A maior livraria cristã da China fechou as portas após enfrentar anos de pressão do regime comunista.
Segundo a China Aid, uma organização que monitora a perseguição no mundo, o último dia de funcionamento da Beijing Morning Light Bookstore foi em 27 de outubro.
A loja, localizada em Pequim, anunciou uma limpa de estoque, com livros com até 70% de desconto, antes do fechamento.
De acordo com a China Aid, se entende que a livraria cristã não conseguiu continuar suas operações devido à pressão do governo.
A Beijing Morning Light foi fundada em 2004, inicialmente como uma organização sem fins lucrativos com o propósito de divulgar a literatura cristã e promover o intercâmbio cultural entre a China e outros países.
Ao longo dos anos, a livraria estabeleceu uma rede de mais de 200 livrarias em todo o país, colaborando com a distribuição de literatura.
Ela também promoveu palestras e treinamentos baseado na fé sobre temas como casamento, família e trabalho.
A Beijing Morning Light se tornou influente no meio cristão ao criar grupos de leitura para o crescimento espiritual dos participantes.
Além disso, a loja participou de ações sociais, ajudando a construir bibliotecas em regiões pobres e doando milhares de livros para crianças.
Livraria perseguida
A livraria cristã já vinha enfrentando oposição do governo chinês através de inspeções desde 2012. Em situações anteriores, ela quase foi fechada.
O vice-gerente geral da livraria, Li Wenxi, foi preso pela polícia da província de Shanxi, acusado de suposta “operações comerciais ilegais”. Ele foi condenado a dois anos de prisão, em 9 de maio de 2013.
O regime de Xi Jinping tem aumentado cada vez mais as restrições a instituições cristãs no país, em uma tentativa de deter o avanço do cristianismo.
Em setembro, o governo comunista anunciou novos regulamentos que restringem ainda mais a divulgação de conteúdos cristãos e evangelismo na internet.
O documento ainda proibiu a evangelização de menores de idade pela internet e barrou igrejas e ministério de realizarem retiros e treinamentos para crianças e jovens.
As autoridades também restringem a impressão e a distribuição de Bíblias e livros cristãos.
O Dicastério para a Doutrina da Fé publicou nesta terça-feira (04) a Nota Doutrinal “Mater Populi Fidelis” (A Mãe do Povo Fiel, em português), aprovada pelo Papa Leão XIV, esclarecendo os títulos atribuídos à ‘Virgem Maria’ e reafirmando a centralidade de Cristo na obra da salvação.
O documento reconhece títulos como “Mãe dos Fiéis”, “Mãe Espiritual” e “Mãe dos Crentes”, que expressam a maternidade espiritual de Maria, mas rejeita o uso do título “Corredentora”.
O comunicado oficial considera que o termo “Corredentora” pode gerar confusão, sugerindo que Maria teria um papel igual ao de Cristo na redenção.
A Nota enfatiza que Jesus Cristo é o único Mediador e Salvador, e que Maria coopera de forma singular, mas sempre subordinada.
‘Teologicamente problemáticas’
Também é abordado o termo “Mediadora”, que pode ser aceito em sentido restrito, indicando intercessão, mas não como fonte independente de graça.
Expressões como “Mediadora de todas as graças” são consideradas teologicamente problemáticas se entendidas de forma absoluta.
“A declaração bíblica sobre a mediação exclusiva de Cristo é conclusiva. Cristo é o único mediador”, afirma a Nota.
Segundo o texto, a decisão busca evitar interpretações equivocadas na catequese e na devoção popular, além de favorecer o diálogo ecumênico com outras tradições cristãs, que rejeitam títulos como “Corredentora”.
O documento relembra que o Concílio Vaticano II e papas anteriores já haviam evitado definir esse título como dogma.
A Nota Doutrinal, aprovada pelo Papa em 7 de outubro, é assinada pelo prefeito, cardeal Víctor Manuel Fernández, e pelo secretário da Seção Doutrinária do Dicastério, Monsenhor Armando Matteo.
Donald Trump, presidente eleito dos EUA em 2024 (Foto: Reprodução X/@realTrumpNewsX)
Os EUA anunciaram a inclusão da Nigéria na lista de países de “preocupação particular” por violações à liberdade religiosa, após alertas sobre uma escalada de violência contra comunidades cristãs.
A decisão foi anunciada na sexta-feira (31/10) pelo presidente Donald Trump. No dia seguinte, ele cogitou uma intervenção militar na Nigéria caso o governo não proteja a população cristã.
O anúncio do presidente americano reforça a gravidade da crise de perseguição religiosa na Nigéria, já denunciada por organizações cristãs, entidades de direitos humanos e líderes das igrejas católica e evangélica.
Um dos apelos que mais chamou a atenção foi feito por um pastor nigeriano, dentro de uma cova, clamando por socorro durante o enterro de cristãos vítimas de ataques islâmicos. O vídeo viralizou nos últimos dias.
Mark Walker, indicado por Trump para o cargo de embaixador para a Liberdade Religiosa Internacional, afirmou à Fox News Digital que os Estados Unidos devem usar todos os meios possíveis para pressionar o governo nigeriano a agir.
“Mesmo sendo conservador, provavelmente são de 4.000 a 8.000 cristãos mortos anualmente”, disse Walker. “Isso vem acontecendo há anos – desde o ISWAP até as milícias étnicas islâmicas Fulani – e o governo nigeriano precisa ser muito mais proativo.”
