Bandeiras dos Estados Unidos e da Hungria (Foto: Reprodução/ICC)
Em uma iniciativa conjunta para combater a perseguição religiosa, os Estados Unidos e a Hungria estabeleceram um acordo bilateral em 4 de fevereiro. A colaboração visa a intensificar o apoio a cristãos e indivíduos de fé que enfrentam opressão, com foco especial nas regiões do Oriente Médio e da África Subsaariana.
O Departamento de Estado dos EUA, em comunicado oficial, destacou que o objetivo é facilitar a cooperação em ações de suporte a comunidades que sofrem perseguições, ressaltando que os cristãos são o grupo religioso mais oprimido mundialmente e que tais atrocidades frequentemente permanecem sem resposta.
Segundo a comunicação oficial, a perseguição religiosa representa uma ameaça à segurança dos EUA e um ataque aos valores fundamentais da nação. O governo americano reiterou o apelo aos seus aliados para que se juntem no fornecimento de assistência vital aos ameaçados pela intolerância religiosa, reconhecendo a Hungria como um “líder e defensor de cristãos perseguidos”.
O governo húngaro tem atuado ativamente no auxílio a cristãos perseguidos por meio de seu escritório oficial de Ajuda aos Cristãos Perseguidos e tem promovido eventos durante as Cúpulas Internacionais de Liberdade Religiosa. Embora o acordo abranja o Oriente Médio e a África Subsaariana, detalhes adicionais sobre seu escopo não foram divulgados.
Representantes da International Christian Concern (ICC) consideraram o acordo promissor, com potencial de impacto significativo nas áreas afetadas. A organização expressou o desejo de que os governos envolvidos detalhem em breve os passos concretos que serão tomados para alcançar este objetivo humanitário, ressaltando a urgência do trabalho para as comunidades perseguidas globalmente.
Casal evangelizou no show de Anitta no RJ (Foto: Reprodução/Redes sociais)
A cantora Anitta gerou repercussão nas redes sociais após comentar um vídeo em que um casal cristão tentava evangelizar fãs antes de um de seus shows. Em sua resposta, a artista declarou admiração pela história de Jesus e expressou o desejo de compartilhar com o casal as crenças em orixás e deuses hindus que ela segue, propondo um diálogo inter-religioso. A interação ampliou a discussão sobre os limites da evangelização e a coexistência pacífica entre diferentes manifestações de fé em ambientes de entretenimento.
O casal de influenciadores, Matheus Dalmaso e sua esposa, divulgou a ação, informando que haviam mudado seus planos de participar de um evento cristão para comparecer ao show da artista com o objetivo de compartilhar sua fé. Nas imagens, eles aparecem conversando com fãs na fila para o evento, transmitindo mensagens religiosas. “Íamos no The Send, mas o Senhor nos direcionou a ir pro show da Anitta”, disse Matheus Dalmaso, explicando que a intenção era “lembrar as pessoas de que Jesus morreu a morte delas”.
O vídeo incluía legendas baseadas em trechos bíblicos e afirmava que “Jesus está levantando uma geração batizada por amor e compaixão pelos perdidos”. O conteúdo mostrava uma receptividade ao diálogo por parte de alguns fãs presentes.
Em sua manifestação, Anitta relembrou sua própria experiência em igrejas católicas e declarou apreço pela figura de Jesus. “Adorei! Cantei na igreja católica por anos, adoro a história de Jesus. Quando tem evento de vocês? Quero contar pra vocês as lendas dos orixás e de alguns Deuses Hindus que eu gosto bastante”, escreveu a cantora. Ela também ressaltou a importância do respeito e da abertura para ouvir as crenças alheias. “Você tem que estar disposto a ouvir sobre a religião do outro também”, comentou.
A declaração da cantora abordou a reciprocidade religiosa e a necessidade de escuta ativa entre diferentes crenças, evidenciando a complexidade do encontro entre cultura pop, espiritualidade e a diversidade religiosa em espaços públicos.
As reações ao episódio foram diversas. Nas redes sociais, alguns internautas apoiaram a iniciativa do casal cristão, vendo a evangelização como um chamado religioso. “Sair da zona de conforto não é fácil. Mas poder fazer parte daquilo que Jesus nos chamou a fazer, é exatamente gratificante”, comentou um usuário. Outro internauta adicionou “O mundo crucificou Jesus, é natural que eles tbm não gostem dos cristãos! Mas nós devemos fazer nossa parte e levar Jesus para os que estão com o coração aberto para recebê-lo”.
Por outro lado, críticas surgiram, inclusive de seguidores que se identificam como cristãos. Uma seguidora questionou a abordagem: “Como cristã, não concordo com essa postura, que só mancha a imagem de Cristo. Isso não reflete a forma como Jesus anunciava o Evangelho. Jesus nunca abordou pessoas em ambientes inadequados para impor uma pregação; quando falava com prostitutas, o fazia no contexto adequado, com abertura e dignidade, não por invasão”. Ela argumentou que a pregação exige discernimento e o momento e local apropriados, para não gerar constrangimento.
Diante da repercussão negativa em algumas plataformas, Matheus Dalmaso publicou um novo vídeo esclarecendo a intenção do casal. Ele afirmou que o objetivo não era gerar confronto, mas compartilhar o amor de Deus. “Nós fomos ao show da Anitta não para despejar ódio, mas para compartilhar amor e aquilo que cremos. Nossa intenção era mostrar para aquelas pessoas que existe um Deus que as ama e que as quer”, declarou.
