Assistindo a uma entrevista de José Padilha, diretor do badalado filme “Tropa de Elite”, fiquei chocado ao saber que cópias piratas do filme estavam sendo comercializadas em todo o Brasil mesmo antes do lançamento oficial nos cinemas! A que ponto chegamos!

Na verdade o que ocorreu, segundo o diretor, foi o seguinte: antes do corte final, ele editou uma versão simplificada do filme, para enviar a estúdios norte-americanos visando a captação de mais recursos para a pós-produção.

E foi justamente essa versão, sabe-se lá como, que caiu nas mãos dos contraventores que passaram a vender copias Brasil à fora. O problema, como se a pirataria em si já não fosse o suficiente, é que a tal versão não corresponde a visão integral do diretor e carece de acabamento e pós-produção. Ou seja quem assistiu a uma das cópias piratas de “Tropa de Elite”, na verdade não viu o mesmo filme que acabou de ser lançado nos cinemas.

Cada vez que vou ao Brasil fico mais chocado com o aumento exponencial da pirataria de DVD’s e CD’s. Praticamente em todas as esquinas e sinais de trânsito da cidade pode-se encontrar os tais carrinhos de camelô abarrotados de produtos falsificados.

O problema maior, na minha opinião, não é apenas o crime (sim, pirataria é crime!), mas sim a forma como toda a sociedade Brasileira se acostumou e passou a ser conivente com ele. Seja sincero e me diga se você nunca comprou um CD pirata, ou cópia de filme, ou camisa da seleção, ou programa de computador, ou mesmo se nunca tirou “xerox” de algum livro ou partitura sem autorização dos autores? Se você respondeu que não, então faz parte de uma minoria da nossa população.

De forma geral o povo não somente compra produtos piratas, mas se vangloria e até defende a transgressão. Argumentos como, “os impostos são altos e injustos”, “não tenho condições de comprar o produto autêntico”, “é uma forma de protestar contra a ladroagem na política”, são usados para justificar o ato expúrio de condescender com a pirataria. Quero dizer sobre isso, que não há argumento capaz de justificar o crime da pirataria.

Se você acha que a carga tributária é muito alta e injusta, lute e pressione seus deputados e senadores para mudar o sistema; se não tem condições de comprar o produto verdadeiro, não compre; se quer protestar, faça campanhas, abaixo-assinados, passeatas.

Mas, o lado mais negro da pirataria é saber que quem compra produtos piratas, esta financiando o crime organizado e até mesmo o narcotráfico. Vai dizer que na sua inocência você não sabia que eles estão interligados? Não ache que o seu ato ignóbil de comprar um CD pela metade do preço do original vai ficar sem conseqüências.

No meio evangélico a situação é ainda pior; quando você compra algum produto pirata está enfraquecendo o ministério de cantores e bandas, que não vão ter retorno do investimento que fizeram. Estarão deixando de ser abençoados financeiramente, e correm até mesmo o risco de fecharem suas portas.

Além de DVD’s e CD’s, a pirataria também atinge produtos como óculos, roupas de grife e (Pasmem!) remédios. É um câncer na nossa sociedade é só pode ser combatido pelo cidadão comum, já que as autoridades e a própria polícia parecem que fazem pouco caso e até mesmo estão envolvidos na maracutaia. A equação portanto, é simples; quanto mais pirataria, menos investimento de estúdios, gravadoras e laboratórios. Quanto mais pirataria, menos qualidade, menos impostos, menos estradas, hospitais, escolas.

Também é simples a equação para nós, cristãos; crente que compra produto pirata, está em pecado e ponto final.

Um abraço,

Leon Neto