Walker, ex-pastor e ex-deputado republicano da Carolina do Norte, afirmou que, embora ainda não tenha sido confirmado no cargo, já atua em parceria com redes de igrejas em toda a África para garantir a segurança de missionários e fiéis locais.
“Ameaça existencial”
Em tom duro, Trump publicou na Truth Social um recado direto ao governo nigeriano, elevando a tensão diplomática.
“O cristianismo enfrenta uma ameaça existencial na Nigéria. Milhares de cristãos estão sendo mortos. Islamistas radicais são responsáveis por esse massacre”, escreveu ele.
“Declaro a Nigéria um ‘PAÍS DE PREOCUPAÇÃO ESPECIAL’ — mas isso é o mínimo. Quando cristãos, ou qualquer outro grupo, são massacrados como está acontecendo na Nigéria (3.100 contra 4.476 no mundo todo), algo precisa ser feito!”
A designação coloca a Nigéria sob maior escrutínio internacional e pode levar a sanções diplomáticas e restrições econômicas caso o governo local não adote medidas eficazes para conter os abusos.
Trump chegou a declarar que os EUA suspenderão imediatamente toda a ajuda e assistência à Nigéria, país mais populoso da África e maior produtor de petróleo do continente.
Ação militar
Trump disse que orientou o deputado Riley Moore, da Virgínia, o deputado Tom Cole, de Oklahoma, e membros da Comissão de Orçamento da Câmara a investigarem a situação e a lhe apresentarem um relatório com suas conclusões.
“Os Estados Unidos não podem ficar de braços cruzados enquanto tais atrocidades acontecem na Nigéria e em inúmeros outros países”, disse Trump. “Estamos prontos, dispostos e aptos a salvar nossa grande população cristã ao redor do mundo!”
Trump afirmou que solicitou ao Departamento de Defesa que se prepare para uma possível ação militar “rápida” na Nigéria, caso o país africano não consiga conter os assassinatos de cristãos.
“Se atacarmos, será rápido, cruel e implacável, assim como os terroristas atacam nossos queridos cristãos!”, escreveu ele.
Violência sectária
Organizações internacionais e grupos de direitos humanos vêm denunciando há anos a intensificação da violência sectária, que já resultou em milhares de mortes e deslocamentos forçados.
Segundo dados da Portas Abertas, a Nigéria ocupa atualmente uma das posições mais críticas no ranking mundial de perseguição religiosa.
Em 2024, mais de 4.000 cristãos foram mortos por motivos relacionados à fé, e mais de 2.000 igrejas foram atacadas ou fechadas.
Além disso, milhares de cristãos foram sequestrados por grupos extremistas, como Boko Haram e Estado Islâmico na África Ocidental, que continuam a operar com grande influência no norte e centro do país.
A organização informa que mais de 16,2 milhões de cristãos na África Subsaariana, incluindo um grande número na Nigéria, foram expulsos de suas casas pela violência e pelos conflitos. Milhões agora vivem em campos de deslocados.
Reação da Nigéria
No sábado, Trump voltou a afirmar que o governo nigeriano não está conseguindo conter a perseguição aos cristãos no país da África Ocidental, cuja população de cerca de 220 milhões é quase igualmente dividida entre cristãos e muçulmanos.
O governo nigeriano reagiu às declarações americanas e rejeitou qualquer possibilidade de intervenção militar.
Em nota oficial, autoridades classificaram as acusações como “infundadas” e alertaram que qualquer ameaça externa será considerada uma violação da soberania nacional.
O país também afirmou que está tomando medidas para conter a violência, mas criticou o que chamou de “narrativa exagerada” sobre perseguição religiosa.
Fonte: Guia-me com informações de Fox News e Reuters
Homossexuais com a bandeira do ativismo gay (Foto: Reprodução)
Juízes do estado do Texas que se recusarem a realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo com base em suas convicções religiosas sinceras não sofrerão mais sanções disciplinares por fazê-lo.
Na semana passada, a Suprema Corte do Texas alterou seu código de conduta judicial para proteger explicitamente os juízes, em uma decisão decorrente de um processo movido por Dianne Hensley, juíza de paz do Condado de McLennan, que em 2019 se recusou a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, alegando que isso seria “incompatível com sua fé religiosa”.
Na época, a Comissão Estadual de Conduta Judicial (SCJC) emitiu um alerta público contra ela, argumentando que a recusa lançava dúvidas sobre sua “capacidade de agir com imparcialidade” como juíza. Hensley então parou de realizar todos os casamentos.
Mas em 24 de outubro, o tribunal aprovou a inclusão de um novo comentário no Cânon 4 do Código de Conduta Judicial do Texas: “Não constitui violação desses cânones o fato de um juiz se abster publicamente de realizar uma cerimônia de casamento com base em uma crença religiosa sincera.” A alteração entrou em vigor imediatamente.
Em dezembro de 2019, Hensley processou a comissão com base na Lei de Restauração da Liberdade Religiosa do Texas (TRFRA), alegando que o aviso restringiu substancialmente seu livre exercício religioso. Ela buscava indenização de US$ 10.000 por perda de renda decorrente da renúncia a casamentos entre pessoas de sexos opostos, além de honorários advocatícios. Os tribunais de instâncias inferiores rejeitaram o caso em 2021, alegando a falta de esgotamento das vias administrativas. No entanto, em julho de 2024, a Suprema Corte do Texas reverteu a maior parte dessa decisão , determinando que as alegações de Hensley sobre liberdade religiosa eram “claramente suficientes” sob a TRFRA e permitindo que o processo prosseguisse.
