Bispo Rodovalho, Jair Bolsonaro e o Pastor Thiago Manzoni (Foto: Reprodução/Instagram)
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) receba assistência religiosa durante sua permanência no Complexo Penitenciário da Papudinha, no Distrito Federal. A decisão foi tomada no mesmo despacho que determinou a transferência de Bolsonaro para a unidade prisional, nesta quinta-feira (15).
De acordo com o documento, o acompanhamento espiritual poderá ser realizado pelo bispo Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra, e pelo deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF), pastor da igreja IDE Brasília. As visitas ocorrerão de forma individual, uma vez por semana, às terças ou sextas-feiras, com duração de uma hora, respeitando as normas do sistema prisional.
Segundo Manzoni, a assistência religiosa dá continuidade ao apoio espiritual iniciado durante o período em que Bolsonaro esteve em prisão domiciliar, quando participava de encontros de oração organizados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. “A Bíblia contém ensinamentos capazes de consolar, confortar, animar e fortalecer o coração humano em todas as circunstâncias da vida”, afirmou o parlamentar.
Manzoni é um dos principais nomes do bolsonarismo no Distrito Federal. Atualmente, preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa e ocupa o cargo de secretário-geral do PL-DF. Ele também é ligado à deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e já participou da organização de manifestações em apoio ao ex-presidente no ano passado.
Quem são os líderes religiosos autorizados
Robson Rodovalho, de 70 anos, é bispo e fundador da comunidade Sara Nossa Terra, criada em 1992 ao lado da esposa, Lúcia Rodovalho. A denominação afirma ter mais de 900 unidades no Brasil e presença internacional, com cerca de 1,3 milhão de membros. Ele também fundou a Rede Gênesis, emissora de televisão gospel com transmissão no Brasil, Estados Unidos, Europa e África.
Além da atuação religiosa, Rodovalho tem formação acadêmica em Física, com doutorado em física quântica, e já exerceu mandato como deputado federal pelo Distrito Federal entre 2007 e 2011, período em que Bolsonaro também atuava no Congresso. Nas últimas semanas, o bispo manifestou preocupação pública com a saúde do ex-presidente após sua prisão.
Já Thiago Manzoni, de 42 anos, é advogado formado pelo UniCEUB e ingressou na política após atuar como produtor de conteúdo nas redes sociais com pautas conservadoras. Ele foi eleito deputado distrital em 2022 e afirma que a defesa da família é uma de suas principais bandeiras no Legislativo local.
Outras garantias na Papudinha
Além da assistência religiosa, a decisão de Alexandre de Moraes assegura a Bolsonaro atendimento médico 24 horas, visitas de seus médicos sem necessidade de autorização prévia, continuidade das sessões de fisioterapia e alimentação especial. Segundo o ministro, a transferência permitirá melhores condições, como ampliação do tempo de visitas familiares, liberdade para banho de sol e exercícios físicos em qualquer horário do dia, inclusive com uso de equipamentos recomendados pela equipe médica.
No ano passado, Moraes havia vetado a participação de Rodovalho em encontros coletivos de oração durante a prisão domiciliar do ex-presidente, ao alegar risco de desvio de finalidade das visitas. Desta vez, a autorização foi concedida de forma individualizada e restrita ao acompanhamento espiritual.
Folha Gospel com informações de G1, O Globo e Folha de S. Paulo
A Junta Militar de Mianmar está realizando eleições nacionais em três fases: entre 28 de dezembro de 2025 e 25 de janeiro de 2026. Parceiros locais da Portas Abertas relatam dificuldades que afetam diretamente a vida da igreja birmanesa.
Desde o golpe militar de 2021, tentativas de votação em Mianmar falharam diante da resistência generalizada e do conflito armado no país. A fase 1 das eleições estava prevista para 28 de dezembro de 2025 em 102 municípios; a fase 2 em 11 de janeiro de 2026 em 100 municípios; e a fase final, em 25 de janeiro de 2026, nas localidades restantes.
Pastores e jovens em risco em Mianmar
A Comissão Eleitoral afirma que os resultados dos candidatos vencedores serão divulgados no mesmo dia em cada circunscrição. Já os resultados nacionais oficiais serão anunciados após a conclusão de todas as apurações.
“À medida que as eleições se aproximam, estamos enfrentando baixa conectividade e restrições de viagem. Em muitas áreas de conflito, os cristãos não conseguem se reunir e nossos jovens e até pastores não estão seguros, pois o recrutamento continua.”, disse Win Tin (pseudônimo), parceiro local da Portas Abertas
Muitos cidadãos descreveram a eleição como um esforço dos militares para formalizar e consolidar seu poder. Ao mesmo tempo, as Forças de Defesa do Povo (PDFs, da sigla em inglês) e outros grupos armados incentivam o boicote ao voto, criando um cenário em que civis temem ficar presos no fogo cruzado.
Entre os deslocados internos, há relatos de pressão com ameaças para voto antecipado. Quem se recusar pode perder acesso aos abrigos oferecidos pelas autoridades. Muitos vivem sob intensa pressão e medo, forçados a escolher entre votar contra a própria consciência ou enfrentar violência e privação.
Para os cristãos, o ciclo eleitoral aprofunda a vulnerabilidade: além de ameaças, privação e mobilidade limitada, a pressão por votos aumenta o temor de retaliação e perda de acesso a recursos básicos, como abrigo e proteção em áreas controladas por autoridades militares.
Lista Mundial da Perseguição 2026 e a perseguição aos cristão em Mianmar
Cristãos em Mianmar continuam a sofrer intensamente devido à perseguição e ao conflito. Os terremotos em março de 2025 aumentaram a vulnerabilidade de muitos seguidores de Jesus.
