Com o avanço acelerado da tecnologia, crianças e adolescentes têm sido expostos cada vez mais cedo aos smartphones e às redes sociais. Essa realidade tem gerado debates não apenas sobre saúde mental, mas também sobre como essa nova rotina digital pode afetar a espiritualidade dos mais jovens.
Ted Gioia, escritor e crítico cultural, destacou recentemente que “o número de jovens que leem por diversão está diminuindo”. Segundo ele, as redes sociais estão promovendo conteúdos viciantes que afastam as pessoas de atividades saudáveis como a leitura de livros e momentos de reflexão. Essa mudança impacta diretamente a forma como os jovens consomem informação e vivenciam sua espiritualidade.
Outro estudo do National Literacy Trust aponta que crianças que leem apenas em telas têm significativamente menos chances de desenvolver o gosto pela leitura. Isso levanta uma preocupação: se o hábito de ler está sendo reduzido, como isso impactará o tempo dedicado à leitura da Bíblia e de outros textos que contribuem para o crescimento espiritual?
A influência na vida devocional
Jeffrey S. Siker, autor de Liquid Scripture: The Bible in a Digital World (Escritura Líquida: A Bíblia em um Mundo Digital), refletiu sobre a transição das Bíblias impressas para versões digitais. ” Essa mudança é benigna? Há novos insights significativos que podem resultar do uso de milhões de Bíblias digitais? Há problemas significativos dos quais simplesmente não temos consciência que surgirão à medida que essa transição para a mídia religiosa digital contínua?”, questiona. Siker alerta que a experiência espiritual pode ser alterada pela superficialidade da leitura em telas e pelo risco de os jovens se limitarem a interpretações fragmentadas e distorcidas.
A superficialidade promovida pelos conteúdos rápidos das redes sociais pode prejudicar a capacidade de meditação e oração silenciosa, elementos fundamentais para uma vida cristã equilibrada e madura.
Prevenindo os impactos negativos
Diante desse cenário, muitos pais cristãos têm buscado alternativas para proteger seus filhos. Movimentos como a “educação clássica”, que incentiva o ensino por meio de grandes obras literárias, têm ganhado força. Essa abordagem não apenas fortalece habilidades cognitivas, mas também incentiva princípios e valores que ajudam a moldar uma fé sólida.
Outro exemplo positivo é a iniciativa de pais que decidiram adiar o uso do smartphone por parte dos filhos. Essa decisão visa proporcionar uma infância mais rica em relações reais, brincadeiras ao ar livre e interações sociais presenciais.
Construindo uma relação saudável com a tecnologia
Para ajudar as crianças a desenvolverem uma relação equilibrada com a tecnologia, é essencial que pais e líderes cristãos incentivem momentos de qualidade em família, com espaços dedicados à oração e à leitura da Bíblia.
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6) é um lembrete valioso de que a orientação espiritual desde cedo pode ajudar os jovens a desenvolverem discernimento na forma como utilizam as telas.
Fone: Comunhão com informações de The Christian Today
Com a morte do Papa Francisco, na manhã desta segunda-feira (21), aos 88 anos, em sua residência no Vaticano, em consequência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e saúde debilitada após 37 dias de internação por pneumonia bilateral e insuficiência respiratória, líderes da Igreja Católica analisam os desafios a serem enfrentados pela instituição.
Entre eles está a perda de fiéis, predominantemente para as igrejas evangélicas, conforme destacado em uma reportagem da BBC.
Embora a diminuição católica seja um fenômeno global, no Brasil o crescimento das igrejas evangélicas tem sido notável. Dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em 2000, os católicos representavam 74% da população brasileira. Dez anos depois, esse percentual caiu para 65%.
Além disso, muitos dos que se identificam como católicos o fazem apenas de forma “estatística”, sem envolvimento ativo na vida religiosa.
“A existência do católico não praticante é uma questão cultural brasileira”, diz a antropóloga e historiadora Lidice Meyer Pinto Ribeiro, professora da Universidade Lusófona, em Portugal.
Os dados mais recentes, referentes ao Censo de 2022, estão previstos para serem divulgados somente em junho deste ano.
De acordo com um levantamento mais recente do Datafolha, divulgado em 2020, 50% da população brasileira se identificava como católica, enquanto 31% como evangélica.
