Enquanto o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defende a realização de um plebiscito sobre a legalização do aborto, a maioria dos brasileiros se diz contra a mudança da lei atual, que só permite a interrupção da gravidez em casos de estupro e de risco de morte para a mãe.

É o que mostra a mais recente pesquisa Datafolha.

Segundo o levantamento realizado nos dias 19 e 20 de março, 65% dos entrevistados defendem que a legislação sobre aborto continue como está, sem ampliação. O índice é o maior já verificado desde quando a pesquisa começou a ser feita, em 1993. Desde então, o percentual dos favoráveis a deixar a lei como está tem crescido constantemente.

Há 14 anos, 23% dos brasileiros achavam que a interrupção da gravidez deveria ser permitida em mais situações além de estupro e risco de morte para a mãe. Hoje, 16% dizem isso.

No dia 28, o ministro Temporão defendeu que um plebiscito fosse realizado sobre a legalização do aborto. A mesma consulta foi feita em Portugal em fevereiro e culminou na aprovação da interrupção voluntária da gravidez até a décima semana.

A última pesquisa mostra que homens e mulheres têm opiniões quase iguais sobre o tema. Entre os homens, 64% são a favor de a lei continuar como está, pensamento de 66% das mulheres -a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Na opinião de Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão, ONG que desenvolve projetos sobre direitos da mulher, a pesquisa evidencia que os brasileiros ainda não têm a dimensão do “aborto inseguro”, praticado de forma ilegal longe dos cuidados médicos. “A pesquisa mostra a necessidade de um debate amplo e sério sobre a legalidade total do aborto”, diz ela.

Na Câmara, a discussão deve ser reiniciada na Comissão de Seguridade Social e Família. No último dia 3, foi desarquivado um dos projetos mais polêmicos sobre descriminalização do aborto, o 1135, de 1991.

Fonte: Folha de São Paulo