Já se passaram cinco anos desde o golpe militar, que aprofundou a prolongada guerra civil em Mianmar e teve um impacto catastrófico em todo o país. Muitos cristãos foram pegos no fogo cruzado, especialmente em áreas de minorias étnicas, com cristãos mortos, igrejas bombardeadas e vilarejos destruídos. Milhares foram deslocados, e um terremoto em março matou mais de 3.600 pessoas e forçou outras a deixarem suas casas.
A vulnerabilidade dos cristãos em Mianmar remonta a anos e está enraizada na crença de que ser birmanês é ser budista – isso significa que outras religiões são frequentemente vistas como estrangeiras e uma ameaça à unidade nacional. Isso leva à discriminação cotidiana, como dificuldades para registrar o cristianismo em documentos de identidade, negação de acesso a serviços básicos, como água, e participação forçada em rituais budistas.
Existe até um plano apoiado pelo Estado para converter cristãos e outras minorias religiosas ao budismo, especialmente em áreas remotas. Igrejas, por sua vez, enfrentam dificuldades para se registrar junto às autoridades, e atividades evangelísticas são fortemente combatidas.
Cristãos de origem budista podem enfrentar hostilidade adicional de suas famílias e comunidades, que podem ver sua fé como uma traição à herança cultural.
“A razão pela qual permanecemos resilientes em meio à perseguição e às dificuldades é o treinamento de preparação para a perseguição que recebemos.” afirma Pastor Yang (pseudônimo), líder cristão em Mianmar.
Como as mulheres são perseguidas em Mianmar?
Desde o golpe militar em 2021, os riscos enfrentados pelas mulheres cristãs se intensificaram, com o exército perpetuando violência física e sexual contra mulheres de minorias étnicas. O estigma cultural silencia as vítimas, deixando muitas sem proteção. Mulheres cristãs das etnias kachin e kayah continuam vulneráveis ao tráfico para a China para casamento forçado e exploração sexual, enquanto cristãs rohingya historicamente enfrentaram sequestro e conversão forçada.
Cristãs de origem budista podem enfrentar prisão domiciliar, casamento forçado, expulsão, ameaça de divórcio e perda de herança. Quando meninas frequentam escolas Na Ta La, são forçadas a práticas budistas e a pedir esmolas, prejudicando o futuro da comunidade cristã.
Como os homens são perseguidos em Mianmar?
Os homens cristãos estão expostos à perda de emprego, despejo e trabalho forçado, privando suas famílias de ter uma renda justa. Cristãos de origem budista enfrentam ameaças adicionais, incluindo agressões físicas.
A lei de conscrição introduzida em 2024 aumentou o risco de recrutamento forçado, com cristãos às vezes colocados deliberadamente nas posições mais vulneráveis em zonas de conflito. A ameaça de prisão e tortura persiste.
Escolas Na Ta La coagem meninos cristãos a práticas budistas, colocando-os sob os cuidados de monges, comprometendo o futuro do testemunho cristão em Mianmar.
Quem persegue os cristãos em Mianmar?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Mianmar são: paranoia ditatorial, nacionalismo religioso, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Mianmar?
Parceiros da Portas Abertas fortalecem cristãos perseguidos em Mianmar por meio de distribuição de Bíblias e literatura cristã, treinamento de preparação para a perseguição, ministério de presença e apoio socioeconômico.
Como você pode ajudar os cristãos perseguidos em Mianmar?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades. CLIQUE AQUI PARA AJUDAR
Igreja vazia com as portas fechadas (Foto: Folha Gospel/Canva IA)
Mais igrejas protestantes estão sendo fechadas nos Estados Unidos do que novas estão sendo fundadas, e as congregações mais antigas parecem estar sofrendo o impacto mais forte dessa redução, de acordo com dados de um novo estudo da Lifeway Research.
O estudo publicado na terça-feira utilizou dados coletados de 35 grupos denominacionais que representam 58% das igrejas protestantes dos EUA. O braço de pesquisa da Lifeway Christian Resources, com sede no Tennessee, também citou informações do Perfil Anual da Igreja de 2023 e 2024 da Convenção Batista do Sul — a maior denominação protestante dos Estados Unidos.
Embora 4.000 igrejas protestantes tenham sido fechadas em 2024, a Lifeway Research estima que apenas 3.800 foram fundadas naquele ano. As 4.000 igrejas que fecharam em 2024 representam cerca de 1,4% das 293.000 igrejas protestantes identificadas no Censo Religioso dos EUA de 2020.
A análise também constatou que 1,4% das congregações batistas do sul em atividade se dissolveram ou fecharam as portas entre 2023 e 2024, enquanto cerca de 0,4% deixaram a igreja ou se desvincularam dela durante o mesmo período.
“O impacto imediato da COVID parece ter passado. As denominações identificaram aquelas que fecharam durante a quarentena e nunca mais reabriram. No entanto, a igreja típica nos Estados Unidos tem menos frequentadores do que há 20 anos”, disse Scott McConnell, diretor executivo da Lifeway Research, em um comunicado sobre a pesquisa. “Essas congregações costumam ser mais fracas do que as gerações anteriores. Mas, ao mesmo tempo, novas igrejas estão florescendo e um subconjunto de igrejas está crescendo.”
Embora a maioria dos pastores protestantes no estudo da Lifeway (94%) não acredite que suas igrejas serão fechadas na próxima década, cerca de 4% discordam dessa perspectiva e outros 2% disseram não ter certeza.
Pastores que lideram congregações com menos de 50 pessoas frequentando os cultos semanais foram os que menos concordaram que suas igrejas sobreviveriam por mais uma década. O estudo também constatou que as novas congregações tinham maior probabilidade de crescer do que as mais antigas.
Uma análise dos dados da Convenção Batista do Sul (SBC) mostrou que as igrejas fundadas a partir de 2000 cresceram 12%, enquanto o número de membros nas igrejas fundadas entre 1950 e 1999 diminuiu 11%. As igrejas fundadas entre 1900 e 1949 registraram uma queda de 13%, e as fundadas antes de 1900, de 11%.
