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“A erotização infantil nas redes sociais é preocupante”, alerta o presidente do ChildFund

Felca durante gravação do vídeo que denunciou a exploração e adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais. Foto: Vídeo/YouTube
Felca durante gravação do vídeo que denunciou a exploração e adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais. Foto: Vídeo/YouTube

A denúncia feita pelo youtuber Felca sobre a exploração e adultização de crianças e adolescentes em conteúdos nas redes sociais ganhou força nas últimas semanas, provocando reações no meio político e abrindo investigação por órgãos públicos. O vídeo publicado pelo influenciador digital já ultrapassou 26 milhões de visualizações e expôs casos que envolvem práticas consideradas prejudiciais ao desenvolvimento dos menores.

Felca, cujo nome é Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, denunciou o influenciador Hytalo Santos, que teria criado um formato de “reality show” com menores de idade, incluindo cenas com linguagem e comportamento sexualizados, como danças sensuais em ambientes com consumo de álcool. Entre as jovens citadas está Kamylinha, que ingressou no círculo de Hytalo aos 12 anos e teve sua imagem explorada até os 17. “Ele é criador e publicador de cenas que expõem adolescentes com poucas vestes e em atitudes sugestivas”, relata Felca em seu vídeo.

Em resposta, o Ministério Público da Paraíba instaurou investigações e o Ministério Público do Trabalho apura a possível exploração de menores no ambiente digital. O Instagram suspendeu as contas tanto de Hytalo quanto de Kamylinha, evidenciando a seriedade das denúncias.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), anunciou que vai pautar projetos para enfrentar a adultização infantil na internet. Em suas redes sociais, ele destacou que esse é um tema urgente e que deve ser tratado com prioridade. “O vídeo do Felca sobre a adultização das crianças chocou e mobilizou milhões de brasileiros”, afirmou Motta, reforçando o compromisso do Legislativo em debater o assunto.

Já denunciado

Também em suas redes sociais, a senadora Damares Alves (Republicanos) escreveu: “Há muito que se investiga sobre esse mercado macabro que sexualiza crianças e adolescentes para faturar na internet. Esses influenciadores precisam pagar por esses crimes. Esse Hytalo foi denunciado por mim ainda em dezembro do ano passado e espero que agora, com a repercussão do vídeo do Felca, sejam tomadas providências para tratar tantas extensões de direitos humanos”.

Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund Brasil, alerta para os perigos dessa exposição precoce das crianças. “A erotização infantil nas redes sociais é um fenômeno muito preocupante e muitas vezes disfarçado de entretenimento. Coreografias, desafios e tendências aparentemente inofensivas podem carregar conotações adultas e expor crianças a riscos graves”, afirmou Cunha.

Ele explica que, para combater esse problema, é necessário educar pais, responsáveis e educadores a reconhecerem conteúdos inadequados e compreenderem como os algoritmos das plataformas amplificam esses materiais. “Nós do ChildFund Brasil temos investido em campanhas de conscientização, como ‘Os Monstros na Internet são Reais’, que alerta para os perigos digitais enfrentados por crianças e adolescentes”, disse.

Além disso, Cunha defende o uso da inteligência artificial pelas plataformas digitais para identificar e limitar automaticamente conteúdos de risco, além de reforçar a necessidade de uma regulação mais firme para proteger os menores. “Criança é para ser criança. Criança é para ser protegida e, por isso, rejeitamos essa adultização ou erotização das nossas crianças”, enfatizou.

Estatuto

O Estatuto da Criança e do Adolescente completa 35 anos como um marco fundamental na proteção dos direitos de milhões de crianças e adolescentes em todo o Brasil, mas você sabe a quem recorrer quando precisar acessar os serviços públicos que garantem esses direitos previstos na Lei nº 8.069/90? Muitas vezes, o desafio não está só na existência das leis, mas na efetividade dos órgãos responsáveis por colocá-las em prática.

O que falta para que esses serviços sejam mais acessíveis e façam realmente a diferença na vida das famílias? Investimento, capacitação, fiscalização rigorosa e o engajamento da sociedade civil são passos essenciais para transformar o que está no papel em proteção real para nossas crianças.

Com base nas denúncias e na repercussão, o partido Republicanos pretende apresentar no Senado a chamada “Lei Felca”, que visa criminalizar e endurecer as penas contra a exploração e sexualização infantil no ambiente digital.

A chefe do jurídico da liderança do Republicanos, Cristiane Britto, que foi ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo Bolsonaro (PL), explica que a proposta busca responder à demanda social por proteção mais rigorosa e responsabilização dos envolvidos, preenchendo lacunas na legislação atual ao estabelecer uma tipificação penal clara para esse tipo de crime, algo que ainda não está contemplado de forma específica.

“O primeiro eixo da lei é a criação de uma tipificação penal clara para a erotização infantil no ambiente digital, permitindo uma punição mais efetiva e a geração de indicadores para medir a real dimensão do problema”, explicou Britto. Além disso, a proposta prevê alteração na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para impedir que empresas impulsionem ou patrocinem conteúdos que sexualizem crianças e adolescentes. Com esses dispositivos, a lei pretende coibir a circulação de conteúdos sexualizantes e criar uma base sólida para futuras legislações complementares.

Monetização

A proposta não restringe a liberdade de expressão, crença ou opinião, segundo a assessora. O foco é punir aqueles que monetizam a erotização infantil, sejam pessoas físicas, influenciadores ou empresas, aplicando as mesmas penas previstas no artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que incluem reclusão de 1 a 3 anos e multa.

A responsabilização ocorrerá sempre que houver monetização, patrocínio ou impulsionamento de conteúdo digital com crianças ou adolescentes em contexto sexualizado. Também será aplicada quando forem usados poses, gestos, músicas, coreografias, figurinos ou cenários que atribuam conotação sexual, bem como na manipulação ou edição de imagens que coloquem menores em situação sexualizada, mesmo que não se trate de pornografia explícita.

Com a nova legislação, as plataformas digitais terão o dever de impedir a monetização e o impulsionamento desses conteúdos, enquanto influenciadores serão punidos se lucrarem com eles.

Dados recentes indicam a dimensão do problema. Pesquisa nacional conduzida pelo ChildFund Brasil revela que mais de nove milhões de adolescentes brasileiros já sofreram violência sexual online. “Mais da metade dos adolescentes do país foram expostos a conteúdos nocivos e 94% não sabem como denunciar essas situações”, revelou Cunha, reforçando a importância da mobilização social e política para garantir um ambiente digital seguro para crianças e adolescentes.

