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China condena líderes e membros da Igreja Linfen Covenant Home à prisão

Martelo da Justiça tendo ao fundo a bandeira da China (Foto: canva)
Martelo da Justiça tendo ao fundo a bandeira da China (Foto: canva)

Três líderes da Igreja Linfen Covenant Home, na província de Shanxi, na China, foram condenados à prisão por acusações de fraude em um processo a portas fechadas.

O pastor Li Jie e o ancião Han Xiaodong receberam três anos e oito meses cada, enquanto o ancião Wang Qiang foi condenado a um ano e 11 meses.

As condenações foram anunciadas em 20 de junho, após anos de vigilância, prisões e atrasos judiciais, começando com a detenção de Li e Han durante um retiro da igreja em agosto de 2022 e a prisão de Wang em novembro de 2022, informou a organização de vigilância Christian Solidarity Worldwide (CSW) , sediada no Reino Unido, na terça-feira.

Os homens foram inicialmente acusados ​​em junho de 2023 de formar uma “panelinha criminosa” e arrecadar “renda ilegal”, mas seu julgamento só começou em 8 de maio deste ano.

O julgamento foi realizado sob forte esquema de segurança, com relatos de intimidação policial, restrições de acesso ao tribunal e remoção forçada de parentes. No dia do julgamento, as autoridades impediram a esposa, a mãe e os dois filhos de Li Jie de entrarem no Tribunal Distrital de Linfen Yaodu, detendo-os do lado de fora e removendo-os à força.

A CSW afirmou que os advogados de defesa foram informados de que as sentenças para Li e Han não excederiam três anos se eles concordassem com as exigências de segurança do tribunal, incluindo a entrega de seus celulares e laptops. No final das contas, as sentenças excederam essas garantias.

A sentença de Wang, embora mais curta, foi proferida após sua libertação da “Vigilância Residencial em Local Designado” em 30 de setembro de 2024. Ele foi posteriormente libertado sob fiança em março deste ano. A CSW declarou que sua pena de prisão havia sido considerada cumprida e que ele não retornaria à custódia.

A igreja divulgou uma declaração condenando o veredito, sustentando que a Linfen Covenant Home Church é uma igreja doméstica não registrada que opera dentro de seus direitos constitucionais e que suas ofertas são baseadas em ensinamentos bíblicos, não em fraude.

“Embora o julgamento do caso tenha sido anunciado, não aceitamos esta sentença injusta”, diz a declaração, traduzida pela China Aid. “Nossos irmãos não cometeram fraude, e as ofertas de nossa igreja não são fraude. Nossa igreja continua sendo uma igreja doméstica, aderindo a Cristo como o único chefe da igreja e ao princípio da separação entre igreja e estado. Reconhecemos que Li Jie, Han Xiaodong e Wang Qiang estão sofrendo por causa da justiça e estão dispostos a tomar a cruz com o Senhor. Recebemos o resultado do julgamento do Senhor com um coração de gratidão e obediência.”

Em dezembro de 2024, advogados e ativistas de direitos humanos assinaram uma declaração desafiando a criminalização dos dízimos coletados por igrejas domésticas.

No mesmo dia, membros de outra igreja em Linfen, a Golden Lampstand Church, também receberam sentenças de prisão por acusações semelhantes de fraude. Dez líderes foram julgados em abril e condenados a penas de prisão que variam de nove anos a nove anos e dois meses, após uma série de prisões iniciadas em agosto de 2021.

Em uma declaração, o presidente da CSW, Mervyn Thomas, disse que as sentenças recentes destacam “a facilidade com que o complexo sistema e os processos judiciais da China podem ser manipulados”.

Ele disse que os julgamentos a portas fechadas e o acesso restrito ao apoio jurídico levantam “sérias questões sobre a integridade do processo judicial da China”.

A CSW condenou as sentenças e pediu às autoridades que as anulem e garantam que os julgamentos futuros sejam justos e transparentes.

A Portas Abertas, organização internacional que monitora a perseguição religiosa em mais de 60 países, declarou que esses tipos de casos fazem parte da estratégia da China para reprimir a atividade cristã, especialmente entre igrejas domésticas não registradas. O grupo citou o endurecimento do controle estatal e a ampla vigilância digital direcionada a comunidades religiosas não filiadas a instituições reconhecidas pelo Estado.

A China reconhece cinco religiões: Budismo, Taoísmo, Islamismo, Protestantismo e Catolicismo. Embora a Constituição chinesa afirme que os cidadãos têm liberdade de crença religiosa, ela “limita as proteções para a prática religiosa a ‘atividades religiosas normais’ e não define o que é ‘normal'”.

A repressão também está afetando cidadãos estrangeiros .

Novas restrições emitidas pelo Partido Comunista Chinês entraram em vigor em 1º de maio, proibindo missionários estrangeiros de pregar e operar instituições religiosas.

As regras revisadas proíbem cidadãos não chineses de produzir materiais religiosos, solicitar doações, recrutar seguidores locais ou organizar educação religiosa sem a aprovação do governo, de acordo com a Mission News Network.

Segundo essas regulamentações, clérigos estrangeiros só podem pregar se convidados por organizações religiosas sancionadas pelo Estado, e todos os sermões devem ser autorizados com antecedência pelas autoridades chinesas.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

Novo documentário da Netflix mostra como fé e política se misturam no Brasil

Pastores e políticos religiosos orando por Bolsonaro e Lula (Foto: Montagem/Fuxico Gospel)
Pastores e políticos religiosos orando por Bolsonaro e Lula (Foto: Montagem/Fuxico Gospel)

O novo documentário Apocalipse nos Trópicos, da cineasta Petra Costa, estreia hoje, quinta-feira (3/7), nos cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro. A partir do dia 14 de julho, o filme também poderá ser assistido no catálogo da Netflix. A obra dá continuidade ao trabalho iniciado em Democracia em Vertigem, longa indicado ao Oscar, e desta vez aborda a crescente presença da religião evangélica na política brasileira — um fenômeno que tem influenciado diretamente os rumos do poder no país.