O novo comentário surge na sequência de um pedido do Tribunal de Apelações do 5º Circuito dos EUA para esclarecimentos sobre o código judicial do estado, em meio ao processo federal em curso movido por Hensley. Na prática, ele revoga a sanção imposta a ela e protege outros juízes de punições semelhantes.
Jonathan Saenz, presidente e advogado da Texas Values, organização que apresentou um parecer jurídico em apoio a Hensley em 2023, afirmou que a atualização “deve deixar absolutamente claro que essa liberdade religiosa se aplica a todo o estado, inclusive no caso da juíza Diane Hensley”, e poderá resolver os seus pendentes processos em instâncias inferiores.
“A Suprema Corte do Texas acertou em cheio com esta importante vitória para a liberdade religiosa. Em um estado onde a liberdade religiosa é amplamente apoiada, é senso comum que um juiz não deva ser punido por crenças religiosas sinceras”, disse Saenz. “Um juiz não deveria ter que escolher entre sua consciência e sua carreira.”
No Texas, juízes e magistrados não são obrigados a celebrar casamentos, mas, após a decisão do caso Obergefellv. Hodges em 2015 , esperava-se que eles os realizassem tanto para casais do mesmo sexo quanto para casais de sexos opostos, ou para nenhum dos dois. A nova regra permite que eles se abstenham seletivamente, com base em objeções religiosas.
A orientação surge no momento em que a Suprema Corte dos EUA se prepara para realizar uma conferência privada em 7 de novembro para analisar um recurso contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo apresentado por Kim Davis, ex-escrivã do condado de Kentucky, que se recusou a emitir licenças para casais gays após a decisão Obergefell , que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país.
Folha Gospel com texto original de The Christian Post
O evangelista Franklin Graham condenou a face do “islamismo radical” no Sudão após receber vídeos que mostram paramilitares executando civis depois de tomarem a cidade de el-Fasher. Graham afirmou que as imagens, que incluem pessoas sendo baleadas na cabeça e “pilhas de corpos”, eram fortes demais para serem compartilhadas publicamente.
As Forças de Apoio Rápido (RSF) do Sudão tomaram El-Fasher na segunda-feira da semana passada, assumindo o controle da última cidade controlada pelo governo em Darfur após um cerco de meses, informou a Associated Press . A RSF já havia expulsado tropas do exército sudanês da região nas últimas semanas, marcando uma nova etapa em uma guerra que matou mais de 40.000 pessoas e deslocou mais de 14 milhões.
Na quarta-feira, o governo sudanês informou que mais de 2.000 civis foram mortos desde a entrada das Forças de Apoio Rápido (RSF) na cidade.
“Este é o rosto do islamismo radical. Trabalhamos no Sudão há mais de 30 anos e nossos corações se partem por este país”, escreveu Graham, presidente da Samaritan’s Purse e filho do falecido reverendo Billy Graham, no Facebook , pedindo às pessoas que orassem pelos civis que estão sendo “assassinados enquanto leem isto”.
Graham afirmou que os combatentes da RSF estavam “matando por matar”, chamando as ações do grupo de evidência do islamismo radical.
“Um massacre está acontecendo no Sudão, e o mundo praticamente o ignorou”, escreveu ele.
Vídeos mostram combatentes das Forças de Apoio Rápido (RSF) realizando execuções em el-Fasher e arredores, após tomarem a cidade das Forças Armadas Sudanesas, segundo a BBC , que afirmou que seus repórteres verificaram os vídeos.
Um vídeo, geolocalizado em um prédio universitário, mostrava um homem armado com uniforme das Forças de Apoio Rápido (RSF) atirando em um homem desarmado sentado entre dezenas de cadáveres. Outro vídeo mostrava um combatente conhecido como Abu Lulu abrindo fogo contra nove prisioneiros desarmados, enquanto outros membros das RSF comemoravam.
A BBC Verify informou que várias das execuções pareciam ter ocorrido fora da cidade, em áreas rurais arenosas com poucos pontos de referência, mas pelo menos um vídeo foi verificado como tendo sido gravado dentro de El Fasher.
Imagens de satélite analisadas pelo Laboratório de Pesquisa Humanitária de Yale pareciam confirmar as consequências dos assassinatos em massa, mostrando aglomerados de corpos em áreas da cidade que não haviam sido perturbadas anteriormente.
A coordenadora das Nações Unidas para o Sudão, Denise Brown, disse à BBC que recebeu “relatos credíveis de execuções sumárias” de homens desarmados em el-Fasher após a entrada das Forças de Apoio Rápido (RSF).
O assassinato de civis desarmados ou de combatentes que se rendem viola a Convenção de Genebra e é classificado como crime de guerra.
A organização Christian Solidarity Worldwide, sediada no Reino Unido, está pedindo uma “ação internacional urgente” em meio a relatos de atrocidades contra civis.
“As imagens e os relatos que chegam de El Fasher são horríveis”, disse Mervyn Thomas, presidente fundador da CSW, em um comunicado. “As imagens de combatentes das RSF humilhando, torturando e matando civis são apenas um retrato da violência devastadora que os civis em El Fasher vêm sofrendo nos últimos 18 meses e à qual agora estão sendo submetidos sem qualquer proteção. Também estamos profundamente perturbados com o número de combatentes das RSF que parecem ser crianças recrutadas para perpetrar uma violência inimaginável. A CSW apela à comunidade internacional para que garanta a proteção de Tawila, para onde muitos fugiram, e para que insista no acesso humanitário irrestrito à região.”
