.
O autor Manoel Carlos conta que aprovou o depoimento em meio a dezenas de outros, um mês antes da estréia do novo folhetim da Rede Globo, e só percebeu seu potencial de estrago ao revê-lo no ar, naquele sábado. “Quando vi, pensei: estou perdido”, diz o noveleiro, que se apressou em pedir desculpas publicamente. De fato, uma imensa parcela dos espectadores ficou chocada, e choveram reclamações na central de atendimento da Globo. A principal preocupação das pessoas era o fato de as crianças terem sido expostas a um tema espinhoso – e com tal mau gosto.
Diferentemente da TV paga, voltada para nichos de audiência, os canais abertos tendem a atingir a família toda. A maioria dos que se indignaram mencionou o constrangimento por estar na sala ao lado dos filhos ou de idosos quando a cena foi exibida. “Agora vamos precisar de bola de cristal para saber se o que passa na TV é adequado ou não para a família?”, criticou uma psicóloga e mãe. Para agravar a indignação, alguns dias antes o folhetim já havia atingido alta temperatura com um strip-tease da personagem de Ana Paula Arosio, que exibiu o corpo nu de frente e de costas.
Trinta anos atrás, a veiculação de cenas como as de Páginas da Vida poderia despertar reações moralistas. Seria vista como um atentado aos bons costumes. Hoje, a discussão é diferente. A questão-chave passou a ser a preocupação com a família, sobretudo as crianças. Psicólogos e educadores são quase unânimes em alertar para o fato de que a exposição dos jovens a temas como o sexo, a violência e as drogas deve ser acompanhada pelos pais e requer cuidados especiais dependendo da faixa etária. “Ao ser submetida repetidamente a certo tipo de imagem, a criança pode saltar etapas importantes de sua formação, desenvolvendo uma sexualidade prematura, por exemplo”, diz a psicóloga Magdalena Ramos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Ao contrário do que se poderia supor, na faixa das 21 às 22 horas, quando Páginas da Vida vai ao ar, há mais crianças diante da TV do que em qualquer outro horário. No dia do depoimento escandaloso, o público infantil, pré-adolescente e adolescente representava 18% da audiência na Grande São Paulo, ou seja, cerca de 1,3 milhão de espectadores somente nessa região. As emissoras estão cientes desses dados de audiência. Elas devem, sim, assumir responsabilidade por aquilo que transmitem – ainda que o papel primário de educar os filhos caiba aos pais.
Pesquisas patrocinadas pela ONG Midiativa, voltada às relações entre as crianças e a TV, mostraram que os pais gostariam que a TV os ajudasse a transmitir valores para os filhos. Em muitos casos, eles já a vêem como uma aliada. Ao abordarem temas como o preconceito, por exemplo, as novelas desempenham há tempos um papel que é considerado relevante. “A TV dá a deixa para os pais discutirem com os filhos assuntos que são complicados”, diz Ana Helena Meirelles Reis, coordenadora das pesquisas, que ouviram quase 700 pais, crianças e adolescentes no Rio e em São Paulo.
Na própria Páginas da Vida existem exemplos positivos. “Há cenas que eu até gostaria que minha filha assistisse. Por exemplo, o núcleo que anunciaram que falará da exclusão por causa de problemas mentais. Coisas desse tipo me ajudam a incutir valores positivos nela”, diz a auxiliar administrativa gaúcha Luciane da Rocha Silva, mãe de uma garota de 9 anos. Os mesmos levantamentos, no entanto, mostraram que os pais têm dificuldade em lidar com as saias-justas criadas pela TV. “Uma coisa é colocar no ar um tema difícil de forma didática, capaz de gerar uma discussão saudável. Outra é abordá-lo de maneira grotesca”, afirma Ana Helena.
Uma das ferramentas que permitem aos pais prever o conteúdo dos programas exibidos pela televisão é a classificação indicativa por faixa etária e horário. Esse processo está passando por grande reforma no país. O Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça acaba de lançar um manual com novas diretrizes para que se cumpra essa tarefa. Ele deve ser regulamentado até o fim do ano. A classificação indicativa é vista com reservas na medida em que é associada à velha e autoritária censura do regime militar. Mas ela é uma forma em princípio civilizada de lidar com o assunto e é adotada na maioria dos países democráticos.
