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Ataque de gangue a igreja deixa 47 refugiados mortos no Haiti

Bandeira do Haiti (Foto: reprodução)
Bandeira do Haiti (Foto: reprodução)

Ação violenta da coalizão de gangues Viv Ansanm em Kenscoff destrói abrigo improvisado e provoca forte reação das autoridades do governo haitiano

A invasão brutal de uma facção criminosa contra uma igreja que abrigava refugiados na comunidade de Kenscoff, nos arredores de Porto Príncipe, resultou em pelo menos 47 mortes e deixou outras 22 feridas, conforme informações divulgadas pelo Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti.

O avanço dos criminosos começou por volta das 22h30 de domingo e se estendeu ao longo de segunda-feira. De acordo com relatos de sobreviventes, os alvos incluíram instalações da Igreja Evangélica da Arca da Nova Aliança, situada nas proximidades do cemitério municipal. Além de incendiarem residências e realizarem sequestros, os agressores destruíram o templo religioso e sacrificaram animais, incluindo cavalos.

O prefeito de Kenscoff, Massillon Jean, descreveu a gravidade da invasão liderada pela coalizão armada Viv Ansanm.

“A noite passada foi uma noite de terror que atingiu a comuna de Kenscoff.”

Em resposta imediata ao massacre, o governo do Haiti anunciou o envio de reforços policiais para a região montanhosa e decretou estado de alerta máximo para todas as forças de segurança nacionais. Em pronunciamento oficial, a gestão pública enfatizou que irá empregar a força legal do Estado para desmobilizar os grupos armados e restabelecer o controle territorial.

O comunicado oficial destaca que as ordens operacionais são claras para conter a expansão dos criminosos no país.

“Que não haja engano: este momento de luto é também um desafio. E a este desafio, o Governo responde com a força da lei e o legítimo exercício da força do Estado. Todas as forças de segurança foram colocadas em alerta máximo. Os reforços estão sendo implantados. As ordens são claras: proteger, garantir a segurança, intervir. A autoridade do governo será restaurada — com firmeza e sem demora — em todo o território de Kenscoff.”

O posicionamento do Executivo reitera o compromisso de neutralizar por completo a atuação dessas organizações criminosas.

“A mensagem do Governo é inequívoca: nenhum grupo armado prosperará no Haiti. Os criminosos não encontrarão trégua, refúgio ou impunidade. As forças de segurança foram encarregadas de persegui-los, neutralizá-los e incapacitá-los.”

Escalada da violência no território haitiano

Dados de monitoramento da ONU indicam uma deterioração severa nas condições de segurança pública do país. Somente no segundo trimestre de 2026, entre os meses de abril e junho, a violência armada provocou a morte de 1.408 pessoas e deixou outras 656 feridas, sendo que a atuação de gangues responde por mais da metade desses registros.

O representante especial das Nações Unidas no Haiti, Carlos Ruiz Massieu, ressaltou que as populações vulneráveis continuam sofrendo o maior impacto dos confrontos.

“Estes números mostram que a população continua a pagar um preço inaceitável pela violência. A sua proteção deve permanecer no centro de todos os esforços para restaurar a segurança, especialmente para crianças, mulheres e outras pessoas expostas a riscos acrescidos.”

Os embates frequentes pelo controle territorial em bairros periféricos como Plaine du Cul-de-Sac e Cité Soleil intensificaram o deslocamento forçado de civis. O avanço desses conflitos obrigou mais de 18 mil moradores a abandonarem suas casas, interrompendo o acesso a serviços fundamentais de saúde e educação.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

Cantora Dolly Parton morre aos 80 anos: ‘Está nos braços de Jesus’

Cantora Dolly Parton morre aos 80 anos em 25 de agosto. (Foto: Reprodução)
Cantora Dolly Parton morre aos 80 anos em 25 de agosto. (Foto: Reprodução)

A lendária cantora norte-americana faleceu de forma pacífica em Nashville após uma carreira de sete décadas marcada por sucessos e devoção religiosa

A lendária cantora e compositora country Dolly Parton faleceu pacificamente nesta terça-feira, 25 de agosto, em Nashville, no estado do Tennessee, aos 80 anos de idade. A notícia do falecimento da artista, conhecida globalmente por clássicos como “Jolene” e “9 to 5”, além do parque temático Dollywood, foi divulgada por meio dos canais oficiais de sua família.

O anúncio em vídeo foi apresentado por Bryan Seaver, sobrinho da cantora e chefe de sua equipe de segurança por mais de duas décadas, que atendeu a um pedido feito pela própria tia anos antes. No comunicado, ele ressaltou a trajetória brilhante de Parton, descrita como uma vida cheia de brilho, amor, compaixão e resiliência.

“Nossa tristeza fica conosco, não com Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, certamente recebida por Carl, seus pais e incontáveis outros que a assistiram e desejaram seu encontro nos céus.”

Antes de sua partida, a estrela enfrentou a perda de seu companheiro de 59 anos, Carl Thomas Dean, que faleceu em março de 2025. Ela também foi precedida na morte por seus pais, Robert Lee Parton Sr. e Avie Lee Owens Parton.

