Imagem do especial Primeira Tentação de Cristo, do Porta dos Fundos, na Netflix
Imagem do especial Primeira Tentação de Cristo, do Porta dos Fundos, na Netflix

Na manhã desta quinta-feira (12), uma petição online na Change.org para que a Netflix retire o filme “Especial de Natal Porta dos Fundos – A Primeira Tentação de Cristo” de seu acervo na plataforma de streamming ultrapassou 1 milhão de assinaturas.

O avanço da petição online se tornou viral, devido à repercussão negativa que o filme gerou, não apenas entre cristãos e conservadores, mas entre todos aqueles que não concordam com o uso indevido de elementos religiosos. Prova disso é que na última segunda-feira (9), o número de assinaturas era de 180 mil e em três dias, ultrapassou 1 milhão de assinaturas.

No roteiro, o filme apresenta Jesus como um homem que tem um relacionamento homossexual aos 30 anos com “Orlando”, que depois se revela como Satanás. Além disso, na história, Deus é representado como alguém que não controla seus impulsos sexuais, Maria é adúltera e um dos reis magos leva uma prostituta para a festa de aniversário de Jesus.

Pastores se posicionando

Durante os últimos dias, teólogos e escritores se pronunciaram sobre o assunto, repudiando o grupo Porta dos Fundos pela criação do roteiro e também a Netflix por promover a produção do filme.

Em uma publicação do Facebook, o Rev. Augustus Nicodemus confessou que não se espanta com esse tipo de ofensa à imagem de Cristo, mostrando que essa distorção já foi feita em outras ocasiões.

“Não é de hoje que também o chamam de homossexual. Seu pretenso caso com João, o jovem discípulo amado que se inclinou no seu peito durante a Ceia, tem sido apontado como evidência desde os primórdios da teologia inclusiva (gay) décadas atrás. Contudo, somente olhos homossexuais conseguem enxergar no episódio mais do que demonstração oriental masculina de amizade entre dois amigos”, explicou.

“Todas essas caricaturas de Cristo, inclusive essa requentada mais recentemente pelo Porta dos Fundos, não são novidade para os cristãos que conhecem a história de rejeição, perseguição, ódio e desprezo por Jesus de Nazaré conforme ele é retratado nos 4 Evangelhos canônicos e nos escritos de seus seguidores mais próximos, ainda no século I – aliás, as únicas fontes confiáveis que temos sobre sua identidade”, acrescentou.

O pastor continuou apontando a produção do Porta dos Fundos como resultado das ações de pessoas que simplesmente atacam o cristianismo.

“Essa representação, totalmente contrária aos textos bíblicos que servem de origem para entendermos quem é Jesus, é resultado do deboche, zombaria, cinismo e descaso consciente de pessoas que querem simplesmente atacar o Cristianismo”, destacou. “Não estou espantado. O que se espera que sairia de um grupo que tem um nome desses [POrta dos Fundos] para identificá-lo?”.

Já o pastor e escritor Franklin Ferreira destacou que esta não foi a primeira vez que o próprio grupo Porta dos Fundos vilipendiou a fé cristã e apontou o filme como mais uma revelação do ódio da esquerda contra a Igreja e o cristianismo.

“Mas, hoje, os esquerdistas não escondem mais seu ódio contra a religião mais perseguida do mundo: o cristianismo. E o Porta dos Fundos, que tem entre suas estrelas um ferrenho defensor do PT e PSOL, é parte desse movimento para vilipendiar e ridicularizar a fé no Senhor Jesus Cristo”, lembrou.

O pastor finalizou seu texto alertando cristãos a votarem com consciência nas próximas eleições.

“Que os cristãos católicos e protestantes se lembrem disso nas eleições de 2020 e 2022. Afinal, há cristãos que ainda pensam em votar no PT e PSOL? Esses partidos de esquerda já usaram e abusaram de católicos e evangélicos para tentar implementar seu programa de poder autoritário. Agora o PT, PSOL e seus acólitos abertamente atacam a fé cristã e vilipendiam seus símbolos. Haverá mesmo cristãos que ainda votarão nesses partidos?”, finalizou.

Posicionamento da Associação de Juristas Islâmicos

Surpreendentemente, o repúdio contra o Porta dos Fundos e a Netflix não veio apenas de cristãos e conservadores, mas até mesmo de representantes de outras religiões, como no caso de um grupo de juristas islâmicos.

“É com imenso pesar que a ANAJI – Associação Nacional dos Juristas Islâmicos e toda a comunidade Muçulmana, repudia a atitude do CANAL PORTA DOS FUNDOS E NETFLIX, que em vídeo deturpa a imagem do Profeta Jesus e sua mãe Maria (QUE A PAZ DE DEUS ESTEJA COM ELES)”, disse uma nota oficial da Associação.

