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Cuba, país que já foi ‘ateu’, agora vê aumento de evangélicos

Culto na Igreja Movimiento Apostólico Fuego y Dinámica del Espíritu Santo em Camagüey, Cuba (Foto: Reprodução)
Culto na Igreja Movimiento Apostólico Fuego y Dinámica del Espíritu Santo em Camagüey, Cuba (Foto: Reprodução)

Em meio ao agravamento da crise econômica em Cuba, manifestações públicas de fé cristã, especialmente evangélica, têm ganhado cada vez mais visibilidade. Nas ruas de Havana, cultos e orações ao ar livre, muitas vezes liderados por jovens, são cenas cada vez mais frequentes.

Um exemplo emblemático dessa mudança ocorre na Plaza del Cristo, no extremo oeste da capital. Ali, “em frente a um edifício com uma imagem de aproximadamente um metro de altura do revolucionário Che Guevara”, grupos se reúnem para realizar uma prática que, até recentemente, era rara: “fazer orações em público”.

Com frequência, esses encontros incluem pedidos por transformação espiritual e superação das dificuldades. “Com os braços erguidos, eles pedem as bênçãos de Jesus por dias de prosperidade e coragem para enfrentar a batalha entre o bem e o mal”.

Esse novo cenário contrasta com a tradição do país. Conhecida historicamente por adotar uma linha ideológica materialista, Cuba já foi considerada um “Estado ateu”, moldado por uma estrutura educacional e política inspirada no modelo soviético. Hoje, porém, o país presencia uma mudança expressiva no campo religioso, com o avanço das igrejas evangélicas.

A transformação ocorre justamente no momento em que a ilha enfrenta “a maior crise econômica enfrentada pelo país nas últimas três décadas”. Especialistas e líderes religiosos apontam que o contexto de incertezas, agravado pela pandemia de Covid-19, tem levado um número crescente de cubanos a buscar refúgio na fé.

Ainda que não existam dados oficiais atualizados sobre a proporção de evangélicos no país, estudiosos indicam que a tendência é clara. “Sem dúvida temos visto um aumento [dos evangélicos em Cuba] nos últimos cinco anos”, afirma o pesquisador Pedro Alvarez Sifontes.

A avaliação é compartilhada por outros líderes religiosos ouvidos pela imprensa. “Depois da pandemia, a crise levou muito mais pessoas a se aproximarem da fé e das igrejas”, observa o teólogo Eliecer Portal. Para ele, “momentos de crise chamam as pessoas à fé, principalmente quando sentem que suas vidas estão em jogo”.

Embora a religiosidade faça parte da história cubana, marcada pela colonização espanhola e pela forte presença do catolicismo e das religiões afrodescendentes, a Revolução de 1959 impôs um afastamento entre o Estado e qualquer prática religiosa. A Constituição de 1976 oficializou o país como laico, mas em bases ateístas.

“A Constituição proclama a liberdade religiosa e o direito de praticar qualquer religião que se queira. Mas, depois disso, havia um artigo que dizia que o Estado era obrigado a propor e realizar todo o trabalho educacional baseado na concepção científica marxista-leninista”, relembra Sifontes.

Segundo o pesquisador, esse modelo foi incorporado à cultura e à educação cubanas. Ele explica que “no ensino superior, foi criada uma disciplina chamada Comunismo Científico”, voltada a consolidar um pensamento ateu baseado no positivismo neomarxista.

Além da ideologia formal, o governo adotou práticas restritivas. “Pessoas religiosas não podiam cursar certas áreas, como jornalismo; não podiam acessar cargos governamentais diretamente. Se você declarasse sua religião ou filiação religiosa, não teria acesso a cargos de liderança no governo”, diz Sifontes.

Ele também relata que a filiação ao Partido Comunista da Juventude exigia compromisso com o ateísmo. “Todos eram questionados sobre sua ascendência religiosa, para tudo. Para ser membro do Partido Comunista da Juventude, você também tinha que declarar seu status ateu, sua posição ateia. Se não, você não era admitido. E isso, claro, para nós, cria toda uma concepção de um Estado ateu.”

Apesar das barreiras impostas, a fé resistiu no cotidiano dos cubanos, muitas vezes exercida de forma discreta, em espaços privados ou pequenos templos comunitários.

Nos últimos anos, especialmente após a queda da União Soviética e as reformas econômicas dos anos 1990, o governo cubano passou a flexibilizar sua postura diante das religiões. A Constituição de 2019 marcou mais uma etapa nesse processo ao “assegurar o direito à liberdade religiosa, independentemente da crença professada”.

Agora, em um cenário de escassez material e de busca por esperança, a fé cristã — e em especial as igrejas evangélicas — ressurge com vigor, impulsionada por jovens, novos formatos de culto e pelo apoio comunitário oferecido por essas congregações.

Folha Gospel com informações de BBC Brasil

Líderes evangélicos criticam declaração agressiva contra filha de Roberto Justus

Roberto Justus com sua esposa e filha (Foto: Redes sociais / Divulgação)
Roberto Justus com sua esposa e filha (Foto: Redes sociais / Divulgação)

A declaração do professor Marcos Dantas, da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, causou revolta nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os limites do discurso político-ideológico no espaço público. Em resposta a uma imagem da menina Vicky Justus, 5 aninhos, filha de Roberto Justus, com uma bolsa de luxo, Dantas comentou “só guilhotina”, remetendo ao símbolo de execuções da Revolução Francesa. A frase foi interpretada como incitação à violência contra a criança.

A repercussão foi imediata. O deputado Nikolas Ferreira se manifestou publicamente, afirmando que a esquerda estaria desejando a morte de uma criança por usar uma bolsa. A mãe da menina, Ana Paula Siebert, anunciou que moverá ação judicial contra o professor e pediu que seguidores denunciem o perfil dele, que já está fora do ar.