Origens na igreja e trajetória musical

Nascida em 19 de janeiro de 1946, na região leste do Tennessee, Parton cresceu em uma família numerosa de agricultores, sendo uma de 12 crianças. O ambiente religioso moldou sua infância, especialmente sob a influência de seu avô materno, Jake Owens, que atuava como pregador local. A futura estrela começou a cantar nos cultos religiosos logo aos seis anos e aprendeu a tocar violão pouco tempo depois. Em entrevista anterior concedida à revista Country Woman, ela relacionou sua determinação profissional com as bases espirituais recebidas no lar.

“Nós crescemos acreditando que através de Deus todas as coisas são possíveis. Acho que acreditei tanto nisso que fiz acontecer.”

A persistência diante dos desafios de uma carreira duradoura também encontrava amparo em sua fé pessoal. Em outra declaração à mesma publicação, a artista detalhou como suas convicções ajudavam a manter seu equilíbrio.

“Tudo isso me manteve sã. Manteve-me estável. A crença em Deus é essencial.”

A cantora ressaltou ainda que o convívio familiar era fundamental para mantê-la com os pés no chão, tendo experimentado tanto a extrema escassez quanto a abundância ao longo da vida. A presença da temática religiosa em sua discografia consolidou-se desde o primeiro álbum gospel, “The Golden Streets of Glory”, lançado em 1971, passando por “For God and Country”, de 2003, até o recente projeto familiar “Smoky Mountain DNA: Family, Faith and Fables”, gravado em 2024 ao lado de seus parentes.

Parcerias no cenário cristão contemporâneo

Nos últimos anos de carreira, Parton expandiu sua atuação no meio cristão por meio de parcerias de grande repercussão. Em 2019, o duo australiano for KING & COUNTRY a convidou para uma nova gravação da faixa “God Only Knows”, após um dos integrantes, Joel Smallbone, assistir ao filme “Dumplin'”, produzido pela Netflix. A parceria foi elogiada publicamente pela cantora.

“Quando ouvi ‘God Only Knows’ pela primeira vez, pensei que era uma das melhores músicas que já tinha ouvido.”

A colaboração liderou a parada Billboard Top Christian Songs por 11 semanas consecutivas e venceu a categoria de música do ano no prêmio K-LOVE Fan Awards. Posteriormente, a parceria com Zach Williams na canção “There Was Jesus” rendeu a Parton seu 11º Grammy, conquistado em 2021 na categoria de melhor performance ou música cristã contemporânea. Ao receber a premiação, a artista demonstrou gratidão.

“Obrigada, Jesus, obrigada, Zach Williams, e obrigada ao Grammy e a todos os nossos fãs.”

A faixa representou um momento especial para Parton, que revelou ter aceitado o convite por desejar interpretar canções com essa temática espiritual naquele momento específico de sua jornada. Em 2024, a dupla voltou a colaborar na música “Lookin’ For You”, lançada na versão estendida do álbum de Williams.

Luto e desafios de saúde no fim da vida

Os últimos dois anos da trajetória de Dolly Parton foram marcados por problemas de saúde e pelo luto. Após a perda do marido em 2025, a cantora revelou em entrevista na televisão como se sustentou diante da dor.

“Minha fé me ajudou a passar por tudo isso porque sou uma pessoa de fé, embora o tenha perdido neste plano terreno.”

Devido a complicações de saúde, Parton precisou adiar uma temporada de shows planejada para Las Vegas em setembro de 2025. Na ocasião, chegou a publicar uma mensagem bem-humorada aos fãs nas redes sociais afirmando que ainda não estava morta. Contudo, em março de 2026, durante um pronunciamento no parque Dollywood, a artista admitiu o desgaste acumulado pelo luto e a necessidade de recuperação pessoal em diversas áreas de sua vida.

Em vez de homenagens florais, a família da cantora solicitou que o público direcione doações para a Dolly Parton’s Imagination Library. O projeto social, voltado para a alfabetização infantil e fundado pela artista em 1995 em memória de seu pai, realiza o envio de livros gratuitos para crianças em diversos países do mundo.

Criadora de conteúdo aponta falhas de acessibilidade para pessoas com deficiência em igrejas

Isabel Ferraz De Andrade. (Foto: Reprodução/Instagram/a_belferraz).
Isabel Ferraz De Andrade. (Foto: Reprodução/Instagram/a_belferraz).

Barreiras arquitetônicas e falta de intérpretes de Libras impedem a participação de fiéis com deficiência em cultos e atividades religiosas

Muitas igrejas cristãs permanecem física e socialmente inacessíveis para pessoas com deficiência, impedindo a comunhão e a participação ativa em atividades religiosas. Templos religiosos de variados portes apresentam barreiras estruturais que dificultam ou chegam a impedir a entrada de fiéis que utilizam cadeiras de rodas ou possuem mobilidade reduzida. O alerta sobre esse cenário de exclusão foi compartilhado em um vídeo publicado no Instagram pela criadora de conteúdo cristã Isabel Ferraz De Andrade, de 20 anos, que é pessoa com deficiência (PCD).

Isabel questionou a preparação das comunidades religiosas para acolher adequadamente esse público.

“Você já se perguntou se a sua igreja está preparada para receber uma pessoa com deficiência? Se você conseguisse evangelizar e levar para a igreja uma pessoa que usa a cadeira de rodas, por exemplo, você acha que ela conseguiria se sentir incluída naquele culto? Ou será que ela não conseguiria nem passar pela porta?”

A influenciadora relatou uma experiência pessoal vivida em um retiro religioso situado em uma propriedade rural afastada, onde uma participante compartilhou o receio de levar a própria mãe devido ao histórico de entraves arquitetônicos em eventos do tipo.