Dalmaso também refletiu sobre a percepção pública dos cristãos, lamentando que a comunidade seja muitas vezes associada a ódio e intolerância. “É triste que muitas pessoas conheçam os cristãos apenas como pessoas que odeiam ou são intolerantes. O Senhor não nos chamou para dizer quem vai para o inferno, mas para amar, servir e demonstrar o evangelho de Jesus”, pontuou.
O influenciador incentivou os seguidores a não desistirem de compartilhar sua fé, mesmo diante de perseguições. “Quem convence não somos nós, mas o Espírito de Deus. Então, irmão, pregue, mesmo que haja perseguição, mesmo que as pessoas não aceitem. Continue pregando o evangelho, mesmo quando você não vê resultados”, concluiu.
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a comemoração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada no último sábado (7), em Salvador, provocou forte repercussão política e reações imediatas de líderes religiosos e parlamentares da oposição.
Durante o discurso, que circulou amplamente nas redes sociais, Lula afirmou que “90% dos evangélicos recebem benefícios do governo” e defendeu que militantes e lideranças de esquerda passem a dialogar diretamente com esse segmento da população. Segundo o presidente, o partido não deve esperar apoio espontâneo de pastores ou lideranças religiosas. “Nós não podemos esperar que um pastor fale bem de nós. Temos que ir lá e conversar”, declarou.
A fala ocorreu no Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio, durante o encerramento de um encontro partidário que reuniu ministros, parlamentares e militantes ao longo de três dias. Parte da programação aconteceu no Hotel Fiesta, no bairro de Itaigara. No mesmo discurso, Lula afirmou ainda que derrotas eleitorais do PT são resultado de erros internos e defendeu a construção de um novo projeto nacional.
As declarações foram duramente criticadas por integrantes da oposição. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, afirmou que a fala revela uma visão instrumental da fé cristã. Em publicação nas redes sociais, ele acusou o governo de tratar evangélicos como uma base eleitoral dependente do Estado e de utilizar políticas públicas como forma de influência política.
Segundo Cavalcante, associar religião a benefícios sociais e voto a uma lógica de barganha demonstra desprezo pela autonomia dos cidadãos e pela liberdade de consciência religiosa.
Líderes religiosos também reagiram. O pastor Silas Malafaia classificou o presidente como “Pinóquio” e acusou Lula de manipular dados. De acordo com ele, a afirmação de que 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo não corresponde à realidade e representaria uma tentativa de inflar números para enganar a população.
O deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos-RS) afirmou que a fala busca desqualificar um grupo que, segundo ele, historicamente mantém posição crítica ao projeto político do PT. Para o parlamentar, a declaração reforça a tentativa de estigmatizar evangélicos como eleitores movidos exclusivamente por interesses econômicos.
Já o pastor e teólogo Franklin Ferreira classificou a declaração como “profundamente cínica”. Em manifestação pública, ele afirmou que o cristianismo não se fundamenta em benefícios estatais, mas em valores como trabalho, família e responsabilidade moral. “Cristãos não são massa de manobra. Quando o Estado passa a tratar a fé como curral, ainda existem ovelhas que reconhecem outro Pastor”, declarou em suas redes sociais.
A polêmica ocorre em meio a recentes gestos do governo federal em direção ao segmento evangélico, como o decreto assinado em dezembro que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural nacional. Ainda assim, as reações ao discurso do presidente indicam que a relação entre o PT e a comunidade evangélica permanece marcada por desconfiança e tensão política.
Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026. (Foto: Reprodução/YouTube/Cazé TV).
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026, realizada na sexta-feira (6), gerou intensa repercussão nas redes sociais após internautas associarem elementos do espetáculo a supostos símbolos satânicos.
O evento principal aconteceu no Estádio San Siro, em Milão, com apresentações simultâneas em Livigno, Predazzo e Cortina d’Ampezzo, regiões que também sediam as competições. A polêmica ganhou força no momento final da cerimônia, quando a campeã olímpica italiana Sofia Goggia, última portadora da tocha, acendeu a Pira Olímpica em Milão.
A estrutura, em formato de globo dourado, chamou atenção por conter um pentagrama invertido em seu desenho. Usuários nas redes sociais afirmaram ainda que, à medida que o globo se expandia e se contraía, outras formas semelhantes a pentagramas surgiam durante a movimentação da peça.
Além disso, parte do público interpretou a aparência da pira como semelhante a uma custódia católica — objeto litúrgico utilizado na Igreja Católica para expor a hóstia consagrada — e considerou o acendimento da chama um gesto simbólico de sacrilégio.
Após o acendimento da pira, o cenário foi transformado com efeitos visuais que incluíram fogo, iluminação vermelha intensa e fogos de artifício, o que reforçou, segundo críticos, a associação com imagens do inferno. Também houve questionamentos sobre a decisão de acender duas piras olímpicas simultaneamente, uma em Milão e outra em Cortina d’Ampezzo, interpretação que alguns internautas classificaram como ritualística.
Referências artísticas e explicação oficial
A Pira Olímpica foi projetada pelo diretor criativo italiano Marco Balich, em colaboração com a empresa Fincantieri. Construída com alumínio aeronáutico leve, a estrutura possui 4,5 metros de altura e é composta por 1.440 componentes.