As Forças de Apoio Rápido (RSF), lideradas pelo General Mohammed Hamdan Dagalo, também conhecido como Hemedti, surgiram da milícia Janjaweed, que aterrorizou populações não árabes no genocídio de Darfur no início dos anos 2000.
O fundador da milícia, o ex-presidente do Sudão Omar al-Bashir, foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e genocídio em 2009, informou a AP.
Dagalo, natural de Darfur e pertencente a uma família árabe de comerciantes de camelos, expandiu as RSF incorporando milícias árabes e financiando o grupo por meio da criação de gado e da mineração de ouro. Suas forças cresceram para um número estimado de 100.000 combatentes e participaram de conflitos no Iêmen e na Líbia, frequentemente com o apoio de nações do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos.
O exército sudanês apresentou uma queixa no Tribunal Internacional de Justiça acusando os Emirados Árabes Unidos de violarem a Convenção sobre o Genocídio ao apoiarem as Forças de Apoio Rápido (RSF). Os Emirados Árabes Unidos rejeitaram a queixa, classificando-a como uma “jogada publicitária”. O exército também acusou o comandante líbio Khalifa Haftar de auxiliar as RSF com armas e tropas.
Desde a queda de al-Bashir em 2019, Dagalo tem atuado como um importante articulador de poder no Sudão, desempenhando inclusive um papel de liderança em um golpe militar e no colapso de um governo de transição.
A guerra atual começou em 2023, após o rompimento de uma frágil aliança entre as Forças de Apoio Rápido (RSF) de Dagalo e o chefe do exército sudanês, General Abdel-Fattah Burhan.
Ambas as facções reforçaram suas fileiras utilizando armas e combatentes estrangeiros. As Forças de Apoio Rápido (RSF) lançaram ataques com drones contra posições do exército em todo o Sudão, utilizando tecnologia proveniente de países como Turquia, China, Irã e Rússia.
A mais recente ofensiva das Forças de Apoio Rápido (RSF) em Darfur reacendeu os temores de desintegração do Sudão. O grupo declarou sua intenção de formar um governo paralelo nas áreas sob seu controle, incluindo grandes partes de Darfur e Kordofan. As RSF haviam se retirado de Cartum, capital do Sudão, mas retomaram os ataques na cidade no início deste ano.
A partir desta semana, o exército sudanês controla a maior parte do norte e leste do país, incluindo Cartum, enquanto as Forças de Apoio Rápido (RSF) detêm quase todo o território de Darfur e partes de Kordofan. O antecessor das RSF, o Janjaweed, cometeu massacres na mesma região entre 2003 e 2005, e acredita-se que muitos desses combatentes tenham se juntado à força atual, informou a BBC.
Folha Gospel – Texto original de The Christian Post
Igreja destruída na Síria (Foto: Captura de Tela/YouTUbe)
O chefe da Igreja Católica Siríaca no centro da Síria alertou que o cristianismo está desaparecendo do país. Falando em Roma, o arcebispo disse que a igreja está “morrendo” e pediu uma intervenção internacional urgente para impedir o colapso.
O arcebispo Jacques Mourad de Homs, Hama e Nabek afirmou que o êxodo cristão foi resultado da “situação política e econômica desastrosa” do país, que levou dezenas de milhares de pessoas a fugirem da Síria em busca de segurança e estabilidade, informou a organização beneficente Ajuda à Igreja que Sofre .
No lançamento do relatório “Liberdade Religiosa no Mundo 2025” da ACN, no mês passado, a organização relatou estimativas de que o número de cristãos na Síria caiu de cerca de 2,1 milhões em 2011 para cerca de 540.000 em 2024.
Mourad alertou que, sem reformas políticas e garantias de segurança, a Igreja não tem como deter a onda migratória em curso.
“Nenhum dos esforços da Igreja universal ou da Igreja local conseguiu estancar a onda do êxodo”, disse Mourad, “porque as causas não estão relacionadas à Igreja, mas sim à desastrosa situação política e econômica do país”.
Ele argumentou que uma nova estrutura governamental e um sistema de segurança funcional são essenciais para impedir novas fugas.
Mourad, que foi sequestrado por combatentes do Estado Islâmico em 2015 e conseguiu escapar após cinco meses, afirmou que a situação para os cristãos se tornou cada vez mais desesperadora, com a violência e a repressão contínuas sob o novo governo liderado pelo presidente Ahmed al-Sharaa.
O arcebispo comparou a deterioração da situação na Síria à do Afeganistão e afirmou que o público não deve esperar melhorias nas liberdades religiosas ou em outros setores, segundo informações do Crux Now .
Mourad também expressou preocupação com um possível tratado de paz com Israel que poderia transferir o controle das Colinas de Golã. Ele afirmou que tal medida ameaçaria o acesso à água para Damasco e a descreveu como um potencial ato de “escravização” contra os moradores da cidade.
“Quem aceitaria um tratado como este?”, perguntou ele. “Onde estão os valores dos direitos humanos que deveriam ajudar a garantir que as decisões sejam justas para ambas as partes?”
Ele instou a comunidade internacional a adotar uma posição firme sobre o futuro da Síria e encorajou todas as instituições que operam no país a coordenarem-se com entidades culturais, acadêmicas e jurídicas para reconstruir a confiança pública e promover a justiça. Ele defendeu a implementação de programas de capacitação para restaurar a independência do judiciário e apoiar a estabilidade cívica.