Pastores de diferentes denominações evangélicas também reagiram à fala. Para o pastor Glauco Ferreira, da Igreja Metodista em Guadalupe, Rio de Janeiro, o episódio ultrapassa qualquer alegação de metáfora ou crítica social.

“A guilhotina não é símbolo de justiça, mas de morte. Ela remete a um período sombrio da história, marcado por sangue, intolerância e desumanização”, afirmou. Ele destacou que, ao ser evocada contra uma criança, a palavra se torna um atentado simbólico contra a infância e contra os valores que sustentam uma sociedade civilizada.

A fala de Dantas também colocou em evidência seu histórico de atuação em governos petistas. Durante o primeiro mandato de Lula, ele ocupou cargos relevantes nos Ministérios das Comunicações e da Educação, além de integrar o Conselho da Anatel. Atualmente, lidera um grupo de pesquisa marxista vinculado à UFRJ. A polarização ideológica nas universidades públicas voltou a ser alvo de críticas após o episódio.

Para o pastor Márlon Silveira, da Igreja Batista em Maruípe, Vitória, a sociedade vive tempos marcados por reações impulsivas e crescentes violências simbólicas. “Somos tentados a reagir impulsivamente e falar absurdos como esse professor falou”, disse.

Ele citou Romanos 12:12 ao propor uma saída bíblica: vencer o mal com o bem. “Nesse mundo polarizado onde a violência se manifesta, é preciso lembrar da bem-aventurança de que os pacificadores serão chamados filhos de Deus”, completou.

O pastor Anderson Aurora, da Igreja Evangélica Batista de Vitória (IEBV), também destacou o contraste entre a fala do professor e os valores cristãos. “A orientação bíblica é sempre a paz, nunca desejar o mal a ninguém”, afirmou. Ele lamentou que o comentário tenha sido dirigido justamente à parte mais vulnerável da cena: uma menina de cinco anos. “Em todo tempo a palavra de Deus vai pregar o amor”, disse. “É injustificável.”

Limites da crítica

O debate sobre os limites da crítica social foi outro ponto abordado por líderes religiosos. O pastor Luiz Gustavo Marques Lança, da Igreja Batista da Redenção, em Vitória, ES, foi direto: “O discurso de ódio e a incitação à violência, mesmo em tom de crítica social, não condiz com o exemplo de Cristo”. Segundo ele, o cristão é chamado a ser luz no mundo, inclusive nas redes sociais. “Suas palavras devem refletir paz, justiça e amor”.

O episódio expõe a escalada do discurso violento e evidencia a fragilidade do diálogo entre campos ideológicos opostos. O que poderia ter se configurado como uma crítica ao consumismo infantil acabou se transformando em uma ofensa direta à criança e à sua família, com possíveis desdobramentos legais e sociais.

Pastor Glauco Ferreira reforçou que o uso da liberdade de expressão não pode ser um pretexto para propagar o ódio. “O que se viu nesse episódio não foi uma denúncia legítima contra os excessos do luxo, mas um ataque covarde à figura mais vulnerável daquela imagem.”

A resposta dos líderes religiosos aponta para uma tentativa de frear a escalada da retórica violenta. Ao invés de alimentar ciclos de ressentimento, eles propõem o retorno ao Evangelho como fonte de equilíbrio e sabedoria. Para eles, a crítica deve ser feita com empatia, não com agressividade.

Ainda que o professor não tenha mais se pronunciado publicamente, o caso segue provocando debates. O papel do educador, os limites da crítica social, o uso da linguagem violenta e a exposição de crianças nas redes formam um conjunto de questões que não se encerram com a exclusão de um perfil, mas exigem reflexão contínua.

Os pastores entrevistados enfatizam uma mensagem clara: o mal não se combate com mais mal. Diante da radicalização crescente, o Evangelho segue como um chamado à paz, ao amor e ao respeito absoluto pela vida, desde o seu início.

Fonte: Comunhão

Gospel é o gênero mais ouvido em Salvador, terra do axé

Vista do Elevador Lacerda, Forte de São Marcelo, Baía de Todos os Santos e Mercado Modelo, em Salvador, Bahia. (Foto: Reprodução)
Vista do Elevador Lacerda, Forte de São Marcelo, Baía de Todos os Santos e Mercado Modelo, em Salvador, Bahia. (Foto: Reprodução)

O crescimento de evangélicos em Salvador (BA), apontado pelo Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) está refletindo nos hábitos culturais dos moradores da capital baiana.

Na terra do axé e do samba-reggae, hoje o gênero musical mais ouvido é o gospel, segundo a pesquisa “Cultura nas Capitais”, divulgada em abril deste ano.

O levantamento mostrou que a música gospel é a preferida de 28% dos moradores de Salvador, seguido pela MPB (Música Popular Brasileira) como segundo estilo mais consumido (24%), e o sertanejo (19%) e o pagode (19%) apareceram empatados em terceiro lugar.

Ritmos historicamente relacionados à identidade musical de Salvador, como o axé e o samba-reggae, não apareceram na pesquisa como os estilos musicais mais apreciados dos moradores.

O estudo foi realizado pelo DataSenado em parceria com o Ministério da Cultura, e entrevistou 600 moradores em 2024.

Para o cantor baiano cristão Marcos Semeadores, o crescimento do gospel no cenário de Salvador é resultado da busca das pessoas pela Palavra de Deus através da música.

“Isso demonstra que o gênero gospel não está restrito às igrejas e faz parte da vida dessas pessoas, que muitas vezes nem frequentam os templos, mas que estão em busca de uma mensagem de fé, esperança e amor e vivem nesse mundo de agitação e desafios”, avaliou Marcos, em entrevista ao G1.

Como cantor de pagode gospel, ele observou que o estilo ganhou espaço entre os jovens evangélicos e tem feito sucesso entre o público mais amplo. Além disso, a qualidade das produções gospel atraiu o público não cristão.

“O gênero gospel está se aproximando das pessoas porque ela não toca só nas igrejas. Está também nos carros, fone de ouvido, churrascos e nas redes sociais”, comentou o cantor.