De acordo com documentos oficiais do projeto, o design foi inspirado na geometria renascentista e nos chamados “nós” entrelaçados presentes nos cadernos de Leonardo da Vinci. O movimento da esfera teria como objetivo simbolizar unidade e transformação, enquanto a coloração dourada foi concebida como uma homenagem ao sol, tradicionalmente associado à vida e à renovação.
A cerimônia também apresentou referências visuais à obra Divina Comédia, de Dante Alighieri, especialmente aos cantos que descrevem o inferno, elemento que já havia sido antecipado pelos organizadores como parte do conceito artístico do espetáculo.
Segundo o comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026, a decisão de acender dois caldeirões simultaneamente teve motivações artísticas e logísticas, sem qualquer conotação religiosa ou ritualística.
Pastor Bipin Bihari Naik na rua sendo agredido pelos hindus, na Índia (Foto: Morning Star News)
Sob o olhar atento da polícia, uma multidão de nacionalistas hindus na Índia submeteu um pastor a uma brutalidade desumanizante, danificando sua audição no processo, enquanto tentavam forçá-lo a adorar uma divindade hindu.
Em 4 de janeiro, uma multidão de 150 moradores da vila conduziu o pastor Bipin Bihari Naik, de 35 anos, que estava enfeitado com guirlandas, como se fosse uma vaca, amarrando suas sandálias em volta do pescoço e obrigando-o a caminhar sobre espinhos enquanto o agrediam e o desfilavam pelas ruas da vila de Parjang, distrito de Dhenkanal, estado de Odisha.
Além de o amarrarem a um templo hindu e o obrigarem a entoar cânticos hindus, tentaram fazê-lo beber água misturada com esterco de vaca, disseram as fontes.
O pastor Naik, que sofreu uma lesão que afetou sua audição em um dos ouvidos, disse que sobreviver ao incidente foi um milagre, pois tinha certeza de que seria morto.
“Quando meu sofrimento não parou e a polícia não demonstrou nenhuma intenção de me resgatar, entreguei meu espírito a Jesus, sabendo que eles me matariam”, disse o pastor Naik ao Morning Star News.
A multidão disse estar indignada porque o pastor estava convertendo hindus ao cristianismo, o que não é crime na Índia.
O pastor Naik lidera uma igreja doméstica na vila de Parjang há quase dois anos, desde que se mudou para lá há oito anos.
Cerca de 15 minutos após o início do culto de 4 de janeiro, aproximadamente 40 pessoas, lideradas por membros do Bajrang Dal, o braço jovem do grupo extremista hindu Vishwa Hindu Parishad (VHP), juntamente com vigilantes de vacas, invadiram a casa. Os autoproclamados vigilantes de vacas, que se intitulam Gau Rakshaks (protetores de vacas), frequentemente fazem justiça com as próprias mãos para proteger as vacas, consideradas sagradas pelos hindus.
A multidão chamou o pastor Naik para fora de casa, mas como ele não saiu imediatamente, invadiram a casa, “me agarraram pela gola, me arrastaram para fora e começaram a me bater”, disse ele.
Segundo ele, a multidão não fez acusações nem exigências, mas começou a agredi-lo imediatamente. Quando o pastor Naik tentou tirar o celular do bolso para entregá-lo à esposa para que ela pudesse chamar a polícia, um dos agressores o atingiu na perna com uma vara de bambu, quebrando o aparelho que estava em seu bolso.
Sua esposa, Bandana Naik, e suas filhas, de 13 e 10 anos, testemunharam a multidão que cercou o pastor Naik e o agrediu.
“Quando vi que os agressores não estavam dispostos a conversar e estavam determinados a atacar meu marido sem motivo, peguei meus filhos e fugi por uma porta dos fundos”, disse Bandana Naik ao Morning Star News . “Corri direto para a delegacia mais próxima e cheguei lá em cerca de 15 minutos.”
Dois homens da congregação tentaram intervir, e a multidão também os atacou. O pastor Naik pediu à congregação — sete famílias e seus filhos — que fugisse, e eles conseguiram escapar.
Na delegacia, os policiais disseram à esposa do pastor Naik que primeiro apresentasse um boletim de ocorrência por escrito sobre a agressão, algo que ela indicou ser incapaz de fazer.
“Implorei para que agissem rapidamente e salvassem meu marido, mas eles insistiram que eu deveria escrever primeiro”, disse Bandana Naik.
Ela não teve outra escolha senão procurar alguém que redigisse o boletim de ocorrência por ela, e encontrou alguém a quem relatou o ataque. Após entregar a queixa por escrito, Bandana Naik implorou novamente à polícia que resgatasse seu marido, mas eles disseram que a viatura estava em patrulha e que teriam que esperar.
“Eu estava muito ansiosa, esperando que a polícia fizesse alguma coisa, mas eles esperaram”, disse ela.
Entretanto, a multidão que agredia o Pastor Naik o arrastou para o centro da aldeia e informou a todos os presentes que ele havia estado “envolvido na conversão de todos os aldeões inocentes ao cristianismo”, disse ele.
Em seguida, levaram-no a um templo próximo dedicado a Hanuman, uma divindade meio macaco, meio humana da mitologia hindu, e amarraram suas mãos atrás das costas a um poste no recinto do templo.