“Um tempo atrás eu fui em uma espécie de retiro, que ficava numa chácara mais afastada, e uma irmã chegou em mim falando: ‘Nossa, eu fiquei muito feliz de te ver aqui. Fazia uns dois anos que eu queria vir, e esse ano eu vim sozinha e não trouxe a minha mãe, porque eu tinha medo de não ser um lugar acessível’”

A falta de planejamento arquitetônico afeta de forma ampla a locomoção de fiéis que frequentam templos de diversas linhas doutrinárias, incluindo construções com designs antigos e modernos.

“Eu já vi tantas e tantas igrejas que são completamente inacessíveis para pessoas com deficiência. Tem igrejas que só tem um santuário de cultos no segundo andar, por exemplo, ou só tem uma rampa que é completamente inacessível, porque não é toda rampa que é acessível, como também nem tem rampa de acessibilidade”

Pequenas elevações ou degraus simples logo na entrada de edifícios tradicionais representam um grande impedimento de mobilidade, afetando não apenas os cadeirantes, mas também o público de idade avançada.

“Até mesmo em igrejas com uma arquitetura mais tradicional, é muito comum a gente ver na porta de entrada dois a três degraus, o que dificulta não só para pessoas com deficiência, que muitas das vezes não conseguem nem acessar, como também para pessoas idosas”

A influenciadora destacou que a ajuda física improvisada é um paliativo que desrespeita o conceito básico de autonomia do indivíduo.

“Lembrando que se a gente precisa carregar uma pessoa com deficiência para que ela tenha acesso a um determinado local, isso não é acessibilidade”

Desperdício de talentos nas comunidades

A falta de infraestrutura adequada e de livre trânsito pode silenciar membros que poderiam contribuir ativamente com as reuniões por meio de suas aptidões pessoais.

“Quantos dons, chamados, talentos estão sendo impedidos de florescer por causa de um degrau? Quantas pessoas poderiam estar louvando, pregando, adorando e não estão exercendo porque são impedidas de acessar esses espaços?”

Exclusão em programações externas e barreiras de comunicação

A barreira à integração se estende para além das estruturas físicas dos templos principais, alcançando eventos externos organizados pelas congregações, como acampamentos e retiros de campo. A inclusão verdadeira exige pertencimento e a oportunidade de servir ativamente, demandando também acessibilidade que contemple a comunicação.

“Muitas igrejas, quando vão fazer eventos externos, por exemplo, retiros em chácaras, não pensam em um local com acessibilidade. E esses eventos me machucam especificamente porque a inclusão não é sobre a pessoa conseguir entrar na igreja, que às vezes é acessível. É sobre fazer com que a pessoa consiga se sentir pertencente, que ela consiga permanecer, participar, servir também”

Para a jovem de 20 anos, o debate precisa ser expandido para aspectos que vão além do acesso físico básico.

“Quando pensamos em acessibilidade, eu acho que isso vai muito além de somente acessibilidade física. Quantas igrejas imensas que não tem um trabalho de tradução em libras, por exemplo”

Rede de fast-food In-N-Out mantém versículos bíblicos em embalagens apesar de críticas

Lynsi Snyder, presidente e proprietária da In-N-Out Burger, e uma unidade da rede nos Estados Unidos. (Foto: Divulgação)
Lynsi Snyder, presidente e proprietária da In-N-Out Burger, e uma unidade da rede nos Estados Unidos. (Foto: Divulgação)

Presidente da marca In-N-Out garante a permanência de mensagens cristãs em copos e caixas de batata frita após questionamentos de consumidores nas redes sociais

A rede norte-americana de fast-food In-N-Out Burger decidiu manter as tradicionais referências a versículos bíblicos em suas embalagens e copos, resistindo a críticas recentes de internautas nas redes sociais. Enquanto críticos questionam a exibição das mensagens religiosas nos produtos, defensores da marca apoiam a liberdade da empresa de expressar seus princípios históricos. Diante da repercussão, a proprietária e presidente da companhia, Lynsi Snyder, assegurou a continuidade das impressões nas embalagens, conforme informações repercutidas pelo portal The Christian Post.

As citações religiosas aparecem de forma discreta nos itens de consumo, limitando-se à menção de livros, capítulos e versículos específicos. Entre as passagens bíblicas utilizadas pela empresa ao longo de sua trajetória estão referências como João 3.16, Provérbios 3.5, Apocalipse 3.20 e Provérbios 24.16.

Origem da tradição familiar

A prática remonta à gestão de Rich Snyder, tio da atual presidente e filho dos fundadores da marca. Registros históricos apontam que as primeiras referências bíblicas começaram a ser impressas nos recipientes de bebidas em 1987, embora a consolidação da iniciativa tenha ocorrido no início da década de 1990. Rich Snyder faleceu em um acidente aéreo em 1993, mas seu legado foi preservado pelas gerações seguintes da família.

A presidente relembrou a decisão de seu familiar em registrar suas crenças nos produtos da marca.

“Foi meu tio Rich quem colocou os versículos bíblicos nos copos e embalagens no início dos anos 90, pouco antes de falecer.”

A empresária explicou que a iniciativa surgiu logo após a conversão religiosa de seu parente, que buscava manifestar suas convicções pessoais na identidade visual dos produtos.