Já para Joel Zeferino, que atuou por duas décadas como pastor na Igreja Batista Nazareth em Salvador, a música gospel se tornou uma ferramenta de evangelização, que conseguiu alcançar o público não cristão.

“Muitas pessoas que não frequentam as igrejas evangélicas ouvem as músicas do gênero gospel, porque estão dentro desse ambiente cultural que os evangélicos conseguiram criar pelo grande crescimento nas últimas décadas”, pontuou José.

Embora o gospel tenha ganhado popularidade na capital da Bahia, o produtor de eventos cristãos, Bispo Oliveira, relatou que ainda há dificuldades para promover festividades evangélicas por falta de investimentos do poder público.

“As autoridades precisam enxergar o tamanho da comunidade evangélica e o que ela representa. Os evangélicos não vão consumir festas seculares, como Carnaval, São João e festas de largo. Eles têm direito a lazer, entretenimento e cultura. Existem diversos tipos de eventos que fazemos, como manifestação de fé, como shows, teatro e espetáculos de dança”, afirmou o produtor.

Ele deu o exemplo do evento evangélico “Sem João, com Jesus”, que é uma alternativa às festas juninas católicas.

Segundo Oliveira, o propósito não é desprezar a cultura local da Festa de São João, mas exaltar o nome de Jesus. “Ele é a nossa maior estrela e referência”, explicou.

Fonte: Guia-me com informações de G1

Mais de 1.300 pessoas aceitam a Jesus durante campanha evangelística na Alemanha

O evento “City of Light” atraiu uma multidão ao ar livre no centro de Nuremberg, na Alemanha. (Foto: Instagram/City of Light)
O evento “City of Light” atraiu uma multidão ao ar livre no centro de Nuremberg, na Alemanha. (Foto: Instagram/City of Light)

Ministérios e igrejas locais se mobilizaram em Nuremberg, na Alemanha, para realizar uma ampla campanha evangelística no último final de semana. A ação culminou com a realização do evento City of Light, que reuniu centenas de pessoas em frente à histórica Igreja de São Lourenço.

A mobilização começou antes mesmo do evento principal, com 12 dias de ações evangelísticas nas ruas da cidade. Durante esse período de pré-evangelismo, 6.500 pessoas ouviram mensagens cristãs e 764 tomaram a decisão de seguir a fé cristã.

A abertura oficial do City of Light aconteceu na quinta-feira (3), com uma programação ao ar livre que atraiu cerca de 800 moradores. O evento combinou música, adoração e mensagens evangelísticas, com a participação de diversos pregadores ao longo dos dias.

No segundo dia, os evangelistas Ben Fitzgerald e Daniel Kalupner conduziram a pregação. “As pessoas escolheram Jesus e as curas aconteceram!”, testemunhou o “City of Light”, em publicação no Instagram.

A campanha também teve uma programação especial voltada ao público infantil, com evangelismo adaptado para crianças. Nos dias seguintes, os pregadores Chris Schuller, Jakes Boakye, David Rotärmel e Lukas Repert seguiram com as mensagens, resultando em mais conversões e relatos de curas.

“Grato ao Senhor e ao corpo de Cristo de Nuremberg por darem as mãos e juntos acreditarmos em um mover de Deus na cidade”, celebrou Lukas.

Ao final da campanha, realizada no domingo (6), pastores e líderes da região se reuniram para orar pela cidade. No total, somando os quatro dias do evento com o pré-evangelismo, mais de 1.300 pessoas decidiram por Cristo.

“Deus operou de forma poderosa. As pessoas entregaram suas vidas a Jesus, experimentaram a cura e receberam uma nova esperança”, testemunhou o evento.

Folha Gospel com informações de Guia-me

Entidades evangélicas enviam ajuda ao Texas após enchente matar mais de 100 pessoas

Equipes da Samaritan’s Purse e da Billy Graham Evangelistic Association iniciam o dia com oração em Kerrville, Texas (Foto: Reprodução Samaritan's Purse)
Equipes da Samaritan’s Purse e da Billy Graham Evangelistic Association iniciam o dia com oração em Kerrville, Texas (Foto: Reprodução Samaritan's Purse)

A Samaritan’s Purse e a Associação Evangelística Billy Graham (BGEA), lideradas pelo evangelista Franklin Graham, estão enviando ajuda para socorrer os afetados da enchente que devastou o Texas, nos Estados Unidos.

Ao menos 111 pessoas morreram no desastre, incluindo meninas e líderes do acampamento cristão Camp Mystic, após o Rio Guadalupe subir entre 6 e 8 metros em apenas 90 minutos e inundar a região.

A Equipe de Resposta Rápida da BGEA, que atua em tragédias, foi enviada para o condado de Kerr, uma das áreas mais afetadas.

A missão também já implementou dois centros de ajuda no Texas, com equipamentos e ferramentas de apoio.

Na manhã de terça-feira (8), voluntários da Samaritan’s Purse começaram a trabalhar na limpeza de casas e na remoção da lama.

Enquanto oferecem ajuda prática durante a recuperação do estado, as equipes também compartilham a esperança do Evangelho com os texanos.

“Os voluntários servem como as mãos e os pés de nosso Senhor. Em tudo o que fazemos, pretendemos compartilhar as Boas Novas de Jesus Cristo com as pessoas feridas”, afirmou a organização humanitária.

Franklin Graham pediu oração pelas famílias enlutadas e pelas equipes de resgate, que continuam procurando vítimas.

“Precisamos continuar cercando essas famílias e comunidades devastadas em oração. Ore também pelas centenas de pessoas envolvidas nos esforços de busca e resgate, com previsão de mais chuva”, escreveu o evangelista em publicação no Facebook, no domingo (6).

Mais de 800 moradores foram resgatados das águas. Mais de 170 pessoas ainda estão desaparecidas, incluindo participantes do acampamento cristão para meninas Camp Mystic.