O grupo, agora com 150 membros, chutou, deu tapas, empurrou e puxou o pastor Naik, incluindo um jornalista de um jornal de língua odia que o insultou com linguagem vulgar e incitou a multidão a continuar a agredi-lo, disse o pastor.
Os tapas repetidos fizeram seu rosto inchar enquanto outros o chutavam nas costas. A cada chute que recebia, ele caía no chão e as mãos do Pastor Naik começavam a sangrar devido à tensão das ligaduras que o prendiam ao poste.
“Eles me bateram 40 vezes com varas de bambu, e minha audição ficou afetada por causa das centenas de tapas”, disse o pastor Naik, cujo ouvido começou a drenar pus nos dias seguintes.
“Alguém da multidão misturou água com esterco de vaca e tentou me obrigar a beber, mas eu fechei os lábios e não deixei entrar na minha boca”, disse ele.
Os policiais que patrulhavam a área voltaram à delegacia para relatar o ataque, mas dois policiais que foram resgatar o Pastor Naik retornaram dizendo que ele não estava em lugar nenhum. O Pastor Naik disse que ficou aliviado ao ver a polícia se aproximando, mas eles deram meia-volta e foram embora.
Ele desistiu de toda a esperança e se preparou para entregar seu espírito a Deus, disse ele.
Os agressores então o desamarraram e o levaram para perto da efígie da divindade Hanuman.
“Eles sujaram meu rosto com vermelhão de açafrão e forçaram meu rosto e corpo diante da divindade, fazendo-me curvar como se estivesse em adoração”, disse ele.
O açafrão é considerado um pó sagrado associado ao culto de Hanuman.
Os agressores exigiram que o Pastor Naik entoasse os slogans hindus “Jai Shri Ram [Salve o Senhor Ram]”, mas o Pastor Naik disse “Jai Yeshu [Salve Jesus]”, e eles o agrediram ainda mais, segundo ele. A multidão então fez uma guirlanda de chinelos, colocou-a em volta do pescoço dele e o desfilou descalço pela aldeia.
“Um deles disse: ‘Jesus foi feito para andar sobre espinhos, então vamos tratá-lo da mesma forma’, e eles foram, pegaram galhos de arbusto com espinhos longos e afiados, espalharam-nos pela estrada e me obrigaram a andar sobre eles”, disse o pastor Naik.
Enquanto o arrastavam pela rua, a multidão passou pela mesma delegacia onde sua esposa ainda aguardava ansiosamente que os policiais resgatassem o marido. Sem demonstrar qualquer medo da polícia, os nacionalistas hindus continuaram a desfilá-lo impunemente, disse ele.
Após percorrerem toda a aldeia, a multidão trouxe o pastor Naik de volta e o amarrou no templo hindu.
“Insisti em acompanhar a polícia e mostrar-lhes onde meu marido estava”, disse Bandana Naik.
Ela entrou na viatura policial e o encontraram amarrado a um poste no templo hindu. Já passava das 14h quando a polícia resgatou o pastor.
“Esperei duas horas e meia pelo resgate na delegacia enquanto meu marido sofria o ataque horrível”, disse Bandana Naik.
Falhas policiais
Ao deterem o pastor Naik sob custódia protetiva, os policiais expressaram surpresa com seu estado, dizendo: “Pensávamos que a multidão já teria quebrado suas mãos e pernas. Esperávamos ter que carregá-lo em uma maca, mas você parece bem”, segundo o pastor.
A esposa do policial disse que ele não foi levado imediatamente ao hospital para receber tratamento. Os agentes se recusaram a registrar seu Boletim de Ocorrência (BO), obrigando-o a redigir uma petição afirmando que “a multidão interpretou mal minhas atividades e me confundiu com alguém que realizava conversões ilegais na aldeia, e por isso me atacou”, relatou ele.
“A polícia ameaçou abrir um processo contra mim e me prender se eu me recusasse a obedecer”, acrescentou o pastor Naik.
Segundo ele, os policiais exigiram que ele assinasse documentos, incluindo algumas folhas em branco.
Quando um líder cristão chegou para ajudar, encontrou “o rosto de Naik inchado, manchado com tinta açafrão, sem calçados nos pés e com as duas mãos sangrando”.
“Ele não conseguia enxugar o rosto nem fechar os botões da camisa, pois suas mãos estavam cobertas de sangue e ele sentia muita dor”, disse a fonte sob condição de anonimato. “A polícia não se importou e não lhe prestou os primeiros socorros, nem lhe ofereceu um copo d’água.”
Quando o líder cristão perguntou à polícia o motivo da demora no resgate do pastor Naik, um policial respondeu: “Somos apenas quatro policiais, e havia uma multidão enorme; como poderíamos resgatá-lo? Além disso, Naik está envolvido em conversões religiosas, como vocês esperam que o protejamos?”, disse a fonte.
Um policial então começou a contar ao líder cristão sobre o tratamento que os hindus estão recebendo em Bangladesh, como serem queimados vivos.
“Fiquei chocado com o ódio que se instalou nos corações das forças de segurança, que deveriam proteger as pessoas de forma imparcial”, disse o líder cristão. “Queria questioná-lo sobre o motivo de estar acertando contas com um cristão aqui na Índia, referentes ao tratamento dado aos hindus em Bangladesh.”