Segundo dados do IBGE, 26,9% da população brasileira se identifica como evangélica. O número é ainda mais expressivo entre as faixas etárias mais jovens: 31,6% das crianças entre 10 e 14 anos se declaram evangélicas. Com esse pano de fundo, Petra Costa e a produtora Alessandra Orofino decidiram explorar, através do documentário, como a fé tem sido usada estrategicamente por lideranças políticas. Para isso, entrevistaram figuras como Silas Malafaia, Jair Bolsonaro e Lula, em um retrato da “instrumentalização religiosa na vida pública”.

Uma das sequências iniciais do longa mostra um registro inédito captado durante as gravações de Democracia em Vertigem, no qual o ex-deputado Cabo Daciolo realiza uma pregação no plenário do Congresso e entrega uma bíblia à diretora. A partir desse e de outros materiais que não foram incluídos no filme anterior, surgiu o desejo de aprofundar a investigação sobre a bancada evangélica e sua atuação no cenário político nacional.

“O que mais saltava aos olhos era a presença evangélica nas comunidades, oferecendo apoio espiritual, médico e psicológico”, afirma Petra, refletindo sobre o impacto das igrejas durante a pandemia de Covid-19.

Foi esse cenário que inspirou o título Apocalipse nos Trópicos, referindo-se ao discurso religioso de fim dos tempos que ganhou força entre líderes e fiéis. Ao analisar o conteúdo filmado, Petra notou também a disseminação de ideias negacionistas durante a crise sanitária. “Alguns pastores diziam que Jesus curava a Covid”, relata a diretora.

Fé e política

O pastor Silas Malafaia, que conta com mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais, ocupa um papel de destaque na narrativa do documentário. A diretora acompanhou de perto sua atuação e proximidade com o então presidente Jair Bolsonaro, que recebia visitas frequentes do líder religioso.

A produção, no entanto, não se restringiu a personagens da direita evangélica. Durante o processo de pesquisa, foram ouvidas diferentes vozes dentro do universo evangélico, com diversas posições ideológicas. “Saíram quase todos com uma revolta em relação à manipulação da fé para fins políticos”, afirma Petra.

Para Alessandra Orofino, o objetivo do documentário é provocar uma reflexão — inclusive entre o próprio público evangélico. “Essa pessoa que tem fé, que eventualmente é evangélica, a gente espera que ela assista o filme. Que esse filme seja o início de uma reflexão, e não o fim de uma reflexão, que ele desperte uma conversa pública sobre esse assunto”, explica.

As gravações também enfrentaram obstáculos. Em 8 de janeiro de 2023, durante os ataques às sedes dos Três Poderes, um manifestante engoliu um cartão de memória usado pela equipe de filmagem. Em outro episódio, durante o ato de 7 de setembro de 2021 convocado por Bolsonaro na Avenida Paulista, integrantes da equipe foram agredidos por apoiadores.

“Chegou num nível de intolerância muito grande”, diz Petra.

Apesar disso, a diretora destacou que algumas das lideranças religiosas e políticas retratadas no longa foram receptivas com a produção — algo que, para ela, contrasta com o discurso muitas vezes inflamado transmitido aos fiéis.

Futuro

Quando questionada sobre os possíveis desdobramentos políticos e sociais do cenário retratado, Alessandra Orofino responde com cautela: “Não somos profetas”, comenta com leveza. Ainda assim, ela deixa claro que o crescimento do número de evangélicos não é, por si só, motivo de alarme. O problema, segundo a produtora, é quando a fé vira ferramenta de dominação.

“Isso representa não só uma ameaça à própria fé, que pode ser facilmente manipulada e corrompida pelo poder político, mas representa uma ameaça à democracia”, conclui.

Fonte: Metrópoles e Fuxico Gospel

Corpos de 8 líderes cristãos evangélicos são encontrados em vala comum na Colômbia

Local da vala comum onde os oito líderes sociais e religiosos foram encontrados em Guaviare, Colômbia. (Foto: Procuradoria-Geral da República da Colômbia)
Local da vala comum onde os oito líderes sociais e religiosos foram encontrados em Guaviare, Colômbia. (Foto: Procuradoria-Geral da República da Colômbia)

Em um evento que abalou a Colômbia, autoridades do país localizaram nesta terça-feira, 1º de julho, uma vala comum em uma área rural do município de Calamar, departamento de Guaviare, onde estavam os corpos de oito líderes religiosos cristãos.

As vítimas, nativas de Arauca, realizavam trabalho humanitário e espiritual naquela região quando desapareceram.

De acordo com os primeiros relatos do Ministério Público, esses líderes foram convocados em abril por dissidentes das FARC, especificamente pela Frente Armando Ríos, sob ordens do vulgo Iván Mordisco. Presume-se que o crime tenha tido como objetivo bloquear o suposto surgimento de uma célula do ELN, embora as autoridades não tenham encontrado indícios de vínculos entre as vítimas e esse grupo guerrilheiro.

A descoberta foi possível graças à captura, em maio, de um guerrilheiro cujo celular continha fotografias dos líderes detidos e, posteriormente, do crime, o que permitiu localizar a sepultura e proceder à sua exumação.

Os desaparecidos são James Caicedo, Óscar García, Máryuri Hernández, Maribel Silva, Isaid Gómez, Carlos Valero, Nixon Peñaloza e Jesús Valero. Os mencionados são membros dos conselhos evangélicos Alianza de Colombia e Cuadrangular.

Declaração oficial do CEDECOL

Diante deste crime, a Confederação Evangélica da Colômbia (CEDECOL) emitiu um comunicado expressando seu forte repúdio e solidariedade às famílias afetadas e às comunidades cristãs que lamentam esta perda.