Nos Estados Unidos, o controle se dá por meio da auto-regulamentação do setor e segue um código rígido, baseado naquele que vigora no país também para o cinema. Se qualquer deslize passa por esse filtro das próprias emissoras, entra em cena uma comissão reguladora vinculada ao Congresso americano. Conteúdos obscenos, violência e uso de drogas são punidos com multas pesadas. Quando a cantora Janet Jackson deixou um de seus seios saltar para fora do vestido em pleno horário nobre, na transmissão da final do campeonato de futebol americano de 2004, a rede CBS teve de se desculpar às pressas. Como a comissão de vigilância endureceu seu controle a partir disso, as emissoras passaram a transmitir eventos ao vivo com segundos de atraso, para evitar qualquer deslize. Mesmo em países europeus como a Inglaterra, onde a programação de TV é bastante liberal, há horários protegidos para as crianças.
No Brasil, o departamento de classificação não tem o poder de impor regras às emissoras. Suas decisões sobre quais programas se adéquam a determinada faixa etária e de horário são apenas indicativas. Se a determinação é descumprida, no entanto, as redes entram na mira do Ministério Público, o que pode levar a punições. As multas a que estão sujeitas são leves para empresas desse porte, mas as emissoras correm também o risco de ser tiradas do ar.
Foi o que ocorreu no ano passado com a RedeTV!, que chegou a ficar um dia sem transmissões por descumprir uma decisão que a obrigava a se retratar em razão de um programa ofensivo aos gays. Em abril passado, a emissora se antecipou a uma nova punição ao passar o humorístico Pânico na TV das 18 para a faixa das 20 horas de domingo, acatando a reclassificação do departamento, que entendeu que o programa, até então considerado “livre”, tinha conteúdo erotizado inadequado para menores de 12 anos. O mesmo problema – o excesso de situações de sexo – colocou a novela das 7 da Globo, Cobras & Lagartos, na mira. Depois de ser notificada a esse respeito, no fim de abril, a cúpula da emissora recentemente determinou que o diretor Wolf Maya maneirasse nas tomadas.
O novo manual de classificação de programas foi elaborado, em tese, para restringir o arbítrio dos avaliadores do Ministério da Justiça. Ele propõe critérios objetivos para mensurar o nível de erotismo ou violência, entre outros fatores, de uma certa atração. Se um crime numa novela é precedido de tortura da vítima ou envolve uma criança, por exemplo, a obra poderá ter sua classificação aumentada. Se, pelo contrário, é seguido da condenação explícita da violência, a classificação pode ser reduzida. Ao explicitar essas regras, o manual procura tornar o julgamento dos programas menos subjetivo.
As emissoras criticam o excesso de detalhes a que desce o documento, pois temem que ele se torne uma camisa-de-força. Em seu primeiro teste, contudo, as novas diretrizes produziram um resultado bastante liberal: o ministério liberou o beijo entre dois jovens gays no programa Beija-Sapo, que a MTV pretende exibir em breve, para o horário das 19 horas. Embora a temática homossexual desperte rejeição em boa parte do público, entendeu-se que um beijo entre pessoas do mesmo sexo merece a mesma classificação “livre” que um entre um homem e uma mulher.
Depois da polêmica em torno de Páginas da Vida, a Globo anuncia que no segundo semestre lançará uma campanha de esclarecimento para os pais selecionarem o que os filhos vêem na TV. “Nossa liberdade criativa tem limites claros: não ferir a privacidade do espectador nem os valores da sociedade”, diz Octávio Florisbal, diretor-geral da rede. Apesar disso, a Globo não tem se revelado imune aos deslizes. No passado, exibiu baixarias como o famigerado “sushi erótico”, no programa Domingão do Faustão, para ficar num exemplo. O depoimento sobre orgasmo levou a um enquadramento imediato da novela das 8 nos filtros internos da emissora. Desde que o escândalo eclodiu, os testemunhos com personagens reais só vão ao ar depois de passar pelo crivo de Mário Lúcio Vaz, responsável pelo controle de qualidade e um dos principais nomes da cúpula da Globo. “Os artistas que criam as novelas são sempre mais liberais que a média da sociedade. Para manter nossa capacidade de inovar, é salutar estar sempre um passo à frente. Mas não um quilômetro”, diz Florisbal.
Fonte: Revista Veja – Edição 1966 de 26 de julho de 2006
Nota da redação: Alguns trechos desta matéria, que está na revista Veja desta semana, foram cortados, como, por exemplo, o depoimento da dona-de-casa de 68 anos, considerado chulo para ser publicado num site evangélico. Nosso objetivo ao colocar esta matéria é alertar aos pais, principalmente evangélicos, para o que os seus filhos estão assistindo.
O Vaticano fez um duro pronunciamento contra o acordo da União Européia sobre pesquisas com células-tronco, afirmando que “quando se trata de suprimir a vida, alguns logo se apresentam”, e que este tipo de pesquisa é “o macabro produto de um senso errôneo de progresso”.