A polícia não forneceu nenhum boletim de ocorrência para o pastor levar ao hospital para receber tratamento, disse a fonte.
“Na verdade, a polícia recebeu por escrito de líderes cristãos que o pastor Bipin seria retirado da delegacia em boas condições de saúde”, disse ele.
Temendo serem seguidos, os líderes cristãos levaram ele e sua família de carro por 25 quilômetros (16 milhas) da aldeia até a casa de seu irmão, por uma rota diferente. Depois que o pastor Naik se lavou e se recompôs, eles o levaram a um hospital, onde não contaram ao médico que ele havia sido agredido por uma multidão, “caso contrário, o médico teria pedido um boletim de ocorrência, que não nos foi fornecido”, disse o líder.
O pastor Naik sentia fortes dores nas costas e nas pernas.
“O médico aplicou algumas injeções em Naik para aliviar suas dores no corpo, fez curativos em seus ferimentos abertos e receitou antibióticos para as feridas”, disse a fonte.
Só mais tarde o Pastor Naik percebeu que sua audição havia sido afetada pelos golpes em seu rosto, e “havia secreção purulenta constante em um dos meus ouvidos”, disse ele. Ele estava medicado e talvez precisasse fazer uma tomografia computadorizada do ouvido, acrescentou.
Cerca de 30 líderes cristãos compareceram ao gabinete do Superintendente de Polícia em 12 de janeiro e apresentaram uma solicitação para registrar uma queixa formal. O superintendente encaminhou a solicitação à delegacia de polícia de Parjang, o que levou ao registro do Boletim de Ocorrência nº 0041, datado de 13 de janeiro, contra Nigamananda Dalbehera e 20 pessoas não identificadas, com base na Lei Bharatiya Nyaya Sanhita (BNS), de 2023, pelos crimes de “lesão corporal”, “restrição ilegal”, “reunião ilegal”, “tumulto”, “porte de arma letal” e “intimidação criminosa”.
O pastor e sua família se mudaram para um local não divulgado a 71 quilômetros da vila e planejam nunca mais voltar.
“Foi uma decisão difícil para nós, como família, deixar nossa casa lá, mas estamos tristes porque os moradores da vila conspiraram e a polícia estava em conluio com eles, daí a decisão”, disse o pastor Naik ao Morning Star News.
Os agressores abordaram o proprietário do imóvel e o ameaçaram com graves consequências caso ele permitisse o retorno da família.
“Minhas duas filhas viram quando me bateram”, disse o pastor Naik. “Elas ficaram traumatizadas, não conseguiram dormir por quatro noites e ficaram três dias sem comer. Minha filha mais nova repetia sem parar: ‘Eles bateram no meu papai’”.
Ele já havia sofrido agressões três vezes, mas nenhuma tão grave quanto neste caso, afirmou.
“Os moradores locais diziam: ‘Como um menino pode viver entre nós, ficar na aldeia e ensinar o cristianismo?’”, disse ele. “Mas a verdade é que eu só discipulei aqueles que acreditavam em Jesus; eu não forcei ninguém.”
O pastor disse estar grato a Deus por tê-lo salvado.
“Jesus suportou tanto sofrimento por nós; meu sofrimento não é nada comparado ao sofrimento do meu Senhor”, disse Naik.
O tom hostil do governo da Aliança Democrática Nacional, liderado pelo partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party, contra os não-hindus encorajou extremistas hindus em várias partes do país a atacar cristãos desde que o primeiro-ministro Narendra Modi assumiu o poder em maio de 2014, afirmam defensores dos direitos religiosos.
A Índia ficou em 12º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização de apoio cristão Portas Abertas, que classifica os países onde é mais difícil ser cristão, subindo da 31ª posição em 2013, antes de Modi chegar ao poder.
Folha Gospel com informações de The Christian Post e Morning Star News
Crianças com Bíblias nas mãos (Foto: Reprodução/Canva IA)
Noy*, de 31 anos, é pai de dois filhos e cresceu em uma comunidade animista no Laos, onde rituais e magia negra fazem parte da rotina diária. A família de Noy seguia essas tradições ancestrais, acreditando que as oferendas aos espíritos trariam proteção e bênçãos.
Tudo mudou quando o avô de Noy, um dos únicos cristãos da comunidade, lhe apresentou o evangelho. Após as pregações e as orações do avô, toda a família deixou as crenças animistas e se converteu ao cristianismo em 2003.
Depois disso, o número de cristãos na comunidade cresceu rapidamente. Cerca de metade das famílias se tornaram cristãs, mas esse crescimento chamou a atenção das autoridades locais.
Os chefes do vilarejo ordenaram que todos os cristãos renunciassem à fé. Eles se recusaram a abandonar a Cristo, mas pagaram um alto preço por isso. Um dos primeiros alvos das autoridades foi o pai de Noy, um respeitado líder cristão na comunidade.
Seus vizinhos, sob ordens dos chefes do vilarejo, marcavam reuniões com ele, sempre oferecendo-lhe alguma bebida, em um plano para envenená-lo. Até que o plano funcionou e o líder cristão morreu envenenado.
“Não tenha medo”
O luto de Noy se transformou em determinação. Seu pai o ensinou a amar ao Senhor e permanecer firme na fé a todo custo. “Não tenha medo daqueles que matam o corpo, porque eles não podem matar o espírito”, repetia ele. Essas palavras se tornaram o alicerce de Noy.