“É uma empresa familiar e sempre será, e esse é um toque da família.”

Ampliação das referências nas embalagens

Ao assumir o controle da rede de lanchonetes, Lynsi Snyder expandiu a aplicação dos versículos para além dos copos tradicionais. As menções de cunho cristão foram adicionadas também às embalagens de batatas fritas e aos copos de café e chocolate quente, refletindo o posicionamento público da executiva sobre sua fé.

A manutenção dos versículos está alinhada ao compromisso da administração de preservar os pilares fundacionais da empresa. A liderança da rede de fast-food reforça que as diretrizes de atendimento, os rígidos padrões de qualidade e os valores de origem familiar permanecem inalterados na condução dos negócios.

Frontiers Brasil abre inscrições para curso gratuito de missões no mundo muçulmano

Muçulmanos em Meca. (Foto: Reprodução)
Muçulmanos em Meca. (Foto: Reprodução)

Inscrições para capacitação online do Frontiers Brasil oferecem ferramentas práticas e promovem troca de experiências sobre evangelismo, aponta Comunhão

Estão abertas as inscrições para o treinamento online gratuito ACT – Até os Confins da Terra, iniciativa desenvolvida para preparar cristãos brasileiros interessados em realizar missões em comunidades islâmicas. A capacitação busca desmistificar aspectos culturais do mundo muçulmano e fornecer estratégias de aproximação, conforme divulgado pelo portal Comunhão.

Os encontros serão realizados semanalmente aos sábados, sempre às 9h. A aula inaugural está agendada para o dia 26 de setembro de 2026, abrindo as atividades que visam conectar os participantes e fortalecer a troca de vivências sobre o evangelismo transcultural.

Estratégias e dinâmicas de aprendizado

O cronograma de estudos prevê debates sobre a atuação divina em regiões de maioria muçulmana, além de apresentar recursos metodológicos para a prática missionária no cotidiano. Os organizadores destacam que a proposta pedagógica busca ampliar a compreensão teórica e prática sobre os desafios específicos dessa frente de trabalho.

Os interessados em participar da formação podem efetuar o cadastro diretamente na página oficial do programa ACT, hospedada no site da Frontiers Brasil.

Vinte países africanos assinam carta em defesa da soberania nacional sobre políticas sociais

Cristãos na África. (Foto: reprodução)
Cristãos na África. (Foto: reprodução)

Tratado assinado em Gana protege soberania sobre família e rejeita aborto e transição de gênero segundo informações publicadas pelo Christian Today

Uma coalizão de vinte nações do continente africano oficializou a aprovação de uma carta que reivindica a soberania nacional em temas como casamento, aborto e estrutura familiar. O posicionamento conjunto ocorreu durante uma conferência realizada em Acra, capital de Gana, motivado pelo descontentamento com as pressões de governos ocidentais e organizações internacionais sobre as políticas sociais locais.

O documento, denominado “Carta Africana sobre Família, Soberania e Valores”, estabelece diretrizes rígidas que definem o matrimônio exclusivamente como a união entre um homem e uma mulher. A resolução também reconhece a identidade de gênero sob uma perspectiva puramente biológica, dividida entre masculino e feminino. O texto rejeita explicitamente o aborto como um direito internacional e se opõe a legislações que descriminalizam a prostituição ou promovam a ideologia transgênero.

A iniciativa recebeu o apoio de organizações conservadoras internacionais. O diretor executivo da Sociedade para a Proteção de Crianças Não Nascidas, John Deighan, expressou entusiasmo com a decisão das nações e criticou as tentativas do Ocidente de exportar ideologias liberais para países em desenvolvimento.

“Durante muito tempo, um Ocidente perverso tentou forçar sua contracepção malthusiana, o aborto violento e a expressão sexual moderna sobre as nações do terceiro mundo, sendo as africanas as mais atingidas. É uma alegria ver vinte nações boas e morais lutando contra isso, apesar das prováveis punições financeiras que receberão.”

Deighan defendeu que os países ocidentais deveriam aprender com o foco da carta em soberania e vida tradicional.

“O desenvolvimento nunca será análogo à liberalização do aborto e ao desmantelamento das estruturas familiares tradicionais.”

Proteção econômica e agrícola

Além das pautas sociais, a carta aborda questões de soberania econômica e agrícola. O plano prevê a proteção de sementes nativas e de sistemas agrícolas familiares, além de exigir que os países africanos tenham maior controle sobre a exploração de seus próprios recursos minerais e reduzam a dependência da exportação de matérias-primas brutas. Há também uma demanda por maior simplificação e tempo de análise nas negociações de tratados comerciais internacionais.

Divergências e posicionamentos contrários

A concordância em relação ao documento não foi unânime no continente. África do Sul e Moçambique decidiram não assinar o pacto. A representação sul-africana alegou que os termos da carta entram em conflito direto com as garantias constitucionais do país, que incluem o reconhecimento legal da união entre pessoas do mesmo sexo.

O debate coincide com as críticas recentes feitas pelo cardeal católico Robert Sarah, originário da Guiné, que acusou a União Europeia de adotar uma postura neocolonialista ao tentar impor valores sociais ocidentais na África.