“Pedimos orações pela paz e consolo a essas famílias; elevamos uma voz firme de clamor e exigência às autoridades para que esses crimes não fiquem impunes, que as investigações avancem rapidamente e que sejam dadas garantias reais para a proteção da vida e da integridade daqueles que exercem a liderança espiritual nas regiões mais vulneráveis ​​do país”, diz o comunicado.

O CEDECOL também reafirmou seu compromisso com a defesa da vida, da verdade, da justiça e da paz na Colômbia e pediu orações pela restauração do tecido social e pelo consolo dos afetados por esta tragédia. O pronunciamento concluiu relembrando a passagem bíblica de Mateus 5:10 : “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.”

Reações oficiais e contexto sociopolítico

O presidente colombiano, Gustavo Petro, condenou publicamente o assassinato e o descreveu como uma grave violação dos direitos humanos. Ele pediu o fortalecimento da presença do Estado e da segurança nos territórios historicamente afetados pelo conflito armado.

Por sua vez, a filha de uma das vítimas disse ao jornal SEMANA que o apelo que fazem ao governo Petro é “para que esteja presente e evite esse tipo de situação, porque dois grupos armados estão disputando o território e quem está no meio é o campesinato, e não há resposta do Estado. Não há proteção do Estado. Em outras palavras, estamos realmente sozinhos em uma guerra entre dois grupos armados”, explicou.

Organizações internacionais como o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) também se manifestaram, alertando que tais crimes “silenciam vozes essenciais” nas comunidades e aprofundam a crise humanitária nas áreas rurais.

O prefeito de Calamar, município onde o túmulo foi encontrado, disse que a população se sente “sozinha” e pediu ao governo nacional que intervenha em vez de se distrair com atividades festivas. Ele exigiu atenção imediata à grave crise de segurança que sua comunidade enfrenta, segundo o El País .

A situação da ordem pública na região continua muito complexa sem que ninguém faça nada porque os dissidentes ameaçam até os prefeitos dos municípios que compõem este departamento.

Números e panorama do conflito

Segundo dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), este caso se tornou o maior massacre já registrado na Colômbia em 2025. Até o momento, mais de 30 homicídios múltiplos foram registrados em áreas rurais, especialmente em regiões onde há disputas territoriais entre dissidentes das FARC e do ELN.

Guaviare tem sido palco de confrontos recorrentes entre as estruturas do grupo conhecido como Iván Mordisco e do grupo conhecido como Calarcá. Só em janeiro passado, foi relatada a chegada de 20 corpos ao necrotério local após intensos combates.

Este crime expõe a alarmante vulnerabilidade de líderes sociais e religiosos em regiões controladas por atores armados ilegais. A descoberta, a rápida ação das autoridades e a rejeição unânime da sociedade civil e da comunidade religiosa constituem um apelo urgente para garantir o direito à vida, à fé e ao trabalho comunitário em áreas afetadas pela violência.

A declaração do CEDECOL ressalta que, além da condenação, são necessários celeridade nas investigações, proteção aos líderes espirituais e verdadeiro compromisso institucional para salvaguardar aqueles que, a partir da fé e da solidariedade, trabalham pela paz na Colômbia.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

ONU denuncia discriminação sistemática contra minorias religiosas no Irã

Sede da ONU, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)
Sede da ONU, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

A perseguição às minorias religiosas no Irã continua “persistente na lei e na prática”, de acordo com o mais recente relatório do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, apresentado, na segunda quinzena de junho, na 59ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça. O documento apela à República Islâmica que ponha fim, “sem demora”, a todas as formas de discriminação contra esses grupos e garanta seus direitos fundamentais.

Entre os casos destacados estão as prisões arbitrárias de cristãos convertidos, como Jahangir Alikhani, Hamed Malamiri e Gholam Eshaghi. Segundo o relatório, os três foram submetidos a “interrogatórios prolongados e pressão coercitiva para renunciar à fé cristã” antes de serem libertados sob fiança. Seus julgamentos seguem em andamento.

O documento também menciona a detenção de mais de 40 cristãos durante o período do Natal, contrariando um anúncio oficial de que prisioneiros cristãos teriam cinco dias de licença para celebrações religiosas. Pelo menos 18 desses detentos — classificados como prisioneiros de consciência — foram excluídos do benefício, sem explicações das autoridades iranianas.

O relatório foi apresentado pela Alta Comissária Adjunta para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif, que aproveitou o discurso para expressar preocupação com a escalada do conflito entre o Irã e Israel. Ela relatou que “milhares de moradores fugiram de áreas da capital, Teerã, devido a alertas generalizados”, e alertou para o risco de vítimas civis em possíveis ataques a zonas densamente povoadas.

“É imperativo que ambas as partes respeitem plenamente o direito internacional humanitário, garantindo a proteção de civis e infraestrutura essencial”, afirmou Al-Nashif. A comissária também instou líderes internacionais a promoverem o diálogo como medida prioritária para conter a tensão regional.

Em resposta ao relatório, o representante iraniano Ali Bahreini criticou o que chamou de “violação dos direitos do povo iraniano” por parte da comunidade internacional, citando ameaças à segurança, soberania e desenvolvimento do país. No entanto, ele não comentou diretamente as denúncias apresentadas no documento.

O relatório do Secretário-Geral também inclui casos de tortura, detenções arbitrárias e restrições às liberdades de expressão, reunião pacífica e associação, reforçando preocupações constantes sobre o ambiente repressivo imposto pelo regime iraniano às minorias religiosas e à dissidência civil.

Fonte: Comunhão com informações Article 18

Jovens que estudam a Bíblia são mais felizes, revela pesquisa

Jovens adolescentes reunidos lendo a Bíblia (Foto: Canva Pro)
Jovens adolescentes reunidos lendo a Bíblia (Foto: Canva Pro)

Um novo relatório da American Bible Society revela uma forte relação entre o engajamento com a Bíblia e o bem-estar pessoal, especialmente entre membros da Geração Z e dos millennials.

