Uma platéia de cerca de 50 pessoas assistiu, neste sábado, a um casamento inusitado: o ex-arcebispo de Lusaka (Zâmbia) Emmanuel Milingo, excomungado pelo Papa Bento XVI em setembro de 2006, oficializou a união do padre alagoano José Moura e sua mulher, Sebastiana, grávida de quatro meses, durante o encontro do movimento “Padres Casados Já”, em Brasília.

Casado há sete anos, Milingo realizou o desejo do padre Moura, que deixou o sacerdócio há quatro anos para casar no civil, mas até hoje não havia realizado o sonho de receber a bênção da Igreja – mesmo que fosse de um arcebispo renegado pelo Vaticano.

O ex-arcebispo africano atualmente corre o mundo defendendo o fim do celibato obrigatório dos padres e começou a organizar o movimento, que reúne – segundo as contas deles mesmos – 150 mil pessoas no mundo e mais de 10 mil no Brasil. “Ele é bispo. Mesmo tendo sido expulso, ninguém lhe tira o sacramento”, defende o padre Moura. “Para mim é suficiente.”

Moura conheceu a mulher na igreja em Brasília onde era ministro. Sebastiana dava aulas de catequese. Há quatro anos, o padre deixou o ministério e casou no civil, mas ficou sem as bênçãos da Igreja. Para poder casar no religioso, teria que pedir uma dispensa ao Vaticano. Com isso, poderia casar normalmente, mas não poderia mais, por exemplo, dar aulas em escolas católicas – Moura é, também, professor de filosofia. “Eu não quero isso. Não existe ex-padre. As condições para a dispensa são muito penosas para um padre”, afirma.

Já Milingo, 77 anos casou com a coreana Maria Sung, em uma cerimônia realizada pelo polêmico reverendo Moon. Chamado ao Vaticano, o arcebispo deixou a mulher e ficou em um monastério de Roma por alguns anos. Mas, quando saiu, voltou ao casamento com Maria e ao trabalho em defesa do casamento dos padres.

Fonte: Agência Estado