Cristãos enfrentam uma crescente ameaça de genocídio no Afeganistão

Cristãos no Afeganistão (Foto: Reprodução)
Cristãos no Afeganistão (Foto: Reprodução)

O Talibã tem coletado o máximo de dados possível sobre os cristãos do país, incluindo quem são, onde vivem, quem conhecem

Os cristãos no Afeganistão correm o risco de sofrer um “genocídio”, de acordo com Martin Parsons, especialista em liberdade religiosa e extremismo islâmico e ex-trabalhador humanitário no país.

Em um artigo para a revista The Critic , Parsons relatou suas experiências na década de 1990, após a primeira tomada de poder pelo Talibã. Cristãos que se recusavam a renunciar à sua fé eram rotineiramente executados, a música era proibida por ser considerada anti-islâmica e mulheres supostamente imorais eram mortas e jogadas em rios.

Há cinco anos, após duas décadas de insurgência, o Talibã retornou ao poder quando o governo Biden ordenou apressadamente a retirada das forças americanas do Afeganistão , derrubando o governo estabelecido após a invasão liderada pelos EUA em 2001.

Esta segunda encarnação do Talibã, segundo Parsons, tem sido menos brutal e mais preocupada com a aceitação internacional. Mesmo assim, os cristãos continuam correndo sério perigo.

De particular preocupação é a lei de apostasia do Talibã, que estipula que um homem adulto e são que se converta do Islã terá três dias para se “arrepender” ou enfrentará a execução. Mulheres que cometerem o mesmo crime serão mantidas na prisão perpétua e sujeitas a espancamentos regulares. Crianças serão mantidas sob custódia até atingirem a maioridade, momento em que enfrentarão a punição correspondente.

Muitos países islâmicos possuem leis draconianas contra a conversão do islamismo. Tais leis geralmente fazem distinção entre convertidos e cristãos de nascimento. No Irã, por exemplo, não é ilegal ser cristão, mas a conversão do islamismo para o cristianismo é oficialmente punida com a pena de morte.

Acredita-se que existam cerca de 10.000 cristãos no Afeganistão, mas, de acordo com Parsons, eles correm considerável perigo.

“Os cristãos são particularmente vulneráveis ​​porque, ao contrário de outras minorias religiosas, sua existência nunca foi reconhecida por nenhum dos governos apoiados pelo Ocidente que existiram entre a queda do Talibã em 2001 e seu retorno em 2021”, disse ele.

“Isso permitiu que o Talibã negasse a existência de cristãos afegãos e tratasse qualquer um que encontrasse como apóstata do Islã, embora muitos sejam, na verdade, cristãos de segunda ou terceira geração.”

A única coisa que impede a Espada de Dâmocles de cair sobre os cristãos do Afeganistão é uma aparente divisão dentro da liderança do Talibã entre aqueles que querem voltar aos anos 90 e aqueles que desejam um certo nível de aceitação.

“Embora alguns afegãos tenham sido executados por apostasia e haja evidências de execuções extrajudiciais de cristãos, até onde sabemos, não houve até agora nenhum assassinato em larga escala de cristãos por apostasia. Na verdade, em diversas ocasiões, o tribunal de apelações do Talibã comutou penas de morte por ofensas religiosas para penas de prisão”, escreveu ele.

“Isso parece refletir uma luta pelo poder entre a maior parte do Talibã, que considera evidente a aplicação da pena hudud para apostasia, e uma ala da liderança talibã que prefere adiar essa aplicação por enquanto. Esta última está disposta a tolerar o adiamento desse aspecto da imposição da sharia para não comprometer a possibilidade de reconhecimento ocidental do Talibã como um governo legítimo.”

Entretanto, o Talibã tem coletado o máximo de dados possível sobre os cristãos do país — quem são, onde vivem, quem conhecem — temendo que chegue o dia em que usem essas informações para reprimir ainda mais os cristãos.

Parsons se referiu a um livro didático conhecido como Hedaya, comumente usado no Afeganistão e no Paquistão, que, juntamente com muitos outros materiais islâmicos, justifica a escravização de não-muçulmanos.

“A declaração clara nos decretos do Hedaya e do Talibã de que aqueles considerados apóstatas devem ser mortos fornece, quase certamente, a evidência necessária de intenção. Portanto, sim, os cristãos afegãos correm o risco de genocídio”, argumentou Parsons.

Folha Gospel com informações de The Christian Post e Christian Today

Pesquisa indica que 81% dos brasileiros preferem candidatos que acreditam em Deus

Pessoas caminhando na cidade (Foto: Canva Pro)
Pessoas caminhando na cidade (Foto: Canva Pro)

Levantamento inédito mostra que a exigência por políticos teístas é ainda maior nas classes populares e aponta confusão sobre o conceito de laicidade

Uma parcela expressiva de 81% da população brasileira considera indispensável que os candidatos em disputas eleitorais tenham fé em Deus. Essa preferência é ainda mais acentuada nas faixas sociais de menor poder aquisitivo, atingindo 89% dos cidadãos que recebem até um salário mínimo, em contraste com os 57% registrados na faixa que ganha de 10 a 20 salários mínimos mensais.

As informações constam em um estudo do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar) da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentado durante a abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade: religião, política e valores, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com dados divulgados pela Agência Brasil.

Percepção divina e educação

A pesquisa revela que a imagem de um Deus cristão é muito forte, especialmente entre os mais pobres. Cerca de 74% dos entrevistados concordam com a premissa de que a crença divina torna as pessoas melhores, índice que sobe para 86% entre os que recebem até um salário mínimo. Além disso, 82% do público ouvido defende que as instituições de ensino devem instruir as crianças e os adolescentes a acreditarem em Deus.