Pais e responsáveis

Laís Peretto, diretora executiva da Childhood Brasil, destacou a importância de apoiar pais e responsáveis no enfrentamento dos riscos do ambiente online. “Temos um material elaborado especialmente para orientar famílias sobre como lidar com os perigos da internet, com diversas dicas para garantir uma navegação segura e um diálogo saudável em casa”, afirmou. Ela explica que a cartilha “Navegar Com Segurança” aborda questões como uso excessivo de telas, desigualdade no acesso, além dos riscos específicos de violências e comportamentos inadequados que podem afetar crianças e adolescentes.

Ela ressalta que “para proteger as crianças de situações abusivas, o olhar de adultos responsáveis é fundamental, não só de pais e familiares, mas de educadores, assistentes sociais e toda comunidade que envolve as crianças e adolescentes, inclusive a comunidade religiosa. Não nos esqueçamos que essa é uma tarefa coletiva que, por fim, precisa também da intervenção dos poderes públicos”.

A diretora da Childhood Brasil destaca: “Acho que o principal legado que esse vídeo do Felca pode deixar para nós é a aprovação do PL2628/2022, que versa exclusivamente sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e impõe responsabilidades às plataformas. O projeto já passou no Senado e estava parado na câmara dos deputados. Foi construído com muita responsabilidade, com participação ativa da sociedade civil”.

O debate promovido pela denúncia de Felca expôs a necessidade de ações conjuntas entre plataformas digitais, famílias, educadores e poder público para impedir que menores sejam vítimas de exploração. O avanço legislativo e as campanhas educativas aparecem como caminhos essenciais para assegurar a proteção da infância diante dos desafios impostos pela era digital.

Proteção Integral

O que o PL 2628/2022 propõe resumidamente:

– Obriga plataformas digitais a criar produtos e serviços pensando primeiramente na segurança das crianças e adolescentes.
– Exige transparência sobre algoritmos e recomendações, evitando que conteúdos perigosos sejam mostrados a quem é menor de idade.
– Torna obrigatória a remoção rápida de conteúdos ilegais ou prejudiciais a esse público.
– Proíbe o uso de dados de crianças para fins comerciais e reforça mecanismos de segurança e acompanhamento parental.

Ao responsabilizar empresas, famílias e poder público, o PL busca garantir a proteção integral do público infantil na internet.

Fonte: Comunhão

Presidente da Câmara dos Deputados pauta proteção de crianças online após denúncia sobre “adultização”

Presidente da Câmara, Hugo Motta, anuncia pauta de projetos para proteger crianças em redes sociais. A iniciativa é motivada pela denúncia de Felca sobre a "Adultização" de crianças. Foto: Chico Ferreira
Presidente da Câmara, Hugo Motta, anuncia pauta de projetos para proteger crianças em redes sociais. A iniciativa é motivada pela denúncia de Felca sobre a "Adultização" de crianças. Foto: Chico Ferreira

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou neste domingo, 10, que pautará nesta semana projetos sobre a proteção de crianças em redes sociais. O parlamentar citou o vídeo de denúncia produzido pelo influenciador Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, conhecido como Felca.

O youtuber publicou na quarta-feira, 6, uma denúncia sobre a exploração de menores em redes sociais. O vídeo ultrapassou 24 milhões de visualizações. “O vídeo do Felca sobre a ‘adultização’ das crianças chocou e mobilizou milhões de brasileiros. Esse é um tema urgente, que toca no coração da nossa sociedade. Na Câmara, há uma série de projetos importantes sobre o assunto. Nesta semana, vamos pautar e enfrentar essa discussão”, disse Hugo Motta.

Felca denunciou o conteúdo do paraibano Hytalo Santos, que grava sua rotina ao lado de menores de idade. Santos passou a ser investigado pelo Ministério Público da Paraíba por suposto aliciamento de menores. Além de expor casos como o de Hytalo Santos, Felca demonstrou como os algoritmos das plataformas facilitam a comunicação entre abusadores.

Motta não foi o único parlamentar a se manifestar sobre a denúncia contra a “adultização”. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o parlamentar com o maior número de seguidores nas redes sociais, afirmou que Felca “mexeu no vespeiro”. “Que Deus abençoe ele nessa jornada. Não será fácil”, disse o mineiro. Felca também foi elogiado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) “por sua postura ativa e cidadã”.

Folha Gospel com informações da Agência Estadão, Por Juliano Galisi

Pastores presos por acusações falsas são agredidos por carcereiros na Índia

Nacionalistas hindus interrompem culto em Bhilai, distrito de Durg, estado de Chhattisgarh, Índia, em 20 de julho de 2025. (Captura de tela/Morning Star News)
Nacionalistas hindus interrompem culto em Bhilai, distrito de Durg, estado de Chhattisgarh, Índia, em 20 de julho de 2025. (Captura de tela/Morning Star News)

Cinco pastores foram espancados por agentes penitenciários no estado de Chhattisgarh, na Índia, após serem presos sob falsas acusações de conversões forçadas.

A prisão ocorreu após um ataque de extremistas hindus a um culto em 20 de julho. Os pastores foram levados à delegacia e, no dia seguinte, agredidos com bastões por ordem do carcereiro ao saber que eram líderes cristãos.

A intervenção da polícia local resultou na condução de quase metade da congregação cristã à delegacia de Jamul. Seis pastores foram formalmente acusados e transferidos para uma prisão na cidade vizinha de Durg.

Na manhã seguinte, foram submetidos a interrogatório e obrigados a retirar suas roupas para inspeção. O pastor Moses Logan foi poupado da inspeção por ter informado que não estava bem de saúde. Ao descobrir que os detidos eram líderes cristãos, o carcereiro ordenou que os outros cinco fossem brutalmente espancados.

“A comunidade cristã não está mais segura em suas casas, nas igrejas, e agora eles não estão seguros nem mesmo dentro das prisões”, disse o pastor Logan ao Morning Star News.

Espancamentos

Os pastores foram agredidos com longos bastões de madeira, semelhantes aos cassetetes utilizados pela polícia indiana.

As pancadas se concentraram nas coxas, atrás dos joelhos e nas nádegas, conforme relatado pelo pastor Logan.

Com o apoio de outros líderes cristãos e familiares, os pastores conseguiram fiança e foram libertados na noite de 21 de julho. No entanto, os cinco que haviam sido agredidos estavam profundamente abalados, traumatizados e tomados pelo medo, conforme relatou o pastor Logan.

