O primeiro livro de Joseph Ratzinger desde que foi eleito Papa, dedicado à figura de Jesus de Nazaré, será apresentado em 13 de abril e colocado à venda na Itália três dias depois, comunicou nesta quarta-feira, 4, o escritório de imprensa do Vaticano.

A Santa Sé escolheu a Sala de aula do Sínodo para a apresentação pública do volume, da qual participarão o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, e prefeito de Veneza, Massimo Cacciari, entre outros.

O Vaticano já explicou que a obra é a primeira parte de um livro intitulado Jesus de Nazaré. Do batismo no Jordão à transfiguração.

Bento XVI começou a escrever o volume durante as férias de 2003, quando era ainda cardeal, e após sua escolha como Papa, em abril de 2005, dedicou “todos os momentos livres” para poder terminá-lo, segundo o prefácio.

Antecipada pela editora italiana RCS há alguns meses, o prefácio diz que o Papa decidiu dedicar o livro a Jesus após observar que existia uma tendência a separar “o Jesus histórico” do “Cristo da fé”.

O Pontífice se dirige ao leitor para explicar que, com o texto, tentou “ir à frente de uma mera interpretação histórico-crítica e aplicar novos critérios metodológicos, que permitem uma interpretação propriamente teológica da Bíblia, onde naturalmente se requer a fé, mas sem renunciar à seriedade histórica”.

Além disso, Bento XVI afirma que o livro “não é um ato de magistério” e que por isso qualquer um pode lhe contradizer, mas, diante disto, pede aos leitores que “antecipem a simpatia necessária, sem a qual não pode existir compreensão”.

O Papa comenta que estes são só os dez primeiros capítulos de um volume que refletirá toda a vida de Jesus e que decidiu publicar antes que esteja completo, já que não sabe “quanto tempo e quantas forças” lhe restam.

Durante sua etapa como cardeal, o alemão Joseph Ratzinger levou à imprensa várias obras, como “Introdução ao Cristianismo”, recompilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e “Palavra na Igreja” (1973), antologia de ensaios, predicações e reflexões, e o último antes de ser eleito pontífice, “A Europa de Bento”, onde analisa a crise das culturas.

Fonte: AFP