“O catolicismo não está perdendo fiéis porque estes se tornam ateus, mas sim porque abraçam um cristianismo mais conservador”, explica o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, editor do jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo.
Conservadorismo
Há, contudo, quem argumente que o conservadorismo católico é, na verdade, o principal fator responsável pela redução no número de seus fiéis.
“As igrejas evangélicas crescendo têm no catolicismo um grande fornecedor de fiéis. A Igreja Católica precisa preservar o que ainda resta, estancar a crise da perda de fiéis”, pontua ele.
O teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, avalia que a Igreja Católica está diante de um desafio duplo: por um lado, vem perdendo a hegemonia com os fiéis migrando para outras denominações; por outro, não pode descuidar daqueles que seguem sendo católicos – é preciso “manter acesa a chama do catolicismo no país, ainda o maior país católico do mundo”.
“As igrejas evangélicas crescendo têm no catolicismo um grande fornecedor de fiéis. A Igreja Católica precisa preservar o que ainda resta, estancar a crise da perda de fiéis”, avalia ele.
Em paralelo, avalia Moraes, a Igreja Católica sofre com a falta de padres e, em um contexto político extremamente polarizado, parece ainda não ter encontrado o ponto certo para se posicionar de forma contundente frente a questões importantes para o século 21.
Placa escrito "Sem Refugiados" e uma bandeira dos EUA em uma cerca na fronteira do país (Foto: Montagem/FolhaGospel)
Membros de uma igreja da Carolina do Norte estão pedindo ao governo Trump que não deporte quase duas dúzias de refugiados cristãos do Afeganistão depois que eles receberam ordens de deixar os Estados Unidos poucos dias antes de seus pedidos de asilo serem ouvidos por um juiz.
Julie Tisdale, uma estudante de seminário que frequenta a Igreja dos Apóstolos em Raleigh, está entre os membros de sua igreja que têm se manifestado em nome dos cristãos afegãos que foram obrigados a deixar o país dentro do prazo que expirou há cerca de uma semana.
“Temos defendido a causa junto a membros do Congresso e senadores”, disse ela em entrevista ao The Christian Post. “Tivemos algumas conversas com a equipe que trabalha com questões de imigração nesses escritórios. Então, em termos de advocacy, eu diria que isso tem sido o principal, assim como algumas questões da mídia.”
Em um artigo de opinião publicado pelo The Christian Post na semana passada, Tisdale lamentou que cristãos afegãos que frequentavam sua igreja tenham recebido e-mails informando que tinham sete dias para deixar o país. Os refugiados em questão chegaram aos EUA depois que a retirada das tropas americanas do Afeganistão levou o Talibã a assumir o controle do país, colocando os cristãos no país sob grave risco de perseguição e tortura.
Tisdale disse que todos esses indivíduos “foram considerados como enfrentando um medo crível e receberam status legal e documentado para estar no país, obter autorizações de trabalho, carteiras de motorista, alugar apartamentos — para fazer todas as coisas normais que precisam fazer para se sustentarem”.
“Suas jornadas para os Estados Unidos foram angustiantes, longas e complicadas, mas todos entraram legalmente nos EUA”, escreveu ela. “Na verdade, isso não é fácil. As autoridades de imigração entrevistam os indivíduos para avaliar se eles enfrentam um medo real de perseguição e tortura em seus países de origem.”
A aluna do seminário caracterizou seus esforços como “tentar apenas espalhar a palavra e garantir que uma ampla base de pessoas esteja ciente do que está acontecendo”.
“Muitas pessoas também escreveram cartas individuais para seus senadores e congressistas, ou fizeram ligações para seus escritórios”, disse ela.
Até agora, Tisdale diz que eles receberam “dois tipos de respostas”, que vão desde “respostas automatizadas que não abordam a questão que nos preocupa” até “reuniões pessoais, telefonemas, e-mails com membros da equipe que trabalham especificamente em questões de imigração nesses escritórios” que resultaram em “envolvimento significativo”.
‘Conexões pessoais’
Tisdale disse que um membro de sua igreja passou um tempo no Afeganistão e conhecia “muitas dessas pessoas”.
“Então, foi por meio de suas conexões pessoais que eles chegaram aos Apóstolos e começaram a se conectar com outros membros da igreja”, disse ela. “Então, tudo aconteceu de forma muito orgânica, por meio de relacionamentos pessoais.”
