Jair Bolsonaro, candidato a Presidência do Brasil em 2018
Jair Bolsonaro, candidato a Presidência do Brasil em 2018

Em uma petição pública divulgada nesta terça(23), mulheres, representantes de várias congregações evangélicas, discordaram da posição líderes religiosos que, alegando a defesa do evangelho, apoiam a candidatura de Jair Bolsonaro.

“Nenhum autoritarismo pode se sustentar em nome dos evangélicos ou de nossas igrejas”, diz parte do documento chamado “Mulheres evangélicas em defesa da democracia #NaoEmNossoNome” e destinado às Igrejas Evangélicas e à sociedade em geral.

As representantes evangélicas também condenam as “perseguições por entenderem que a democracia está ameaçada pela candidatura de Jair Bolsonaro” e tem a esperança de “que o amor triunfe, para que a justiça reine, para que a paz se instale”.

Leia o documento na íntegra:

O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se abraçarão.
Salmo 85. 10

É com preocupação que nós mulheres evangélicas vemos ganhar força nessas eleições discursos políticos violentos que se alimentam de ódios e ressentimentos. Infelizmente parte desses discursos surgiram no ambiente religioso e evangélico.

Tratam-se de perspectivas religiosas que se esquecem dos compromissos sociais exigidos pelo evangelho do Reino. São pessoas que reduzem o evangelho à dimensão moral e esquecem da ética comprometida com a justiça social, com a inclusão, com o Deus que chama de bem-aventurado o pobre (Lc. 6. 20). É na disputa pelo poder que esquece o pobre, que diz defender a família, mas não se preocupa com onde essas famílias irão morar ou o que irão comer.

No Golpe de 64 e durante a Ditadura Militar, boa parte do movimento evangélico, inclusive diversas denominações, prestaram apoio e homenagem aos golpistas e ditadores. Enquanto a ditadura brasileira torturava e matava opositores, parte das igrejas protestantes silenciava e expulsava as vozes libertárias e democráticas que ousaram se levantar contra o regime.

Afirmamos como evangélicas que não concordamos com posições de líderes e religiosos que dizem falar em nosso nome ou em defesa do evangelho para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro. Nenhum autoritarismo pode se sustentar em nome dos evangélicos ou de nossas igrejas ou sob pretexto qualquer de estar em consonância com o evangelho do Reino. O evangelho do Reino tem a ver com justiça, paz, alegria.

Portanto queremos manifestar:

Nossa solidariedade com tantas lideranças que têm se pronunciado contrariamente ao discurso de ódio e violência e têm sofrido perseguições por entenderem que a democracia está ameaçada pela candidatura de Jair Bolsonaro.

Nosso compromisso como mulheres evangélicas de distintas denominações com a defesa da democracia.
Essa é a nossa vocação, a nossa esperança: para que o amor triunfe, para que a justiça reine, para que a paz se instale – e acima de tudo, para que justiça e paz se abracem em direção a um futuro em que as instituições funcionem para o enfrentamento de todo crime e corrupção, mas também para garantir os direitos humanos e a justiça social.

Assinam:

• Nancy Cardoso, Pastora Igreja Metodista, São Paulo/SP
• Romi Bencke Pastora IECLB, Brasilia/DF
• Odja Barros- Pastora Batista Maceió/AL
• Magali Cunha, Igreja Metodita, São Paul/SP
• Cibele Kuss, Pastora IECLB, Porto Alegre/RS
. Tais Machado, Presbiteriana.
• Dra. Lilian Conceição da Silva, Revda Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Jaboatão dos Guararapes/PE.
• Ires Helfensteler, Pastora
• Revda Sônia Gomes Mota, IPU, Salvador Ba
• Maria Ione Pilger, evangelica de confissao Luterana, professora, Rio Grande/RS
• Pastora claudete Beise Ulrich
• Aneli Schwarz Pastora IECLB, Belo Horizonte/MG
• Elizabeth Engert Milward A. Leitão, IECLB, Belo Horizonte/MG
• Noeli Gomes dos Santos, Caldas Novas/GO
• Pastora Wall, Brasilia/DF.
• Dirci Bubantz, Luterana. Belo Horizonte/MG.
• Roseli Schrader Giese. IECLB Belo Horizonte/ MG
• Anete Roese, Pastora
• Naara Luna, Igreja Metodista. Rio de Janeiro/RJ
. Daniela Frozi, Igreja Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca. Rio de Janeiro-RJ
• Sarah de Roure – Igreja Batista, São Paulo/SP.

Para ler e/ou assinar a petição pública, clique aqui.