É preciso ter presente a capacidade das religiões para promover o diálogo e a compreensão, aponta o secretário-geral do Conselho da Europa, Terry Davis, encarregado de abrir, nesta segunda-feira, na República de San Marino, a primeira conferência européia sobre “A dimensão religiosa do diálogo intercultural”.

A conferência, organizada pela presidência sanmarinense do Conselho da Europa, teve a presença das autoridades de San Marino.

Participam da reunião (aberta aos meios de informação) de San Marino representantes cristãos — católicos, protestantes e ortodoxos –, judeus e muçulmanos, Estados membros e observadores do Conselho da Europa, e convidados e especialistas de outras instituições internacionais da sociedade civil.

Segundo expressou Davis na abertura dos trabalhos, “o diálogo entre culturas religiosas diferentes se alcançará inteiramente quando desde cada igreja, sinagoga ou mesquita, o sacerdote, o rabino e o imame dialoguem entre si enviando mensagens comuns de tolerância e fraternidade“, sintetiza a Direção de Comunhão do Conselho de Europa à agência Zenit.

“Tomando emprestada uma máxima de Platão, que não era nem cristão, nem judeu, nem muçulmano, nenhuma lei é mais eficaz que a compreensão“, afirmou Davis ante os numerosos convocados à conferência européia.

“O diálogo intercultural é fundamental — em uma época na qual a globalização gerou fricções — porque aproxima as diferentes culturas e reduz os riscos de mal-entendidos, portanto atenua as tensões e o perigo de conflitos“, prosseguiu.

Neste contexto, afirmou que «antes a fé era considerada como uma questão privada, inclusive íntima»; mas «hoje é justo que as organizações religiosas tenham mais importância que no passado, dado que têm a força de induzir as pessoas ao diálogo e à compreensão».

“As religiões, como outras muitas convicções humanas, são expressão de identidade cultural que merecem respeito“, sublinhou Terry Davis.

“Creio que as comunidades religiosas têm um grande potencial na construção de pontes que enlacem as diversas civilizações e religiões — apontou. Eis aqui por que, trabalhando de comum acordo, podem combater os extremismos, a violência e o ódio. Podem converter-se em uma força para a consecução da paz e a tolerância. “

Para Davis, “a presidência sanmarinense do Comitê de Ministros do Conselho da Europa não podia concluir com um evento mais adequado que uma conferência desse nível e utilidade para os problemas que há muito tempo afligem o mundo“.

Por sua parte, o comissário europeu para os direitos humanos, Thomas Hammarberg, aludiu aos valores comuns que as religiões compartilham com o Conselho da Europa. Referiu-se ao direito à vida, à dignidade humana, ao respeito da vida e do direito, explica a Direção de Comunicação do organismo europeu à agência Zenit.

“Quem poderia proteger melhor os direitos humanos que os líderes religiosos? “ foi a questão que Hammarberg lançou.

O tema das perspectivas de diálogo entre as comunidades religiosas tradicionalmente presentes no velho continente, a sociedade civil e o Congresso da Europa é um dos aspectos que motiva a conferência européia em andamento.

Como indica seu título, igualmente busca avaliar a importância da dimensão religiosa na promoção do diálogo intercultural, especialmente à luz das consultas preparatórias sobre o “Livro Branco sobre Diálogo Intercultural“ do Conselho da Europa.

A convocatória se contempla também como uma oportunidade para compartilhar exemplos de boa prática em todos os níveis de diálogo entre comunidades religiosas e autoridades públicas.

Desde 1949, o Conselho da Europa desenvolve seu trabalho na promoção da democracia e dos direitos humanos no continente. Igualmente, promove respostas comuns aos desafios sociais, culturais e legais de seus 46 estados membros.

Fonte: Zenit