Um vídeo compartilhado nas redes sociais registra uma multidão do lado de fora da reunião da igreja, gritando palavras de ordem e exaltando a Bajrang Dal, uma organização nacionalista hindu, como o orgulho da nação.

Igrejas fechadas

O pastor Logan havia sido convidado por seu amigo, o pastor Abhinav Baksh, que conduzia o encontro. Diante da crescente tensão, Baksh trancou o portão e as portas da igreja para proteger a congregação.

“Aqui em Chhattisgarh, eles [os grupos extremistas hindus] estão atacando todas as igrejas menores. Muitas igrejas foram fechadas”, disse o pastor Logan.

“Extremistas hindus atacam todas as celebrações privadas que acontecem em lares cristãos. Eles invadem as casas, interrompem a alegria, criam caos, acusam falsamente os fiéis de realizar conversões forçadas e registram falsas queixas contra os cristãos.”

A Release International já havia previsto episódios como este em seu Relatório Anual de Tendências de Perseguição, divulgado no início do ano.

O relatório, fruto da análise conjunta dos parceiros da Release International em diversas regiões do mundo, alertou que o avanço da perseguição religiosa na Índia poderia resultar em restrições cada vez mais severas, incluindo a proibição de reuniões domésticas de cristãos, como inaugurações de casas e festas de aniversário.

‘Inaceitável’

Um parceiro da Release International na Índia disse: “Pastores e obreiros do norte da Índia vivem com medo. O direito de praticar sua fé está sendo atacado agora.”

Ele acrescentou: “É inaceitável que pastores sejam presos e sofram violência física.”

Ele pediu aos cristãos que orem pela igreja na Índia, enquanto grupos hindus de direita atacam obreiros cristãos.

Paul Robinson, CEO da Release International, disse: “Esta história angustiante é indicativa de uma tendência crescente na Índia. Ao longo da última década, ou mais, temos visto ataques esporádicos a pastores e evangelistas cristãos, particularmente em áreas rurais, por vários grupos extremistas hindus. Nos últimos anos, esses grupos têm se utilizado cada vez mais de leis estaduais na tentativa de sufocar o ministério do Evangelho.”

Essa abordagem acontece apesar do fato de a Índia ter uma constituição que garante liberdade não apenas para praticar, mas também para propagar a religião.

“Precisamos orar neste momento para que os cristãos na Índia – especialmente os líderes – conheçam a graça e a força do Senhor enquanto buscam proclamar o evangelho de Cristo. Orem também para que o governo e o judiciário daquele país cumpram sua constituição”, declara a Release International.

Fonte: Guia-me com informações de Morning Star News

Morre Natan Brito, vocalista da “Banda e Voz”, aos 62 anos

Morre Natan Brito, vocalista da "Banda e Voz", aos 62 anos. (Foto: Reprodução redes sociais)
Morre Natan Brito, vocalista da "Banda e Voz", aos 62 anos. (Foto: Reprodução redes sociais)

O músico cristão Natan Brito, conhecido por seu trabalho como integrante da “Banda e Voz”, faleceu nesta segunda-feira (11), deixando um legado de canções que marcaram a música gospel brasileira. A notícia, divulgada em suas redes sociais, foi recebida com pesar por amigos, colegas e admiradores de sua trajetória. A causa da morte não foi informada.

Reconhecido por seu talento e por transmitir mensagens de fé por meio da música, Natan também era lembrado por sua humildade e pelo carinho com que tratava todos ao seu redor. Cantores e amigos da música gospel prestaram suas condolências.

O cantor Marquinhos Gomes destacou o impacto que Natan Brito teve em sua trajetória e ministério: “Eu cresci ouvindo Natan Brito. Para mim, ele foi uma das maiores referências da música gospel. Um amigo próximo, com quem aprendi muito sobre musicalidade. Uma grande perda para a música cristã. Descanse em paz, meu amigo”, afirmou.

Carlinhos Félix lamentou a perda, relembrou a excelência com que Natan Brito expressava sua arte e destacou todo o impacto que o amigo deixou para a música cristã no Brasil.

“Tive o privilégio de conviver com ele, cantar ao lado de sua banda e até compor uma canção especialmente para eles. Sua partida representa uma grande perda — para a música, para seus amigos e para todos que o conheceram. Apesar da dor, temos a esperança e a certeza de que nos reencontraremos em breve no céu. Deixo aqui meu coração entristecido, minhas orações a Deus pela família e a confiança de que tudo está sob o controle de Deus”, expressou Carlinhos.

Por décadas, Natan foi casado com a tecladista e vocalista da banda, Jolce Brito, que morreu de câncer em 2015. Natan , além de cantor, foi compositor, produtor musical e arranjador.

Banda e Voz

Natan Brito iniciou sua jornada musical ainda jovem, mas foi em 1990 que sua carreira ganhou projeção nacional, quando a Banda & Voz assinou contrato com a gravadora Bompastor. A parceria marcou o início de um período de grande destaque para o grupo, que conquistou espaço no cenário gospel com apresentações pelo Brasil e canções que se tornaram referências para o público cristão.

Com influências de black musicsoul e funk, a Banda & Voz marcou a música gospel nos anos 80 e 90, lançando pela MK Music, entre 1994 e 2001, álbuns como Ah! Eu Sou de Cristo (1998) e sucessos eternizados na voz de Natan, como “Jesus Virá”, “Quem Pode, Pode”, “Paraíso”, “Súplica” e “O Domínio e o Poder”.