Enchente repentina

A enchente teve início por volta das 4 horas da manhã de sexta-feira (4), quando chuvas intensas durante a madrugada provocaram uma elevação abrupta do nível do Rio Guadalupe, entre 6 e 8 metros em apenas 90 minutos.

Segundo a NBC 5, a água invadiu o Condado de Kerr e áreas vizinhas com tanta velocidade que as autoridades dizem que não conseguiram emitir ordens de evacuação a tempo.

Um acampamento cristão para meninas, o Camp Mystic, localizado às margens do Rio Guadalupe, foi atingido. O local abrigava 750 jovens, de 7 a 12 anos, quando a enchente chegou de forma repentina.

O acampamento confirmou a morte de 27 crianças que foram levadas pelas águas.

Fonte: Guia-me com informações de Samaritan’s Purse

Labubu: bonecos que não têm nada de inocente viram febre mundial

Labubu (Foto: KUA CHEE SIONG / reprodução internet/Reprodução)
Labubu (Foto: KUA CHEE SIONG / reprodução internet/Reprodução)

Uma criatura de olhos arregalados, dentes afiados e expressão cômica-assustadora se tornou o centro de uma discussão inusitada entre pais cristãos. Afinal, o que é esse tal de Labubu, e por que ele está dentro das mochilas, prateleiras e vídeos de tantos jovens e adolescentes em 2025? Tudo começou quando uma celebridade do K-pop apareceu com um Labubu pendurado na bolsa, transformando o brinquedo em um símbolo de desejo pop e aumentando sua procura global.

No Brasil, o modelo original pode custar até R$ 1.445,90, enquanto versões paralelas, como o “Labunu”, chegam a R$ 500. A febre mundial, porém, tem provocado reações bem diferentes do entusiasmo que costuma cercar fenômenos da moda. Em vídeos que viralizaram nas redes sociais, cristãos apontam semelhanças visuais entre o boneco e Pazuzu, entidade demoníaca que ficou conhecida como o vilão do filme O Exorcista.

Em 2025, a valorização do Labubu atingiu proporções impressionantes. Segundo levantamento do site The Toy Chronicle, a marca responsável pela criação do boneco, Pop Mart, superou o valor de mercado de gigantes como a mineradora brasileira Vale, uma das maiores do mundo. Isso revela não apenas a força do consumo cultural ligado à estética “fofa e estranha”, mas também o impacto financeiro que personagens da cultura pop podem exercer globalmente, especialmente quando impulsionados por fenômenos como o K-pop ou pop coreano.

Um monstrinho pop com raízes artísticas

Ao contrário do que circula nas redes, o Labubu não é novo. Ele foi criado em 2015 pelo artista visual Kasing Lung, de Hong Kong, como parte da linha de toys art da marca How2Work. Segundo o próprio autor, a inspiração vem de criaturas da mitologia nórdica e universos de fantasia, como os trolls das florestas.

A proposta do artista é simples, ele quis produzir bichinhos colecionáveis com estética grotesca e sentimentos ambíguos. Eles são vendidos em edições limitadas e, por isso, viram alvo de fãs, revendedores e influencers de luxo.

Apesar da aparência incomum, a linha não faz menção direta a nenhuma figura religiosa ou espiritual. No entanto, a estética perturbadora, somada à ignorância sobre a origem da peça, abriu espaço para que interpretações espirituais se sobrepusessem à proposta artística.

Pazuzu, a confusão com o demônio do cinema

O nome mais citado nas comparações é Pazuzu, entidade da antiga Mesopotâmia que, originalmente, era considerada um espírito protetor contra forças do mal, mas que se popularizou no Ocidente como o demônio principal do filme O Exorcista. A partir daí, muitas figuras de aspecto animalesco e desfigurado passaram a ser relacionadas a ele, mesmo sem qualquer vínculo real.

“Tem muita gente perguntando se ele teria alguma ligação oculta com Pazuzu, aquela figura demoníaca e pagã que aparece até em filmes de terror, né? Filmes pesados, como O Exorcista e outros por aí”, comentou o pastor André Valadão, em vídeo recente publicado em suas redes sociais. Para ele, mais do que gerar pânico, a preocupação deve conduzir os cristãos ao discernimento.

“A gente precisa lembrar que nossas crianças são bombardeadas todos os dias por personagens, histórias, produtos… E muitos carregam mensagens sutis, subliminares. E é por isso que a atenção dos pais precisa ser constante”, declarou.

Quando o visual gera desconforto espiritual

Para além das lendas que circulam online, existe uma questão prática sendo discutida entre líderes cristãos é se é seguro introduzir personagens de visual sombrio no ambiente familiar? “Por si só, acredito que não, mas uma coisa muito comum é que muitos acabam relacionando figuras assim com o misticismo”, afirma o pastor Alex Gandra, da Comunidade Batista Karis, de São Fidélis/RJ. Ele reconhece que boa parte do sucesso do Labubu se deve à curiosidade e ao apelo comercial que envolve esse tipo de estética.

No entanto, o pastor faz um alerta. “Num mundo vazio de Deus, as influências malignas se utilizam de visuais sombrios para usar como portas para fins mais profundos”, diz. Para as famílias que se sentem desconfortáveis com o tema, Gandra sugere um princípio simples. “A orientação bíblica que podemos usar para essa pergunta é: afastar-se da aparência do mal. Mesmo parecendo simplista, em um tempo tão difícil, com tantas más influências, o melhor é não deixar entrar em casa coisas assustadoras, bizarras e estranhas como estes bichinhos aí. É melhor não arriscar”, reflete o pastor.

Nem tudo convém

O dilema em torno do Labubu também revela o quanto os pais precisam estar atentos não só ao que os filhos consomem, mas às razões por trás desses desejos. “A gente precisa se perguntar: por que eles gostam do que gostam? O que sentem quando estão brincando com essas coisas?”, questiona André Valadão.