“Embora o cenário da igreja americana mude lentamente, ele não está parado”, disse McConnel. “O futuro das igrejas protestantes na América reside em alcançar novas pessoas com a oferta de salvação por meio de Jesus Cristo. A maior parte do crescimento nos EUA ocorre em novas comunidades. O plantio de igrejas é vital para compartilhar o evangelho nessas novas comunidades, bem como em comunidades onde a população está mudando ou onde igrejas anteriores fecharam.”
Thom Rainer, ex-presidente e CEO da Lifeway Christian Resources e reitor fundador da Escola Billy Graham de Missões e Evangelismo do Seminário Teológico Batista do Sul, alertou em janeiro de 2025 que cerca de 15.000 igrejas fechariam no ano anterior e outras 15.000 passariam a ter pastores em tempo parcial em vez de pastores em tempo integral, no cenário religioso americano em rápida transformação.
“Pela primeira vez na história moderna da igreja, 15.000 igrejas deixarão de existir em um período de um ano. Observe que estamos projetando o fechamento de 15.000 igrejas e a transição de pastores em tempo integral para pastores em tempo parcial em outras 15.000 delas”, escreveu Rainer em um artigo de opinião publicado pelo The Christian Post . “Essas 30.000 igrejas representam cerca de uma em cada doze igrejas existentes. A mudança é drástica.”
Em novembro passado, Wesley Wildman , professor de teologia, filosofia e ética da Universidade de Boston , que pesquisou o impacto da secularização em grupos religiosos, atribuiu o declínio à crescente secularização dos Estados Unidos, visto que menos pessoas têm uma afiliação religiosa e frequentam cultos religiosos.
“O problema é que ninguém sabe como confirmar esses números. Temos que nos basear em dados denominacionais, que são difíceis de coletar e muitas vezes não estão atualizados”, disse Wildman ao BU Today . “Os 15.000 fechamentos podem ser um número exagerado. Mas não há dúvida de que muitos mais estabelecimentos fecharam, e continuarão fechando, ao longo dos anos.”
Entre as principais condições sociais que impulsionam o declínio religioso, ele argumenta, está uma atitude positiva em relação ao pluralismo cultural, que permitiu às pessoas “votar com os pés e abandonar organizações religiosas sem sofrer qualquer penalidade social, familiar ou econômica custosa”. Outras condições citadas por ele são “segurança existencial”, “educação” e “liberdade”.
“Esses quatro fatores diminuem o sobrenaturalismo, o que, por sua vez, torna as visões de mundo e os modos de vida religiosos menos plausíveis para algumas pessoas, algumas das quais permanecem espirituais”, escreveu Wildman.
Folha Gospel com informações de The Christian Post
Cristãos louvando a Deus durante culto na Somália (Foto: Folha Gospel/Canva IA)
Cristãos na Somália vivem em um dos ambientes mais hostis do mundo, onde seguir a Jesus abertamente é impossível. A Constituição Provisória de 2012 considera ilegal a conversão do islamismo para o cristianismo. A sharia (conjunto de leis islâmicas) é aplicada em todas as regiões e, combinada à pressão da sociedade e dos clãs, força os cristãos a praticarem a fé em segredo e isolados.
Converter-se a outra religião que não seja o islamismo é visto como uma traição à família, ao clã e ao país, podendo levar à violência, expulsão da família (na sociedade baseada em clãs, isso torna as pessoas muito vulneráveis) e até execução.
Cristãos não têm proteção legal na Somália, o segundo pior país para os cristãos viverem, de acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026. As autoridades participam ou toleram assédios, vigilância e intimidação, criando um ambiente onde o cristianismo é criminalizado. Os cristãos frequentemente são vítimas tanto de ataques ideológicos quanto dos danos colaterais de uma economia de guerra criminalizada.
A instabilidade política na Somália piorou, com tensões crescentes devido a disputas territoriais com a Etiópia. Isso enfraqueceu a segurança regional, levou ao aumento da ilegalidade e da atividade criminosa e ao avanço do domínio do grupo extremista Al-Shabaab.
O Al-Shabaab executa abertamente qualquer pessoa suspeita de ser cristã, pois seu objetivo é erradicar o cristianismo da Somália. Esses fatores combinados fazem da Somália um dos lugares mais perigosos do mundo para ser cristão.
“Meu pai disse: ‘Não posso impedir você de ler a Bíblia, mas se você se tornar cristão, eu mesmo vou matá-lo.’” disse Aweis, cristão da Somália que serve a igreja somali no Chifre da África.
Como as mulheres são perseguidas na Somália?
As mulheres na Somália são frequentemente vítimas de mutilação genital feminina, altas taxas de casamento infantil e deslocamento generalizado. Em campos de deslocados internos, mulheres e meninas correm risco de violência sexual, exploração e abusos.
Cristãs de origem muçulmana são especialmente vulneráveis, enfrentando humilhação pública, prisão domiciliar, casamento forçado, violência sexual ou morte. Viúvas podem ser coagidas a se casar com homens muçulmanos, e meninas cristãs correm risco de sequestro e conversão forçada ao islamismo.
A discriminação econômica, incluindo leis de herança, também deixa viúvas e crianças na pobreza. E nas escolas, meninas cristãs enfrentam pressão para se conformar às práticas islâmicas.
Como os homens são perseguidos na Somália?
Socialmente, a masculinidade é associada ao islã na Somália, o que torna cristãos de origem muçulmana muito vulneráveis. Homens e meninos que sejam suspeitos de ser cristãos ficam sob risco de serem atacados, torturados, sequestrados, presos ou mortos. Em alguns casos, é a própria família que aplica essas punições.
Por um lado, o grupo extremista Al-Shabaab recruta compulsoriamente homens jovens; por outro, famílias podem enviar cristãos de origem muçulmana para centros de doutrinação islâmica. Se um homem se converte ao cristianismo e é descoberto, ele pode ser submetido a testes públicos de lealdade, ser deserdado, ter acesso à educação negado e ser coagido a renunciar à fé. As famílias desses homens cristãos também enfrentam dificuldades por isso. A maioria dos homens cristãos de origem muçulmana pratica a fé clandestinamente, em segredo, o que enfraquece a liderança da igreja na Somália.