Discografia

Discografia
1985 – Opções (Pioneira)
1987 – A Paz é Possível – (Pioneira)
1988 – Falando de vida – (Bompastor)
1989 – Ao Vivo – (Bompastor)
1990 – Ao Vivo Vol.2 – (Bompastor)
1990 – Segredo – (Bompastor)
1992 – Pra Falar de Amor – (Line Records)
1994 – Que Solidão, Que Nada – (MK Publicitá)
1996 – A escolha é sua – (MK Publicitá)
1998 – Ah! Eu sou de Cristo – (MK Publicitá)
2000 – Corinhos Inesquecíveis Vol. 1 – (MK Publicitá)
2001 – Corinhos Inesquecíveis Vol. 2 – (MK Publicitá)
2005 – Ao Primeiro Amor – (Graça Music)
2008 – Nossa História – (Graça Music) (Gravado também em DVD)
2011 – Família – (Graça Music)

Carreira solo
1991: Busca
1994: Com Alegria
1997: Fruto do Amor
Como produtor musical e/ou músico convidado
1985: Semeador – Rebanhão (vocal de apoio)
1990: Tá Decidido – Cristina Mel (produção musical e arranjos)
1991: Coisas da Vida – Carlinhos Felix (vocal de apoio)
1992: Pra Sempre – Cristina Mel (arranjador)
1994: Alô Garotada – Marilene Vieira (produtor musical)
1995: Momentos Vol.1 – Marina de Oliveira (produção musical e arranjos)
1995: Momentos Vol.2 – Marina de Oliveira (produção musical e arranjos)
1996: Natal Feliz – Kades Singers (vocal)
1997: Dê Carinho – Cristina Mel (arranjador)
1997: Special Edition – Marina de Oliveira (produção musical e arranjos)
1999: Coração Adorador – Marina de Oliveira (produção musical e arranjos)

O horário do velório e do sepultamento será divulgado em breve pelas redes sociais do artista. Acesse o Instagram para mais informações: @natanbrito_oficial.

Fonte: Comunhão

STF decide manter vínculo de emprego entre pastor e Igreja Universal

Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: STF
Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: STF

A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria, manter a determinação da Justiça do Trabalho que reconheceu vínculo empregatício entre um pastor de Itapevi (SP) e a Igreja Universal do Reino de Deus.

A instituição religiosa havia ingressado com a Reclamação 78.795 no STF contra decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas o relator, ministro Nunes Marques, rejeitou o pedido de forma monocrática. Na sequência, a igreja apresentou agravo regimental, que foi apreciado no plenário virtual e negado pela maioria do colegiado, em sessão encerrada em 5 de agosto.

O TST, ao analisar o caso, concluiu que, entre 2008 e 2016, o pastor atuou mediante salário fixo mensal, inclusive no período de férias, seguindo horários para a organização de cultos e reuniões, com metas definidas e subordinação à administração central. Para a corte, ficou comprovada a existência dos requisitos para o vínculo empregatício, afastando o argumento de que a atividade era voluntária ou motivada apenas por “profissão de fé”.

Em seu voto, Nunes Marques destacou que a Igreja Universal não demonstrou relação direta entre o caso e os precedentes do Supremo invocados, como os que validam a terceirização irrestrita e os contratos civis de prestação de serviços. O ministro ressaltou que cabe à Justiça do Trabalho, com base nas provas – especialmente as testemunhais –, “decidir sobre a presença ou não dos elementos que caracterizem o vínculo de emprego”. Segundo ele, reverter o entendimento do TST exigiria reexaminar fatos e provas, o que não é permitido por meio da reclamação constitucional.

Os ministros Dias Toffoli, Edson Fachin e André Mendonça acompanharam o relator. Ficou vencido o ministro Gilmar Mendes, que defendeu suspender o processo até o julgamento, pelo STF, do Recurso Extraordinário com Agravo 1.532.603, que discute a licitude da “pejotização” — contratação de pessoas físicas como jurídicas para prestação de serviços. Mendes é relator desse processo, que tem repercussão geral reconhecida (Tema 1.389) e, em abril, determinou a suspensão nacional de ações sobre o assunto. Uma audiência pública para debater o tema está prevista para setembro.

Folha Gospel com informações de Consultor Jurídico

Missão leva ensinamentos cristãos para milhares de crianças na Ucrânia devastada pela guerra

Crianças ucranianas fotografadas em uma sessão de atendimento a traumas da Missão Eurásia. | Cortesia da Missão Eurásia
Crianças ucranianas fotografadas em uma sessão de atendimento a traumas da Missão Eurásia. | Cortesia da Missão Eurásia

A Missão Eurásia espera atender 30.000 crianças em 14 países neste verão por meio de acampamentos bíblicos que combinam atendimento a traumas com ensinamentos cristãos. Oitenta por cento dos participantes são crianças ucranianas cujas vidas foram destruídas pela invasão em larga escala da Rússia.

Os acampamentos, realizados em parceria com igrejas estabelecidas e igrejas plantadas, visam proporcionar espaços seguros, estabilidade emocional e esperança centrada no Evangelho para crianças que vivenciam o trauma da guerra. Na Ucrânia, a maioria está localizada em regiões centrais e ocidentais consideradas menos perigosas, embora a segurança nunca possa ser garantida.

“Esses acampamentos costumam ser a primeira vez em meses ou anos que as crianças podem se sentir seguras, brincar livremente e ouvir uma mensagem de esperança”, disse o presidente da Missão Eurásia, Sergey Rakhuba, natural da região de Donbass, no leste da Ucrânia, em entrevista ao Christian Daily International . “São lugares onde o aconselhamento para traumas e o cuidado espiritual andam de mãos dadas.”

Trauma no centro da crise da Ucrânia

Líderes internacionais alertaram que a recuperação da Ucrânia será impossível sem atender diretamente às necessidades das crianças afetadas pela guerra. Thórdís Kolbrún Reykfjord Gylfadóttir, enviado especial do Conselho da Europa, afirmou em uma conferência realizada em maio na Finlândia que reconstruir o país é “uma promessa quase vazia” sem cuidados para os jovens que contemplem o trauma.

“Apesar do trauma profundo, generalizado e debilitante entre todas as crianças afetadas pela guerra na Ucrânia, muitos profissionais da linha de frente que trabalham com crianças não têm treinamento em cuidados baseados em traumas”, disse ela.

A Missão Eurásia se posiciona nessa lacuna, mobilizando conselheiros especializados em traumas para trabalhar em conjunto com líderes de igrejas locais. Esses líderes identificam crianças necessitadas e as convidam para participar de acampamentos, muitas vezes realizados em instalações alugadas, playgrounds ou terrenos de igrejas. As atividades combinam programas recreativos com ensino bíblico, discussões em pequenos grupos e sessões de aconselhamento personalizadas para crianças que sofreram deslocamento, violência ou perda.

Espaços seguros e conexões duradouras

Rakhuba disse que muitas crianças chegam aos campos desconfiadas e com medo após anos de guerra. “Elas buscam a garantia de que não serão deixadas sozinhas e que suas famílias não serão deixadas sozinhas”, disse ele. “Elas são extremamente gratas e receptivas ao cuidado — e querem estar perto de pessoas que as abracem e as mantenham seguras.”