Confiança nas instituições e laicidade

Apesar da elevada valorização da divindade, o levantamento indica que essa postura não resulta em um incremento equivalente na credibilidade de templos religiosos. De acordo com o mapeamento, 56% dos entrevistados confiam na Igreja Católica, que lidera o ranking de confiabilidade, seguida pelas igrejas protestantes, com 51%, e pelos centros kardecistas, que somam 19%. A socióloga Christina Vital, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFF, analisou esse panorama.

“Mas, curiosamente, essa valorização significativa de Deus não se traduz em mais confiança nas instituições religiosas, sobretudo igrejas, que costuram o cotidiano religioso”

Outro aspecto apontado pela pesquisa é a visão sobre o papel do Estado, uma vez que 54% dos respondentes defendem que o poder público não deve ser laico. A pesquisadora apontou a existência de interpretações equivocadas em torno do termo.

“Existe confusão sobre o que é laicidade. Quando perguntadas sobre isso, ouvimos muitas coisas diferentes e que não se relacionam com a separação entre religião e Estado”

Discurso conservador nas eleições

A articulação entre religião e política também foi debatida no evento, com análises sobre como grupos políticos utilizam os sentimentos religiosos. O pesquisador Michel Gherman, líder do Observatório das Crises das Democracias das Américas (UNLP) da UFRJ, avaliou que o fenômeno demonstra uma apropriação das religiões pela extrema direita por meio de um apelo a um passado idealizado.

“Isso significa dizer que não foi a ascensão desse cristianismo protestante no Brasil que fortaleceu a extrema direita, mas, antes, foi ela quem conseguiu instrumentalizar alguns valores dessa percepção religiosa do mundo para o seu ‘projeto de passado’”

Gherman mencionou que sete em cada dez candidatos a cargos eletivos no Rio de Janeiro manifestam a crença de que existe uma conspiração progressista articulada para corromper a moral da sociedade por intermédio das escolas. O cientista político detalhou a mecânica desse discurso.

“Como essas práticas religiosas têm certo desejo de ordem, elas produzem essas teorias de que ‘existe algo que não vemos’, mas que governa as coisas. E, daí, as extremas direitas se valem disso para se fortalecer”

Sensação de perda e voto identitário

Há também uma percepção social generalizada sobre a perda de valores antigos na contemporaneidade, segundo os estudiosos. Christina Vital apontou que esse discurso atinge diversas esferas da sociedade.

“E ela atravessa a cor da pele, as classes sociais, o gênero, etc.”

O receio dessa mudança de costumes, embora se manifeste de formas distintas tanto na direita quanto na esquerda, reflete-se fortemente no debate sobre os papéis sociais das mulheres. A pesquisadora complementou o raciocínio.

“No campo do gênero, por exemplo, é de onde surge a ideia de que as mulheres adquiriram espaços sociais que não deviam”

Por sua vez, o voto religioso demonstra padrões bem definidos nas urnas brasileiras. Lucio Rennó, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), enfatizou a conexão direta entre a identidade dos eleitores protestantes e suas escolhas políticas.

“Mas é um fato que existe regularidade estatística entre ser evangélico e votar na extrema direita. Isso significa uma relação de identidade: os brasileiros votam em quem julgam que se parecem com eles”

Esposa de pastor da Igreja de Sião diz que prisão fortaleceu a união dos cristãos na China

Esposa de pastor da Igreja de Sião diz que prisão fortaleceu a união dos cristãos na China
Esposa de pastor da Igreja de Sião diz que prisão fortaleceu a união dos cristãos na China

Mulher de líder da Igreja de Sião relata bastidores de prisão e revela como a repressão do regime comunista fortaleceu a união entre cristãos no país

A permanência de oito líderes da Igreja de Sião na prisão, decorrente de uma operação coordenada contra templos domésticos não registrados na China, tem gerado um movimento inesperado de fortalecimento espiritual e unidade entre os fiéis locais. De seu exílio na Tailândia, Geng Pengpeng, esposa do pastor detido Gao Yingjia, detalhou a realidade das prisões ocorridas em outubro de 2025 e manifestou otimismo quanto ao impacto religioso da perseguição, conforme relatado ao The Christian Post.

O impacto da repressão estatal

A investida do Partido Comunista Chinês contra a Igreja de Sião é apontada por observadores como a maior ação coordenada contra uma igreja doméstica urbana no país em mais de 40 anos. A organização, que possui uma rede de milhares de membros espalhados por todo o território chinês, atraiu a atenção da comunidade internacional quando a detenção de seu pastor fundador, Jin Mingri, desencadeou um incidente diplomático com os Estados Unidos. Devido ao fato de familiares de Jin possuírem cidadania americana, o líder foi libertado e enviado aos Estados Unidos em 4 de julho, em uma iniciativa de boa vontade do presidente chinês Xi Jinping após a intervenção direta do então presidente Donald Trump.

Apesar dessa liberação, outros oito líderes permanecem encarcerados, incluindo Gao Yingjia. Para a família do religioso, o sofrimento imposto pelas autoridades tem servido para fortalecer a convicção doutrinária do grupo.