Quem persegue os cristãos na Somália?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Somália são: opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado e paranoia ditatorial.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Somália?
A Portas Abertas apoia os cristãos somalis em todo o Chifre da África desde 1990 por meio de discipulado e capacitação dos cristãos para resistir à perseguição extrema.
Como você pode ajudar os cristãos perseguidos na Somália?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades. CLIQUE AQUI PARA AJUDAR .
Atores interpretaram a luta entre Jesus e o diabo no desfile da escola de samba Gaviões da Fiel, em 2019 (Foto: Reprodução)
Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pretende proibir a exibição de imagens sacras, símbolos religiosos e representações consideradas desrespeitosas ao cristianismo em desfiles de escolas de samba e em eventos carnavalescos realizados em todo o país. A proposta é o Projeto de Lei 830/25, de autoria do deputado Pastor Gil (PL-MA).
O texto estabelece que manifestações artísticas que ridicularizem ou ofendam crenças, rituais ou valores ligados às tradições cristã, católica ou evangélica poderão ser enquadradas como infração. A medida alcança apresentações públicas realizadas durante o período do Carnaval, incluindo desfiles oficiais e eventos organizados por entidades culturais.
De acordo com o autor do projeto, a iniciativa surge em resposta a manifestações de fiéis e de setores da sociedade que demonstram preocupação com o uso de elementos religiosos em contextos considerados inadequados. Segundo o deputado, o Carnaval tem deixado de ser apenas uma celebração cultural e, em alguns casos, passou a ser visto como espaço de afronta à fé cristã.
O projeto prevê um escalonamento de penalidades para os responsáveis por eventuais infrações. Na primeira ocorrência, será aplicada uma advertência formal. Em caso de reincidência, a proposta estabelece multa equivalente a 300 salários mínimos. Infrações repetidas podem resultar na suspensão das atividades da escola de samba ou da organização promotora do evento por até 36 meses.
A fiscalização ficaria a cargo de prefeituras, governos estaduais, secretarias responsáveis pela cultura e por eventos públicos, além do Ministério Público. O texto também prevê a criação de canais para o recebimento de denúncias anônimas.
O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões de Cultura e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
Prédio do Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília. (Foto: Reprodução/TST)
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) negou o pedido de um ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, em Mato Grosso do Sul, que buscava o reconhecimento de vínculo empregatício e indenização por danos morais após mais de uma década de atuação na denominação, entre 2011 e 2024.
Na ação, o ex-pastor alegou que exercia funções típicas de empregado, com excesso de atividades, metas internas, ausência de férias e trabalho até no único dia de folga. Segundo ele, os valores recebidos mensalmente variavam entre R$ 3,2 mil e R$ 5,5 mil. O autor também afirmou ter sido submetido a uma vasectomia de forma compulsória como condição para permanecer no ministério pastoral.
O caso foi analisado pela Justiça do Trabalho, que concluiu não estarem presentes os requisitos necessários para o reconhecimento do vínculo de emprego previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como subordinação jurídica, onerosidade e habitualidade. O entendimento foi reforçado por depoimentos de testemunhas, que relataram que a igreja fornecia moradia ao pastor e que os valores recebidos tinham como finalidade o custeio das despesas familiares, caracterizando a atividade como vocacional e religiosa.
De acordo com os autos, o ex-pastor atuou em igrejas localizadas nos municípios de Bataguassu, Campo Grande, Pedro Gomes e Cassilândia, em Mato Grosso do Sul, além de períodos de atuação em cidades do Equador, Colômbia e Venezuela. Ao retornar ao Brasil, foi designado para Bom Jesus, no Rio Grande do Norte, onde acabou sendo desligado da instituição.
Sobre a alegação de vasectomia forçada, a Justiça reconheceu que houve a realização do procedimento, mas entendeu que não foram apresentadas provas suficientes de que a cirurgia tenha sido imposta pela igreja. O relator destacou que não ficou demonstrado qualquer tipo de coação institucional relacionada à decisão médica.
A decisão também considerou que as metas de arrecadação citadas no processo estavam relacionadas a contribuições voluntárias dos fiéis, destinadas à manutenção da igreja e a ações sociais, sem comprovação de finalidade comercial ou aplicação de punições em caso de descumprimento de regras internas.
Com isso, o TST manteve o entendimento das instâncias anteriores e rejeitou, de forma definitiva, tanto o pedido de reconhecimento do vínculo empregatício quanto a solicitação de indenização por danos morais.
Casos semelhantes tiveram desfechos diferentes
Embora o pedido tenha sido negado neste caso, a Justiça do Trabalho já adotou entendimentos distintos em situações semelhantes. Em novembro do ano passado, uma igreja evangélica de Belo Horizonte (MG) foi condenada a pagar R$ 95 mil por danos morais a um ex-pastor que alegou ter sido coagido a realizar vasectomia para permanecer no cargo. Na ocasião, a Justiça reconheceu o vínculo empregatício e garantiu o pagamento de verbas rescisórias.
Já em março de 2025, a Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada, no Ceará, a indenizar em R$ 100 mil um pastor que afirmou ter sido forçado a realizar o mesmo procedimento. Testemunhas ouvidas no processo relataram que ao menos 30 pastores teriam sido submetidos à cirurgia em uma clínica clandestina. A decisão da 11ª Vara do Trabalho de Fortaleza foi confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT-CE).
Fabiano Zettel foi afastado das atividades pastorais após prisão pela PF (Foto: Reprodução/YouTube Lagoinha Belvedere)
A Igreja Batista da Lagoinha informou, nesta quinta-feira (15), que afastou Fabiano Zettel de qualquer atividade ministerial após a divulgação de informações relacionadas à sua prisão no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. O comunicado (íntegra no final da matéria) foi publicado para esclarecer a posição da instituição diante das repercussões do caso.