Segundo a pesquisa, jovens adultos que mantêm o hábito de leitura regular das Escrituras apresentam melhores índices de saúde emocional, física e relacional do que aqueles que não mantêm esse contato com o texto sagrado.

O estudo utilizou o Human Flourishing Index, desenvolvido pela Universidade de Harvard, para mensurar áreas como saúde, felicidade e sentido de vida. Jovens leitores da Bíblia alcançaram média de 8,1 no índice, enquanto a média geral da Geração Z foi de apenas 6,8, a mais baixa entre todas as gerações avaliadas. Já os boomers atingiram 7,5, com quase metade declarando sentir-se plenamente realizados.

Outro dado relevante foi o avanço das relações sociais entre os membros da Geração Z. O índice, que era de 6,6 em 2024, passou para 7,0 neste ano, ultrapassando as médias dos millennials e da Geração X. A leitura bíblica diária, assim como a frequência mensal à igreja, se mostraram fatores associados a maiores níveis de bem-estar geral.

O relatório destacou ainda uma reversão na tendência de queda na leitura bíblica nos Estados Unidos, com crescimento pela primeira vez em quatro anos. Estima-se que cerca de 11 milhões de americanos passaram a ler a Bíblia em 2025, com destaque para o aumento entre homens, millennials e membros da Geração X. Cerca de 71 milhões de pessoas ainda estão no que a pesquisa chama de “meio móvel”: interessados nas Escrituras, mas ainda sem engajamento ativo.

Geograficamente, o aumento da leitura bíblica foi mais expressivo nas regiões Nordeste e Oeste dos EUA, com 18% de crescimento. O Sul permaneceu estável. Curiosamente, na área da Baía de São Francisco, conhecida por sua baixa religiosidade, os índices de leitura entre jovens superaram a média nacional, reforçando a ideia de que, mesmo em contextos culturais mais seculares, há sede por sentido e espiritualidade.

Fonte: Comunhão

Igrejas registram aumento de frequência e de engajamento desde a pandemia, nos EUA

Mulher cristã adorando a Deus em um culto (Foto: Reprodução/Evangelical Alliance)
Mulher cristã adorando a Deus em um culto (Foto: Reprodução/Evangelical Alliance)

Um novo estudo sugeriu que as igrejas nos EUA têm experimentado crescimento e engajamento desde os bloqueios da Covid de quatro ou cinco anos atrás.

A pesquisa foi conduzida pelo projeto Explorando o Impacto da Pandemia nas Congregações, liderado pelo Instituto Hartford de Pesquisa Religiosa, e entrevistou mais de 24.000 frequentadores de igrejas em mais de 80 denominações.

Mais de um terço dos entrevistados (38%) disseram que se filiaram à sua igreja atual nos últimos cinco anos, embora seja importante ressaltar que isso inclui pessoas que mudaram de igreja, bem como novos fiéis e pessoas em busca de fé.

Oitenta por cento dos entrevistados também relataram frequentar a igreja com mais regularidade do que antes da pandemia. Isso se aplica principalmente aos frequentadores mais jovens.

Os bloqueios causados ​​pela Covid, embora muitas vezes proibissem ou restringissem reuniões na igreja, levaram muitas congregações a explorar ou desenvolver cultos e eventos online, uma tendência que aparentemente continuou após o bloqueio.

Pouco mais de um quarto dos frequentadores de igrejas afirmou participar regularmente de cultos online, enquanto os três quartos restantes preferem cultos presenciais. Dois terços dos que participam de eventos online da igreja disseram que faziam outras coisas em casa enquanto participavam.

A maioria dos entrevistados afirmou ter crescido na fé e na espiritualidade desde a pandemia. Outras mudanças incluem um aumento nas doações para caridade e no voluntariado.

O relatório também incluiu comentários pessoais de muitos dos entrevistados, com um deles dizendo: “Tornar-me cristão não fez nada além de melhorar muito minha vida”.

Outro testemunhou sobre sua igreja: “Este lugar significa tudo para mim. Fui ateu convicto por mais de uma década, mas Cristo e a Igreja continuaram a mudar todo o meu ser. Sou grato por isso não ser algo que continua acontecendo apenas comigo, mas também com minha esposa. Eu não conseguiria imaginar minha vida sem o cristianismo. Amo minha paróquia, amo meu padre e meu diácono, digo isso a eles pelo menos uma vez por semana. Cristo ressuscitou!”

Folha Gospel com informações de The Christian Today

Chile continua com declínio católico e crescimento evangélico, revela censo

Bandeira do Chile na Praça da Cidadania na capital Santiago (Foto: Canva Pro)
Bandeira do Chile na Praça da Cidadania na capital Santiago (Foto: Canva Pro)

O Instituto Nacional de Estatística (INE) do Chile publicou no dia 30 de junho a quarta rodada de resultados do Censo Populacional e Habitacional de 2024, o último previsto para o primeiro semestre deste ano.

Foram apresentadas diversas características da população censitária, como deficiência, pertencimento a comunidades indígenas, afrodescendentes, religião ou credo, gênero e escolaridade.

Religião ou Credo

Do total de pessoas com 15 anos ou mais, 74,2% (11.214.961) pertencem a alguma religião ou crença. Destes, 54,5% são mulheres e 45,5% são homens, e a média de idade é de 46,7 anos, superior aos 38,8 anos daqueles que não professam religião ou crença.

Geograficamente, “as regiões com maior percentual de pessoas com 15 anos ou mais que professam alguma religião ou credo são Maule (81,7%), Ñuble (80,1%) e O’Higgins (79,4%)”.

A religião católica continua sendo a principal religião ou credo, mas com uma queda ao longo dos anos, passando de 76,9% em 1992, para 70% em 2002 e 54% em 2024 .

Por outro lado, a religião evangélica ou protestante, a segunda maior em número de adeptos, vem crescendo, passando de 13,2% em 1992, 15,1% em 2002 e 16,3% em 2024.