O lançamento do relatório da ACN incluiu uma petição para proteger o Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante a liberdade religiosa. A petição insta os governos a apoiarem as comunidades ameaçadas e a garantirem o acesso a assistência jurídica e de emergência para as vítimas de perseguição religiosa.
Desde a queda do regime do presidente Bashar al-Assad em dezembro de 2024, a Síria tem testemunhado um aumento da violência contra minorias religiosas, particularmente cristãos, drusos e alauítas.
As atrocidades fazem parte de uma “campanha de terror deliberada”, e não de incidentes isolados, afirmou o presidente da Associação Alauíta dos EUA, Dr. Morhaf Ibrahim, em uma recente coletiva de imprensa no Capitólio.
Ele culpou jihadistas estrangeiros, lealistas de Assad e milícias ligadas ao governo interino pelo aumento da violência, observando que quase 1.500 civis alauítas foram massacrados ao longo da costa do Mediterrâneo em março. Entre as vítimas estavam mulheres e meninas sequestradas e vendidas para casamentos forçados ou escravidão sexual, disse ele.
Richard Ghazal, diretor executivo da organização Em Defesa dos Cristãos, afirmou que grupos extremistas estão substituindo a antiga diversidade religiosa do país por ideologias radicais. Ele alertou que a Síria está perdendo não apenas uma ponte cultural e teológica entre o Oriente e o Ocidente, mas também uma “força moderadora” que antes possibilitava a coexistência.
Ele pediu aos EUA que pressionem a liderança interina da Síria, atualmente dominada por facções islâmicas, a adotar salvaguardas constitucionais para as minorias e a estabelecer mecanismos de responsabilização. Acrescentou que o atual mosaico de milícias deve ser substituído por forças de segurança profissionais para restaurar a estabilidade.
Ibrahim instou o Congresso dos EUA e o governo Trump a responderem rapidamente.
Ghazal afirmou que a sobrevivência das comunidades cristãs da Síria depende dos esforços internacionais para garantir a liberdade religiosa e proteger o pluralismo por meio de influência diplomática e marcos legais. Sem isso, alertou, a população cristã da Síria continuará a diminuir.
A cidade de Antioquia, onde os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de cristãos, e a estrada para Damasco, onde se acredita que o apóstolo Paulo se converteu, estão entre os locais históricos agora ameaçados pelo conflito em curso no país e pelo apagamento de seu patrimônio cristão.
O incidente gerou forte condenação por parte de defensores dos direitos humanos e organizações cristãs. Ghazal afirmou que o ataque reflete uma “realidade preocupante” para a antiga população cristã do país. Ele disse que a Síria está “cada vez mais perto de perder um pilar espiritual e cultural de 2.000 anos” a cada ato de violência e migração.
Folha Gospel – Texto original de The Christian Post
Bandeira da Índia nas mãos de uma mulher (Foto: Reprodução/Portas Abertas)
A Índia, muitas vezes chamada de “a maior democracia do mundo”, continua sendo um país que gera grande preocupação no que diz respeito à perseguição anticristã.
Atualmente classificado como o 11º pior perseguidor do cristianismo em todo o mundo pela organização Portas Abertas – acima da China comunista e da Arábia Saudita islâmica – as ações de extremistas hindus no país continuam a cobrar seu preço dos fiéis.
Em dois incidentes recentes, um ônibus cheio de missionários foi abordado por hindus, enquanto em outro lugar uma comunidade cristã está sendo reduzida à pobreza por seus vizinhos devido à sua recusa em adorar ídolos.
No dia 23 de outubro, um grupo de missionários viajava para a aldeia de Juthana, para onde haviam sido convidados pelos moradores locais.
Gritos de angústia são audíveis em vídeos do incidente que circulam online. De acordo com uma fonte, os missionários foram atacados por “tentarem conversões religiosas oferecendo dinheiro e insultando deuses hindus”, relata a organização Christian Solidarity Worldwide (CSW).
Inicialmente, a polícia fez pouco para intervir e, embora ninguém tenha ficado ferido, oito policiais foram suspensos por sua omissão em agir corretamente.
O presidente fundador da CSW, Mervyn Thomas, disse: “Este ataque brutal é um triste lembrete da crescente intolerância enfrentada por minorias religiosas pacíficas em regiões já repletas de tensão.
“Apelamos às autoridades de Jammu e Caxemira para que garantam que a justiça seja feita e para que a segurança de todas as minorias seja assegurada, independentemente de sua religião ou crença.”
Numa pequena vila de pescadores no sul da Índia, os cristãos enfrentam o terceiro mês de boicote social e econômico por parte de seus vizinhos hindus.
O boicote começou quando os cristãos da aldeia se recusaram a financiar a construção de um templo para a deusa local. Os cristãos foram impedidos de acessar as áreas de pesca comunitárias, participar de encontros sociais ou ter acesso a bens e serviços essenciais, segundo a organização Portas Abertas.
Até mesmo parentes dos cristãos se recusam a falar com eles, pois isso acarretaria uma multa. Cerca de 100 famílias são vítimas do boicote, que as obriga a percorrer grandes distâncias para realizar até mesmo as atividades econômicas mais básicas.
Uma dona de casa cristã da região contou à organização Portas Abertas: “Não podemos conversar com as pessoas que moram ao lado. Se fizermos isso, seremos multadas. Quando vamos à loja, eles se recusam a vender nossos produtos. Por causa disso, temos muita dificuldade para levar nossa vida normalmente.”
“Sentimos muita tristeza por agora sermos tratados como estrangeiros no lugar onde vivemos juntos há anos.”