Ele relembrou um incidente recente em Zaporizhzhia, onde crianças de um acampamento da Missão Eurásia se abrigaram em um porão durante um ataque de drones. “Quando o ataque terminou, elas voltaram imediatamente às suas atividades planejadas”, disse ele. Os pais, acrescentou, muitas vezes sentem que seus filhos estão mais seguros quando estão perto de uma igreja ou sob os cuidados de cristãos.

Os acampamentos “Verão da Esperança” fazem parte da estratégia da Missão Eurásia para equipar líderes nacionais para alcançar comunidades vulneráveis. O programa Escolas Sem Muros da organização capacita jovens líderes em ministério e atendimento a traumas para que possam liderar acampamentos em suas próprias regiões. “Os cidadãos vivem a mesma realidade que as crianças que atendem”, disse Rakhuba. “Essa experiência compartilhada gera confiança e permite que eles se conectem mais profundamente.”

Os acampamentos têm raízes na fé cristã, mas Rakhuba enfatizou que seu propósito vai além da evangelização. “Trata-se de restaurar a esperança e construir conexões para que as crianças saibam que fazem parte de uma comunidade maior e solidária”, disse ele. “Mesmo que a guerra não tenha acabado, elas conseguem ver que não estão sozinhas.”

O acompanhamento é uma parte essencial do modelo. Após o término dos acampamentos, os líderes das igrejas locais permanecem em contato com as famílias, oferecendo apoio e recursos contínuos. Em muitos casos, pais e cuidadores começam a frequentar a igreja ou a participar de programas comunitários depois de verem o cuidado que seus filhos recebem.

Testemunha em primeira mão da devastação

Rakhuba visitou áreas da linha de frente e áreas recentemente libertadas da Ucrânia, testemunhando em primeira mão a destruição deixada para trás. Ele descreveu vilarejos onde quase todas as casas foram danificadas, famílias em luto pelas crianças mortas em ataques e comunidades que se recusam a sair, apesar dos bombardeios constantes.

Uma família que ele conheceu perdeu o filho adolescente para estilhaços enquanto corriam para se abrigar durante um bombardeio. “O filho deles foi morto bem na frente deles”, disse Rakhuba. “E mesmo assim me disseram que preferiam morrer ali a deixar a casa deles.”

Ele também viu comunidades descrentes após a perda de entes queridos, sem um lugar seguro para onde ir. “As pessoas dependem apenas de organizações e da igreja para lhes trazer ajuda”, disse ele. “Estivemos em acampamentos no oeste da Ucrânia, onde levamos crianças e viúvas para um lugar onde conselheiros trabalham com mães e crianças para ajudá-las a lidar com o trauma.”

Um modelo moldado pela história

O ministério de acampamento da Missão Eurásia se baseia em décadas de experiência. Rakhuba lembrou-se de ter participado do primeiro acampamento cristão para jovens nos arredores de Moscou em 1992, logo após o colapso da União Soviética. O local havia sido um acampamento comunista para jovens; uma estátua de Lenin foi removida e, em seu lugar, um líder cristão segurou uma Bíblia, proclamando a Palavra de Deus na mesma plataforma.

“Aquele momento marcou o início dos nossos acampamentos bíblicos de verão”, disse Rakhuba. “O ministério dos acampamentos é a ferramenta mais eficaz nas mãos dos líderes das igrejas nacionais para alcançar comunidades de crianças isoladas e traumatizadas.”

Hoje, esse modelo continua, adaptado para condições de guerra. Os acampamentos na Ucrânia costumam ser realizados em pátios de igrejas ou campos escolares, com adaptações para alertas de ataques aéreos e toques de recolher. Os conselheiros incorporam jogos, artesanato e contação de histórias às sessões de aconselhamento.

Além da Ucrânia

Embora a Ucrânia seja o foco principal da Missão Eurásia, a organização também administra campos para crianças refugiadas ucranianas na Polônia e na Moldávia, bem como programas de extensão em outras nações eurasianas afetadas por conflitos ou pobreza.

No Cazaquistão e no Uzbequistão, onde a maioria da população é muçulmana, os acampamentos se concentram em construir relacionamentos e proporcionar um espaço seguro para as crianças. Rakhuba visitou recentemente uma aldeia uigur no Cazaquistão “que os moradores dizem estar tão esquecida, até mesmo por Deus”. Lá, crianças que têm pouco o que fazer no verão se reúnem para brincar, comer e contar histórias da Bíblia.

Em Israel, o ministério apoia comunidades judaicas de língua russa e iniciativas árabe-cristãs, incluindo projetos que unem judeus e árabes. Acampamentos também são organizados na Armênia e no Azerbaijão, que permanecem em estado de tensão.

Um chamado para oração

A Igreja na Ucrânia triplicou de tamanho desde o início da guerra, à medida que as comunidades dependem da comunhão cristã para necessidades práticas e espirituais. “Quando veem o verdadeiro cuidado e aprendem que a esperança está em Deus e em Jesus, elas se unem”, disse Rakhuba.

Ele pediu orações contínuas — pelo fim da guerra, por sabedoria entre os líderes mundiais e por proteção para a equipe da Missão Eurásia.

“Queremos que as crianças sintam alegria, façam amigos e ouçam que há esperança para suas vidas”, disse ele. “E queremos que elas saibam que a esperança tem um nome: Jesus.”

Folha Gospel – artigo publicado originalmente no Christian Daily International

Relatório expõe aumento de violência contra crianças cristãs no Paquistão

Criança no Paquistão (Foto: Canva Pro)
Criança no Paquistão (Foto: Canva Pro)

Um novo relatório da Comissão Nacional dos Direitos da Criança do Paquistão (NCRC) destaca os graves desafios enfrentados por crianças pertencentes a grupos religiosos minoritários, incluindo cristãos, e pede ação imediata do governo para conter os altos níveis de discriminação decorrentes de preconceito sistêmico, exclusão social e negligência institucional.

O relatório, intitulado “Análise da Situação de Crianças de Religiões Minoritárias no Paquistão”, também levanta questões cruciais de conversão forçada, casamentos infantis e trabalho infantil enfrentados por crianças de minorias, particularmente aquelas pertencentes às comunidades cristãs e hindus marginalizadas.

A tendência preocupante de discriminação sistêmica afeta todos os aspectos da vida cotidiana da população minoritária, especialmente suas crianças. Crianças pertencentes a minorias frequentemente enfrentam discriminação por parte de colegas e educadores nas escolas. Elas também precisam lidar com currículos que podem reforçar preconceitos negativos sobre sua religião. Isolamento, desempenho acadêmico abaixo da média e, em muitos casos, evasão escolar são os resultados esperados de tal ambiente educacional.

