O mundo é capaz de eliminar a fome nas próximas décadas, transformando em “coisa do passado as imagens de crianças com barrigas d’água”, disse na quarta-feira a nova chefe da agência de assistência alimentar da Organização das Nações Unidas (ONU).

Josette Sheeran, ex-subsecretária para questões econômicas do Departamento de Estado norte-americano, assumiu o comando do Programa Mundial de Alimentação (WFP, na sigla em inglês) este mês. A agência tem um orçamento de 3 bilhões de dólares e é a maior agência assistencial do mundo.

Ela disse à Reuters numa entrevista que o mundo tem uma oportunidade histórica para acabar com a fome.

“Acho que podemos, em nossa geração, vencer a guerra contra a fome, porque temos hoje a ciência, a tecnologia, o know-how e a logística para enfrentar a fome nos locais em que ela ocorre”, disse ela. “Aquelas fotos de crianças com barrigões vão virar coisa do passado.”

Para ela, os avanços em áreas como tecnologia de grãos, solos e irrigação fazem com que “em praticamente todos os casos tenhamos a compreensão científica, o conhecimento e a capacidade necessários, se conseguirmos criar uma estratégia e associá-la aos recursos.”

“Jamais antes na história tivemos todas essas coisas ao mesmo tempo.”

Os dados da ONU, porém, não demonstram nenhuma redução significativa no número de famintos desde 1990. Pelo contrário, o número de pessoas com fome –854 milhões– está crescendo.

“Com as mudanças no clima, com os desafios que estamos enfrentando com os conflitos, há mais gente precisando de assistência”, disse Sheeran, que viaja na semana que vem para a Etiópia, Darfur, o sul do Sudão e o Chade.

Ela estava em Brindisi, o porto italiano de onde saem os carregamentos de emergência da entidade, para locais de desastres como o Afeganistão e as áreas atingidas pela tsunami na Ásia. “É esse tipo de exemplo que queremos mostrar ao mundo. Os doadores podem se unir, todos com uma só meta”, disse ela, antes de visitar os armazéns cheios de mantimentos.

Sheeran é a terceira norte-americana seguida a chefiar a WFP. Sua candidatura ao posto causou polêmica por causa de sua ligação com a igreja do reverendo Moon. Até 1997 ela era editora do Washington Times, um jornal conservador que pertence à igreja de Moon.

Ela disse ter ficado surpresa com o interesse da imprensa nesse assunto. “Não faço idéia de por que isso veio à tona, não tenho idéia de por que seria relevante. Não sou integrante daquela igreja.”

O objetivo de Sheeran é manter o nível de eficiência da agência, que afirma que, de cada dólar doado, 93 centavos transformam-se diretamente em assistência.

“Em nosso negócio, o negócio humanitário, se você economiza nos custos, não é pelo lucro de seus acionistas. Você salva vidas”, disse ela.

Fonte: Reuters