Normalmente, não se exige que pessoas não hindus contribuam para a construção de templos ou ídolos, porém nacionalistas hindus locais fizeram essa exigência. A polícia sugeriu negociações de reconciliação, mas os nacionalistas hindus recusaram o pedido.
Folha Gospel – Texto original de The Christian Today
Neste domingo, 2 de novembro, é celebrado o Dia de Finados. No Brasil, entre 5 e 8 milhões de pessoas visitarão seus entes queridos nos cemitérios, segundo estimativas baseadas em levantamentos municipais e dados populacionais. Apesar de ser uma tradição católica, muita gente aproveita esse período para relembrar momentos felizes com quem já se foi. Mas e o crente, qual deve ser a sua postura nessa data?
Primeiro é importante entender a origem desse feriado. O termo “finado” vem do latim finātus, que significa “aquele que chegou ao fim”. O dia de 2 de novembro foi escolhido pelo monge Odilo de Cluny (abade da Abadia de Cluny, na França), no ano de 998. O objetivo era que a data acontecesse logo após o Dia de Todos os Santos (1º de novembro), ou seja, seria um dia para orar por “Todos os Defuntos”.
Já a tradição de visitar cemitérios remonta aos séculos II e III, com cristãos que visitavam sepulturas de mártires ou faziam orações pelos falecidos. O ato de acender velas e colocar flores nos túmulos vem de tradições pagãs que foram “adaptadas” ao catolicismo. Mesmo com tanta tradição ao longo da história, as igrejas evangélicas não têm o hábito de celebrar finados. Por que?
“Entendo que é um momento em que as pessoas vão prestar suas homenagens, sentimentos e afins aos entes que faleceram. Todavia, por mais respeitosos e sinceros que sejam esses gestos, eles não terão resultado prático algum, pois depois da morte somente se segue o juízo divino”, explica o pastor Sandro de Oliveira Lopes, da Igreja do Evangelho Quadragular de Itapuã, em Vila Velha, região da Grande Vitória (ES).
Segundo o pastor, a Bíblia deixa claro que não adianta orar para a pessoa depois que ela morre, pois seu destino já teria sido selado em vida. “Hebreus 9:27 diz ‘E, assim como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disso o Juízo’. A morte física é consequência do pecado. ‘Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna por intermédio de Cristo Jesus, nosso Senhor! (Romanos 6:23)”, justifica Lopes.
Por outro lado, o pastor faz questão de lembrar que Jesus nos deixou a esperança da salvação, por meio de Sua graça, e de uma vida eterna com Deus. “Romanos 5:12 diz que ‘Da mesma forma como o pecado ingressou no mundo por meio de um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte foi legada a todos os seres humanos, porquanto todos pecaram’. Não há esperança para o cristão nesta vida, mas sim no porvir, na vida verdadeira e eterna com Cristo”, enfatiza.
Sobre como lidar com a saudade, o pastor Lopes diz que é preciso sempre lembrar das promessas divinas de um reencontro com os entes queridos algum dia na eternidade. “O luto não é fácil. O Senhor recolheu meu pai há cerca de um ano e sinto saudades. Como lido com isso? Trazendo a memória aquilo que me dá esperança (Lamentações 3:21)”, comenta ele, que conclui:
“A morte física não é o fim. É apenas o encerramento de nossa breve passagem aqui nesta vida. Por isso temos que cuidar para que o Senhor Jesus Cristo nos aceite em seu eterno reino. Como? Reconhecendo nossos pecados e nos arrependendo enquanto há tempo”.
10 versículos bíblicos para confortar um coração com saudades
1. Deus se aproxima dos corações feridos “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido”. Salmo 34:18
2. Há promessa de consolo para quem chora “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. Mateus 5:4
3. O Senhor cura as feridas da alma “Sara os quebrantados de coração e lhes ata as feridas”. Salmo 147:3
4. Jesus é a ressurreição e a vida “Disse-lhe Jesus: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá’”. João 11:25-26
5. O fim da dor e das lágrimas está prometido “E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque as primeiras coisas são passadas”. Apocalipse 21:4
6. Mesmo no vale escuro, Deus caminha conosco “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. Salmo 23:4
7. Deus sustenta e fortalece em meio à perda “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça”. Isaías 41:10
8. O amor de Deus é mais forte que a morte “Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem potestades, nem o presente, nem o porvir […] poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Romanos 8:38-39
9. A morte não é o fim para quem crê “Não queremos que sejais ignorantes acerca dos que dormem, para que não vos entristeçais como os demais que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus trará, com Jesus, os que nele dormem”. 1 Tessalonicenses 4:13-14
10. A dor passa, e a esperança renasce “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Salmo 30:5
Destruição na Jamaica após passagem do furacão Melissa, uma das tempestades mais intensas já registradas no Caribe. (Foto: Reprodução)
Menos de dois dias após o furacão Melissa — de categoria 5 e ventos superiores a 298 km/h — atingir a Jamaica, a organização evangélica Samaritan’s Purse enviou por via aérea mais de 38 mil libras de suprimentos de emergência para o país.
A entidade, sediada na Carolina do Norte (EUA) e liderada por Franklin Graham, foi a primeira a desembarcar ajuda humanitária no aeroporto de Kingston. O furacão mais poderoso do Atlântico em quase um século, o Melissa, deixou ao menos 30 mortos no Haiti e 19 na Jamaica, além de partes de Cuba em ruínas, com seu avanço na quinta-feira (30) pelo Caribe rumo a Bermudas.