“Algumas coisas não mudam. Os mesmos conceitos, as mesmas frases, os mesmos comportamentos. Assim, ao menos na Itália, quando se trata de suprimir a vida, há aqueles que sempre se apresentam”, afirmou o “L’Osservatore Romano”, jornal oficial do Vaticano, em sua edição de hoje.
Comentando o acordo ratificado pelos países da UE, que permitirá o financiamento com fundos europeus de projetos de pesquisa com células-tronco embrionárias nos países onde essas práticas sejam autorizadas, o jornal da Santa Sé afirmou que a situação remete à época em que foram aprovados o divórcio e o aborto na Itália.
A publicação afirmou que, nos tempos do divórcio, se afirmava que “isso daria início ao progresso”, ao tempo em que quando se discutia o aborto, se falava que traria “progresso à civilização”.
“Como se a sociedade pudesse progredir matando um ser vivo, ao qual não se reconhece nenhum direito”, acrescentou o jornal, que vem chamando os políticos, ironicamente, de “netos do progresso”.
A publicação assinala que a pesquisa com células-tronco vem sendo apresentada como a “entrada no espaço da pesquisa”, e que por isso, para ser um país moderno, “é preciso pesquisar com os embriões”. ‘O governo decidiu ficar ao lado da maioria no Conselho de ministros europeus, votando a favor da experimentação com células-tronco”, disse o jornal.
O “L’Osservatore Romano” cita as afirmações de vários deputados conservadores italianos, entre eles o ex-ministro Rocco Buttiglione, que classifica o acordo de Bruxelas como “hipócrita e inaceitável”. O ex-ministro considera que o acordo aprovado pela UE não financiará diretamente a destruição de embriões, mas a pesquisa sobre linhas embrionárias derivadas da destruição de embriões.
“Um laboratório privado poderia destruir os embriões para obter linhas de células para vender aos pesquisadores que se aproveitarem do financiamento europeu”, diz Buttiglione. Segundo o jornal da Santa Sé, trata-se de um “comércio macabro”.
As críticas do Vaticano foram respondidas imediatamente por políticos da coalizão governamental italiana, como o socialista Roberto Villetti, que acusa o Vaticano de tentar “frear qualquer idéia de progresso”. Villetti acrescentou que a posição do jornal lembra a dos tempos de Galileu.
O ministro italiano para a Pesquisa Científica, Fabio Mussi, afirmou que o Vaticano “ignora” as práticas correntes neste campo, e considerou o acordo de Bruxelas um “êxito”.
O presidente do Pontifício Conselho para a Vida, Elio Sgreccia, disse nesta terça-feira que o acordo aprovado pela UE é “inaceitável para a Igreja”.
Um sacerdote católico foi considerado culpado por abusar sexualmente de dois adolescentes com problemas mentais que estavam sob sua responsabilidade em uma instituição de auxílio a pessoas carentes.
A decisão unânime foi adotada pelo tribunal da cidade de Rancagua, 88 km ao sul de Santiago, que condenou o religioso Jorge Galaz, 42, ex-diretor do Lar Pequeno Cottolengo.
Segundo a sentença, a violação foi cometida contra dois adolescentes com problemas mentais, que tinham 13 e 17 anos na época em que os crimes ocorreram.
A condenação do religioso será divulgada nos próximos dias. O Ministério Público pediu a pena máxima para este tipo de crime, ou seja, 15 anos de reclusão.
A defesa de Galaz alegou sua inocência até o último minuto, argumentando que não acreditava que houvesse ocorrido algum abuso, o que foi descartado pelo promotor Luis Toledo e pelo tribunal.
O caso chocou a cidade de Rancagua, mas a Igreja Católica preferiu aguardar o desenvolvimento do processo antes de se manifestar.
Durante o processo, o sacerdote alegou inocência. “Sou um homem de Deus, entregue de corpo alma. Jamais cometi nenhum crime dos quais me acusam. Não abusei de nenhuma criança”, declarou Galaz há cerca de um mês.
“Estou feliz com a decisão do 18. Concílio Geral de retirar a filiação da Igreja Metodista dos organismos ecumênicos que tenham a presença da Igreja Católica e de grupos não-cristãos, pois ela responde às demandas de muitos pastores e igrejas locais no país”, sustentou o pastor da Igreja Central de Uberlândia, Adonias Pereira do Lago.
“Somos contra a participação dos metodistas em cultos macro-ecumênicos, com católicos e grupos não-cristãos”, disse Pereira do Lago, que foi eleito bispo no Concílio Geral reunido em Aracruz, Espírito Santo, de 10 a 16 de julho, e que é um dos impulsionadores do movimento de avivamento no interior da Igreja Metodista.