Tisdale expressou gratidão pelo fato de “nada ter acontecido” aos cristãos afegãos, embora quase uma semana tenha se passado desde o prazo final para eles deixarem o país.
“Continuamos buscando todos esses meios para tentar garantir que seu quadro jurídico e seu status legal aqui permaneçam claros. Eles sempre estiveram aqui legalmente. Sempre seguiram todas as regras e, portanto, buscamos esclarecimentos e garantias de que seu status legal não mudou”, disse ela.
“E, além dos nossos esforços para esclarecer a situação e garantir que eles tenham as garantias e a documentação de que precisam… nada mudou. Também estamos arrecadando dinheiro… para ajudar com as despesas legais deles. Portanto, contribuiremos para isso nas próximas semanas, meses, independentemente do tempo que levar para que seus pedidos de asilo sejam processados.”
Desde a retirada dos EUA do Afeganistão em 2021 e a consequente tomada do poder pelo Talibã, os cristãos afegãos têm estado entre aqueles que se reinstalaram nos EUA, além daqueles que ajudaram os militares americanos durante a guerra. No início deste mês, o Departamento de Segurança Interna dos EUA indicou que não renovaria o Status de Proteção Temporária para milhares de afegãos no país, com potenciais deportações que poderiam começar em maio. O governo Biden concedeu o Status de Proteção Temporária a pessoas que fugiram do Afeganistão em 2022.
O CP solicitou diversas declarações à Casa Branca e a diversas agências de imigração sobre os afegãos ligados à igreja de Tisdale. Nenhum comentário direto foi fornecido sobre esses indivíduos. Mas a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA reconheceu ao CP que “o CBP emitiu notificações encerrando a liberdade condicional para indivíduos que não possuem status legal para permanecer”. A agência acrescentou: “Este processo não se limita aos usuários do CBP One e não se aplica atualmente àqueles em liberdade condicional por meio de programas como [Unindo pela Ucrânia] e [Operação Aliados Bem-vindos]”.
A Operação Aliados Bem-vindos, iniciada em 2021, é um programa para afegãos vulneráveis que se reinstalaram nos Estados Unidos.
O Afeganistão é o 10º pior país do mundo em termos de perseguição a cristãos, de acordo com a Lista Mundial da Perseguição da Portas Abertas Internacional. A maioria dos cristãos no Afeganistão são convertidos do islamismo, o que torna a prática da fé em público quase impossível, afirma o grupo.
A organização evangélica de ajuda humanitária Samaritan’s Purse ajudou a conectar centenas de afegãos que se reinstalaram nos EUA com igrejas que podem atender às suas necessidades.
O Rev. Franklin Graham, que lidera a Samaritan’s Purse e é filho do lendário evangelista Billy Graham, também manteve contato com líderes em Washington sobre o assunto.
“Conversei com o senador Lindsey Graham sobre isso esta semana e sei que outros líderes em Washington estão discutindo essa questão com o presidente”, disse ele em comunicado à WORLD. “Também me disseram que o prazo foi prorrogado para que os casos sejam analisados. Agradeço os esforços para tentar ajudar os cristãos afegãos neste país.”
Em uma carta à secretária do DHS, Kristi Noem, na quarta-feira, o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, expressou preocupação com a revogação das proteções para cristãos que fogem do Afeganistão, pedindo uma pausa de 90 dias.
“Esses refugiados, muitos dos quais já solicitaram asilo e possuem documentação de liberdade condicional legal, enfrentam uma ameaça crível de prisão, tortura ou morte se forem devolvidos ao Afeganistão controlado pelo Talibã”, escreveu Raffensperger.
Tisdale disse que os refugiados que frequentam sua igreja se reúnem em seu prédio há pouco mais de um ano e dizem que realizam estudos bíblicos e cultos em sua língua nativa.
“Aqueles que têm um melhor domínio do inglês também se juntam a nós e adoram conosco”, disse ela.
“Nós os conhecemos um pouco”, acrescentou. “Temos várias pessoas em nossa congregação que trabalham com refugiados de alguma forma ou simplesmente estão interessadas e preocupadas, então foi uma adaptação bem natural para nós.”
Identificando os 22 refugiados como uma mistura de famílias e indivíduos, ela enfatizou que “eles são inteiramente ou, pelo menos, principalmente autossuficientes”.
