Reverendo Juarez Marcondes Filho é eleito presidente do Supremo Concílio da IPB com promessa de manter a unidade da denominação
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) tem um novo presidente para o Supremo Concílio. A eleição ocorreu na segunda-feira (27), com a vitória do reverendo Juarez Marcondes Filho, natural de Curitiba, em segundo turno. Ele superou o reverendo Robinson Grangeiro, atual chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Marcondes Filho assume a liderança sucedendo o reverendo Roberto Brasileiro Silva, que esteve à frente do órgão desde 2002.
Em declaração ao g1, o novo presidente expressou sentir-se honrado e com grande responsabilidade pela nova função. Juarez Marcondes Filho destacou que sua trajetória em diversas posições administrativas na igreja em Curitiba o preparou para o posto. Ele estará acompanhado por um vice-presidente, um secretário-executivo e mais quatro secretários durante seu mandato.
“Eu me senti muito honrado, com muita alegria e satisfação, mas também com muita responsabilidade. É um cargo que exige muito de nós. Peço a Deus que me dê graça para cumprir esse mandato.”
Com 45 anos de ministério pastoral, Juarez Marcondes Filho lidera a Igreja Presbiteriana de Curitiba desde 1991. Anteriormente, já havia ocupado os cargos de vice-presidente e secretário-executivo do Supremo Concílio. Sua ascensão o torna o primeiro paranaense a presidir o Supremo Concílio da IPB, instituição com mais de 160 anos de história no Brasil.
Unidade da igreja como pauta principal
A eleição acontece em um período de debates internos na denominação sobre temas como a participação feminina nas atividades religiosas, a interação entre fé e política, o engajamento com as novas gerações e o surgimento de movimentos como os “Legendários”, voltados para homens e focados em liderança, família e espiritualidade cristã.
Questionado sobre possíveis tensões políticas e doutrinárias durante a reunião do Supremo Concílio, Juarez Marcondes Filho refutou a ideia de divisão na igreja. Segundo ele, embora as reuniões do órgão envolvam debates intensos sobre temas relevantes, a denominação mantém-se unida.
“Há uma liberdade democrática no nosso ambiente que não impede as pessoas de se pronunciarem. Alguns têm uma tendência, talvez, um pouco mais exacerbada, outros vão mais pela moderação, mas nós harmonizamos muito bem isso. Essa afirmativa de que a igreja está sob tensão não é verdade. Nós estamos muito serenos, muito tranquilos, e vamos tratar de temas muito pesados, mas a gente tem muita capacidade, pelo histórico nosso, mesmo tratando essas coisas, mantermo-nos unidos.”
Continuidade pastoral em Curitiba
Apesar da nova responsabilidade nacional, o reverendo Juarez Marcondes Filho manterá sua residência em Curitiba e continuará suas atividades pastorais na Igreja Presbiteriana da capital, onde atua há 35 anos. Ele ressaltou que a presidência do Supremo Concílio é uma função voluntária e não interfere em seu ministério local.
“Aliás, eu só aceitei esta possibilidade de ser eleito com o apoio da igreja local, que poderia também servir nessa instância. Então, as pessoas pensam assim: ‘Você vai deixar a gente aqui?’ De maneira nenhuma, meu endereço continua o mesmo, minhas atividades são normais aqui na igreja. A gente vai ter que trabalhar um pouquinho mais só, dormir um pouco horas a menos, e passar mais horas no dia servindo, mas nada que Deus não dê força e graça pra gente.”
Natural de Curitiba e com 66 anos, Juarez Marcondes Filho é pastor há 45 anos e pertence à quinta geração de presbiterianos em sua família. Sua formação teológica inclui Bacharelado, Mestrado e Doutorado em áreas como Teologia e Ministério, além de experiência em liderança cristã nos Estados Unidos. Sua trajetória na IPB inclui passagens pela secretaria-executiva e vice-presidência do Supremo Concílio.
A Igreja Presbiteriana do Brasil, organizada em 1859, congrega mais de 730 mil membros em aproximadamente 5 mil igrejas por todo o país, seguindo a tradição reformada calvinista e operando com um sistema de governo representativo.