Segundo a nota oficial, o afastamento ocorreu de forma imediata assim que surgiram as primeiras notícias sobre a operação, com o objetivo de permitir a apuração adequada dos fatos. A igreja ressaltou que Zettel já não exercia funções ministeriais desde novembro de 2025.
“A respeito da prisão de Fabiano Zettel, esclarecemos que, tão logo surgiram as primeiras informações relacionadas à operação, com o objetivo de que os fatos fossem devidamente apurados, ele foi afastado de qualquer atividade de natureza ministerial que exercia na Igreja Batista da Lagoinha Belvedere”, diz o comunicado.
Fabiano Zettel, empresário e cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master por meio de fundos de investimento. Ele chegou a ser detido na quarta-feira (14) quando se preparava para deixar o Brasil em um jato particular com destino a Dubai, mas foi liberado horas depois.
No posicionamento divulgado, a Igreja Batista da Lagoinha também negou qualquer vínculo institucional com as investigações em curso, rebatendo associações feitas entre a denominação, a operação da Polícia Federal e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A instituição afirmou que não exerce controle sobre a vida pessoal ou profissional de indivíduos que frequentam seus cultos ou atividades, destacando que a participação em uma igreja não configura relação jurídica, administrativa ou representativa.
“A Igreja Batista da Lagoinha não possui controle sobre a vida pessoal, profissional ou sobre atos individuais de pessoas que, eventualmente, frequentem seus cultos ou atividades”, afirmou a nota.
Ao final, a igreja afirmou que tem sido alvo de “disseminação de informações inverídicas” e declarou que adotará medidas judiciais cabíveis para preservar sua reputação institucional.
Segundo o texto, poderão ser ajuizadas ações por denunciação caluniosa, falsa comunicação de crime e outras providências legais necessárias para resguardar “sua honra, sua história e sua missão”.
A nota conclui reafirmando o compromisso da Igreja Batista da Lagoinha com a legalidade, a ética e os princípios cristãos que, segundo a instituição, norteiam sua atuação ao longo de sua trajetória.
Leia a íntegra da nota oficial abaixo:
NOTA OFICIAL
A Igreja Batista da Lagoinha vem a público esclarecer informações que vêm sendo indevidamente associadas ao seu nome em relação à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades no Banco Master, e à CPMI do INSS.
A respeito da prisão de Fabiano Zettel, esclarecemos que, tão logo surgiram as primeiras informações relacionadas à operação, com o objetivo de que os fatos fossem devidamente apurados, ele foi afastado de qualquer atividade de natureza ministerial que exercia na Igreja Batista da Lagoinha Belvedere. Informamos ainda que, oficialmente, desde novembro de 2025, Fabiano Zettel não exerce qualquer papel de pastoreio na instituição, não mantendo função ministerial, liderança institucional ou qualquer vínculo de representação com a igreja.
Ressaltamos que não há qualquer indício, evidência ou comprovação de que a Igreja Batista da Lagoinha tenha sido utilizada, direta ou indiretamente, em qualquer esquema ou prática irregular, esteja ela relacionada à CPMI do INSS ou à Operação Compliance Zero. As tentativas de associar a instituição a acusações com os fatos relacionados são falsas e desprovidas de qualquer base factual ou jurídica. As imputações feitas à instituição são inexistentes e não correspondem à realidade, comprovação disso é a ausência de provas ou indícios que justifiquem a associação apontada.
Como toda instituição religiosa, a Igreja Batista da Lagoinha – que conta com mais de 600 igrejas espalhadas pelo mundo – não possui controle sobre a vida pessoal, profissional ou sobre atos individuais de pessoas que, eventualmente, frequentem seus cultos ou atividades, uma vez que a participação em uma igreja não configura vínculo jurídico, administrativo ou representativo.
Diante da gravidade das acusações e da disseminação de informações inverídicas, a Igreja Batista da Lagoinha informa que adotará todas as medidas jurídicas cabíveis, incluindo ações por denunciação caluniosa, falsa comunicação de crime, bem como outras providências legais que se fizerem necessárias, a fim de resguardar sua honra, sua história e sua missão.
A Igreja Batista da Lagoinha reafirma seu compromisso com a verdade, com a legalidade e com os princípios éticos e cristãos que norteiam sua atuação ao longo de sua trajetória e acompanha com serenidade a apuração dos fatos, permanecendo à disposição para colaborar com os órgãos oficiais competentes, prestando todos os esclarecimentos e informações que se fizerem necessários.
Lagoinha Global
15 de janeiro de 2026.
Folha Gospel com informações de O tempo, UOL, Fuxico Gospel e Lagoinha Global
Bandeira do Irã em destaque durante protestos (Foto: Folha Gospel/Canva IA)
À medida que os protestos se intensificam em todo o Irã em meio ao colapso econômico e à crescente agitação política, os cristãos dentro do país enfrentam um medo, isolamento e incerteza cada vez maiores, de acordo com testemunhos compartilhados com o Christian Daily International por um ministério que trabalha com refugiados cristãos iranianos. As pessoas falaram anonimamente por motivos de segurança, citando cortes generalizados na internet, relatos de assassinatos e prisões e uma ansiedade crescente sobre a vulnerabilidade das minorias religiosas.
Vários iranianos ligados ao ministério disseram que perderam contato com parentes e amigos por dias, pois as autoridades cortaram o acesso à internet e ao telefone em todo o país. Outros relataram ter ouvido falar de mortes entre conhecidos, enquanto os protestos contra as condições de vida e as queixas de longa data contra a República Islâmica continuam.
Os nomes abaixo serão mantidos no anonimato por questões de segurança.