“Alguns deles que conheço terão audiências iniciais já no mês que vem, mas essas são audiências iniciais, não audiências finais”, detalhou ela, dizendo que o sistema está “sobrecarregado”.
“Não tenho certeza se há realmente um limite para o tempo que isso pode levar”, continuou ela. “Eles estão considerando processos longos.”
Enfrentando a morte “certa”
Tisdale expressou certeza de que, se fossem deportados para o Afeganistão, os refugiados seriam torturados e mortos.
“E eles sabem disso porque já foram torturados por nenhum crime além da conversão”, disse ela. “Eu ouvi essas histórias em primeira mão. Ouvi as histórias sobre como as autoridades foram informadas da conversão deles e os prenderam prontamente. Eles desapareceram por dias, semanas, possivelmente mais.”
“Eles sofreram todos os tipos de tortura enquanto estavam na prisão e, tendo sofrido isso uma vez, se fossem devolvidos, não haveria como o Talibã permitir que sobrevivessem”, previu ela. “Não seria uma morte rápida. Seria uma tortura significativa, e eles morreriam.”
Ela elogiou os refugiados que frequentam sua igreja como “pessoas boas e normais, cristãos que vivem em paz e tranquilidade”.
“Eles são autossuficientes. Só querem trabalhar e ter a chance de viver uma vida sem medo”, disse ela. “Não estão pedindo nada de extraordinário. Não são pessoas que cometeram qualquer tipo de crime. Eles simplesmente querem viver e poder exercer sua fé.”
“Faça o que é bom”
Citando as instruções de São Paulo em Romanos 13 para “fazer o bem” e “não temer quem está em autoridade”, Tisdale disse: “Esses cristãos afegãos têm feito e continuam fazendo o bem”.
“Ninguém que enfrente medo real de perseguição e tortura em seu país de origem deve, depois de fugir para os Estados Unidos, ser forçado a viver com medo aqui”, afirmou ela.
“Os refugiados que estão seguindo a instrução de Paulo de ‘aspirar a viver em paz, cuidar dos seus próprios negócios e trabalhar com as próprias mãos, como nós os instruímos, para que possam andar com dignidade diante dos estrangeiros e não dependam de ninguém'” estão “vivendo com medo”, disse ela.
Ela acredita que a ordem para os cristãos do Afeganistão deixarem o país vai contra os princípios americanos: “um país que convida as ‘massas amontoadas que anseiam por respirar livremente'”.
“No cerne da nossa identidade estão os ideais fundadores de liberdade, liberdade religiosa e justiça. Na Declaração de Independência, Jefferson escreve que todos os homens são dotados por Deus com o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade, e que os governos são instituídos entre os homens com o propósito de garantir esses direitos. É isso que pedimos agora ao governo dos EUA”, afirmou. “Esses cristãos afegãos não pedem nada além da chance de buscar a vida, a liberdade e a felicidade.”
Tisdale pediu aos cristãos que “orem por misericórdia e escrevam aos seus senadores, representantes e à Casa Branca” em nome dos refugiados cristãos, acrescentando: “Nossa maior esperança de ajudar nossos irmãos e aliados é fazer com que nossas vozes coletivas sejam ouvidas”.
Folha Gospel com informações de The Christian Post
Desde 2018, uma onda de violência propagada por grupos extremistas islâmicos invadiu a região norte de Moçambique e ceifou a vida de centenas de pessoas. Os radicais destroem tudo por onde passam sob o pretexto de implantar um governo baseado na sharia (conjunto de leis islâmicas). Assim, os cristãos são considerados inimigos, que devem ser destruídos, assim como suas comunidades e igrejas.
Em janeiro de 2024, o Estado Islâmico criou a campanha contra cristãos chamada “Mate-os onde quer que os encontre”. Os extremistas foram encorajados a assassinar os seguidores de Jesus e isso resultou em ataques generalizados no país. Algumas imagens de mortes e propriedades destruídas foram veiculadas na revista semanal do grupo extremista, chamada Al-Naba.
Os pastores Antônio* e Paulo* viram tudo mudar com a chegada dos insurgentes islâmicos na província de Cabo Delgado do Norte. “Antes daquele primeiro ataque, a vida estava boa. As relações entre cristãos e muçulmanos eram boas. Vivíamos como amigos nas mesmas comunidades”, testemunha o pastor Paulo.
