Os líderes europeus devem trabalhar para chegar “muito em breve” a um acordo de comércio com todos os países africanos, defende a organização não-governamental DATA, fundada pelo vocalista do U2, Bono Vox, que considerou a cúpula União Européia-África positiva.

“Os próximos dias e semanas podem ser críticos”, alerta Oliver Buston, diretor europeu da organização que luta pela erradicação da pobreza e da Aids na África, fundada pelo vocalista do U2, Bono Vox.

Em causa está o não-cumprimento do prazo imposto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para que a União Européia (UE) e os países africanos celebrassem Acordos de Parceria Econômica (APE) que facilitem as relações comerciais.

A data limite para concluir estas negociações estava agendada para o final de dezembro de 2007, com entrada em vigor no início de 2008. O fracasso, no entanto, é o resultado mais provável, já que foram bem sucedidas as negociações com apenas 13 países africanos.

“A chave está nos líderes europeus: no primeiro-ministro [português], José Sócrates, no presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, no comissário para o Comércio, Peter Mandelson”, menciona Buston, em declarações à Agência Lusa.

Na sua opinião, os mandatários europeus devem “trabalhar com os líderes africanos um processo sério para firmar acordos de comércio que tenham as necessidades dos africanos no seu coração”.

“Precisamos que isso aconteça muito em breve”, apelou, notando a “frente bastante unida” que os países africanos mostraram nesta questão ao solicitar “mais tempo” para negociar.

“Foi um pedido bastante alinhado dos líderes africanos, e os líderes europeus disseram que ouviram a mensagem, mas ainda não sabemos o significado” deste compromisso, lamentou.

A cúpula UE-África, realizada em Lisboa em 8 e 9 de dezembro, aconteceu sete anos depois de sua primeira edição no Cairo, Egito, em abril de 2000.

Além da troca de opiniões sobre o comércio, Buston considerou positiva a abordagem que foi feita sobre “outros assuntos, como a questão do [presidente do Zimbábue, Robert] Mugabe”.

No entanto, o diretor da ONG acusa a Europa de não estar cumprindo promessas de ajuda para a África, em particular Portugal.

Segundo o ativista, o governo português prometeu aumentar o volume da ajuda ao desenvolvimento externo para 0,51% de seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2010, mas corre o perigo de faltar à palavra, pois atualmente gasta apenas 0,21%.

“Esperamos que este novo interesse de Portugal pela África e o fato de ter organizado esta cúpula importante seja materializado em um novo compromisso para dar apoio efetivo a programas de desenvolvimento” no continente africano, declarou.

Oliver Buston reconhece que esse “montante não é elevado”, mas diz que a ajuda portuguesa “pode salvar vidas”.

Fonte: Lusa