“Devido à situação recente no Irã e à intensificação dos protestos, as condições de segurança e emocionais para nós e nossa família se tornaram extremamente difíceis”, disse um cristão iraniano identificado como irmão S. “Durante esse período, vários de nossos amigos e conhecidos infelizmente perderam a vida.”
Os depoimentos estão alinhados com reportagens internacionais que descrevem manifestações generalizadas, restrições severas às comunicações e uma resposta cada vez mais contundente das forças de segurança iranianas. Embora o governo iraniano tenha minimizado a escala dos distúrbios, grupos de direitos humanos e a mídia estrangeira relataram prisões em massa e um número significativo de vítimas, números que continuam difíceis de verificar de forma independente devido ao acesso limitado.
Outro cristão iraniano, o irmão R, descreveu protestos motivados pelo desespero econômico, bem como demandas mais amplas por mudanças políticas. Ele citou o aumento vertiginoso dos preços, a escassez de serviços básicos e a profunda frustração com o que descreveu como injustiça sistêmica.
“As pessoas não têm eletricidade, gás e água”, disse ele. “Algumas cidades estão cobertas de neve, com tempestades e muito frio. Infelizmente, a internet e o telefone estão fora de serviço e não temos acesso ao interior do Irã. Além disso, a situação do povo cristão no Irã não é boa.”
Outros enfatizaram o impacto emocional do isolamento. O irmão M disse que o bloqueio das comunicações deixou as famílias “no escuro”, à medida que as pressões econômicas e psicológicas aumentam. “Quase todas as famílias, incluindo a minha, estão sofrendo dificuldades econômicas, emocionais e humanitárias sem precedentes”, disse ele, acrescentando que muitos se sentem impotentes para ajudar parentes dentro do país.
A perda de contato tem sido particularmente angustiante para os cristãos iranianos que vivem no exterior. O irmão A disse que não conseguia entrar em contato com seus familiares há quatro dias. “Sem telefone, sem internet, sem nada”, disse ele. “Não sabemos o que está acontecendo no Irã, nem sobre nossa família.”
A crise econômica cada vez mais profunda do Irã agravou a agitação, disseram várias fontes. A forte desvalorização do rial iraniano no último ano reduziu o poder de compra e deixou muitas famílias lutando para comprar itens essenciais, como alimentos, medicamentos e cuidados médicos. Empresas fecharam, meios de subsistência foram interrompidos e a pobreza piorou, disseram eles.
“As mesas da classe pobre da sociedade ficaram vazias”, disse o irmão A. “As famílias não têm condições de comprar carne ou mesmo leite para seus filhos pequenos.”
Além das queixas econômicas, as demandas dos manifestantes refletem uma oposição mais ampla ao sistema governamental do Irã, de acordo com aqueles que conversaram com o ministério. Embora as manifestações atuais tenham sido provocadas em parte por pressões econômicas, vários as descreveram como parte de um movimento de longa data que busca mudanças políticas fundamentais.
“A questão principal vai além dos problemas econômicos”, disse o irmão A. “O povo quer mudar este governo opressivo e eliminar a opressão da República Islâmica.”
À medida que a agitação continua, crescem as preocupações com a resposta do governo. Vários iranianos disseram que os confrontos parecem ter se intensificado após o bloqueio das comunicações, embora os detalhes continuem difíceis de confirmar.
“De acordo com as poucas notícias que ouvimos, mais de mil pessoas foram mortas e milhares foram presas”, disse o irmão A, acrescentando que as forças de segurança estariam usando armas pesadas contra os manifestantes. O Christian Daily International não tem como verificar de forma independente os números de vítimas.
Um pastor ligado ao ministério, identificado como Pastor A, disse que o bloqueio quase total das comunicações deixou as igrejas e os crentes incapazes de avaliar as condições dentro do país.
“Estamos muito preocupados e não temos ideia do que está acontecendo dentro do Irã”, disse ele. “A única forma que temos de nos comunicar é através da televisão e de sites de notícias estrangeiros, que também têm muito pouca informação.”
Embora ainda não esteja claro como a atual agitação afetará a igreja clandestina do Irã a longo prazo, o pastor disse que os cristãos já enfrentam severa perseguição, com muitos fiéis presos sob as leis existentes que restringem a atividade religiosa.
“O que está acontecendo agora é que os cristãos estão sendo severamente perseguidos e muitos deles estão atualmente na prisão”, disse ele. “Na situação atual, a igreja está orando e esperando, e também está expressando seus protestos legalmente e em solidariedade ao povo do Irã.”
Um líder cristão que trabalha em estreita colaboração com refugiados iranianos alertou que os mecanismos legais usados pelo Estado iraniano podem colocar ainda mais em risco as minorias durante períodos de agitação. Ele apontou para o uso de moharebeh — uma acusação frequentemente traduzida como “travar guerra contra Deus” — que está incorporada no Código Penal Islâmico do Irã e acarreta punições que vão desde a execução até o exílio.
Embora tenha suas raízes na jurisprudência islâmica, o moharebeh tem funcionado na prática como uma ferramenta legal para criminalizar atos considerados ameaças à ordem pública ou à estabilidade do regime, disse o líder. Durante movimentos de protesto anteriores, indivíduos foram executados sob tais acusações por ações como bloquear estradas ou entrar em confronto com as forças de segurança.
Ele disse que os cristãos, que muitas vezes são retratados por elementos linha-dura como alinhados com as potências ocidentais, correm o risco de se tornar bodes expiatórios durante períodos de crise nacional. Relatos de prisões de cristãos no início de janeiro aumentaram essas preocupações, acrescentou ele.
Estima-se que a população cristã do Irã varie de várias centenas de milhares a mais de um milhão em um país com cerca de 93 milhões de habitantes, incluindo comunidades históricas armênias e assírias, bem como um número crescente de convertidos do islamismo, que enfrentam o maior risco de perseguição.
Apesar da incerteza, aqueles ligados ao ministério enfatizaram a oração e a solidariedade. “Sabemos que Deus está no controle”, disse o irmão A. “Estamos em oração pelo povo do nosso país.”
