Em uma indicação clara do crescente controle do governo sobre a Igreja Ortodoxa da Eritréia, foi declarado como o novo patriarca um bispo não aprovado pela Igreja. Há 16 meses, o bispo nomeado para o cargo foi ilegalmente afastado de seu escritório, segundo informações da Solidariedade Cristã Mundial.

De acordo com reportagem publicada no site Asmarino.com, o bispo Abune Dioscoros foi nomeado patriarca na presença de oficiais do governo e de outros bispos “relutantes” que “não fizeram parte da decisão”.

A matéria diz que o advogado Yoftahe Dimetros foi nomeado pelo governo para assumir o cargo de secretário-geral do Santo Sínodo (Assembléia de Superiores da Igreja), numa clara violação à Constituição da Igreja, e recebeu a ordem de fiscalizar a nomeação de Dioscoros.

Dimetros foi quem arquitetou a remoção ilegal do patriarca Abune Antonios, em 2006. Ele também disse que foi autorizado a tomar a túnica e a insígnia pontifical em fevereiro deste ano.

A matéria informa que a consagração de Dioscoros foi preparada no Dia de Pentecostes. Enquanto isso, Abune Antonios, o legítimo patriarca da Igreja Ortodoxa da Eritréia, está mantido em prisão domiciliar desde sua “demissão” ilegal, em janeiro de 2006.

Em um sinal do que viria a acontecer, no fim do ano passado, notícias publicadas pelo governo passaram a se referir a Dioscoros como “sua santidade” e “o cabeça da Igreja Ortodoxa Eritréia”.

O bispo Abune Antonios é um dos quase 2.000 cristãos que estão presos sem qualquer acusação ou julgamento pelas autoridades da Eritréia.

No dia 31 de maio, as organizações Solidariedade Cristã Mundial, Release Eritrea e Preocupação Cristã pela Liberdade de Consciência farão uma manifestação em frente à Embaixada da Eritréia, em Londres, para protestar contra a detenção e os maus tratos aos cristãos e a outros prisioneiros de consciência no país africano.

O executivo-chefe da Solidariedade Cristã Mundial, Mervyn Thomas, disse que “esse é mais um caso triste de interferência do governo sobre assuntos da Igreja. Além dos maus tratos contra o legítimo patriarca, que continua a ser mantido sem julgamento ou acusação, as autoridades eritréias parecem determinadas a usurpar a autoridade da instituição apontando o líder da igreja, como acontecia no século 17”.

Mervyn Thomas completou: “A Solidariedade Cristã Mundial exige a imediata liberação de Abune Antonios e seu restabelecimento no cargo de patriarca da Ortodoxa Eritréia. Um nível de interferência do Estado nos assuntos da igreja como esse é totalmente inaceitável nos dias de hoje”.

Fonte: Portas Abertas