Por fim, 25,8% da população com 15 anos ou mais declara não ter religião ou crença, número era de 8,3% em 2002.

Sexo e gênero na pesquisa

O Censo de 2024 inclui um conjunto de perguntas para a população com 18 anos ou mais sobre a identidade de gênero de uma pessoa ou sua maneira de se expressar, independentemente de corresponder ou não ao seu sexo de nascimento.

Daqueles com 18 anos ou mais, 51,9% se identificam claramente com o gênero feminino, 47,6% com o masculino, correspondente ao seu sexo biológico .

As porcentagens caem drasticamente para 0,2% transmasculinos, 0,1% transfemininos, 0,1% não binários e 0,03% com gênero diferente de sua composição genética. Ou seja, menos de 0,5% da população (0,043%).

Folha Gospel com informações de Evangélico Digital

Multidão muçulmana interrompe retiro cristão e danifica propriedades na Indonésia

Cristãos na Indonésia. (Foto: Portas Abertas)
Cristãos na Indonésia. (Foto: Portas Abertas)

Enquanto a polícia e os soldados observavam, cerca de 200 muçulmanos invadiram na sexta-feira (27 de junho) um retiro de jovens cristãos em uma casa na Indonésia, expulsando os participantes e danificando propriedades, disseram fontes.

Carregando faixas e gritando “Destruam aquela casa, destruam aquela casa”, a multidão muçulmana atacou a casa na vila de Tangkil, Sukabumi, no distrito de Cidahu, província de Java Ocidental, por volta das 13h30, após as orações da mesquita de sexta-feira, danificando janelas, banheiros, um mirante e um jardim, de acordo com o Sukabumisatu.com.

Alegando que uma casa não deveria ser usada como local de culto, a multidão também teria jogado uma motocicleta em um rio próximo e danificado o portão principal.

Vídeos que circulam online mostram um homem escalando um muro e removendo uma cruz de madeira presa a ele, que ele então usa para quebrar uma janela. Em outro vídeo, indivíduos são vistos destruindo propriedades com cadeiras e diversas ferramentas. Outros vídeos mostram a destruição de um carro.

Segundo fontes, os policiais finalmente evacuaram 36 participantes do retiro de jovens cristãos e três carros para um local para evitar violência física. Um vídeo mostra vários meninos e meninas assustados tentando entrar em um carro enquanto a multidão grita para que eles saiam do complexo de retiros.

Os moradores que protestavam afirmaram que não eram motivados pela intolerância, mas pela crença de que adorar em um local não licenciado para fins religiosos perturbaria a paz.

“Não é que sejamos intolerantes, mas se o culto for realizado secretamente, envolvendo forasteiros, sem permissão, em um assentamento 100% muçulmano, ficamos preocupados”, disse um morador. “Por que não ir a um local de culto oficial?”

A manifestação e o ataque supostamente ocorreram após uma visita de autoridades do Cidahu e outras autoridades, incluindo o chefe da filial de Sukabumi do Conselho Ulama da Indonésia, à casa às 10h30. Eles se encontraram com Wedi, irmão mais novo da então ausente dona da casa, Maria Veronica Ninna, para perguntar sobre a situação da casa, e uma suposta provocação de um dos moradores levou à reação da multidão, de acordo com o Sukabumisatu.com.

O chefe da Agência de Unidade Nacional e Política da Regência de Sukabumi, Tri Romadhono, afirmou que os ataques foram espontâneos.

“Este incidente ocorreu devido à reação espontânea dos moradores ao fato de uma casa estar sendo usada como local de culto sem permissão oficial”, disse Tri, segundo o Sukabumiupdate.com. “Esta não é uma igreja nem um local oficial de culto. Esta casa está sendo usada de forma inadequada para atividades religiosas.”

Segundo o ativista de direitos humanos indonésio Permadi Arya, conhecido como Abu Janda, apenas a construção de uma igreja requer uma licença de construção.

“Realizar cultos em casa, lojas e cafés não precisa de permissão”, de acordo com o Decreto Conjunto dos Dois Ministros, Capítulo 1, Artigo 3, escreveu Permadi em 2023.

Essas casas, cafés e lojas podem ser equiparadas às salas de oração tradicionais muçulmanas ( musholla ) e, como os muçulmanos não precisam de permissão para elas, os cristãos devem receber tratamento igual, disse ele.

O chefe do bairro local, identificado apenas como Hendra, disse que a casa foi usada para cultos em três ocasiões, com dezenas de veículos, incluindo um ônibus que trouxe fiéis de fora da área, chegando à casa.

“Nós os alertamos e proibimos, mas a atividade continua”, teria dito Hendra. “Os moradores não podem mais tolerar isso, porque este lugar não é um local oficial de culto, e isso já vem causando distúrbios há algum tempo.”

Um líder comunitário local que pediu anonimato disse que a mediação está em andamento desde abril, “mas as atividades de culto continuam”.

O chefe da vila, Ijang Sehabudin, confirmou que as autoridades estão conversando com o proprietário e os moradores, de acordo com o Matanusa.com.

“Recomendamos que não a utilizássemos para cultos religiosos, mas fomos ignorados”, teria dito Ijang. “Então, mais cedo, os moradores vieram imediatamente à casa. Eles sentiram que seus direitos ambientais estavam sendo violados, pois esta casa é legalmente apenas um local para moradia, não um local de culto.”

Afirmando que um espaço designado para culto tem regras específicas, ele disse: “este local deve ser considerado uma casa, não um local de culto. Há regras a serem seguidas caso você queira solicitar uma autorização para local de culto.”

Os moradores que protestavam concordaram em pagar pelos danos à casa, disse Ijang no sábado (28 de junho), mas ele enfatizou que o que foi danificado foi uma casa, “não uma igreja ou um local de culto”, de acordo com Beritasukabumi.id.

Autoridades do distrito emitiram uma declaração afirmando que as negociações resultaram em um acordo no qual a igreja não tomaria medidas legais contra os agressores, mas resolveria os conflitos por meio de discussão e: “Pedimos ao proprietário que use a propriedade exclusivamente como residência, não para culto”.