“Desde pequenos, precisamos ensiná-los que nem tudo que é lícito, nem tudo que está disponível para nós, convém”, relembra ele. Para o pastor Alex Gandra, o equilíbrio entre discernimento espiritual e julgamento precipitado passa por conhecimento e oração. “Julgar de forma precipitada não resolve as questões que precisam de discernimento. É preciso buscar o máximo de informações e manter-se em oração”, exorta.

Discernir sem temer

No fundo, a preocupação cristã com o Labubu não é sobre o boneco em si, mas sobre o que ele representa, como a falta de filtros espirituais diante de tudo o que entra nos lares. Para alguns, é apenas um brinquedo alternativo. Para outros, um sinal de alerta sobre os símbolos que permeiam a cultura pop.

A Bíblia aconselha a julgar todas as coisas e reter o que é bom (1 Tessalonicenses 5:21). Diante disso, pais e mães não precisam agir com pânico, mas com vigilância ativa. “Vigilância não é medo. É cuidado de pai e mãe. Então, não baixe a guarda. Essas tendências passam, mas a responsabilidade de proteger o coração dos nossos filhos, dos pequenos, essa continua”, resume Valadão.

Artigo publicado originalmente em Comunhão

Pastor alerta pais a não deixarem filhos terem acesso ilimitado à internet

Pastor Josué Gonçalves (Foto: reprodução)
Pastor Josué Gonçalves (Foto: reprodução)

Na última sexta-feira (4), o pastor Josué Gonçalves, fundador do ministério ‘Amo Família’, alertou os pais e responsáveis sobre os perigos do uso ilimitado de internet para crianças e adolescentes.

Em um vídeo no Instagram, o pastor refletiu sobre o caso que chocou o Brasil em junho deste ano, onde um adolescente de 14 anos assassinou o pai, a mãe e o irmão de 3 anos no Rio de Janeiro.

“Sim, foi um triplo homicídio cometido em tempo real por amor a uma garota [de 16 anos] que ele nunca tinha visto pessoalmente”, explicou o pastor.

O caso ocorreu no bairro Jardim Surubi, no Noroeste Fluminense: “Eles se conheceram aos 8 anos jogando online. Mantinham um relacionamento virtual há 6 anos, o plano era fugir juntos, sacar o fundo de garantia do pai assassinado e começar uma vida no Mato Grosso. Ela disse: ‘Traz a arma, mata a minha mãe também’. E completou com frieza: ‘Estou muito orgulhosa do que você fez por mim, por me amar’”, disse Josué.

Em seguida, o pastor declarou: “Essa não é uma história de ficção! É o retrato de um abandono digital silencioso. Enquanto os pais pagam a internet, o mal se infiltra por ela. Atenção pais, seus filhos podem estar dentro de casa, mas fora do seu alcance”.

7 alertas urgentes aos pais

Ainda falando sobre o caso, o pastor refletiu sobre o uso excessivo e sem supervisão dos menores à internet e emitiu 7 alertas urgentes aos pais:

1. O acesso livre à internet é um perigo real

Josué afirmou que crianças com o celular ilimitado têm acesso a tudo: “Pornografia, jogos violentos, sala de bate-papo, recrutadores, tráfico sexual”. 

“Controle de conteúdo não é invasão, é proteção”, afirmou o pastor. 

2. Os jogos onlines não são apenas diversão

O pastor explicou que as plataformas de jogos online, criam “vínculos emocionais profundos com estranhos”. 

“Jogos com chat aberto são portas para a manipulação afetiva e sexual. Muitos abusadores se escondem atrás de avatares amigáveis”, alertou ele.  

3. Relacionamentos precoces podem ser destrutivos

“Crianças não têm maturidade emocional para vínculos amorosos sérios”, disse Josué. 

Citando o caso de homicídio no Rio, ele destacou: “Um namoro de 6 anos, iniciado aos 8 anos, é um grito de alerta sobre ausência de supervisão”. 

4. Ausência emocional dos pais

Josué observou que muitos pais têm criado filhos órfãos — mesmo estando vivos.

“Não basta estar na mesma casa, filhos precisam de tempo, de conversa, limites e supervisão”. E continuou: “A omissão de hoje é a tragédia de amanhã”. 

5. ‘Meu filho sabe o que faz’

O pastor também enfatizou que muitos pais e responsáveis acreditam que seus filhos sabem o que fazem. No entanto, ele alertou que este discurso “é uma ilusão perigosa”:

“O mal age onde os pais relaxam na vigilância”. 

Josué citou a passagem bíblica em ‭‭1Pedro‬ ‭5‬:‭8‬, que diz: “Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o adversário de vocês, ronda como um leão, rugindo e procurando a quem devorar”.

6. ‘Parece um bom menino’ 

Ainda falando sobre os perigos na internet, o pastor orientou os pais: “Confiem menos no ‘parece um bom menino’ e mais na oração e na vigilância”.

E continuou: “Muitos assassinos e abusadores parecem bons no início, mas Satanás nunca entra pela porta da frente, ele se disfarça”. 

7. ‘O mundo vai discipular seu filho’ 

Por fim, Josué encorajou os pais a educarem seus filhos: “Se você não educar, o mundo vai discipular seu filho. E o discipulado do mundo é sem misericórdia, sem freios e sem temor a Deus. Eduque com firmeza, vigie com amor, corrija com sabedoria e ore com fervor”. 

“Pais, mães, líderes, não durmam enquanto o inimigo planta sementes. A infância está sendo sequestrada nas telas, a alma dos nossos filhos está em guerra, eles precisam de presença, precisam de direção e proteção”, acrescentou. 

“Internet sem limites é território livre para o inferno, o inferno venceu aquela casa, mas pode não vencer a sua se você despertar agora. Quem carrega o Céu, não deixa as marcas do inferno por onde passa. Que você pai, mãe, responsável carregue o Céu dentro da sua casa”, concluiu o pastor.