“A situação financeira das famílias de minorias apresenta um quadro igualmente alarmante. Muitas pessoas estão presas em ciclos de trabalho escravo, especialmente em olarias e no setor agrícola, onde famílias inteiras, incluindo seus filhos, trabalham em condições cruéis”, afirma o relatório.

Citando conversões religiosas forçadas e casamentos forçados de meninas cristãs e hindus com homens muçulmanos mais velhos como os problemas mais preocupantes, o relatório observa que há poucas opções legais disponíveis para as vítimas.

“Tais práticas persistem apesar das proteções legais existentes devido a preconceitos institucionais, pressão pública e ao papel deficiente das agências de segurança pública”, afirmou.

De acordo com o relatório, entre abril de 2023 e dezembro de 2024, o NCRC recebeu 27 denúncias relacionadas à opressão de crianças de minorias, incluindo casos de sequestro, assassinato, conversão forçada e casamentos de menores.

O maior número de casos de violência contra crianças pertencentes a minorias (40%) foi registrado em Punjab, a província mais populosa, entre janeiro de 2022 e setembro de 2024, segundo o relatório, citando dados da polícia. Entre as vítimas estavam 547 cristãos, 32 hindus, dois ahmadis, dois sikhs e 99 outros.

Em sua revisão do currículo educacional do Paquistão, o estudo observou a preocupação das minorias com a ausência de inclusão religiosa no Currículo Nacional Único.

Populações minoritárias frequentemente expressam insatisfação com o estudo obrigatório da educação religiosa islâmica devido à ausência de outras opções para examinar suas próprias perspectivas. Isso não apenas infringe sua liberdade religiosa, mas também prejudica seu progresso acadêmico, visto que são obrigados a estudar um tópico que pode não estar alinhado com seus princípios. Inúmeros alunos pertencentes a minorias expressam apreensão com suas notas nas avaliações anuais, visto que seu desempenho em estudos religiosos pode impactar negativamente seu GPA. Isso intensifica sentimentos de alienação e reduz suas perspectivas de sucesso acadêmico.

Em relação à discriminação enfrentada por alunos de minorias nas escolas, o estudo disse que colegas — e às vezes até professores — tratam alunos de minorias de forma diferente quando tomam conhecimento de suas identidades religiosas e de casta.

“Os alunos relataram que não se sentem confortáveis em compartilhar suas identidades religiosas e de casta porque sua casta e religião são consideradas inferiores. Devido a complexos de inferioridade, crianças de comunidades de castas oprimidas e grupos minoritários hesitam em sentar nos bancos da frente, fazer perguntas em sala de aula ou beber em copos comuns”, afirmou, acrescentando que colegas da religião majoritária zombam de suas práticas religiosas e pedem que se convertam para que possam ganhar uma recompensa.

Em seu apelo à ação, o NCRC instou o governo a fortalecer as proteções legais, expandir as redes de segurança social, criar políticas de educação inclusivas e adotar medidas específicas para combater o trabalho infantil e escravo, bem como as conversões religiosas forçadas.

Comentando o relatório, a presidente do NCRC, Ayesha Raza Farooq, disse que a iniciativa, conduzida em colaboração com a UNICEF, tinha como objetivo gerar evidências, identificar lacunas políticas e orientar os responsáveis em direção a soluções sistêmicas e sustentáveis.

“Embora tenha havido progresso mensurável — como a melhoria do registro de nascimento e a reforma legal em certas províncias — milhões de crianças no Paquistão ainda ficam esquecidas devido a esforços fragmentados, falta de coordenação e vontade política limitada”, disse ela.

Farooq disse que o NCRC estava trabalhando em estreita colaboração com os governos provinciais para harmonizar as leis de proteção à criança, aumentar a idade do casamento para 18 anos, garantir educação inclusiva e fortalecer os sistemas que protegem todas as crianças — especialmente aquelas de comunidades minoritárias.

Mas não podemos fazer isso sozinhos. Todas as partes interessadas — formuladores de políticas, educadores, agentes da lei, sociedade civil e líderes religiosos — precisam ir além dos silos e agir em uníssono. Toda criança, independentemente de religião ou origem, merece dignidade, segurança e uma chance justa na vida”, enfatizou.

O membro das Minorias do NCRC de Sindh, Pirbhu Lal Satyani, disse que o estudo investiga as vulnerabilidades em camadas vivenciadas por crianças pertencentes a minorias religiosas — incluindo barreiras à educação, incidentes de conversão forçada, trabalho infantil e discriminação em serviços públicos.

“Crianças de minorias religiosas estão entre as mais marginalizadas. Elas enfrentam estigma, estereótipos e exclusão estrutural que obstruem seu desenvolvimento pleno. Este relatório é um chamado à ação — tanto para as políticas quanto para a sociedade — para garantir sua inclusão, dignidade e proteção”, disse Satyani.

Folha Gospel – artigo publicado originalmente no Christian Daily International

Pai cristão: responsabilidade, exemplo e comunhão com Deus

Família reunida lendo a Bíblia (Foto: Canva Pro)
Família reunida lendo a Bíblia (Foto: Canva Pro)

A chegada de um filho costuma provocar uma mudança silenciosa, porém radical, no modo como se vê o mundo, o tempo e até a própria história. Embora o nascimento de uma criança seja muitas vezes previsto no calendário, a paternidade, em si, continua sendo uma travessia imprevisível. Para muitos homens, ela reconfigura não só a rotina, mas o sentido das responsabilidades e da espiritualidade vivida dentro de casa.

O médico Adriano Faustino, que integra a Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte (MG), autor do livro Cientificamente Divino (Editora Vida), vive essa experiência de forma intensa. Atuando na medicina integrativa e funcional e com uma longa trajetória como professor de Escola Bíblica Dominical, ele afirma que a paternidade tem lhe ensinado diariamente sobre limites, cuidado e dependência de Deus.

“Foi uma alegria tremenda. No primeiro momento eu nem acreditei, porque a gente viveu uma situação muito peculiar”, diz ele ao lembrar que a gravidez aconteceu poucos dias depois da retirada do DIU de sua esposa. A notícia chegou antes do previsto, com a surpresa que costuma marcar o início de tantas jornadas humanas. “Depois que fez o ultrassom, que eu vi já o coraçãozinho bater, aí a ficha caiu”, conta.