“Acreditamos que incidentes semelhantes não ocorrerão novamente no futuro”, dizia o comunicado. “Estamos dispostos a indenizar quaisquer danos e reparar a casa afetada… Afirmamos que o incidente em questão não foi um ato de destruição de um local de culto.”

Intolerância

O ativista pela liberdade religiosa Permadi descreveu o caso como uma questão de intolerância e “fobia cristã”, afirmando que o governo faz vista grossa aos cristãos.

“Não há cura para a intolerância no oeste da Indonésia”, disse ele nas redes sociais. “Estudantes cristãos em retiro em Sukabumi foram atacados por moradores, despejados de suas casas e estas foram destruídas pelas massas.”

A atitude das autoridades reflete um sentimento anticristão, ele disse.

“Não se trata de uma questão de licenças”, disse ele. “Isso é pura fobia cristã, permitida pelo Estado desde a época do [ex-presidente] Sr. Jokowi até o presidente Sr. Prabowo.”

Extremistas islâmicos têm usado a falta de alvarás de construção como pretexto para fechar ou atacar locais de igrejas desde a aprovação do Decreto Ministerial Conjunto da Indonésia de 2006, que tornou a obtenção dessas licenças quase impossível para a maioria das novas congregações. Mesmo quando igrejas pequenas e novas conseguiram cumprir o requisito de obter 90 assinaturas de aprovação de membros da congregação e 60 de famílias de diferentes religiões, frequentemente enfrentaram atrasos ou falta de resposta das autoridades.

A sociedade indonésia adotou um caráter islâmico mais conservador, e igrejas envolvidas em atividades evangelísticas correm o risco de serem alvos de grupos extremistas islâmicos, de acordo com a Portas Abertas.

Folha Gospel com informações de Christian Daily

Cristãos refugiados lançados ao mar na Índia estão desaparecidos

Refugiados cristãos detidos na Índia (Foto: Morning Star News)
Refugiados cristãos detidos na Índia (Foto: Morning Star News)

Parentes de refugiados cristãos da etnia Rohingya lançados ao mar pela Marinha da Índia ainda não tiveram notícias deles, quase dois meses depois que os rejeitados chegaram à costa de sua terra natal, Mianmar (Birmânia).

“Se alguém pudesse nos dizer se está vivo ou morto, essa ansiedade está nos matando”, disse Sadeq Shalom ao Morning Star News em Delhi.

Os próprios refugiados de Mianmar, parentes dos rejeitados, são caçados pela polícia de Déli desde que as autoridades indianas deportaram 38 rohingyas , incluindo 15 cristãos, em 6 de maio.

A polícia deteve os refugiados cristãos rohingyas das áreas de Uttam Nagar e Vikaspuri, em Déli, enquanto as autoridades prenderam os 23 muçulmanos rohingyas de outras partes de Déli. Os rohingyas deportados, abandonados em águas internacionais, tiveram que nadar até Mianmar – o país que haviam deixado para escapar do genocídio.

“As autoridades não deram a eles nem às suas famílias qualquer aviso ou informação prévia”, disse Nasir David, cujos pais idosos foram deportados.

Shalom disse que os 15 cristãos deportados deixaram famílias na Índia. A polícia deteve e deportou o irmão mais velho de Shalom, John Anwar, em 6 de maio. Ele foi um dos 15 cristãos, cinco mulheres e 10 homens, incluindo três idosos, que a Marinha forçou a embarcar na madrugada de 9 de maio.

A esposa de Anwar, que sofreu um aborto espontâneo em abril, também estava entre os 15 cristãos deportados.

“Minha cunhada não estava apenas lidando com seus problemas emocionais e de saúde mental, mas também estava se recuperando fisicamente do aborto espontâneo”, disse Shalom, acrescentando que havia outra mulher deportada que havia sofrido um aborto espontâneo.

David disse que as autoridades deportaram os idosos sem seus medicamentos diários e sem dinheiro para comprá-los.

“Minha mãe é diabética e meu pai toma remédios para pressão arterial – ambos precisam de sua dose diária de remédios”, disse David ao Morning Star News. “Minha mãe desmaia devido à flutuação do açúcar no sangue, e me dá um medo enorme imaginar como eles estão sobrevivendo em Mianmar sem dinheiro, remédios e comida.”

Vários dos rejeitados não sabiam nadar, incluindo os pais de David, ele disse.

Shalom contou ao Morning Star News que o calvário começou em 26 de fevereiro, quando as autoridades convocaram cerca de 150 cristãos rohingyas para coletar seus dados “biológicos”, como impressões digitais e outras medidas físicas usadas para identificação. As autoridades então os liberaram sem incidentes, mas em 6 de maio a polícia informou que houve uma falha técnica nos processos biométricos de 15 pessoas e que eles precisavam refazê-los.

A polícia os transferiu de um lugar para outro na tentativa de registrar seus dados biométricos, mas falhou em todas as tentativas devido a problemas de conexão com a internet, disse Shalom. Durante esse período, as autoridades forçaram as mulheres a se submeterem a testes de gravidez e os homens a testes de identificação. As autoridades finalmente os levaram para o Centro de Detenção de Inderlok, onde confiscaram seus celulares.

“Até então, recebíamos atualizações ocasionais de nossas famílias por meio de mensagens sobre seu paradeiro, mas depois que seus telefones foram roubados, não sabíamos onde eles estavam”, disse Shalom.

No dia seguinte, Shalom recebeu um telefonema de um número desconhecido, que acabou sendo seu irmão Anwar. Ele informou rapidamente a Shalom que as autoridades os estavam levando ao aeroporto para deportá-los para Mianmar.

“Foi uma ligação de 17 segundos que nos abalou completamente”, disse Shalom.