O pastor A ecoou esse sentimento, agradecendo à comunidade internacional por prestar atenção. “Sou grato por não termos sido esquecidos”, disse ele. “Poder falar sobre a situação no Irã e os cristãos no Irã nos ajuda a permanecer conectados com o mundo.”
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou oficialmente os nomes de igrejas e pastores citados nos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A iniciativa ocorre após a parlamentar ser duramente criticada pelo pastor Silas Malafaia, que a acusou de fazer denúncias genéricas ao mencionar a participação de lideranças religiosas no esquema sem apresentar nomes.
A tensão ganhou repercussão no último domingo, quando Damares declarou que a CPMI tem identificado “grandes igrejas” e “grandes pastores” supostamente envolvidos em desvios ilegais de recursos previdenciários. Segundo a senadora, a comissão também vem sofrendo pressões de pessoas e instituições interessadas em impedir o avanço das investigações.
Diante das cobranças públicas, Damares publicou uma nota em suas redes sociais esclarecendo que foi autora do requerimento que resultou na criação da CPMI do INSS, instalada em 2025, e que atua como membro titular desde o início dos trabalhos. Ela afirmou que todos os dados divulgados constam em documentos oficiais, são de acesso público e tiveram tramitação regular dentro da comissão.
Igrejas e pastores citados na CPMI
De acordo com a senadora, quatro instituições religiosas são alvo de pedidos de quebra de sigilo aprovados pela comissão:
Adoração Church
Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo
Ministério Deus é Fiel Church
Igreja Evangélica Campo de Anatote
Também constam nos autos da CPMI convocações ou convites para esclarecimentos envolvendo os seguintes líderes religiosos:
Cesar Belucci
André Machado Valadão (convocado e alvo de pedido de quebra de sigilo)
Senadora diz agir com responsabilidade institucional
Damares afirmou que a eventual participação de igrejas ou pastores em esquemas de fraude previdenciária lhe causa “tristeza e profundo desconforto”, mas destacou que a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com base em provas, sem distinções religiosas ou políticas.
Em entrevista ao SBT News, a senadora declarou que as pressões para barrar as investigações são constantes e que parte delas parte justamente de setores preocupados com o impacto das denúncias sobre fiéis.
“Estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade dizendo para não investigar, para não falar, porque os fiéis vão ficar tristes”, afirmou.
Ela acrescentou que os avanços da comissão superaram suas próprias expectativas. “Essa CPMI do INSS está chegando em lugares que a gente jamais imaginava. Grandes igrejas do Brasil estão sendo apontadas. Isso me machuca muito”, disse.
Malafaia reage e acusa generalização
Após a divulgação dos nomes, o pastor Silas Malafaia voltou a se manifestar nas redes sociais. Ele acusou a senadora de contradição e afirmou que suas declarações anteriores teriam generalizado acusações contra a Igreja Evangélica como um todo.
“A acusação foi leviana e denigre de maneira geral a Igreja Evangélica”, escreveu o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
Em vídeo anterior, Malafaia havia exigido que a senadora apresentasse nomes ou se retratasse publicamente. “Ou a senhora dá os nomes ou é uma leviana linguaruda”, afirmou, ao criticar a forma como Damares expôs o tema inicialmente.
Andamento da CPMI e próximos passos
A CPMI do INSS encerra oficialmente seus trabalhos em março de 2026, mas o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu a prorrogação por mais 60 dias, alegando a complexidade e a abrangência nacional do esquema investigado.
Segundo Viana, a comissão analisou cerca de 4.800 documentos, identificou 108 empresas suspeitas e ouviu 26 testemunhas ao longo de 28 reuniões, incluindo dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi e Onyx Lorenzoni. O senador também informou que pretende solicitar ao Supremo Tribunal Federal a suspensão imediata de aproximadamente dois milhões de contratos de empréstimos consignados sob suspeita de irregularidades.
“O volume de informações exige mais tempo para garantir apurações profundas e justiça às vítimas”, afirmou Viana em nota.
A CPMI deve apresentar, em fevereiro, um balanço preliminar dos trabalhos realizados até o momento.
Cristãos durante culto na Nigéria (Foto: World Watch Monitor)
A Coreia do Norte é o país mais perigoso do mundo para ser cristão, enquanto a Nigéria é o mais mortal, de acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026 (LMP) da organização Portas Abertas, publicada ontem.
O relatório anual também constata que o número de cristãos que sofrem altos níveis de perseguição por sua fé aumentou para 388 milhões no último ano – um aumento de 8 milhões desde a última LMP.
Esses números se traduzem em um em cada sete cristãos em todo o mundo sofrendo perseguição, dois em cada cinco na Ásia e um em cada cinco na África.
A Coreia do Norte liderou o ranking da LMP em 29 dos últimos 30 anos. O país comunista isolado, liderado pelo líder supremo Kim Jong Un, pune severamente qualquer pessoa flagrada com uma Bíblia ou praticando a fé cristã. Os cristãos devem praticar sua fé “em absoluto segredo”, e o resultado é uma igreja “cada vez mais clandestina à medida que a pressão aumenta”.
“A pontuação permanece próxima do máximo possível. Se cristãos forem descobertos, eles e suas famílias são deportados para campos de trabalho forçado ou executados”, afirmou a organização Portas Abertas.
O relatório afirma: “Em uma nação dominada pela doutrinação política, circulam histórias de que missionários envenenam crianças ou roubam seus órgãos. Não há nenhuma liberdade de religião ou crença. Para evitar tortura, execução ou encarceramento em campos de trabalho forçado, os cristãos foram forçados à clandestinidade.”
A Nigéria, 7ª colocada na Lista Mundial de Cristãos Mortos, teve a maior proporção de cristãos mortos por sua fé. Dos 4.849 cristãos mortos em todo o mundo por causa de sua fé durante o período analisado, a Nigéria foi responsável por impressionantes 70% dessas mortes (3.490).
