Um relatório divulgado nesta sexta-feira pelos bispos americanos aponta um aumento no número de denúncias de abuso contra clérigos no ano passado. Quase todos os 803 casos registrados envolviam adultos que disseram ter sido molestados quando crianças, décadas atrás.

Segundo o relatório, houve um aumento de 165 sobre os 691 casos em 2007. Assim como em 2007, mais de 80% dos clérigos acusados estão mortos, desaparecidos ou já foram retirados do ministério público.

O texto aponta ainda que 40% dos acusados em 2008 já haviam sido citados em casos de abuso em anos anteriores.

Seguindo um padrão dos estudos anteriores, a maioria dos que reclamaram ter sofrido de abuso são homens e disseram ter sido vítimas de clérigos quando tinham entre 10 e 14 anos. Apenas 30% das denúncias veio por meio de advogados.

Apesar do aumento nas denúncias, os líderes da Igreja Católica pagaram cerca de 30% menos em acordos, honorários de advogados e outros custos relacionados às denúncias em 2008, em relação ao ano passado, aponta o relatório.

A quantia, contudo, ainda é alta: US$ 436 milhões. O valor eleva a mais de US$ 2,6 bilhões o valor pado pela igreja em casos de abuso desde 1950, segundo estudos pagos pelos prelados.

Políticas

As estatísticas fazem parte de uma revisão anual sobre segurança infantil nas dioceses americanas e ordens religiosas, ordenado pela Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos. Como parte do estudo, os auditores descobriram que apenas uma das dioceses avaliados efetivamente implementaram as políticas de proteção às crianças propostas.

As novas regras incluem checagem do passado dos padres com empresas nas quais trabalhou ou mesmo com voluntários com quem conviveu. Inclui ainda um plano disciplinar para os acusados de abuso, que os retira de qualquer atividade com o público.

A proposta inclui ainda treinamento para um ambiente saudável, que ensina as crianças como identificar um comportamento abusivo e reportá-lo rapidamente aos seus pais, professores ou outros adultos.

As dioceses aumentaram seus custos com este tipo de programa para US$ 23 milhões somente em 2008, aponta o relatório.

Mudanças

Os auditores apontaram ainda os principais erros cometidos pelas dioceses, como não disponibilizar facilmente contato com os comitês revisores –que devem ajudar os bispos a responder às denúncias de abuso– e o pouco contato com a polícia e autoridades locais na investigação da denúncia.

“Infelizmente, muitas dioceses estão conduzindo as investigações por si próprios, sem fazer um relatório às autoridades civis”, diz o texto. Os advogados indicam que a vítima de abuso por um clérigo deve fazer a denúncia primeiro à polícia e não à igreja.

Teresa Kettelkamp, chefe do Escritório de Proteção à Criança dos bispados, afirmou que o principal problema está nas violações “no limite” –como dar presentes a uma criança ou ficar sozinho em um local com um jovem–, consideradas quebras no código de conduta das dioceses.

A Survivors Network of those Abused by Priests (em tradução livre, Rede de Sobreviventes Daqueles Abusados por Padres) condenou o estudo por focar apenas nos padres culpados e não olhar para os bispos que ignoraram as reclamações.

David Clohessy, diretor nacional do grupo, afirmou que não estava surpreso pelo aumento das denúncias. “É uma prova de que as vítimas só denunciam quando podem.”

Fonte: Folha Online

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