“O artigo 5º, inciso VI, da Constituição Brasileira, deixa bem claro a proteção e respeito ao Sagrado. A liberdade de opinião e de expressão, também garantida pela Constituição, tem caráter relativo, podendo ser exercido tão somente dentro dos limites impostos pelo ordenamento jurídico, de maneira que não haja o desrespeito e a fomentação de aversões ou agressões a grupos religiosos, caso contrário implica na tipificação de crime (Lei 9.459, de 1997 e, artigos 140, 208 do CP)”, acrescentou.

“Não se permite é que uma pessoa intolerante possa agredir qualquer outra, motivada apenas pela sua ignorância e falta de compreensão básica de respeitar a religião alheia, ultrapassando assim os limites da lei”, lembrou.

Na nota, a Associação ainda pediu que “todos os cidadãos de bem denunciem os vídeos, independente da religião, pois a liberdade deve ser para todos sem exceção”.

Mais reações contrárias

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, criticou o filme lançado esse fim de semana na Netflix. Ele apontou o fato do filme trazer um “Jesus Cristo gay” e que se recusa “a pregar a palavra de Deus”.

“A @NetflixBrasil acaba de lançar um “Especial de Natal” onde Jesus Cristo (@gduvivier) é gay e tem relações com @FabioPorchat, além de se recusar a pregar a palavra de Deus”, escreveu.

“Somos a favor da liberdade de expressão, mas vale a pena atacar a fé de 86% da população? Fica a reflexão”, completou.

O bispo da Diocese de Palmares (PE), Dom Henrique Soares da Costa, pediu que fiéis cancelem a assinatura da Netflix, em post publicado em seu perfil no Facebook.

Já a OAB – Seccional da Paraíba, repudiou o grupo Porta dos Fundos por afronta a fé cristã.

Moção de repúdio e audiência pública

Vários deputados federais se manifestaram contra o filme, alguns apresentaram requerimentos onde pedem “aprovação de Moção de Repúdio ao canal ‘Porta dos Fundos’ por atacar a fé cristã”, outros solicitaram a realização de Audiência Pública com a presença de representante da NETFLIX para prestar esclarecimentos sobre o filme.

Na sessão do dia 09, os deputados Sargento Isidório (AVANTE – BA) e Eli Borges (SOLIDARIEDADE – TO) também criticaram o grupo “Porta dos Fundos”.

“O AVANTE aproveita para repudiar o desrespeito dos empresários da Netflix para com a fé cristã. Fazemos daqui uma sugestão a esses criminosos, desrespeitadores e intolerantes da fé alheia: que eles façam um filmezinho em que chamem Maomé de gay, se tiverem coragem e forem dignos. Já que eles gostam de desrespeitar a fé alheia, por que não tentam fazer um filmezinho, um programazinho em que desrespeitem Maomé, para verem com quantos paus se faz uma canoa? Deixo aqui o meu repúdio a esses intolerantes desrespeitosos. Respeitem a fé alheia! O nosso Jesus morreu na cruz do calvário para nos salvar, derramou seu sangue para perdoar os nossos pecados, de todos os cristãos! Independentemente de religião, este País é cristão, e não pode aceitar desrespeito a nossa fé.”, atacou o deputado Sargento Isidório.

“Eu aproveito o ensejo, este momento, para reiterar o meu total repúdio à Netflix, que insiste em desrespeitar a fé cristã de milhões de brasileiros. Já falei disso da tribuna e estou repetindo agora. Conclamo os milhões de brasileiros para retirarem a assinatura dessa empresa, desse segmento, que não tem tido a compreensão de que o nosso Cristo, que morreu e ressuscitou, é Senhor e precisa ser respeitado.”, disse o deputado Eli Borges.

O filme

Em síntese, o filme conta que ao regressar de uma viagem de 40 dias pelo deserto, Jesus é surpreendido com uma festa de aniversário para celebrar os seus 30 anos. A certa altura, seus pais, Maria e José, revelam que ele foi adotado e que seu verdadeiro pai é Deus. Um dos convidados para a festa é uma prostituta chamada Telma, provavelmente fazendo menção à Maria Magdalena.

No filme, os pais de Jesus (Gregório Duvivier), José (Rafael Portugal) e Maria (Evelying Castro), são retratados como corno e maconheira. Jesus tem o estereótipo de um estudante universitário militante gay de esquerda e fã de boy bands, que tem um relacionamento amoroso com Orlando (Fábio Porchat). Durante o desenrolar do filme, Deus Pai (Antonio Tabet) é apresentado como um “tarado”. Deus dá a missão à Jesus para espalhar sua palavra pelo mundo. No entanto, o Jesus do filme escolhe a vida de um típico jovem esquerdista, longe de responsabilidades e do trabalho.

No ano passado, o grupo Porta dos Fundos também mostrou sua acidez profana contra os cristãos em seu especial de Natal “Se Beber, Não Ceie”. A sátira copiou o enredo de “Se Beber, Não Case!”, mostrando os apóstolos de Cristo depois de uma ressaca pós-a Última Ceia da Páscoa, percebendo que Jesus havia desaparecido.

Fonte: Guia-me, UOL e Agência Câmara