Fonte: Guia-me

Rússia registrou 34 processos por “atividade missionária ilegal” nos primeiros quatro meses de 2025

Igreja na Rússia (Foto: Canva Pro)
Igreja na Rússia (Foto: Canva Pro)

Indivíduos e organizações religiosas continuam sendo levados a tribunais em toda a Rússia por acusações administrativas de “atividade missionária ilegal”.

De acordo com o grupo norueguês de direitos humanos Forum 18, houve pelo menos 34 processos sobre esta questão nos primeiros quatro meses de 2025.

Tanto o número de processos identificados pelo Fórum 18 quanto os números registrados pela Suprema Corte sugerem um ligeiro aumento em comparação aos últimos anos , especialmente entre muçulmanos.

Dos 34 processos, 26 foram baseados no Artigo 5.26, Parte 4 do Código Administrativo, que trata de “russos conduzindo atividade missionária “, e 9 foram baseados na Parte 5, para ” estrangeiros conduzindo atividade missionária”, embora se acredite que o número real seja maior.

Cidadãos russos considerados culpados de “atividade missionária ilegal” podem receber multas de 5.000 a 50.000 rublos, enquanto cidadãos estrangeiros podem ser multados em 30.000 a 50.000 rublos. Eles também podem ser expulsos do país.

Organizações registradas (também processadas pela Parte 4) podem ser multadas em até 100.000 rublos.

Além disso, alterações a vários artigos do Código Administrativo entraram em vigor em 5 de fevereiro de 2025, permitindo que a polícia trate de casos do Artigo 5.26, Parte 5, sem recorrer ao tribunal e imponha multas e expulsão administrativa como punição.

É por isso que “é difícil precisar quantos cidadãos estrangeiros poderão ser alvo de processos por actividade missionária ilícita, a menos que consigam apresentar recursos”, explica o Fórum 18 .

“As chances de proteger seus direitos são significativamente reduzidas. O cidadão precisará recorrer da decisão judicialmente, solicitando sua suspensão. Mas, a essa altura, é muito provável que esse cidadão já tenha sido forçado a deixar a Federação Russa ”, destacou o advogado Sergey Chugunov.

As emendas também proíbem “atividade missionária” em instalações residenciais ou por qualquer pessoa que seja ex-membro de grupos religiosos “extremistas”.

12 processos contra evangélicos

Doze dos trinta e quatro casos registrados até o final de abril de 2025 afetaram evangélicos, principalmente do Conselho de Igrejas Batistas.

Três pastores do Conselho de Igrejas Batistas foram multados em 5.000 rublos cada por “pregar e distribuir um jornal religioso para pessoas em cultos que não eram membros de um grupo religioso”.

Testemunhas declararam que compareceram a convite de uma mulher no ponto de ônibus e que eram ortodoxas e não conheciam a igreja batista. Uma testemunha filmou parte do culto e aparentemente repassou as imagens à polícia.

Outro pastor batista foi multado duas vezes com 20.000 rublos no total, porque ele supostamente “realizou atividade missionária com um círculo indeterminado de pessoas, sem ter apresentado notificação do início das atividades de um grupo religioso e sem autorização por escrito”.

O tribunal processou um pastor evangélico e o acusou de realizar um evento informativo e educacional chamado A Natividade de Cristo em um centro cultural.

O evento incluiu “explicação de temas bíblicos individuais com distorção da compreensão histórica da natividade e execução de hinos característicos de denominações protestantes” para “pessoas que não são membros (seguidores), sem autorização escrita para realizar atividade missionária”.

Outros pastores foram acusados ​​de pregar em casas particulares ou de liderar culto sem notificar o Ministério da Justiça sobre a existência de grupo religioso, entre outros motivos.

Registro de igrejas

Além disso, organizações religiosas também continuam a enfrentar processos judiciais nos termos do artigo 5.26, Parte 3 (“Implementação de atividades por uma organização religiosa sem indicar seu nome oficial completo, incluindo a emissão ou distribuição, no âmbito da atividade missionária, de literatura e material impresso, de áudio e vídeo sem um rótulo com esse nome, ou com um rótulo incompleto ou deliberadamente falso”).

Em 16 de maio de 2025, oficiais de justiça lacraram uma igreja batista em Kurganinsk (região de Krasnodar), cujas atividades haviam sido proibidas em setembro de 2024. Igrejas em Belorechensk (também na região de Krasnodar), Tula e Blagoveshchensk também enfrentam uma proibição semelhante de atividades.

Entre os evangélicos, o Conselho de Igrejas Batistas também tem enfrentado taxas crescentes de processos pelo fato de não notificar as autoridades sobre a criação de um grupo religioso.

“Em alguns casos, isso foi usado como fundamento parcial para que promotores buscassem a proibição de suas atividades”, diz o Fórum 18.

A Rússia também impôs sua legislação “antimissionária” nos territórios ucranianos ocupados .

Uma lei restritiva

Em julho de 2016, o presidente Vladimir Putin assinou emendas à Lei da Religião impondo restrições severas ao compartilhamento de crenças, incluindo onde e por quem elas podem ser compartilhadas.

As emendas efetivamente proibiram “atividade missionária” amplamente definida por qualquer pessoa sem permissão por escrito de uma associação religiosa oficialmente reconhecida, qualquer atividade realizada por organizações religiosas que não usassem seus nomes legais completos ou fora dos prédios da igreja.

Folha Gospel com informações de Evangelical Focus

NT Wright defende pronomes masculinos tradicionais para Deus em meio a mudanças culturais

NT Wright (Foto: reprodução)
NT Wright (Foto: reprodução)

O teólogo NT Wright enfatizou recentemente que, embora Deus transcenda o gênero, o uso de pronomes masculinos tradicionais como “Pai” continua teologicamente apropriado quando entendido à luz das Escrituras.

Em uma ampla conversa no podcast “Ask NT Wright Anything”, o teólogo e ex-bispo de Durham abordou a seguinte questão: É apropriado se referir a Deus usando pronomes masculinos?