Em 2010, policiais e membros da comunidade confiscaram animais, campos de arroz e plantações dos cristãos. Depois disso, as famílias cristãs foram excluídas dos registros do vilarejo, o que invalidava seus documentos e as impedia de usar serviços públicos, como hospitais.
Nem todas as famílias resistiram às pressões e algumas acabaram abandonando o cristianismo. “Apenas 11 famílias cristãs permaneceram na fé. A perseguição nunca tinha fim”, conta Noy. Ainda em 2010, soldados armados cercaram as casas dos cristãos e os ameaçaram, dizendo que, se não abandonassem a fé, seriam expulsos. Quando as famílias se negaram a desistir do Senhor, suas casas foram destruídas, uma após a outra.
Os cristãos foram expulsos do vilarejo e, nos anos seguintes, se viram obrigados a abandonar seus abrigos mais algumas vezes. Em 2024, Noy recebeu um direcionamento do Senhor em favor das crianças. No Laos, há escolas onde as crianças cristãs são obrigadas a sentar-se no chão ou até mesmo são proibidas de frequentar as aulas.
Pensando nisso, Noy começou a dar aulas de alfabetização para crianças sem acesso à educação, usando a Bíblia como base para o ensino do idioma. Recentemente, nossos parceiros locais conheceram seu ministério e doaram mesas e cadeiras para equipar a sala de aula de Noy.
Bandeira da Coreia do Norte (Foto: Folha Gospel/Canva)
Jang* é um cristão que vivia em Changbai, uma cidade chinesa próxima à fronteira com a Coreia do Norte. Antes de ser preso, ele era conhecido por oferecer ajuda humanitária aos cidadãos norte-coreanos que cruzavam a fronteira com a China em busca de comida, medicamentos e abrigo temporário. Além disso, Jang compartilhava sua fé em Jesus com aqueles que o procuravam regularmente.
O cristão foi visto pela última vez em novembro de 2014. Ao receber ligações de pessoas pedindo ajuda, ele foi a um rio próximo à fronteira para encontrar os necessitados, mas não voltou. Jang foi levado até a Coreia do Norte, onde foi sentenciado a 15 anos de prisão sob acusações de “difamação do regime” e “tentativa de incitar a subversão”, ambas embasadas em seu trabalho evangelístico entre os refugiados norte-coreanos.
Esse caso atraiu atenção internacional, especialmente após a morte do pastor Han Chung-Ryeol*, colega de ministério de Jang, em 2016. Recentemente, o Prisoner Alert reportou que Jang foi solto no dia 5 de novembro de 2025. Sua soltura é emblemática, pois indivíduos detidos por motivos religiosos raramente retornam para casa ou são libertos antes do fim da pena. De acordo com fontes locais, Jang está se recuperando ao lado de sua família na China, mas está mental e fisicamente exausto.
É sabido que três missionários sul-coreanos seguem presos na Coreia do Norte devido ao seu ministério próximo à fronteira. Eles estão na cadeia há anos, e o governo da Coreia do Norte não revelou nenhuma informação sobre o estado atual desses prisioneiros. Seus nomes nunca foram oficialmente divulgados.
A Portas Abertas estima que entre 50 mil e 70 mil cristãos norte-coreanos estejam presos em campos de trabalho forçado e prisões. A maioria foi presa apenas por possuir uma Bíblia, participar de algum culto ou entrar em contato com cristãos estrangeiros.
As condições de vida nesses campos e prisões são geralmente descritas como precárias e, geralmente, letais. Simon Lee*, da equipe da Portas Abertas na região, diz que “a liberdade de Jang deve nos incentivar a continuar orando. Não pensávamos que ele sobreviveria, mas ele voltou para casa. Vamos orar para que os muitos cristãos atualmente detidos também sejam soltos”.
Há outros cristãos que ainda hoje exercem ministério similar ao de Jang, de encontrar e socorrer refugiados norte-coreanos na China. Com sua doação, a Portas Abertas apoia ministérios como esse, oferecendo alimento, abrigo e cuidado pastoral para refugiados norte-coreanos. Contribua e seja parte da história de transformação dessas vidas.
Na última quinta-feira (5), o governador do estado de Kaduna, Uba Sani, anunciou que as vítimas foram libertadas, segundo a AP News.
Ele não deu detalhes da operação. Para alguns analistas, as autoridades pagam resgates em troca da libertação em certas situações.
Os mais de 170 crentes foram raptados por homens armados em ataques simultâneos em três igrejas em Kaduna: Igreja Evangélica Vencedora de Todos (ECWA), igreja Querubins e Serafins e uma igreja católica.
O ataque em janeiro foi o mais recente sequestro em massa em meio a onda de violência de grupos extremistas na Nigéria.
Grupos armados da etnia fulani, de maioria muçulmana, atuam principalmente nas regiões norte e central do país, promovendo violência contra comunidades cristãs e realizando sequestros para exigir resgates.
Em dezembro de 2025, o governo norte-americano realizou ataques militares no estado de Sokoto, visando um grupo ligado ao Estado Islâmico na área.
A maioria dos 4.849 cristãos mortos no último ano eram nigerianos, segundo a Lista. No período analisado – entre 1 de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025 – a Nigéria permanece como o país mais letal para cristãos.
