Pela primeira vez em mais de uma década, a maioria dos americanos diz que as igrejas devem ficar de fora da política nacional. Segundo uma pesquisa do Pew Research Center, 52% dos entrevistados afirma que as igrejas não devem se pronunciar sobre a campanha presidencial.

Contudo, outros 46% indicam que apóiam que as igrejas participem do processo político do país e dizem que elas devem expressar suas visões políticas.

E foi justamente com pastores, como o reverendo Jeremiah Wright, expressando sua opinião sobre a campanha deste ano que o democrata Barack Obama envolveu-se numa polêmica que acabou afastando-o de sua igreja batista.

O que chama a atenção é que a maior mudança está entre os republicanos, eleitores mais conservadores e que costumam unir opinião política e religião ao combater aborto e pesquisa com células-tronco.

Há quatro anos, apenas 37% dos conservadores diziam que as igrejas deveriam ficar de fora da política. Hoje, este número chega a 51% destes eleitores.

O resultado desta mudança, aponta o Pew Research, é que a visão dos conservadores sobre estes assuntos estão muito mais alinhadas com as visões dos eleitores mais moderados. Outro cenário é que as profundas diferenças entre democratas e republicanos que existiam nestes assuntos diminuíram significativamente.

Esta mudança aparece também entre os eleitores independentes. Nas eleições de 2004, que reelegeram George W. Bush, 45% indicavam que as igrejas deveriam ficar longe da política. Hoje, este número chega 55%.

Já entre os democratas, o cenário manteve-se praticamente igual –52% dizem que a igreja não deve expressar sua opinião política e 46% dizem que os religiosos devem participar do processo, um aumento, nos dois casos, de um ponto percentual.

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A pesquisa aponta ainda outros sinais de que há uma mudança na opinião dos americanos sobre a mistura de religião e política.

Há menos de uma semana do fórum religioso do qual participaram tanto Obama quanto o republicano John McCain, o Pew Research aponta um pequeno, mas significativo, aumento do número de entrevistados que dizem ficar desconfortáveis ao ouvir os candidatos falando sobre quão religiosos são –de 40% a 46%. Novamente, a mudança é muito maior entre os republicanos do que entre democratas.

A sondagem aponta ainda um cenário surpreendente. Aparentemente, enquanto mais importante é o tema para os conservadores, mais eles dizem que religião e política não devem se misturar.

Assim, entre as pessoas que dizem que o casamento gay é muito importante, 50% dizem que a religião deve ficar fora da política –o dobro dos que apontaram a mesma visão em 2004. Entre os que consideram o tema pouco importante, o cenário praticamente não se alterou, diminuindo um ponto percentual (de 56% para 55%).

O mesmo se vê quando o tema é o aborto. Entre aqueles que o consideram muito importante, 49% apóiam que a igreja fique fora da política, um aumento de 16 pontos percentuais. Entre os que não consideram o tema importante, houve aumento de apenas dois pontos percentuais.

Contudo, aponta a pesquisa, a maioria dos eleitores continuam dizendo que os candidatos devem ter fortes crenças religiosas e se dividem ao apontar se há muito ou pouca expressão religiosa nos atuais líderes políticos. Assim, 29% dizem que os políticos falam demais de suas visões religiosas, 36% dizem que eles falam muito pouco e 28% dizem acreditar que falam o suficiente.

Fonte: Folha Online