Os primeiros voos transportaram kits com lonas, cordas, luzes solares e filtros de água, além de sistemas capazes de fornecer água potável para até 10 mil pessoas por dia. Equipes de resposta a desastres e capelães também foram mobilizados para oferecer apoio físico e espiritual às vítimas.
“O furacão destruiu comunidades inteiras e deixou milhares sem abrigo. Queremos que saibam que Deus se importa e que não estão esquecidos”, declarou Franklin Graham.
De acordo com Edward Graham, diretor de operações, os preparativos começaram antes mesmo da tempestade. “Trabalhamos com nossos parceiros locais para garantir uma resposta rápida e coordenada”, afirmou.
A Samaritan’s Purse atua junto ao governo jamaicano e a mais de 250 igrejas parceiras para restaurar o acesso a água potável. Além disso, oferecer atendimento médico móvel e apoiar famílias que perderam tudo.
Melissa é considerada uma das tempestades mais intensas já registradas no Caribe, deixando a Jamaica sem energia, com bairros inundados e milhares de pessoas desabrigadas. A organização planeja novos voos de ajuda nos próximos dias e pede orações pela recuperação da ilha.
Fonte: Comunhão com informações de Samaritan’s Purse
Quando Martinho Lutero afixou as suas “95 Teses” na porta da igreja de Wittenberg (Alemanha), em 31 de outubro de 1517, provavelmente ele nunca imaginou o alcance que seu gesto teria. Hoje, 508 anos depois, o cristianismo mundial tem cerca de 2,645 bilhões de fiéis, sendo que, desse total, 42% são protestantes, algo em torno de 1,1 bilhão, segundo o Relatório do Centro para o Estudo do Cristianismo Global 2025. São mais de 50 mil denominações, nas mais diversas culturas.
No Brasil não é diferente. O primeiro contato do protestantismo em solo nacional ocorreu com os holandeses calvinistas que ocuparam parte do Nordeste, entre 1630 e 1654. A partir de 1808, com a chegada da Família Real portuguesa ao país, houve mais abertura religiosa. Os presbiterianos chegaram por volta de 1859, com missionários escoceses e norte-americanos. Já os missionários britânicos e americanos fundaram a primeira igreja batista organizada no Brasil em 1881, no Rio de Janeiro.
Atualmente, 47,4 milhões de brasileiros se declaram protestantes no país, segundo o Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eles estão espalhados em mais de 109 mil igrejas, entre protestantes tradicionais e as várias vertentes evangélicas, conforme uma pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), ligado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
É importante ressaltar que “Protestante” é um termo histórico-teológico que refere-se às igrejas e tradições cristãs que surgiram a partir da Reforma Protestante, que “protestaram” contra aspectos da Igreja Católica Romana e afirmaram princípios como “somente a fé” (sola fide), “somente a Escritura” (sola scriptura).
Já o “Evangélico” é um subtipo dentro do protestantismo (embora o termo seja usado de formas diferentes dependendo do contexto) – geralmente refere-se a cristãos protestantes que enfatizam: a necessidade de conversão pessoal (“nascer de novo”), a autoridade da Bíblia, a proclamação do evangelho (“evangelização”), e muitas vezes uma ênfase missionária ou de renovação espiritual.
Reforma foi crucial para a história cristã
Para o pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes, a Reforma Protestante foi crucial na história cristã por vários aspectos. “Primeiramente, do ponto de vista religioso, com o retorno às escrituras, à doutrina apostólica, à pureza e simplicidade do evangelho, trazendo a igreja de volta ao centro que é Cristo Jesus”, explica.
Outros pontos importantes apontados pelo pastor são a criação das “5 Solas” da reforma (Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solus Christus, Soli Deo Gloria) e as mudanças que elas proporcionaram. “A reforma foi fundamental do ponto de vista da educação, econômico, social, político, acadêmico e científico. Ela tratou de todas essas áreas e poderíamos dizer que há um divisor de águas na história da humanidade antes e depois da reforma”, enfatiza Lopes.
Por outro lado, Hernandes Dias Lopes acredita que a reforma foi o pontapé inicial, mas não um fim em si mesma, visto que a igreja deve continuar avançando em uma geração cada vez mais moderna e digital.
“A igreja precisa avaliar a si mesma no que tange a sua teologia e a sua ética para voltar sempre às Escrituras. Que nunca se desvie da doutrina e mantenha o fervor. A igreja sempre precisa de reforma e reavivamento. Essa é a grande necessidade da igreja contemporânea”, afirma Lopes.
Sobre o futuro do protestantismo, o pastor diz que a igreja deve estar em alerta sobre as novas ameaças do mundo moderno. “A igreja precisa se preparar para o futuro, mantendo a pregação das verdades absolutas no mundo rendido à ditadura do relativismo, não se rendendo nem ao liberalismo teológico, nem ao sincretismo religioso”, alerta Lopes.
Igrejas devem voltar ao primeiro amor
Para o pastor Jorge Linhares, líder da Igreja Batista Getsêmani em Belo Horizonte (MG), um dos grandes desafios hoje é exatamente ter uma igreja que viva dentro da Palavra de Deus e não apenas abra mais uma porta visando lucros e espetáculos.
“Uma igreja não se abre, tem que nascer no coração de Deus. Lutero nunca quis começar uma nova igreja. Por isso o nome ‘reforma’, ou seja, vamos reformar a que tem, voltar às raízes, estabelecer aquilo que Deus estabeleceu como princípio. É tirar o achismo, o comodismo e a satisfação pessoal e divulgar essa posse da graça de Deus, da ação completa de Cristo, da fé e do valor da igreja como uma instituição sagrada, fundada por Cristo e não um negócio para se enriquecer, ganhar dinheiro”, afirma.