Perseguidores ao lado
Os soldados do grupo extremista não eram pessoa desconhecidas, alguns homens viviam na aldeia e outros são filhos de vizinhos que o pastor viu crescer. Eles se desiludiram com promessas vazias de ter trabalho, esperança no futuro e buscam ascender na vida por meio do radicalismo religioso.
Em resposta à ascensão de grupos extremistas, o governo moçambicano restringiu a liberdade religiosa dos cristãos e limitou a educação cristã e as expressões públicas de fé. Além disso, comunidades cristãs estão em meio aos conflitos entre as forças governamentais e os jihadistas. O resultado de tamanha violência é que os sobreviventes foram obrigados a fugir de suas casas e comunidades.
Apesar de enfrentar perseguição, os cristãos no Norte de Moçambique se mantêm firmes em Jesus. “Ore para que Deus aumente nossa fé e compreensão de sua palavra para que possamos ensiná-la aos outros”, pede o pastor Paulo.
Os cristãos sobreviventes de ataques extremistas procuram igrejas locais para socorrê-los. Mas muitas comunidades de fé não têm preparo e nem recursos para isso. Faça uma doação e capacite igrejas moçambicanas para apoiar e treinar nossos irmãos na fé.
Bandeira do Reino Unido e a torre do relógio Big Ben (Foto: Canva Pro)
Mais de 9 mil crimes contra igrejas e outros locais de culto foram registrados no Reino Unido ao longo dos últimos três anos, conforme levantamento realizado pela organização Countryside Alliance.
A pesquisa foi feita durante uma campanha de conscientização sobre o aumento da criminalidade em templos situados em áreas rurais. Para isso, a entidade analisou informações fornecidas por 33 das 45 forças policiais do país.
De acordo com os dados, entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024, foram contabilizados 9.148 registros de crimes em igrejas, incluindo casos de furto, roubo, vandalismo, agressão e danos criminais. Isso representa uma média de pelo menos oito ocorrências por dia ao longo do período analisado.
Entre os registros, estão 179 furtos de chumbo e metal, 3.758 furtos e roubos diversos, 3.237 atos de vandalismo, danos ou incêndio criminoso e 1.974 casos de violência.
As regiões com maior incidência foram West Yorkshire, Kent e Grande Manchester, todas na Inglaterra. Em West Yorkshire, os crimes em igrejas incluíram quase 100 casos de perseguição e assédio, além de um episódio de tráfico de drogas e 11 denúncias de estupro, além de outros crimes de natureza sexual.
“Ataques horríveis a igrejas e locais de culto continuam acontecendo em todo o país. Ladrões e criminosos os tratam como alvos fáceis, roubando descaradamente e causando danos criminosos a esses pontos focais de nossas comunidades”, afirmou Mo Metcalf-Fisher, diretor de Assuntos Externos da Countryside Alliance.
“Igrejas e locais de culto são o coração pulsante de muitas cidades e vilas rurais. Eles devem ser lugares de santidade, consolo e refúgio. Cada vez mais, no entanto, eles parecem estar sendo submetidos a terríveis atos de crime regularmente”, acrescentou.
A organização também divulgou dados relativos ao período de sete anos, entre 2017 e 2024, que somam 39.544 crimes registrados contra igrejas. Nesse total, constam 15.506 furtos, 11.253 casos de vandalismo e incêndios criminosos, além de 4.568 ocorrências de violência.
Diante da situação, a Countryside Alliance solicitou que o governo implemente um plano nacional de segurança e proteção para os locais de culto na Inglaterra e no País de Gales.
“Roubar ou danificar quaisquer locais de culto, edifícios históricos e locais culturais é abominável. As igrejas são importantes para muitas comunidades em todo o país e esses crimes afetam diretamente as pessoas que visitam, adoram e desfrutam desses espaços. São ataques ao nosso patrimônio nacional e local e podem causar danos insubstituíveis”, declarou a policial Rachel Nolan, líder do Conselho Nacional de Chefes de Polícia para Crimes Patrimoniais.
Metcalf-Fisher concluiu: “Não podemos permitir que esses lugares queridos continuem desprotegidos contra as maquinações de criminosos – é vital que o público fique atento e relate quaisquer problemas à polícia”.
