Os 19 “Kristo”, como são chamados, começaram seu calvário levando uma cruz sob o sol escaldante de Cutud, norte de Manila, acompanhados durante o percurso por homens fantasiados de legionários romanos e dezenas de fiéis encapuzados que se flagelavam nas costas até sangrar.

No alto da colina, os mártires foram pregados na cruz com cravos nas palmas das mãos, sob o olhar de centenas de turistas. Uma autoridade local fez questão de esclarecer que os cravos utilizados são colocados cuidadosamente e desinfetados com álcool.

Os “Kristo” permanecem crucificados por no máximo dez minutos, antes de serem baixados da cruz e atendidos imediatamente por médicos. Muitos dos devotos voltam a ser crucificados no ano seguinte.

Ruben Enaje, 46, já participa de sua 15ª crucificação, depois que decidiu se sacrificar para agradecer pelo fato de ter sobrevivido à queda de um edifício. “É uma promessa”, explica Danilo Ramos, que já foi crucificado 12 vezes. Começou aos 15 anos, depois que sua mãe foi hospitalizada ao sofrer um ataque cardíaco. Ele não quis comentar se seu sacrifício melhorou a saúde da mãe.

Nenhum dos candidatos filipinos a “Kristo” voltou atrás em sua decisão de ir para a cruz. A única exceção foi um britânico que, no ano passado, fugiu correndo na última hora. Depois disto, nenhum estrangeiro foi autorizado a participar da cerimônia.

A representação da paixão de Cristo acontece há 20 anos nas Filipinas. A Igreja Católica não reconhece a cerimônia, que muitos acusam de ser uma atração turística e comercial. “Isso não tem nada de solene. Não é o que eu esperava”, queixou-se Virgie Valencia, um turista sexagenário, horrorizado com o grande número de vendedores ambulantes de quinquilharias, comidas e bebidas.

“Esperava ver algo realmente horrível, mas não passa de um espetáculo”, comentou Toby, um decepcionado turista alemão, que assistia às crucificações acompanhado de uma excursão. Oficialmente, o governo se opõe a esta prática, mas não chega a proibi-la. Nas Filipinas, 80% dos habitantes são católicos.

Fonte: Midiamax