A pergunta veio de um ouvinte em Minneapolis, Minnesota, que observou a tensão entre o uso da linguagem masculina para Deus — como “Ele” e “Pai” — e a compreensão teológica de que Deus transcende categorias humanas, incluindo gênero. O ouvinte reconheceu as próprias referências de Jesus a Deus como Pai e se perguntou se o uso de pronomes masculinos para a Trindade continua válido hoje.

Wright, que passou décadas ensinando e escrevendo sobre a doutrina cristã, foi rápido em notar a natureza complexa da discussão. “É, claro, uma questão vasta, que surgiu ao longo da minha vida”, disse ele. “É claro que Deus está além do gênero. Essa é uma das primeiras coisas a dizer.”

Ainda assim, Wright enfatizou que a fé cristã se fundamenta na revelação de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo. Essa linguagem, disse ele, é extraída diretamente das Escrituras e mantida em toda a tradição da Igreja.

“Jesus, que era e é enfaticamente masculino… referiu-se a Deus como Pai”, disse ele. “Então, temos que dizer: esperem, há várias coisas acontecendo aqui com as quais a nossa cultura atual não está nos ajudando.”

Wright reconheceu as críticas de teólogas como Mary Daly, uma pensadora feminista que escreveu a famosa frase: “Se Deus é masculino, então o masculino é Deus”. Essa lógica, disse Wright, alimentou uma preocupação real entre as mulheres que vivenciaram o domínio masculino tanto na igreja quanto na sociedade em geral.

“Algumas pessoas que usam pronomes masculinos para Deus… se dão ares e insinuam que, portanto, basicamente, nós, homens, estamos no comando aqui.”

Ele acrescentou: “Basta ler Efésios 5 para ver como Paulo inverte isso… a função do marido em relação à esposa é assumir o papel de Cristo, entregando-se pela Igreja. E há uma enorme entrega nisso.”

Em vez de descartar imagens masculinas de Deus devido a cenários abusivos, Wright enfatizou a recuperação e a redefinição de tais termos com base no uso bíblico.

“Temos uma linguagem sobre Deus como Pai, mas quem é esse Pai? Ele não é esse deus raivoso, intimidador, dominador, tipicamente masculino. Ele é um Deus de compaixão, um Deus de misericórdia, um Deus de gentileza.”

Ele destacou as raízes hebraicas da palavra compaixão, que derivam da palavra para “útero”. “Deus é como uma mãe cujo ventre clama por seus filhos”, disse ele, referindo-se a diversas imagens maternas de Deus encontradas no Antigo Testamento.

Wright também observou que a linguagem de gênero associada ao Espírito Santo varia entre os idiomas. “Em siríaco e hebraico, a palavra para Espírito é feminina. Em grego, é neutra. E em latim, é masculina. Portanto, essa identidade de gênero está incorporada nessas línguas de uma forma que dificilmente ocorre no inglês.”

Ele citou Romanos 8 , onde o Espírito é descrito gemendo em dores de parto, uma imagem distintamente feminina. “Essa extraordinária sequência de pensamentos em Romanos 8 implica que há algo que transcende tudo sobre Deus, e que Deus… abrange todas as bases possíveis.”

Ainda assim, Wright alertou contra a remoção dos nomes tradicionais de Pai, Filho e Espírito Santo do culto e dos sacramentos cristãos. Quando questionado sobre uma paróquia católica em Brisbane que começou a batizar “em nome do Criador, Redentor e Renovador” para evitar linguagem de gênero, Wright expressou preocupação.

“Se você fosse o bispo de Brisbane… você declararia todos os batismos nulos e os faria voltar atrás e fazer tudo de novo?”, perguntou o coapresentador do podcast Mike Bird.

Wright respondeu com o que chamou de “uma resposta anglicana típica”, concentrando-se na intenção por trás do ato. Ele relatou uma ocasião em que um padre inadvertidamente omitiu “o Filho” da fórmula batismal. “Ele simplesmente omitiu o Filho… mas não dissemos: ‘na verdade, você precisa voltar e fazer tudo isso de novo’, porque a lei da intenção [se aplicava].”

No entanto, Wright traçou uma linha clara quando se tratou de substituir deliberadamente a linguagem trinitária. Ele relembrou um culto de 2004 na Catedral de Durham, celebrando o 10º aniversário da ordenação de mulheres ao sacerdócio. Os organizadores escreveram uma bênção final “em nome do Criador, Redentor e Santificador”.

“Eu olhei para isso antes do culto e disse: não posso fazer isso. Isso não é trinitário”, disse Wright. “Cada membro da Santíssima Trindade… faz cada uma dessas coisas. Não é uma bênção trinitária.”

“Eu disse, penso que a bênção de Deus Todo-Poderoso, a Santíssima e indivisa Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, Criador, Redentor e Santificador”, disse ele.

Wright enfatizou que, quando se trata de falar sobre Deus, a precisão teológica importa, acrescentando: “Temos que ser muito cuidadosos, especialmente quando falamos sobre Deus. Não podemos simplesmente brincar e inventar coisas. Sabe, Deus é Deus, e nós somos humanos lutando para entender em nossas mentes e em nossos corações quem Deus é.”

Ao afirmar que Deus transcende o gênero, Wright sustentou que as referências masculinas a Deus, enraizadas nas Escrituras, podem e devem continuar sendo usadas, desde que sejam corretamente compreendidas. “Em vez de dizer que, por estarmos cientes da dominação masculina intimidadora, deveríamos parar de chamar Deus de Pai, eu diria que não. Vejamos o que a Bíblia realmente diz sobre Deus.”

Uma pesquisa Harris de 2013 com 2.250 adultos nos Estados Unidos revelou que 43% das mulheres e 34% dos homens acreditavam que Deus é masculino. No geral, 39% dos americanos acreditavam que Deus é masculino, 31% acreditavam que Deus não é nem masculino nem feminino, 10% acreditavam que Deus é de ambos os gêneros e 1% acreditava que Deus é feminino.