Três dias depois, em 9 de maio, Shalom recebeu novamente notícias de seu irmão Anwar às 5h30 da manhã. Depois de nadar até a costa de Mianmar, ele havia pegado emprestado um telefone de um pescador para ligar para Shalom.

“Anwar narrou a jornada aterrorizante e a situação difícil pela qual todos tiveram que passar”, disse Shalom. “Ao ouvir isso, ficamos todos completamente abalados.”

Os militares indianos transportaram os rohingyas de avião para Sri Vijaya Puram (também chamada de Port Blair), nas Ilhas Andamão e Nicobar. Uma vez lá, as autoridades apreenderam a documentação de refugiados da ONU, dinheiro e pertences antes de colocá-los em navios da Marinha Indiana, de acordo com Anwar e relatos da mídia.

Os militares da Marinha amarraram as mãos e cobriram os olhos com vendas, contou Anwar ao irmão.

“Eles ficaram amarrados com força por cerca de quatro horas, fazendo os pulsos de Anwar sangrarem”, disse Shalom.

Anwar também contou como foi agredido depois que oficiais da Marinha notaram uma cruz e o nome completo de Anwar, “John Anwar”, escrito em sua camiseta. Perguntaram quantos deles eram cristãos, e ele revelou o número.

O pessoal da marinha os acusou de fazerem parte do “ataque terrorista de Pahalgam” que ocorreu em Jammu e Caxemira em 22 de abril, inexplicavelmente rotulando-os de “paquistaneses”.

A tripulação naval apresentou então ao grupo duas opções: retornar a Mianmar ou transferir-se para a Indonésia. Temendo a repatriação para Mianmar, os refugiados escolheram a Indonésia como destino. Após a meia-noite de 8 de maio, a tripulação naval retirou suas amarras, distribuiu coletes salva-vidas e ordenou que se jogassem no mar.

“Eles foram solicitados a permanecer na água e receberam a garantia de que alguém chegaria para resgatá-los”, disse David.

Depois de algum tempo na água, ninguém apareceu, então eles decidiram tentar nadar até a praia.

“Aqueles que sabiam nadar arrastaram aqueles que não sabiam nadar”, disse David.

Ao chegarem à costa, avistaram alguns homens e, “pensando que poderiam ser mortos por invadir a fronteira internacional, aproximaram-se rapidamente, numa postura de rendição”, disse David. À medida que os dejetos se aproximavam, perceberam que os que estavam na praia eram pescadores.

“Foi um choque para todos que chegaram à costa saber que não estavam na Indonésia, mas sim em Mianmar”, disse Shalom.

O relato veio na primeira e na última ligação que Shalom recebeu de Anwar, que confirmou que eles “pousaram vivos em Mianmar”.

David disse que também conseguiu falar com seus pais, mas essa foi a última vez que teve notícias deles.

“Até hoje, não sabemos sobre o bem-estar deles, sua segurança ou mesmo se ainda estão vivos”, disse David, claramente ansioso.

Fé em meio às incertezas

David compartilhou seu medo e preocupação por sua família e comunidade com o Morning Star News.

“Como filho, sinto-me como um ser humano sem vida, dilacerado pela dor, e como representante da minha comunidade, estou sobrecarregado e profundamente preocupado com a segurança e o futuro do nosso povo, pois vivemos em medo constante”, disse ele.

Pais cujos filhos foram deportados não conseguem se consolar, disse Shalom.

“Eles têm dito repetidamente: ‘Se pudéssemos ter notícias sobre nossos filhos — se eles estão vivos ou mortos, mas não sabemos como eles estão’”, disse ele.

David disse que somente sua fé em Deus o capacita a suportar cada dia. Ele pediu orações por eles, assim como pela Índia.

“Acreditamos que Deus é soberano e confiamos que Ele zela por Seus filhos mesmo nos vales mais escuros”, disse ele.

Eles estão se mudando de um lugar para outro, esperando que Deus lhes dê um caminho para obter asilo político em um país onde possam “viver sem medo”.

“Apelamos a todas as igrejas, organizações cristãs e pessoas de boa vontade para que estejam conosco em oração e ofereçam toda a ajuda possível — financeira, falando com embaixadas em nosso nome e governos para nossa realocação”, disse Shalom.

Apesar das circunstâncias desesperadoras, David continua mantendo viva sua esperança.

“Embora eu nunca mais veja meus pais nesta vida, mantenho a esperança eterna de que nos encontraremos novamente no céu — nos braços do nosso Salvador, onde cada lágrima será enxugada e a tristeza não existirá mais.”

Deportações desumanas

Além dos 135 cristãos rohingya questionando a forma desumana de deportação nas mãos do governo, a Anistia Internacional, uma organização global de direitos humanos, pediu em 19 de junho ao governo indiano que “interrompesse todas as deportações”.

O governo indiano foi instado a “cumprir suas obrigações legais sob o direito internacional e interromper imediatamente todas as deportações de refugiados rohingya”, disse Aakar Patel, presidente do conselho da Anistia Internacional Índia, em sua declaração.

Shalom, juntamente com 150 cristãos rohingya, chegou à Índia em 2014, após enfrentar a brutalidade nas mãos do exército de Mianmar. Ao chegarem a Delhi, o governo indiano concedeu a muitos deles vistos de longa duração (LTV), e eles também se registraram no Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Shalom e as outras crianças iam catar trapos para sobreviver, enquanto seus pais faziam trabalhos braçais. Catando trapos durante o dia, as crianças frequentavam aulas noturnas e, lenta e gradualmente, foram aprovadas nos exames do 10º e 12º ano pelo sistema de ensino aberto.

Com educação, esses catadores de lixo conseguiram empregos decentes. O pai de David, que não tinha educação, aprendeu a ler bengali e rohingya para ler a Bíblia e ensinar outras pessoas. Ele começou a liderar cultos e se tornou diácono em 2006, disse David.

Mas em 2017, o governo da Índia declarou os Rohingya como imigrantes ilegais e cancelou todos os seus vistos.