A organização Portas Abertas afirmou que o número global de mortes era “conservador”, pois “verifica apenas os casos em que as mortes podem ser razoavelmente relacionadas à fé cristã das vítimas”.
A perseguição aos cristãos na Nigéria ganhou destaque nos últimos meses após sequestros em massa e maior atenção dos EUA, que redesignaram o país como uma Região de Preocupação Especial (CPC) e realizaram ataques a bases de militantes islâmicos durante o Natal, especificamente em resposta à perseguição aos cristãos.
Embora alguns governos e meios de comunicação tenham tentado minimizar o nível de violência que afeta os cristãos nigerianos e a dimensão religiosa dessa violência, a organização Portas Abertas afirmou que as estatísticas mostram que “os cristãos têm sido claramente alvos de forma desproporcional”.
No estado de Benue, cerca de 1.310 cristãos foram mortos, em comparação com apenas 29 muçulmanos, segundo a organização Portas Abertas. Da mesma forma, no estado de Plateau, foram registrados 546 assassinatos de cristãos, contra apenas 48 mortes de muçulmanos, enquanto no estado de Taraba, 73 cristãos e 12 muçulmanos foram mortos. No ano passado, 1.116 cristãos foram sequestrados no estado de Kaduna, no noroeste do país, em comparação com 101 muçulmanos.
Henrietta Blyth, CEO da Portas Abertas Reino Unido e Irlanda, disse: “Esta pesquisa recente certamente não nos deixa dúvidas de que este é mais do que um simples conflito entre duas partes por causa da terra. E ela surge após relatos de testemunhas oculares dos atacantes gritando ‘Allahu Akbar’ e ‘Vamos destruir todos os cristãos’.”
“Os cristãos dessas regiões sabem que estão sendo perseguidos por causa de sua fé e nos dizem isso. É hora de levá-los a sério.”
Blyth saudou o aumento da atenção internacional sobre a situação na Nigéria, mas lamentou que, com muita frequência, haja “pouca ação”.
“De acordo com a pesquisa da Portas Abertas, a Nigéria continua sendo o país onde mais cristãos são mortos por sua fé do que em todos os outros países juntos”, escreveu ela no prefácio do relatório.
“Apelamos ao governo do Reino Unido e à comunidade internacional para que apoiem o governo nigeriano em seus esforços para pôr fim à violência e iniciar o processo de reconciliação.”
“Há alguns anos, a violência extremista começou na Nigéria e se espalhou por toda a região; agora é hora de a justiça e a restauração fazerem o mesmo.”
Embora a pior parte da violência contra os cristãos na África esteja atualmente concentrada na Nigéria, ela não se limita a este país.
A organização Portas Abertas classificou a África subsaariana como “uma tragédia em curso” e afirmou que a escala da perseguição na região é “estarrecedora”, com 14 nações na Lista Mundial de Violência, sendo Nigéria, Sudão e Mali as que receberam a pontuação máxima em violência. Embora a Coreia do Norte tenha conquistado o primeiro lugar na Lista Mundial de Violência deste ano, ela é seguida de perto por Somália, Iêmen, Sudão e Eritreia.
“Um padrão semelhante pode ser observado em toda a região: militantes islâmicos ocupam os vácuos de lei e ordem deixados por juntas militares fracas e conflitos civis”, afirmou a organização Portas Abertas.
“Significa que eles podem operar com impunidade em partes de Burkina Faso (16), Mali, República Democrática do Congo (29), República Centro-Africana (22), Somália (2), Níger (26) e Moçambique (39).
“O objetivo declarado deles é criar ‘estados da sharia’ que operem sob sua interpretação mortal da lei islâmica.”
Outro país destacado no relatório é a Síria, onde anos de guerra civil, seguidos por turbulências na era pós-Assad, desencadearam “um êxodo contínuo de cristãos”.
Embora o país tenha ficado em 18º lugar no ranking LMP de 2025, um “aumento na violência contra cristãos” o fez subir para o 6º lugar este ano. A violência inclui um ataque suicida em Damasco em junho passado, que matou 22 cristãos. Fontes locais afirmam que o ataque suicida fez com que muitos cristãos parassem de frequentar a igreja, com medo de novos ataques.
Há também relatos de veículos com alto-falantes circulando por bairros cristãos em Damasco, incentivando os moradores a se converterem ao islamismo. Na região curda, 14 escolas cristãs foram fechadas após se recusarem a adotar um novo currículo.
O especialista em Oriente Médio da organização Portas Abertas, que não pode ser identificado por razões de segurança, disse: “Quando o regime de Assad caiu, havia um otimismo cauteloso de que os cristãos da Síria pudessem encontrar alívio sob uma nova liderança.
Em vez disso, testemunhamos uma reviravolta devastadora: um atentado suicida, igrejas profanadas e cristãos forçados ao deslocamento. Essa dura realidade exige atenção internacional urgente.
Ele acrescentou: “O ataque em Damasco levou muitos cristãos a deixarem de frequentar a igreja. Eles têm medo de novos ataques, o que os levou a esconder símbolos cristãos e a evitar qualquer demonstração pública de fé.”
Com os cristãos cada vez mais amedrontados e sem esperança em relação ao seu futuro na Síria, muitos estão optando por deixar o país. A organização Portas Abertas relata que a população cristã caiu de 1,1 milhão em 2015 para apenas 300 mil atualmente.
Não é a única nação no Oriente Médio para onde os cristãos estão indo em grande número, já que uma tendência semelhante pode ser vista no Iraque, que ocupa o 18º lugar na Lista Mundial de Emigração deste ano, e nos Territórios Palestinos (63º).
“Obter números precisos sobre a população cristã nos países do Oriente Médio é um desafio. No entanto, diversos relatórios apontam para um êxodo significativo e contínuo do berço do cristianismo”, afirmou a organização Portas Abertas.
Folha Gospel com informações de The Christian Today