Nos últimos anos, o debate teológico sobre o gênero de Deus ganhou atenção renovada, notadamente com o lançamento de A Cabana , um romance best-seller de William Paul Young. A história fictícia retrata Deus Pai como uma mulher, bem como o Espírito Santo, gerando ampla discussão entre os cristãos. O livro foi adaptado para um longa-metragem em 2017.

Mais recentemente, a estrela pop Ariana Grande alimentou a conversa cultural sobre o assunto com seu hit “God is a Woman”.

Em uma postagem de blog de 2014, o teólogo John Piper explicou que, embora Deus seja espírito e não biologicamente masculino, o uso consistente de pronomes masculinos nas Escrituras é deliberado e teologicamente importante.

“Deus se revela como pai, não como mãe. Deus se revela como rei, não como rainha. Não quero dizer que não existam metáforas maternas para ele. Estou apenas dizendo, principalmente pai, não mãe; principalmente rei, não rainha; principalmente Senhor, não dama”, disse ele.

No casamento com a Igreja, Cristo é o marido, e a Igreja é a noiva. Ele não é a noiva e ela o marido. Ele instalou sacerdotes no Antigo Testamento — todos eles eram homens. Jesus vem ao mundo como homem e não como mulher. Ele investe sua autoridade apostólica única em 12 homens, não em 12 mulheres.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

Pastores rebatem relatório da ONU sobre religião e direitos LGBTQIA+

Sede da ONU, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)
Sede da ONU, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

O recente relatório do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que sugere que crenças religiosas tradicionais podem violar os direitos da população LGBTQIA+, provocou reações entre lideranças evangélicas no Brasil. O documento foi criticado pelo historiador espanhol César Vidal, que classificou a abordagem da ONU como um reflexo de uma “realidade anticristã” nas instituições globais.

Para o pastor batista Joarês Mendes de Freitas, pastor emérito da Primeira Igreja Batista em Jardim Camburi, Vitória, ES, o relatório da ONU representa um deslocamento perigoso da noção de diversidade. “Não vejo como as crenças cristãs poderiam violar direitos de quem quer que seja. Os cristãos defendem seus princípios de fé e conduta, mas não os impõem a ninguém”, afirmou. Ele observa que o cristianismo, diferentemente de sistemas teocráticos, pressupõe adesão voluntária.

O pastor Bruno Polez, também Batista, vai na mesma linha. “Dizer que desrespeitamos direitos é o mesmo que afirmar que somos contra a Palavra de Deus”, declarou. Segundo ele, o que está em curso é uma tentativa de impor às igrejas a aceitação de práticas que estão em desacordo com os princípios bíblicos. Polez cita 1 João 4 para reforçar a visão de que o amor cristão é universal, mas não conivente com o pecado.

A diversidade silencia a fé?

A possibilidade de que a defesa da diversidade seja usada para restringir a liberdade religiosa também foi destacada pelo pastor adventista Geraldo Moysés. “Quando a diversidade exige uniformidade de pensamento e deslegitima convicções religiosas milenares, deixa de ser inclusiva e torna-se opressiva”, alertou. Para ele, há um risco real de inversão de valores, com a liberdade de culto sendo relativizada por pressões de grupos organizados.

Ele lembra que a liberdade religiosa não se limita ao culto, mas inclui o direito de ensinar e viver a fé em diferentes espaços. “O Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos garante esse direito e ele precisa ser protegido”, completou.

Na avaliação do pastor Fábio Andrade, da Igreja Batista Resgate, em Vitória (ES), é importante evitar conclusões precipitadas. “Não vejo perseguição religiosa no Brasil. Temos tensões, mas a liberdade de cultuar a Deus ainda está assegurada pela Constituição”, afirmou. Ele propõe uma reflexão mais profunda: “A maneira como vivemos e pregamos nossa fé está produzindo dignidade para todos ou contribuindo para o sofrimento de alguns?”

Para Andrade, o desafio é testemunhar a fé sem sufocar outras vozes: “Jesus nos ensinou: ‘Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’ (Mateus 22:21). Nossa liberdade está segura, mas deve caminhar junto com a responsabilidade social”.

Equilíbrio entre doutrina e democracia

Os entrevistados concordam que é possível conciliar princípios cristãos com a convivência em uma sociedade plural. “O cristianismo propõe, não impõe”, resume Geraldo Moysés, citando Lucas 9.23. Ele defende a liberdade de expressão de todas as crenças: “Se respeitamos o direito dos outros viverem seus valores, é justo que respeitem nosso direito de viver os valores do Reino de Deus”.

Bruno Polez chama atenção para o papel das casas legislativas. “A democracia é feita pelo voto e pelo debate. As leis devem ser construídas com participação de todos os segmentos da sociedade”, afirmou. Ele rechaça qualquer tentativa de transformação da sociedade em uma teocracia, mas pede reciprocidade na garantia de direitos.

Diante do avanço de pautas ideológicas em organismos internacionais, os pastores destacam que a missão da Igreja é se manter fiel às Escrituras. “Ela deve ser um hospital para tratar pecadores que desejam ser curados”, disse Joarês Mendes. Já Geraldo Moysés defende a formação de comunidades preparadas para responder com amor e firmeza: “A Igreja é chamada a ser sal da terra e luz do mundo” (Mateus 5:13-16).

Fábio Andrade resume a missão com um apelo pastoral: “Nossa maior força não está em gritar mais alto, mas em amar mais de perto”. Ele cita Gálatas 6:2: “Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo”.

Enquanto a ONU e outros organismos internacionais ampliam a pauta da diversidade, líderes evangélicos brasileiros defendem o direito de professar e anunciar a fé cristã sem censura ou distorção. O futuro da liberdade religiosa pode depender do equilíbrio entre firmeza doutrinária e disposição ao diálogo.

Fonte: Comunhão

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