Fonte: Guia-me com informações de Countryside Alliance
Cristãos durante culto na Nigéria (Foto: World Watch Monitor)
A preocupação está crescendo na Nigéria com as ameaças a dois líderes cristãos, Wilfred Anagbe e Remegius Ihulya, que testemunharam perante o Congresso dos Estados Unidos sobre os assassinatos em massa de seguidores de Jesus na Nigéria. Isso ocorreu em meio ao aumento de assassinatos e ataques a comunidades cristãs antes da Páscoa, na última semana.
Foi revelado que depois da declaração, Anagbe foi avisado pelo Ministério das Relações Exteriores da Nigéria para “tomar cuidado com suas palavras” antes de falar. Avisos anônimos separados foram passados também a Ihulya. Uma mensagem afirmava que “poderia haver” um mandado de prisão para o líder cristão. No entanto, a origem dos avisos permanece misteriosa.
O Ministério das Relações Exteriores da Nigéria tentou se defender, acusando os clérigos de deturpações. “Seus testemunhos deturpam os fatos e simplificam demais um desafio nacional profundamente complexo”, disse o Ministério das Relações Exteriores, depois de reconhecer as falas como um direito de liberdade de expressão garantido pela Constituição nigeriana, mesmo que não concorde com elas.
Fato é que o governo da Nigéria não consegue lidar com a violência contra cristãos causada pela perseguição religiosa. A recorrência de casos de sequestro como os de Chibok e de Leah Sharibu, ou os ataques em série que deixam milhares de mortos, feridos e sobretudo deslocados internos são reflexo das carências da comunidade cristã no país. Os que se levantam para denunciar essa realidade, como Deborah Samuel e Rhoda Jatau, perdem suas vidas, a liberdade, ou, como no caso dos dois líderes cristãos recentemente, se tornam alvos de ameaças e opressão.
Apesar dos desafios recentes, os cristãos viram como uma vitória a declaração recente do tribunal regional da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental reconhecendo as leis de blasfêmia da Nigéria como ilegais. A lei era usada regularmente para provocar execuções por multidões nas ruas, no Norte da Nigéria, daqueles considerados violadores da sharia.
Família de cristãos na República Democrática do Congo (Foto: Portas Abertas)
Os acampamentos onde os cristãos deslocados vivem na República Democrática do Congo costumam ter barracas de madeira dispostas em longas fileiras. Os telhados de zinco tornam o abrigo mais quente e o barulho de crianças chorando ecoam pelas estruturas.
A organização Save The Children estima que 130 mil pessoas foram forçadas a fugir de casa na província de Kivu do Norte em apenas um mês. Desde 2022, mais de 2,6 milhões de pessoas foram deslocadas na região em razão da violência.
Jerome (pseudônimo) e a família vivem no campo de Oicha. Eles tiveram que fugir de sua comunidade após as Forças Democráticas Aliadas (ADF) assassinarem um de seus filhos e destruir sua casa e plantação.
Mesmo na relativa segurança do campo de deslocados internos, a vida é muito difícil. Não há apoio suficiente do governo, nem de pessoas e organizações. A única coisa que as igrejas conseguiram fornecer foram os lugares onde pudessem construir seus acampamentos. Mas elas não têm recursos para alimentá-los ou supervisionar escolas.
“Conseguir comida é o nosso principal problema agora que estamos deslocados, porque não temos onde plantar. A situação é muito ruim. Se a vida continuar assim… será difícil viver”, reconhece o cristão.
As consequências do sofrimento
As dificuldades enfrentadas no campo de deslocados minou a fé de muitos cristãos na RDC: “As pessoas não pensam mais em ir à igreja. É difícil controlar [nossos filhos]. Quando [você] aconselha uma criança por um tempo, mas ela vê que você não tem a capacidade de ajudá-la, a criança fica orgulhosa [e para de ouvir]”. Jerome conclui que o deslocamento resultou em adolescentes engravidando, usando drogas e roubando.
Apesar do sofrimento, Jerome se mantém firme no Senhor e se apega ao salmo 35: “Defende-me, Senhor, dos que me acusam; luta contra os que lutam comigo. Toma os escudos, o grande e o pequeno; levanta-te e vem socorrer-me”.
Filme de animação "O Rei dos Reis" chegou na quinta (17) aos cinemas. Foto: Divulgação.
Os cinemas brasileiros já estão exibindo uma produção cinematográfica que promete tocar os corações e despertar a fé do público de todas as idades. Trata-se de “O Rei dos Reis”, uma animação que reconta a história de Jesus Cristo de uma maneira inédita e encantadora: através dos olhos curiosos e da imaginação de uma criança.