“Foi somente agora, depois de vários anos de luta, que começamos a nos sentir estabelecidos, e agora, de repente, estamos sem teto, sem emprego, sem comida, desenraizados, sem ter para onde recorrer”, disse David.

Shalom disse que não tem medo de deportação, mas “temos problemas com a forma como estamos sendo deportados – pegos sem aviso prévio, separados de nossas famílias, agredidos no caminho e jogados em águas internacionais para morrer. Solicitamos que nos deportem todos juntos e não nos separem de nossas famílias”.

Mianmar considera os rohingyas migrantes de Bangladesh e nega-lhes a cidadania, mas eles afirmam ser nativos do oeste de Mianmar. Antes do genocídio rohingya em 2017, que levou mais de 740.000 rohingyas a fugirem para Bangladesh, sua população em Mianmar era estimada em 1,4 milhão.

As autoridades em Mianmar impõem restrições à movimentação e ao acesso à educação pública e aos empregos públicos.

Autoridades da ONU e a Human Rights Watch descreveram a perseguição aos rohingyas em Mianmar como limpeza étnica. Investigações da ONU encontraram evidências de crescente incitação ao ódio e à intolerância religiosa por budistas ultranacionalistas contra os rohingyas, e as forças de segurança de Mianmar os submeteram a execuções sumárias, desaparecimentos, prisões e detenções arbitrárias, tortura, maus-tratos e trabalho forçado contra a comunidade.

Refugiados rohingya na Índia enfrentam perseguição e ataques de grupos nacionalistas hindus.

A organização de apoio cristão Portas Abertas classificou a Índia em 11º lugar em sua Lista Mundial da Perseguição de 2025, que reúne os países onde os cristãos enfrentam a perseguição mais severa. A Índia ocupava a 31ª posição em 2013, mas tem caído constantemente no ranking desde que Narendra Modi assumiu o poder como primeiro-ministro.

Defensores dos direitos religiosos apontam para o tom hostil do governo da Aliança Democrática Nacional, liderado pelo Partido Nacionalista Hindu Bharatiya Janata, que eles dizem ter encorajado extremistas hindus na Índia desde que Modi assumiu o poder em maio de 2014.

Folha Gospel com informações de Christian Daily

Evangélicas têm mais filhos do que mulheres de outras religiões, revela IBGE

Mãe e filha orando com uma Bíblia na mesa (Foto: Canva Pro)
Mãe e filha orando com uma Bíblia na mesa (Foto: Canva Pro)

Na última sexta-feira (27), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados do Censo 2022 sobre a taxa de fecundidade entre mulheres de diferentes religiões. O estudo aponta que as evangélicas têm a maior média do país, com 1,7 filho por mulher, enquanto as espíritas apresentam a menor, com 1,0.

Mulheres católicas e aquelas que se declaram sem religião apresentam uma taxa média de fecundidade de 1,5 filho por mulher — valor ligeiramente inferior ao das evangélicas, mas ainda acima da média observada entre outros grupos religiosos.

Entre as seguidoras de outras religiões não especificadas, a média é de 1,4 filho. Já no grupo de umbandistas e candomblecistas, a taxa cai para 1,2.

Luci Souza, de 56 anos, da igreja Comunidade Evangélica de Cordovil, no Rio de Janeiro, é mãe de quatro filhos e diretora de uma escola da rede estadual.

Além do tempo dedicado a servir na igreja, a cristã concilia a rotina de trabalho e afazeres domésticos. E afirmou que existe um propósito espiritual na maternidade.

“Está escrito na Bíblia: ‘Crescei e multiplicai-vos’. De certa forma, isso sempre despertou em mim um interesse pelo ato de ser mãe, pela ideia de perpetuar a família”, relatou Luci ao jornal O GLOBO.

E continuou: “Sempre sonhei em gerar uma vida. Não foi por estar escrito na Bíblia, mas acho que isso influenciou de alguma forma. Já houve uma moralização da maternidade nas igrejas, mas a realidade mudou”.

Mãe de Natanael, de 29 anos, Yohanna, de 28, Ben-Hur, de 26, e Maria Elisa, de 9, Luci conta que, embora tenha quatro filhos, sempre desejou ter mais.

No entanto, o apoio da comunidade ao seu redor foi essencial para conciliar a criação dos filhos com a vida profissional e as atividades na igreja.

“O plano inicial era ter até mais filhos, mas gerar uma vida não é algo simples — é algo profundo, quase sobrenatural”, afirmou ela.

“O amor de uma mãe por um filho é algo que ultrapassa qualquer explicação, e eu sempre quis isso. Tive uma rede de apoio muito boa, de família e amigos, que foi fundamental para criar meus filhos”, acrescentou.

A idade das mulheres entrevistadas

Os dados revelam que, entre as mulheres evangélicas, a maternidade ocorre principalmente entre os 20 e 29 anos, com destaque na faixa dos 25 aos 29 anos, onde mais de 25% dos nascimentos são registrados neste grupo.

Entre católicas e mulheres sem religião, o padrão é semelhante, com o pico de fecundidade também ocorrendo entre os 25 e 29 anos.

Já entre as espíritas, o cenário é diferente. A maternidade tende a ser postergada, com o maior índice de nascimentos concentrado entre os 30 e 34 anos.

O IBGE destacou que os dados preliminares do Censo 2022 não permitem afirmar se a religião, por si só, influencia diretamente o número de filhos. Segundo os pesquisadores, essa variável deve ser analisada considerando outros fatores sociais.

A pesquisa levou em conta mulheres com 12 anos ou mais e analisou quantos filhos vivos elas tiveram até 31 de julho de 2022, além do sexo dos filhos e quantos ainda estavam vivos nessa data.

Foi considerado nascido vivo todo bebê que mostrou algum sinal de vida após o parto, como respirar, chorar ou se mexer, mesmo que tenha falecido em seguida.

Fonte: Guia-me com informações de O Globo

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