Dos 4.849 cristãos mortos no mundo por causa da fé no período analisado, 3.490 eram nigerianos — um aumento em relação aos 3.100 do ano anterior e 72% do total.
Culto em uma igreja na América Latina (Foto: Pexels)
As mulheres continuam a ser maioria em termos de crença e prática religiosana maioria das sociedades, mesmo quando a fé promove papéis de gênero tradicionais que limitam suas liberdades sociais, econômicas e legais.
Esse paradoxo é explorado em uma nova pesquisa do professor Sascha Becker, da Universidade de Warwick, ao lado dos coautores Jeanet Sinding Bentzen, da Universidade de Copenhague, e Chun Chee Kok, da Université Catholique de Louvain.
O estudo, intitulado “Gênero e Religião: Uma Pesquisa” , foi publicado no Journal of Demographic Economics e surge em um momento de significado simbólico para o cristianismo, com a Igreja da Inglaterra nomeando sua primeira arcebispa de Canterbury.
Sintetiza décadas de pesquisa em economia, sociologia e psicologia para examinar duas questões interligadas: por que as mulheres são mais religiosas do que os homens e como a religião molda a vida das mulheres social e economicamente.
Com base em dados de pesquisas realizadas em todo o mundo, os autores confirmam um padrão consistente: as mulheres tendem mais do que os homens a se identificar com uma tradição religiosa, a orar regularmente e a descrever a fé como central em suas vidas diárias. Isso se mantém em diferentes países, culturas e na maioria das principais religiões.
A maior probabilidade de mulheres cristãs se envolverem em oração pode ser atribuída à “maior expressividade emocional das mulheres e aos seus papéis de cuidadoras”.
O estudo analisa uma ampla gama de explicações propostas ao longo do tempo, uma delas com foco nos papéis econômicos. Pesquisas da década de 1970 sugeriram que a participação religiosa estava historicamente ligada à esfera doméstica, onde as mulheres passavam mais tempo.
Evidências de dados mais recentes sobre o uso do tempo apontam para níveis mais baixos de prática religiosa entre mulheres que trabalham fora de casa, reduzindo — mas não eliminando — a diferença entre os gêneros.
Outra explicação centra-se nas atitudes em relação ao risco. Já no século XVII, o filósofo Blaise Pascal argumentava que a crença em Deus era uma escolha racional porque não acarretava desvantagens em caso de erro e oferecia recompensa infinita em caso de acerto.
Pesquisas modernas mostram que as mulheres, em média, são mais avessas ao risco do que os homens, o que pode tornar a crença religiosa mais atraente.
As comunidades religiosas também funcionam como uma rede de segurança social, protegendo os indivíduos contra choques econômicos e pessoais.
Uma terceira perspectiva destaca o que chamam de “compensação pela privação”. Em sociedades onde as mulheres enfrentam barreiras ao status, ao emprego ou à influência pública, as comunidades religiosas podem proporcionar significado, reconhecimento e oportunidades de liderança que, de outra forma, lhes seriam negadas.
Os autores apontam para casos históricos, incluindo a Coreia do início do século XX, onde o envolvimento das mulheres na liderança cristã estava ligado a uma maior participação feminina na educação e na vida pública.
Outras explicações relacionam-se com o ciclo de vida e padrões sociais como gravidez, parto e cuidados, que muitas vezes estão associados a um envolvimento religioso mais profundo, enquanto a maior expectativa de vida das mulheres significa que elas estão mais representadas em faixas etárias mais avançadas e religiosas.
Constatou-se que as disparidades de gênero diminuem em consonância com os graus de modernização, secularização e igualdade de gênero. No entanto, o estudo revela que “a disparidade não desaparece completamente – mesmo em países altamente seculares, as mulheres continuam sendo mais religiosas do que os homens”.
“Os potenciais efeitos da socialização também são evidentes na forma como a religiosidade muda com o estado civil: estudos frequentemente constatam que mulheres casadas são mais religiosas do que mulheres solteiras, possivelmente porque o casamento e a maternidade elevam a expectativa social de envolvimento religioso (ser uma ‘boa mãe’ pode ser visto como algo que se alinha com a criação religiosa dos filhos)”, afirmou o estudo.
Os autores também destacam o papel da “concorrência secular”: os homens são mais propensos a substituir a participação religiosa por atividades comunitárias não religiosas — como esportes ou clubes sociais — especialmente quando estas competem com o tempo tradicionalmente dedicado ao culto.
Além de explicar a participação religiosa, a segunda metade do artigo examina como a própria religião afeta os resultados das mulheres.
Os pesquisadores se concentram em estudos que utilizam métodos empíricos rigorosos — como experimentos naturais, mudanças de políticas e intervenções randomizadas — para isolar os efeitos da religião de fatores culturais ou econômicos mais amplos.
As evidências mostram que a religião continua a influenciar uma ampla gama de resultados para mulheres e meninas. Isso inclui o acesso à educação, o momento do casamento, a participação no mercado de trabalho, os direitos reprodutivos, a fertilidade e até mesmo o nascimento de meninas em sociedades com forte preferência por filhos homens.