A noite da prisão e a fuga

Os momentos que antecederam a prisão foram marcados por tensão e tentativas de escapar do cerco policial. Em 10 de outubro de 2025, Gao tomou conhecimento de que o governo chinês havia iniciado medidas de fiscalização em larga escala, muito superiores ao que os líderes inicialmente supunham. Diante do cerco à residência do pastor Jin e do desaparecimento de outro clérigo, a família decidiu buscar refúgio na casa de amigos nos arredores de Pequim, priorizando a segurança do filho de cinco anos.

Durante a fuga noturna sob chuva, Geng guardou os pertences essenciais, incluindo a Bíblia da criança. Mais tarde, ela descobriu que as forças policiais invadiram sua residência vazia após a partida. A suspeita é de que as autoridades rastrearam a localização da família em tempo real por meio dos sinais de seus aparelhos celulares.

A abordagem policial ocorreu por volta das 2h da madrugada do dia 11 de outubro. Após uma batida ruidosa na porta do esconderijo, agentes à paisana se identificaram e deram voz de prisão ao pastor, que se mostrava sereno diante da situação. Geng recorda que a última interação com o marido foi breve e sem oportunidade de despedida física.

“Se Deus permite que isso aconteça, deve ser uma bênção.”

Atuação religiosa no ambiente prisional

Os líderes detidos foram encaminhados a um centro de detenção na província de Guangxi, no sul da China. Nos primeiros meses, o grupo enfrentou vigilância severa e proibição de estabelecer contato com outros presos, que também foram ameaçados para não interagir com os religiosos. Contudo, relatos de advogados e doze cartas manuscritas enviadas por Gao indicam que a postura resiliente e pacífica dos pastores transformou o ambiente carcerário.

A conduta dos detidos chamou a atenção dos demais prisioneiros que compartilhavam o espaço sob condições adversas. Com o relaxamento gradual das restrições após três meses, os líderes religiosos passaram a realizar atividades de evangelização dentro da própria prisão.

“As pessoas lá dentro estavam sem esperança, tão desesperadas, mas viram meu marido e as outras pessoas, como pareciam tão pacíficas. Então as pessoas ficaram realmente curiosas e perguntaram: ‘Por que vocês não parecem estar em uma prisão?’ Assim, eles têm dado um testemunho muito bom. Depois de três meses, acho que ganharam mais liberdade. Eles podem compartilhar o Evangelho com as pessoas e ter mais conversas.”

A produção escrita de Gao durante o período de cárcere inclui sermões e poesias, que chegam à sua família por vias legais e servem como fonte de consolo espiritual.

“Através de suas cartas e das cartas dos advogados, ele escreveu muitos sermões e poemas na prisão. Então, cada vez que os lia, chorava e também me sentia encorajada. Sei que Deus está realmente trabalhando através da provação. Ele está transformando a maldição em bênção.”

Adaptação familiar e união comunitária

Enquanto o marido cumpre a detenção, Geng lida com a criação do filho na Tailândia. Inicialmente traumatizada pelas circunstâncias e por pesadelos de perseguição, a criança encontrou compreensão sobre a situação do pai após a leitura conjunta das passagens bíblicas sobre a prisão do apóstolo Paulo descritas no livro de Atos. O menino passou a encarar a detenção do pai como uma missão ativa e começou a pregar para colegas de classe em sua nova escola.

A perseguição também provocou uma reação de solidariedade na comunidade cristã chinesa. Reuniões semanais de oração organizadas por plataformas digitais passaram a atrair fiéis de diversas denominações em apoio à Igreja de Sião.

“Acho que vimos igrejas mais unidas do que nunca. Lembro-me de quando aconteceu pela primeira vez, toda terça-feira nossa igreja tinha uma noite de oração pelos perseguidos. Lembro-me de muitas pessoas de outras igrejas, elas se juntaram às nossas reuniões de oração e também no aplicativo de bate-papo online. Muitas pessoas escreviam: ‘Hoje à noite somos a Igreja de Sião. Somos todos a Igreja de Sião. Estamos com todos vocês.’ Então senti que Deus realmente está trabalhando e despertando algo muito maior do que isso.”

Na visão dos membros da igreja doméstica, a atual conjuntura reforça o papel histórico do sofrimento na formação da identidade religiosa na China. Geng avalia que a repercussão global do caso pode ser o prenúncio de um reavivamento espiritual amplo para as congregações locais.

“O DNA das igrejas chinesas tem o sofrimento como uma parte muito importante. Portanto, temos crescido em meio aos sofrimentos. Meu marido está longe. Preciso ser pai e mãe ao mesmo tempo, e houve dificuldades. Mas, espiritualmente, sinto que nunca estivemos tão próximos do Senhor e tão fortes e maduros na fé.”

Portas Abertas alerta para onda de assassinatos e sequestros contra cristãos no Sudão

Cristãos no Sudão (Foto: Portas Abertas)
Cristãos no Sudão (Foto: Portas Abertas)

Violência ocorre em meio à guerra civil, conflitos tribais, disputa por recursos e confrontos entre facções armadas.

Líderes religiosos e cristãos nas montanhas Nuba, no Sudão, enfrentam uma onda crescente de assassinatos, sequestros e ataques, à medida que os confrontos entre facções armadas rivais se intensificam no estado de Kordofan do Sul.

Pelo menos dois líderes religiosos foram mortos nas últimas semanas, enquanto outros dois líderes cristãos foram sequestrados e posteriormente libertados. Dezenas de cristãos também teriam sido sequestrados durante ataques a comunidades religiosas na região, segundo a organização Portas Abertas .

