A III Cúpula Continental de Povos e Nacionalidades Indígenas, encerrada hoje nesta cidade, condenou o filme de Mel Gibson, “Apocalypto”, e pede que o diretor se desculpe publicamente pelas “ofensas” que proferiu na película contra acadêmicos, guias espirituais e conhecedores da cultura maia.

A proposta partiu da mesa de trabalho de comunicação do evento, sob o argumento de que o filme pisoteou a memória dos ancestrais, a cosmovisão e a sabedoria dos povos originários, trazendo às telas estereótipos, ódio e rancor contra a cultura desses povos, que se caracterizou pelos avanços astronômicos, matemáticos e espirituais.

O filme do diretor estadunidense, 51 anos, teve sua estréia nos Estados Unidos em dezembro, e desde então recebeu críticas no México, onde foi filmado, e na Guatemala, onde transcorre a ação. “Apocalypto”, falado no idioma maia e yucateca e com um orçamento de 40 milhões de dólares, teve três indicações ao Oscar.

Há poucos dias, ao responder perguntas da platéia na Universidade da Califórnia, Gibson foi perguntado por Alicia Estrada se lera a respeito da cultura maia antes de iniciar as filmagens de “Apocalypto”. Ao responder que sim, a professora acusou-o de representar os maias de forma racista. Gibson foi tachado de mostrar os maias como selvagens e sedentos de sangue, o que nega.

Fonte: ALC