Quando o tempo desacelera

Entre plantões e atendimentos em consultório, Faustino mantinha uma rotina intensa. Isso mudou após o nascimento do filho. “Era muito comum eu ir para a clínica cedinho e voltar 8 horas da noite. Eu parei de fazer isso. Agora eu tenho sempre momentos a mais para ficar com o meu filho”, conta. Ele decidiu ajustar os horários, priorizando a presença e o tempo de qualidade. Até mesmo o sono, que nos primeiros meses de um bebê tende a se tornar caótico, passou a ser encarado com alegria. “Acho que uma das maiores alegrias que já tive foi acordar de madrugada e dar de mamar pra ele, e ele nos meus braços mamando”, compartilha Adriano.

A experiência vivida por ele encontra respaldo em dados do Ministério da Saúde, que demonstram que a participação ativa do pai no início da vida do bebê contribui significativamente para o desenvolvimento emocional da criança e para o fortalecimento dos vínculos familiares. O envolvimento paterno está ligado a menores índices de estresse materno, melhor desempenho escolar e maior estabilidade emocional ao longo da vida.

O peso e a leveza da herança

Mais do que prover ou proteger, muitos pais reconhecem que sua maior tarefa é formar caráter. Faustino não enxerga a infância do filho Pedro como uma zona de conforto, mas como uma fase crucial para aprender a lidar com a frustração. “Para ensinar meu filho, eu tenho que ensiná-lo a lidar com as dificuldades da vida, porque, se eu não ensinar, a vida vai ensinar de uma maneira muito mais dura pra ele”, afirma.

Ao refletir sobre o tipo de legado que deseja deixar, ele explica que deseja ir além dos bens materiais. “Não é herança de bens, imóveis, financeira, mas sim de conhecimento, de momentos, de memórias, de exemplos”, explica. Para ele, a coerência entre discurso e prática é essencial. “Quero ensinar ele a comer saudável, não é falar para ele, é ele me ver comendo saudável. Quero ensinar ele a ler, ele vai ter que me ver lendo livros”, exemplifica.

No centro dessa formação está a fé cristã, vivida em casa e ensinada com simplicidade. “Ele vai me ver estudando a Bíblia, vai me ver dando aulas bíblicas”, conta Adriano.

O pai como sacerdote

A Bíblia descreve o papel do pai como o de sacerdote do lar. Na prática, isso implica conduzir espiritualmente a família, assumindo a responsabilidade pelo ensino e pela direção moral da casa. “O sacerdote tem que ser a referência. É quem mostra qual é o caminho certo”, afirma Faustino. Ele conduz orações com o filho diariamente e, mesmo com menos de dois anos, a criança já é estimulada a recitar versículos bíblicos. “O sacerdote é quem ensina, quem repete, quem orienta, quem educa. Sei que, se eu não fizer essa minha obrigação bem-feita, posso ser cobrado por Deus por causa disso. Então eu valorizo muito isso”, resume.

Um olhar sobre Deus e sobre a própria mãe

Há aprendizados que só a prática revela. O amor paterno, para Faustino, trouxe uma nova percepção sobre o amor divino e, surpreendentemente, também sobre a maternidade. “Eu valorizo ainda mais a minha mãe pelo esforço que ela passou quando eu nasci”, conta, ao lembrar do relato da mãe sobre o cuidado com fraldas de pano fervidas em caldeirão com vinagre, por causa de sua alergia. Ao cuidar do próprio filho, ele passou a enxergar com mais nitidez as renúncias da mulher que o criou.

Mas foi na repetição das pequenas correções, nos alertas ignorados e nos choros frustrados que Adriano se viu face a face com a paciência de Deus. “Muitas vezes eu não deixo meu filho fazer as coisas, ele começa a chorar. E falo: a gente é do mesmo jeito. Deus não dá a coisa, a gente chora, reclama… Mas, no fundo, é para o nosso bem”, reflete.

O instante que permanece

Entre tantas mudanças, uma cena permanece como marco afetivo. “A primeira vez que ele olhou para mim, me chamou de papai e sorriu”, lembra. “Foi inesquecível”.

O testemunho de Adriano Faustino é apenas um entre os milhares de pais que veem na paternidade uma missão moldada por fé, rotina e vulnerabilidade. A figura paterna, longe de ser apenas um provedor, se torna um espelho diário das ações de Deus no cuidado com os filhos.

A Bíblia afirma que “como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem” (Salmos 103.13). Essa relação, observada em gestos cotidianos, ajuda a compreender, ainda que de maneira fragmentada, o amor que sustenta todas as coisas.

Fonte: Comunhão

Pais em risco: a perseguição aos homens cristãos

Pai e filho caminhando em um país que persegue cristãos (Foto: Portas Abertas)
Pai e filho caminhando em um país que persegue cristãos (Foto: Portas Abertas)

É evidente que a família está no centro da perseguição aos cristãos. Aqueles que dirigem a violência religiosa deliberadamente atacam os laços familiares e os papéis dentro da família como forma de destruir o testemunho cristão na sociedade. Mãe, pai, irmão e irmã são todos alvos.

Especificamente no contexto masculino, a perseguição procura pastores, que são predominantemente homens. Esse papel os expõe especificamente ao risco de perseguição por assassinato. Na Nigéria, um ciclo brutal de violência ceifa sem cessar a vida de líderes cristãos.

No início de maio, por exemplo, o pastor Philip Oigocho estava pegando o ônibus para liderar um culto de oração à noite depois de uma semana exaustiva quando um grupo de jihadistas o atacou. Um dos agressores perguntou especificamente em hausa, “Ina Pastor Philip ne?”, que significa “onde está o pastor Philip?”, contou uma testemunha a jornalistas. Ao todo, quatro homens foram assassinados, incluindo o pastor. “Para a família e os dependentes do pastor, sua morte pode desencadear outras formas de trauma e insegurança”, observa Rachel Morley, analista da Portas Abertas.

“Dependendo da escala e da natureza do ataque, a esposa e os filhos podem ter que fugir. Eles podem acabar em campos de deslocados internos, onde enfrentam novos riscos, como exploração sexual. E, para a família da igreja do pastor, é uma mensagem: ‘Você e sua comunidade não estão seguros’. Esse medo pode ser usado para provocar mais deslocamentos”, conclui a analista.

Destruindo o papel de protetor

Quando o papel social do homem como protetor é atacado, distúrbios psiquiátricos, vícios e até abandono de responsabilidades podem ser consequências de longo prazo. Cruelmente, depois de um ataque, o “fracasso” de um pai em proteger pode ser duramente julgado pela comunidade, em vez de ser visto como vítima da perseguição.

