Em um novo desafio ao presidente paquistanês, Pervez Musharraf, os líderes de uma mesquita radical de Islamabad criaram um tribunal ao estilo talibã para “islamizar” a sociedade e ameaçaram iniciar uma onda de ataques suicidas se o Governo tentar impedir.

“Nossos jovens cometerão ataques suicidas ao longo do Paquistão se o regime de Musharraf impedir o cumprimento das leis islâmicas”, advertiu o responsável da Mesquita Vermelha de Islamabad, o clérigo radical Abdul Aziz, em seu sermão da sexta-feira.

O sistema judiciário paralelo anunciado por Aziz é integrado por uma corte de dez “muftis” – intérpretes da “sharia”, a lei islâmica -, que se pronunciarão sobre as disputas seguindo “os mandamentos islâmicos”.

O clérigo Abdul Aziz, que anunciou a milhares de fiéis o estabelecimento deste tribunal na “Lal Masjid” (Mesquita Vermelha) de Islamabad, é diretamente inspirado pelo líder da rede Al Qaeda, Osama bin Laden.

E este mesmo ano, os fundamentalistas desafiaram o Governo de Pervez Musharraf mais de uma vez, como em março passado, quando os estudantes de uma escola islâmica seqüestraram durante vários dias três mulheres que administravam um bordel em Islamabad, a fim de acabar com a “atividade imoral”.

Também ocuparam uma biblioteca pública infantil durante quase um mês, em protesto contra a demolição de uma mesquita, e recentemente iniciaram uma campanha de ameaças contra os comércios de venda de CDs, na qual davam prazo para fechar seus negócios por “contaminar a sociedade”.

O último movimento, com a criação de um tribunal próprio, colocou em questão – segundo os analistas – as medidas que o regime do general Musharraf diz ter tomado para conter o fanatismo e o extremismo na sociedade paquistanesa.

Os mais críticos indicam que o general, vendo sua liderança enfraquecida, permitiu a atuação dos radicais para mostrar à comunidade internacional que, diante do avanço dos fundamentalistas, a melhor opção é apoiar a ditadura militar que ele preside.

Fonte: EFE