As ideias religiosas também moldam as leis e as políticas públicas, seja diretamente por meio da doutrina, seja indiretamente por meio de sua influência sobre os legisladores. O impacto, no entanto, não é uniforme, o que significa que a religião pode tanto reforçar a desigualdade quanto se tornar uma força para o empoderamento das mulheres.
Eles documentam casos em que movimentos religiosos apoiaram o avanço das mulheres, como as primeiras campanhas protestantes para promover a alfabetização, para que todos os fiéis pudessem ler as escrituras. No extremo oposto, o regime talibã no Afeganistão é um exemplo de como a religião pode ser usada para justificar a exclusão total de mulheres e meninas da educação.
O estudo também aponta para uma mudança geracional. A diferença entre a religiosidade de homens e mulheres é maior entre as gerações mais velhas e parece estar diminuindo entre os adultos mais jovens na Austrália, Europa e América do Norte.
Parte dessa mudança tem sido associada ao crescimento de congregações que promovem ideias altamente patriarcais de masculinidade e formas de nacionalismo cristão.
O professor Becker afirmou: “Uma questão importante, sobre a qual as evidências estão apenas começando a surgir, é se a disparidade de gênero diminuirá à medida que as sociedades se modernizam e se secularizam, ou se fatores mais profundos continuarão a atrair as mulheres para a fé.”
Ele prosseguiu: “A participação das mulheres no mercado de trabalho formal, seus direitos reprodutivos e seus direitos e responsabilidades legais ainda são moldados abertamente por ensinamentos religiosos e indiretamente pela influência da fé sobre os legisladores.
“Nesse contexto, é claramente um enigma que as mulheres sejam, em média, mais religiosas do que os homens, apesar da maioria das religiões promover e consolidar normas patriarcais que lhes impõem custos e fardos significativos.”
Ele acrescentou: “Embora a pesquisa que analisamos ofereça explicações parciais, nenhuma teoria ou estudo isolado explica esse paradoxo.”
Folha Gospel com informações de The Christian Today
Bandeira da Turquia em uma igreja (Foto: Canva Pro)
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos abriu processos em 20 casos envolvendo cristãos impedidos de retornar à Turquia após serem considerados ameaças à segurança nacional. Os indivíduos, em sua maioria residentes estrangeiros, afirmam que tiveram a entrada ou residência negada unicamente por praticarem pacificamente sua fé.
Segundo o grupo de defesa jurídica ADF International, o governo turco tem usado códigos internos como “N-82” e “G-87” para emitir proibições de entrada ou negar a renovação de vistos a pelo menos 160 cristãos estrangeiros desde 2019.
A maioria das pessoas afetadas não tinha antecedentes criminais nem histórico de atividades ilícitas. Em vários casos, o único elo comum era o envolvimento público em cultos ou ministérios cristãos, incluindo pastores, professores e missionários.
O tribunal europeu comunicou formalmente os casos em uma ação conjunta, sinalizando que os casos são suficientemente semelhantes para serem examinados em conjunto. A Turquia foi solicitada a apresentar suas observações em resposta.
“O culto pacífico e a participação na vida da igreja não representam ameaças à segurança nacional”, afirmou Lidia Rider, assessora jurídica da ADF International.
David Byle, um pastor cristão que viveu na Turquia por 19 anos, estava entre os que foram forçados a deixar o país após serem marcados com um código. Outros incluem Pam e Dave Wilson, que serviram no país por quase quatro décadas, e um casal identificado como Rachel e Mario Zalma, que receberam a designação N-82 após participarem de uma conferência da igreja.
A ADF International afirmou que representa diretamente quatro requerentes nos processos e apoia quase todos os demais. O grupo também realizou oficinas com advogados turcos e apresentou artigos acadêmicos alegando violações sistêmicas dos direitos religiosos.
“Esses não são erros isolados ou decisões pontuais”, disse Kelsey Zorzi, diretora de Liberdade Religiosa Global da ADF International.
Cristãos estrangeiros de países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Coreia do Sul, América Latina e outras partes da Europa tiveram seus vistos negados ou foram deportados nos últimos anos. Muitos haviam vivido na Turquia com suas famílias por longos períodos e não possuíam antecedentes criminais ou processos judiciais pendentes.
O Relatório de Violações dos Direitos Humanos de 2024, da Associação das Igrejas Protestantes, documentou 132 pessoas arbitrariamente rotuladas com códigos de proibição de entrada, unicamente por causa de sua fé cristã. O relatório estimou o número total de afetados em 303.
O relatório também documentou múltiplos incidentes de violência, intimidação e discriminação contra cristãos em toda a Turquia.
Em dezembro, um indivíduo disparou tiros de um carro em movimento contra o prédio da associação da Igreja da Salvação em Çekmeköy e tentou remover a sinalização da igreja.
Também em dezembro, uma professora cristã de inglês em Malatya foi demitida do emprego sem explicações, depois que um funcionário da escola a advertiu sobre suas atividades religiosas e seus amigos estrangeiros. Sua queixa às autoridades locais foi rejeitada.
Em 2024, igrejas em Kayseri, Bahçelievler e Izmir sofreram incidentes de vandalismo, ameaças ou danos físicos. Outros casos incluíram a recusa de autorizações para distribuição de folhetos e o cancelamento de convites para eventos de Páscoa e Natal.
O relatório da associação protestante acrescentou que o abuso nas redes sociais contra líderes religiosos e membros das congregações também aumentou ao longo do ano.