Em 2023, Mercy (pseudônimo) foi uma das várias mulheres que sofreram violência sexual nas mãos de uma multidão meitei violenta na Índia. Ela testemunhou seu pai e irmão serem espancados até a morte ao tentarem protegê-la. O marido de outra vítima descreve sentir-se assombrado por sua “incapacidade”. “Sinto tristeza e raiva por não ter conseguido fazer nada. Não pude salvar minha esposa nem os moradores da vila. Isso parte meu coração”, ele desabafa.

Acusações arbitrárias

Mas nem toda perseguição contra homens é violenta. Casos jurídicos arbitrários também são usados para intimidar pais cristãos e destruir a vida familiar. A família de Li Jie, no Norte da China, sofreu despejo, ameaças legais e detenção secreta por quatro anos por alegações inventadas sobre Li Jie de “liderar quadrilhas criminosas”, “incitar à subversão do poder do Estado” ou “negócios fraudulentos”.

É um ataque que consome a vida familiar. O acusado provavelmente perderá o emprego ou relações comerciais. Com o aumento dos custos legais, as famílias caem na pobreza. Para as crianças, o estigma de ter um “pai criminoso” é brutal. Para as mães, o terror, a vulnerabilidade e a separação prolongada são um fardo psicológico exaustivo. A perseguição jurídica não apenas pune um homem por sua fé, também enfraquece os laços familiares que transmitem a fé entre gerações.  

Uma oração pelos pais da Igreja Perseguida 

Senhor de todo consolo, esteja presente com nossos irmãos que são presos injustamente, vítimas de violência e dificuldades econômicas por causa do seu nome. Protege-os em sua vulnerabilidade, fortalece-os quando não puderem proteger suas esposas e filhos. Cura as feridas do trauma que permanecem em seus corações e mentes. Cerca-os com amor e faça com que nunca esqueçam de que são amados por sua família em Cristo em todo o mundo. Amém. 

Fonte: Portas Abertas

Movimentos cristãos internacionais lançam guia de oração para a COP30

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, também chamada de COP30 será a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, prevista para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, na cidade de Belém. Foto: Divulgação
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, também chamada de COP30 será a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, prevista para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, na cidade de Belém. Foto: Divulgação

Movimentos cristãos internacionais lançaram um guia de oração específico para a COP30, prevista para novembro em Belém do Pará. A proposta tem o objetivo de mobilizar igrejas e fiéis em uma jornada de dez semanas de oração, com temas que vão desde decisões políticas até a ética no uso dos recursos naturais. O material parte da convicção de que as ações humanas são responsáveis pelas mudanças climáticas e propõe a oração como ferramenta preventiva contra desastres ambientais.

Entre os que comentam a iniciativa está o pastor Sérgio Junger, presidente da Associação dos Capelães do Estado do Espírito Santo. Ele reconhece o valor da oração, mas aponta uma perspectiva diferente sobre esse tipo de mobilização. Para ele, a oração deve estar inserida no cotidiano de cada cristão, sem depender de grandes eventos ou agendas internacionais. Ele acredita que o papel do servo de Deus é orar continuamente, por todas as coisas, todos os dias.

O guia de oração pela COP30 destaca que o conhecimento científico deve ser valorizado pelos cristãos

O guia de oração pela COP30 foi elaborado por organizações como Tear Fund, Renovar Nosso Mundo e 24/7 Prayer, que defendem a integração entre fé e ciência. Os autores destacam que o conhecimento científico deve ser valorizado pelos cristãos, e que há uma responsabilidade coletiva no enfrentamento da crise ambiental. O documento ainda propõe atividades criativas para acompanhar as orações, como escrever pedidos em lenços de papel, símbolo da fragilidade das decisões em prol do planeta.

Pastor Sérgio Junger demonstra ceticismo diante da proposta. Segundo ele, a fé não deve ser condicionada a pautas humanas. Em suas palavras, a oração deve partir de uma relação direta com Deus e ser direcionada à realidade imediata de cada pessoa. Citando Tiago 1:27, Junger reitera sua posição: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo”.

Simbolismo religioso

A sede da COP30 em Belém também carrega um simbolismo religioso. A cidade foi palco da fundação da Assembleia de Deus no Brasil, hoje o maior grupo evangélico do país. O evento global que reúne líderes mundiais para discutir ações contra o aquecimento global terá, portanto, um pano de fundo histórico marcado pela presença evangélica. Ainda assim, a expectativa de adesão das igrejas ao guia de oração é vista com reservas, dada a resistência a instituições como a ONU e a OMS.

Para o pastor capelão, movimentos como esse geram barulho, mas podem carecer de impacto real. Ele destaca que não crê que a Bíblia dá margem para um cenário otimista em relação ao futuro do mundo. Segundo ele, o papel da igreja é orar pelas pessoas próximas e pelas situações concretas que afetam o dia a dia da comunidade.

Os organizadores do guia apostam na força da oração coletiva como estímulo à ação consciente. A proposta é que, ao orar pelos tomadores de decisão e pelas comunidades vulneráveis, os cristãos também se comprometam com mudanças em seus próprios hábitos. A intenção é provocar reflexão, mobilização e engajamento prático das igrejas diante da emergência climática.

Sérgio Junger, por sua vez, vê na oração diária e constante uma forma mais eficaz de transformar a realidade. Ele diz que interceder por líderes faz parte da sua prática de fé, embora sem esperar soluções terrenas. Para ele, cabe ao cristão permanecer fiel, enfrentar os desafios com coragem e se manter em oração sem cessar, como orienta a Bíblia.

Destruição ambiental

O lançamento do guia ocorre em meio à tensão provocada pelo chamado PL da Devastação, projeto que flexibiliza regras ambientais no país. Para os grupos cristãos engajados na campanha de oração, a aprovação da lei evidencia a urgência de uma resposta espiritual e ética diante da destruição ambiental. O guia surge como um apelo por responsabilidade e sensibilidade diante da criação.

Apesar das divergências, o tema abre espaço para um debate sobre o papel das igrejas diante da crise climática. O encontro entre fé e ecologia, embora ainda polêmico em alguns segmentos, revela que a espiritualidade cristã pode contribuir para a construção de um mundo mais justo e sustentável. O pastor capixaba resume sua posição dizendo que a oração precisa estar voltada à vida real e que cada servo deve orar por tudo, em todo tempo, com sinceridade e compromisso.

Fonte: Comunhão

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