O pastor ressalta que, se Lutero vivesse hoje, ele certamente condenaria a vulgarização da graça. “Eu peco e sou perdoado. Brinco, sou perdoado. Sou salvo, então posso viver no pecado, não preciso de compromisso com Deus”, critica. Por outro lado, Linhares destaca a importância da Reforma Protestante para o cristianismo e a sociedade de um modo geral.
“Nós não precisamos mais nos acovardar diante da mentira, pois ela tem que ser enfrentada, não pode ser engolida. O que Lutero fez foi protestar contra a impureza da igreja, contra a lascívia, o pecado, o abuso do sacerdócio. Então, ele tomou uma posição e isso desperta em nós uma ação desafiadora como a dele, e que deve ser copiada quando vemos aquilo que não é de acordo com a palavra de Deus”, justifica.
No entanto, para chegar a esse nível de comprometimento com Deus, Jorge Linhares diz que é fundamental a igreja voltar ao estudo da Palavra e ter uma vida diária de comunhão. “É as pessoas irem aos cultos para adorar a Deus, sabendo que ali haverá uma palavra para alimentar a sua vida. E também a ovelha não depender só do pastor para equilibrar, estabelecer, qualificar a sua vida espiritual. É voltar ao primeiro amor. Todo mundo estar unido em prol da igreja”, finaliza.
Sobre a Reforma Protestante
– Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero teria afixado (ou enviado) as suas “95 Teses” na porta da igreja de Wittenberg (Alemanha). Essa data é tradicionalmente considerada o início da Reforma.
– Os motivos envolviam críticas ao sistema de indulgências da Igreja Católica, à autoridade papal, à necessidade de reforma moral e institucional da Igreja, e ao acesso à Bíblia e à salvação pela fé.
– O movimento se expandiu por vários países europeus (Suíça, Escócia, Inglaterra, França, etc) – por exemplo, João Calvino em Genebra, Ulrico Zwingli em Zurique.
– Resultado: surgimento de várias tradições protestantes (luterana, calvinista, anglicana, anabatista, metodista etc), separação institucional da Igreja Católica em muitos territórios, conflitos religiosos (guerra dos trinta anos, guerras de religião), mudança cultural (leitura da Bíblia em línguas vernáculas, educação, cidadania).
Principais atores
Martinho Lutero (1483-1546) – figura central da Alemanha.
João Calvino (1509-1564) – figura central do movimento reformado em Genebra.
Ulrico Zwingli (1484-1531) – na Suíça.
Outros: Thomas Cranmer na Inglaterra, John Knox na Escócia, etc.
Impactos da Reforma
– A Reforma mudou o panorama religioso europeu: diminuiu o monopólio da Igreja Católica em muitos lugares, incentivou a tradução da Bíblia para línguas locais, estimulou a alfabetização e o pensamento crítico.
– Também levou à fragmentação cristã: surgimento de múltiplas denominações protestantes.
– Em âmbito social/político, teve efeitos na formação de Estados-nação, liberdade de consciência religiosa, etc.
– Inicialmente, as igrejas luteranas comemoravam em várias datas (aniversário de Lutero, morte de Lutero, etc). Mas em 1667, o eleitor de Saxônia determinou 31 de outubro como anual dia da Reforma naquele território.
– Vale observar: embora se use a imagem de “afixar na porta da igreja”, alguns historiadores contestam se realmente foi pregado ou se foi simplesmente enviado para discussão acadêmica.
Os “Cinco Solas” da Reforma Protestante
Os “Cinco Solas” são princípios teológicos centrais da Reforma Protestante que resumem a visão reformada sobre a salvação e a autoridade da fé cristã. Cada “sola” é uma palavra em latim que significa “somente” ou “apenas”, enfatizando a exclusividade de Deus e da Bíblia em certos aspectos. Aqui estão eles:
1. Sola Scriptura – “Somente a Escritura”
A Bíblia é a única autoridade suprema em questões de fé e prática.
Rejeita a ideia de que tradições ou autoridades humanas (como papado ou concílios) tenham autoridade equivalente à Palavra de Deus.
Base: 2 Timóteo 3:16-17 (“Toda a Escritura é inspirada por Deus…”).
2. Sola Fide – “Somente a fé”
A salvação vem somente pela fé em Jesus Cristo, não por obras ou méritos humanos.
Contrasta com a visão de que indulgências ou obras poderiam justificar o ser humano diante de Deus.
Base: Efésios 2:8-9.
3. Sola Gratia – “Somente a graça”
A salvação é um dom gratuito de Deus, não algo que possamos conquistar.
Reforça que a iniciativa da salvação é sempre de Deus, não humana.
Base: Romanos 3:24 (“Justificados gratuitamente pela sua graça…”).
4. Solus Christus – “Somente Cristo”
Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.
Negação da necessidade de intermediários humanos (santos, papas) para a salvação.
Base: João 14:6 (“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”).
5. Soli Deo Gloria – “Glória somente a Deus”
Todo louvor, adoração e mérito devem ser dirigidos somente a Deus, não a líderes humanos.
A salvação e a vida cristã existem para a glória de Deus, não para a glória pessoal.
Base: 1 Coríntios 10:31 (“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa, fazei tudo para glória de Deus”).
Folha Gospel – artigo publicado originalmente em Comunhao.com.br