Para o novo bispo da 5a. Região Eclesiástica, que abrange o interior de São Paulo, Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Brasília e Mato Grosso do Sul, a participação nesses cultos afastou muitos membros da Igreja Metodista. “Só na 4a. Região Eclesiástica (Minas Gerais e Espírito Santo) perdemos mais de dois mil membros nos últimos meses”, assinalou Pereira do Lago à ALC.
A não-participação em cultos ecumênicos não significa, segundo Pereira do Lago, que os metodistas não estejam dispostos a dialogar e cooperar com outras igrejas. “Na minha região não temos problemas em cooperar com outras igrejas em questões de defesa da vida, de cidadania, de ação social”, argumentou.
O bispo metodista não concorda com alianças espirituais e teológicas. “Entendo que Roma, e muito menos outras religiões, não estão dispostas a caminhar em nossa direção, nem para encontrar-nos no meio do caminho. Roma trata estrategicamente de levar os irmãos separados de volta ao seu redil”, disse Pereira do Lago ao sitio web Metodistas OnLine.
Radical em suas apreciações, o novo bispo não tem dúvida em assinalar que o bispo Adriel de Souza Maia e o pastor Western Clay Peixoto, ambos metodistas e atualmente presidente e secretário executivo do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), devem renunciar a seus cargos. Nos próximos dias, os metodistas terão de comunicar oficialmente a sua retirada do CONIC, organismo ecumênico que conta com a participação oficial de representantes da Igreja Católica.
Consultado se a Igreja Metodista reconsideraria também sua filiação no Conselho Mundial Metodista, que no último domingo, 23 de julho, aderiu à Declaração Conjunta sobre a Doutrina de Justificação pela Fé, Pereira do Lado respondeu: “Com certeza”.
O documento, que reconhece a importância da Doutrina da Justificação pela Fé, um dos pilares da Reforma Protestante, foi assinado pelo Vaticano e pela Federação Luterana Mundial no dia 31 de outubro de 1999, em Augsburgo, Alemanha. Com a assinatura desse documento ficaram revogadas as condenações mútuas entre católicos e protestantes do século XVI.
O bispo metodista disse que o Concílio deverá reunir-se nos próximos meses, pois ficaram pontos pendentes na agenda. Na ocasião, serão apontadas as medidas a tomar a respeito do Conselho Mundial Metodista e outras organizações ecumênicas.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou ontem a liderança da Igreja Católica de atuar como nos tempos da Inquisição por sua rejeição à educação laica no país, que é impulsionada por seu Governo.
“Estou muito preocupado com o comportamento de alguns hierarcas da Igreja Católica; atuam como nos tempos da Inquisição”, afirmou Morales a jornalistas ao sair do Palácio do Governo.
O governante pediu à hierarquia eclesiástica que respeite a liberdade de religião e as crenças nas escolas do país, como propõe um projeto de lei aprovado em um recente congresso educacional e que é impulsionado pelo Governo.
“Somos católicos, o catolicismo será respeitado, a religião como uma disciplina escolar será respeitada, mas também não é para que possam buscar certa ostentação de poder”, acrescentou Morales.
Esta é a primeira vez que o governante socialista lança duras críticas contra a Igreja Católica, com a qual seu ministro da Educação, Félix Patzi, mantém há várias semanas um confronto por impulsionar uma reforma educacional que elimina a supremacia do ensino católico nas escolas.
Com sua declaração, Morales apoiou as críticas que Patzi fez na véspera contra a hierarquia católica, a qual acusou de mentirosa e de propagar a versão de que a educação laica destruirá a Igreja.
Em um ato na cidade sulina de Tarija, onde entregou diplomas a pessoas alfabetizadas durante sua gestão, Patzi pediu ao clero que não minta sobre a reforma educacional e o acusou de estar ao lado da oligarquia e dos ricos “há 514 anos”, em alusão à conquista da América.
“Estão dizendo que vamos destruir a Igreja, suas crenças. Que mentira! Monsenhores, não mintam para o povo, dêem toda a verdade”, disse Patzi em seu discurso em Tarija.
No domingo passado, o cardeal boliviano Julio Terrazas chamou os fiéis católicos a defenderem sua religião e os criticou por terem uma atitude passiva frente ao projeto governamental.
A convocação ecoou nas associações de pais de família e nas escolas privadas da cidade de Santa Cruz, onde nas próximas horas será realizada uma marcha para defender o ensino da religião nas escolas.
Segundo o último censo de população, elaborado em 2001, 56% dos bolivianos professam habitualmente a fé católica; 36,4%, a religião protestante evangélica; e 6,83%, outro tipo de culto também de origem cristã.
No entanto, o estudo assinala que 77% dos cidadãos também declararam seguir a fé católica e 90% disseram que a professavam desde criança.