O filme apresenta uma abordagem sensível e lúdica da vida de Jesus, narrada por Charles Dickens em sua tentativa de construir uma ponte afetiva com seu filho de cinco anos, Walter. Ao compartilhar a história do Messias, Dickens não apenas busca aproximar-se do filho, mas também oferece ao público uma nova perspectiva sobre uma das narrativas mais importantes da história da humanidade.
Antes mesmo de sua estreia em terras brasileiras, “O Rei dos Reis” já conquistou um feito notável nos Estados Unidos. A animação alcançou a maior estreia de um filme bíblico animado no país, arrecadando impressionantes US$ 19 milhões em seus três primeiros dias de exibição. Esse desempenho superou o recorde anterior de “O Príncipe do Egito” (1998), um clássico do gênero que arrecadou US$ 14 milhões no mesmo período.
A expressiva bilheteria americana demonstra o potencial da animação em atrair um público amplo, que busca tanto entretenimento de qualidade quanto mensagens inspiradoras e edificantes. Com uma narrativa envolvente e uma animação caprichada, “O Rei dos Reis” promete ser uma experiência cinematográfica inesquecível para toda a família.
O pastor Josh Sullivan. (Foto: Reprodução/Facebook/Fellowship Baptist Church)
Josh Sullivan, pastor que foi sequestrado na África do Sul, falou pela primeira vez após ser resgatado e afirmou que por meio das orações, Deus fez um milagre e o salvou.
Os criminosos exigiram um resgate por sua libertação. Porém, no dia 15 de abril, a polícia local o resgatou “milagrosamente ileso” após um “tiroteio de alta intensidade” que deixou três sequestradores mortos.
No último sábado (19), Josh compartilhou no Facebook: “Quero começar agradecendo a Deus por me libertar do que foi, sem dúvida, a pior experiência de nossas vidas. Também quero agradecê-lo por me libertar do meu pecado há 28 anos, quando aceitei Jesus Cristo como meu Salvador”.
“Por causa do meu relacionamento pessoal com Jesus, Ele me deu a paz que eu precisava para passar”, acrescentou.
Na publicação, Josh também agradeceu as autoridades policiais, à sua esposa, Meagan, e às milhares de pessoas que oraram por seu resgate:
“Sou profundamente grato às milhares de pessoas que oraram por mim enquanto eu estava em cativeiro. Foi por causa dessas orações que Deus realizou um milagre algumas noites atrás. Também quero estender meus sinceros agradecimentos ao Departamento de Polícia da África do Sul, HAWKS, FBI, agentes especiais do DSS e ao meu querido amigo, Jeremy Hall, cujos esforços foram fundamentais para me localizar”.
“Sou especialmente grato à minha esposa, Meagan, cuja força e resiliência fizeram dela a mulher mais forte do mundo na semana passada”, acrescentou.
Por fim, o pastor destacou que tem um “testemunho de milagre” para contar ao mundo. Porém, antes disso, ele observou que junto de sua família, irá passar por um período de cura emocional.
“À medida que começamos o difícil processo de cura para seguir em frente, pedimos gentilmente privacidade durante esse tempo. Eu tenho uma história milagrosa para compartilhar, e estou ansioso para contá-la quando for a hora certa”, afirmou Josh.
Relembre o caso
As autoridades da África do Sul informaram que o tiroteio mortal na última terça-feira (15) aconteceu em uma casa em KwaMagxaki, Gqeberha, onde o pastor estava sendo mantido como prisioneiro.
“À medida que os policiais se aproximavam da casa, eles observavam um veículo nas instalações. Os suspeitos dentro do veículo, ao ver a polícia, supostamente tentaram fugir e abrir fogo contra a equipe”, relatou a polícia em um comunicado.
E continuou: “Os policiais responderam com precisão tática, levando a um tiroteio de alta intensidade no qual três suspeitos não identificados foram fatalmente feridos. A vítima foi encontrada dentro do mesmo veículo do qual os suspeitos lançaram seu ataque. Milagrosamente ileso, ele foi imediatamente avaliado pela equipe médica e atualmente está em excelentes condições”.
O sequestro de Josh mobilizou uma onda global de orações começando com sua igreja natal, Fellowship Baptist Church em Maryville, Tennessee, liderada pelo Pastor Tom Hatley.