A recente onda de violência reacendeu as preocupações com a segurança das comunidades cristãs em uma área já afetada pela guerra civil sudanesa, tensões tribais e confrontos entre facções do Exército Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLA-N).

O pastor Adel Idris Jongool, da Igreja Episcopal do Sudão, foi baleado após um ataque de militantes na área de Dabbi, distrito de Heiban, em 24 de julho. Ele morreu em decorrência dos ferimentos alguns dias depois.

Fontes da Igreja disseram ao Morning Star News que membros de uma facção dissidente do SPLA-N foram responsáveis ​​pelo ataque. Os militantes teriam como alvo líderes religiosos e outros civis em meio a tensões tribais e religiosas.

O ataque ocorreu um dia depois de seis civis terem sido mortos, segundo relatos, na mesma área.

A Diocese de Heiban da Igreja Episcopal do Sudão confirmou o assassinato de Jongool. O bispo Al-Sir Hassan Kuku condenou o ataque e apelou aos grupos armados envolvidos no conflito para que protejam os líderes da igreja e as instituições religiosas.

“Instamos todas as partes envolvidas no conflito entre o SPLA-N e sua facção dissidente a respeitarem os líderes religiosos e as instituições religiosas”, disse Kuku.

O pastor Yaqob Ibrahim Tia, da Igreja de Cristo do Sudão, foi sequestrado de sua casa em Heiban em 23 de julho, juntamente com dois de seus filhos, seu sobrinho de 15 anos e Daniel Ibrahim Tia, irmão do padre católico Fadi Ibrahim Tia. Tia e os demais membros de sua família foram libertados em 28 de julho . Outro líder religioso, Zakaria Suliman Jana, foi sequestrado em 31 de julho e libertado em 1º de agosto.

Os dois homens são líderes proeminentes de uma congregação da Igreja de Cristo no Sudão, em Heiban. Seus sequestros ocorreram poucos dias após o assassinato de Jongool, o que gerou preocupação entre os cristãos locais de que líderes religiosos estejam sendo cada vez mais visados.

Após sua libertação, Tia se manifestou contra os confrontos entre facções do SPLA-N em Heiban.

“O conflito que está ocorrendo em nossa região não beneficia a todos”, disse Tia durante um encontro com líderes religiosos. Ele pediu aos líderes políticos que rejeitem a violência e trabalhem pela paz.

Ataques contínuos contra cristãos durante uma guerra civil

A organização Portas Abertas, que monitora a perseguição a cristãos em todo o mundo, informou em 12 de agosto que os recentes ataques deixaram dois líderes religiosos e outras seis pessoas mortas. A organização também afirmou que cristãos em um seminário anglicano que atende às duas dioceses das Montanhas Nuba foram atacados e que dezenas de fiéis foram sequestrados. Trinta e dois foram libertados, enquanto um número desconhecido permanece desaparecido, segundo a organização.

A violência nas montanhas Nuba ocorre no contexto de uma guerra mais ampla que assola o Sudão desde abril de 2023, quando eclodiram confrontos entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido paramilitares.

As montanhas Nuba permaneceram em grande parte fora do campo de batalha principal durante os estágios iniciais da guerra. Isso mudou quando o SPLA-N se envolveu no conflito e facções rivais surgiram na região. O Morning Star News relatou que os combates resultantes causaram mortes e deslocamento de civis.

O SPLA-N atua há muito tempo no Cordofão do Sul, onde lutou contra sucessivos governos sudaneses. O envolvimento do grupo no conflito atual adicionou mais uma camada a uma guerra já complexa.

A organização Portas Abertas afirmou que os motivos por trás dos ataques recentes são difíceis de separar dos conflitos tribais e políticos da região.

Segundo uma fonte local citada pela organização, a competição pelos recursos auríferos aprofundou as divisões entre os grupos étnicos e contribuiu para a atividade de milícias. A Portas Abertas também afirmou que os líderes e fiéis cristãos parecem particularmente vulneráveis ​​devido à sua fé.

Essa combinação torna difícil caracterizar a situação como um conflito puramente religioso.

As comunidades cristãs estão envolvidas em uma luta mais ampla que envolve facções armadas, divisões tribais, competição por recursos e hostilidade religiosa.

Ao mesmo tempo, as igrejas tornaram-se cada vez mais vulneráveis ​​durante a guerra.

A organização Portas Abertas afirma que igrejas no Sudão foram bombardeadas ou tomadas por milícias e grupos radicais, enquanto as comunidades cristãs enfrentam deslocamentos e um medo crescente.

A organização classifica o Sudão em quarto lugar na sua Lista Mundial da Perseguição 2026, que relaciona os países onde os cristãos enfrentam a perseguição mais severa.

As montanhas Nuba têm um significado especial para a população cristã do Sudão. A região possui uma presença cristã significativa e historicamente sofreu com conflitos, deslocamentos e discriminação. Sua localização remota e o acesso restrito também dificultam a realização de reportagens independentes.

Os ataques mais recentes também renovaram os apelos para que os cristãos fora do Sudão orem pela segurança dos líderes e fiéis da igreja, pelas famílias que perderam entes queridos e pelo fim do conflito que tem empurrado comunidades em todo o país para um deslocamento e insegurança ainda maiores.

Folha Gospel com informações de Christian Daily

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