Pastor pregando (Foto: Reprodução)
Pastor pregando (Foto: Reprodução)

Pesquisa revela que 93% dos líderes religiosos mantêm neutralidade em cultos mesmo após sinalização de flexibilização pelo fisco norte-americano

A imensa maioria dos pastores protestantes nos Estados Unidos não pretende declarar apoio a candidatos políticos durante seus serviços religiosos antes das eleições de meio de mandato de 2026. Um levantamento realizado pela Lifeway Research com mais de mil líderes aponta que apenas 5% dos entrevistados planejam endossar nomes no púlpito, enquanto o restante permanece incerto ou avesso à prática.

Essa resistência se mantém firme mesmo diante da informação de que o Internal Revenue Service (IRS) indicou, no ano passado, que não aplicaria sanções referentes à perda de status de isenção fiscal para igrejas que realizassem manifestações políticas. De acordo com o diretor executivo da Lifeway Research, Scott McConnell, o comportamento dos pastores reflete valores internos que transcendem preocupações com multas ou regulações estatais.

“Já que historicamente poucos pastores protestantes apoiaram candidatos a partir do púlpito, estávamos interessados em saber se a decisão do IRS no ano passado mudaria isso. Os pastores estavam simplesmente obedecendo à lei tributária ou a neutralidade em um ambiente de culto era uma convicção?”

Divergências étnicas e denominacionais na escolha política

Embora a neutralidade seja a regra geral, o estudo identificou variações conforme o perfil demográfico e denominacional. Pastores negros (11%) e de outras etnias (9%) demonstraram uma propensão duas vezes maior de declarar apoio político do que seus pares brancos (4%). No recorte por denominações, pentecostais (13%), batistas (9%) e não denominacionais (7%) também se mostraram mais inclinados à participação política direta se comparados a luteranos e metodistas, que registraram apenas 1% cada.

Disputa jurídica sobre a Emenda Johnson

O cenário legal é marcado por incertezas jurídicas. Em março, o juiz distrital J. Campbell Barker indeferiu um acordo conjunto que buscava impedir o governo de aplicar restrições da Emenda Johnson, uma lei de 1954 que proíbe organizações sem fins lucrativos, incluindo igrejas, de se envolverem em atividades políticas. O magistrado fundamentou sua decisão na impossibilidade de tribunais federais bloquearem a aplicação de leis tributárias de forma preventiva.

Apesar da movimentação na esfera judicial e da postura da administração Trump, a influência sobre a conduta nas igrejas parece ser limitada. McConnell reforça que a decisão final sobre o que é dito durante os cultos segue critérios puramente religiosos. “Se o IRS permitir que candidatos sejam apoiados em serviços religiosos, 93% dos pastores não o farão. O que os pastores dizem a partir do púlpito tem muito mais a ver com suas convicções religiosas do que com evitar penalidades fiscais.”

Folha Gospel com informações de The Christian Post

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