O Papa Bento XVI prosseguiu neste sábado a peregrinação sentimental pela pátria do antecessor polonês, ao visitar a casa natal de João Paulo II, em Wadowice, onde foi aclamado por uma multidão entusiasmada

O Papa Bento XVI prosseguiu neste sábado a peregrinação sentimental pela pátria do antecessor polonês, ao visitar a casa natal de João Paulo II, na cidade de Wadowice, onde foi aclamado por uma multidão entusiasmada, e manteve a tradição instaurada pelo antecessor polonês ao se reunir com a juventude católica na grande esplanada de Blonia, em Cracóvia.

Mais de 600.000 fiéis se reuniram neste sábado na enorme esplanada de Cracóvia para participar em um encontro com o Papa Bento XVI, na maior concentração desde o início, na quinta-feira, da visita papal à Polônia, informou a polícia nacional.

Bento pediu aos jovens reunidos que tenham confiança em sua fé apesar das dificuldades e das desordens do mundo, voltando a alertar sobre as pessoas que “querem por Cristo contra a Igreja”, num momento em que o “Código da Vinci” semeia dúvidas sobre a divindade de Jesus e quebra recordes de bilheteria em todo o mundo.

O Soberano Pontífice comparou a fé cristã a uma casa em construção, cuja solidez permite fazer frente às provas e desgraças oriundas dos cataclismos naturais.

Bento usou de um tom familiar e afetuoso e usou em várias ocasiões a famosa fórmula de João Paulo II: “não tenham medo”.

“Não tenham medo de contar com Cristo”, afirmou. “Nossa fé em Jesus deve enfrentar a falta de fé dos demais”.

A última missa do antecessor de Bento XVI nesse local reuniu 2,5 milhões de fiéis em 2002. Bento XVI também vai celebrar neste domingo na esplanada uma grande missa antes de visitar o campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau.

Horas antes, na Wadowice de João Paulo II, a prefeita da cidade, Ewa Filipiak, entregou ao Sumo Pontífice pão e sal, segundo o costume polonês de boas-vindas.

Quase 25.000 católicos se reuniram no centro da pequena cidade de Wadowice, perto da casa onde nasceu João Paulo II, no dia 18 de maio de 1920, uma casa de um andar na qual as janelas dão vista para a basílica de Nossa Senhora.

“Quem quer compreender um poeta deve visitar a terra donde nasceu”, disse Bento XVI à multidão, em uma citação do poeta alemão Goethe.

“Quis me deter aqui, nos lugares onde sua fé nasceu e cresceu, para orar com vocês para que seja rapidamente elevado à gloria dos altares”, acrescentou.

O Papa – que já havia viajado a Wadowice, a 40 km de Cracóvia, de forma privada em 1988 – visitou o apartamento de dois cômodos em que Karol Wojtyla viveu do nascimento aos 18 anos.

O chefe da Igreja Católica parou diante das fotos da família Wojtyla e contemplou a ata de batismo em latim do pequeno Karol. Também observou os esquis que utilizava nos percursos pelas montanhas próximas.

No terceiro dia da visita à pátria do antecessor polonês, Bento XVI celebrou no início da manhã, diante de alguns religiosos, uma missa privada no arcebispado de Cracóvia, antes de seguir de automóvel para Wadowice.

Depois, Bento XVI se dirigiu ao santuário de Kalwaria Zebrzydowska, 40 km ao sul de Cracóvia, local de peregrinação desde o século XVII que Karol Wojtyla visitava quando menino com o pai.

No local, o Sumo Pontífice declarou ter esperança de que a “Providência” possa conduzir com rapidez à “beatificação e canonização” de seu antecessor, João Paulo II, recebendo muitos aplausos dos fiéis reunidos no monastério de Kalwaria.

“Eu gostaria de dizer que espero que a Providência traga em breve para nós a beatificação e canonização de João Paulo II”, afirmou Bento XVI em italiano, em um comentário espontâneo durante a visita ao monastério.

O processo de beatificação de João Paulo II começou poucas semanas depois da morte do polonês por iniciativa do sucessor, sem a espera dos cinco anos habitualmente determinados pelo direito canônico.

No entanto, nada parece demonstrar que Bento XVI esteja disposto a modificar o procedimento, que pode durar meses e até mesmo anos, e proclamar a beatificação antecipada.

O Papa também visitará outro santuário da preferência de João Paulo II, o de Lagiewniki, dedicado à Misericórdia Divina.

Em 1997, João Paulo II canonizou uma das religiosas do santuário, Faustina Kowalska (1905-1938), a fundadora do culto à Misericórdia Divina.

Fonte: AFP