Na última quarta-feira (16), após seu resgate, a secretária da igreja, Heather Shirley, comemorou sua libertação e contou que a congregação está ansiosa por seu testemunho.
“Acho que nenhum de nós consegue entender como ele se sentiu naquela situação. Acredito que havia uma cobertura ao seu redor, fornecida por Deus, essa é a única explicação para isso”, disse Heather ao The Christian Post.
Fonte: Guia-me com informações de The Christian Post
Durante a Semana Santa, ataques terroristas deixaram centenas de pessoas mortas e outras feridas em comunidades cristãs na Nigéria.
Joel Veldkamp, chefe de comunicações internacionais da Christian Solidarity International, comentou sobre os ataques que estão acontecendo contra os cristãos:
“Foram os piores ataques que vimos na Nigéria em quase um ano e meio”, disse Joel à CBN News.
E continuou: “Meu colega de trabalho chegou à cidade de Jos, no centro da Nigéria, no sábado, 12 de abril. Desde então, todas as noites houve ataques a vilarejos cristãos naquela região”.
Segundo Joel, estima-se que pelo menos 126 pessoas foram mortas e 7.000 foram expulsas de suas casas.
“É um ataque extremamente grave, um dos maiores que já vimos nesta região em muito tempo, e aconteceu na Semana Santa”, disse ele.
“Na verdade, o pior massacre foi no Domingo de Ramos. Cinquenta e seis pessoas foram mortas em sua aldeia por extremistas islâmicos Fulani”, acrescentou.
Família cristã assassinada
Na ocasião, Joel destacou alguns dos relatos que seu colega de trabalho está vendo no local após se encontrar com “sobreviventes do massacre”.
“Ele disse que a maioria das pessoas tem ferimentos de facão. Os agressores estão, na verdade, usando facões para matar e ferir pessoas. Ele conheceu um menino de 7 anos chamado Steven, cuja família inteira foi morta. Seu pai foi baleado e morto. Sua mãe teve os dois braços decepados e, em seguida, acreditamos que ela morreu. Seus outros dois irmãos foram atingidos por facões e morreram”, contou ele.
Steven foi atingido no pescoço com um facão e deixado para morrer pelos terroristas. No entanto, ele foi encontrado por um parente que o levou ao hospital.
“Mesmo no hospital, vários dias depois, ele ainda gritava e vomitava por causa da dor dos ferimentos”, disse Joel.
Aumento da perseguição
Nos últimos anos, o aumento da violência na Nigéria se tornou mais alarmante à medida que mais pessoas se convertem ao cristianismo.
Joel explicou que a classe militar dominante sempre foi muçulmana e do grupo étnico Fulani:
“O que está acontecendo agora é que temos essa enorme região da Nigéria chamada Cinturão do Meio, que é muito fértil, povoada por centenas de grupos étnicos diferentes, quase todos cristãos e agricultores”.
E continuou: “E temos visto, pelo menos nos últimos 6 anos, ataques sistemáticos às suas aldeias por milícias Fulani que, depois de matarem e expulsarem as pessoas, tomam suas terras e se estabelecem nelas”.
“Então, estamos vendo um processo lento de tomada de uma região que costumava ser cristã e sua transformação em uma região muçulmana. Para as próprias milícias, elas ganham terras, propriedades, talvez dinheiro”, acrescentou.
“Documentamos quase 10.000 assassinatos de cristãos, principalmente no norte e no centro do país”, afirmou Isaac Six, ex-diretor sênior de advocacia da Global Christian Relief (GCR), à CBN News.
“E, novamente, isso é violência sistemática sendo perpetrada e liderada por grupos como o Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental, além de outros grupos armados”, acrescentou.
Por fim, Isaac destacou que os cristãos na América precisam entender a extensão do terror.
“A igreja nos Estados Unidos realmente precisa ouvir o quão horríveis algumas dessas histórias são. Não se trata apenas de violência. Não se trata apenas de assassinatos. São atrocidades brutais”, relatou ele.
E concluiu dizendo: “A igreja precisa acordar para algumas dessas coisas. Apenas uma parte dos cristãos nos Estados Unidos tem consciência do que está acontecendo”.
A Nigéria ficou em 7º lugar na Lista Mundial da Perseguição da Missão Portas Abertas de 2025 como um dos lugares mais difíceis para ser cristão.