Convidada para participar da XII Cátedra Interdisciplinar da Mulher, promovida pela Faculdade Evangélica de Estudos Teológicos (Feet), nesta capital, a teóloga brasileira Renate Gierus, residente na Costa Rica, enalteceu a importância de se promover uma teologia do corpo. “O corpo é sagrado e o corpo sofre, sente, quer falar”, afirmou Renate.

Mencionando como exemplo a flor, que é bela, mas que quando apertada murcha, a palestrante recomendou o diálogo para romper o tabu sobre o tema do abuso sexual. É preciso pensar que todos e todas somos criados à semelhança de Deus e, por isso, quando o corpo é abusado um espaço sagrado é agredido.

Diante de uma platéia de mais de 60 mulheres e homens, a maioria pastoras e líderes evangélicos, a teóloga luterana ressaltou a necessidade de romper o silêncio. “A Igreja deve ser mais profética, anunciando espaços de proteção e, ao mesmo tempo, denunciando os abusos”, afirmou.

Renate disse que é preciso ser criativo, porque cada amanhecer é uma nova oportunidade de nascer de novo. É preciso criar espaços de confiança e solidariedade com as vítimas que sofrem violência, anotou a teóloga na cátedra que este ano refletiu sobre o tema “Discernindo o papel da igreja e da comunidade na luta contra o abuso sexual”.

A coordenadora da cátedra interdisciplinar da mulher, pastora Branca Cortes, recordou o Dia Internacional da Luta contra o Abuso Sexual, lembro em 19 de novembro. Ela disse que igrejas e comunidades devem criar grupos de proteção para meninas, meninos e mulheres.

As igrejas devem agir de imediato, oferecendo ferramentas básicas aos pastores e líderes evangélicos para que saibam interpretar quando uma menina ou menino está sendo agredido sexualmente. A igreja não é alheia a esta pandemia, enfatizou.

Cortes informou que, segundo estimativas oficiais de organismo que trabalham no combate à violência, cinco meninas ou meninos são violentados por dia na Nicarágua.

Fonte: ALC