Ecumenismo não é apenas uma questão de fé, mas também de respeito cultural, que tem a ver com uma atitude de vida, disse o ex-secretário da Região Andina do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), pastor Eduardo Cid.

Cid foi um dos convidados da Conferência de Bispos e Pastores Presidentes (COP) de igrejas luteranas filiadas à Federação Luterana Mundial (FLM) para falar no painel constituído por líderes ecumênicos do Chile sobre as suas experiências e vivências no campo religioso e social. A COP está reunida nesta capital de 16 a 20 de abril.

No encontro, Cid admitiu que “os evangélicos têm épocas cíclicas para manter a unidade. Parece que não nos agrada viver juntos na mesma organização por muito tempo”, sublinhou.

Para o presidente da Fraternidade Ecumênica do Chile e pastor da Igreja Batista, David Muñoz Condell, é importante chegar ao ecumenismo por razões de fé e não somente de conveniência. Ele explicou que a Fraternidade promove encontros de estudantes de teologia, realiza mesa teológica voltada ao diálogo, fomenta jantares ecumênicos e a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

A Fraternidade é o organismo evangélico de diálogo com o governo e com organismos similares na igreja Católica Romana e Ortodoxa.

O encarregado do ecumenismo na Igreja Católica Romana do Chile, padre Robert Mosh, admitiu que o diálogo ecumênico nem sempre é fácil por causa da estrutura muito fluída das igrejas pentecostais, que contrastam com a estrutura hierárquica do catolicismo. O ponto de diálogo tem sido mais intenso com a presença do movimento carismático na igreja romana, mas ainda assim existe um forte anticatolicismo com ênfase no ataque aos sacerdotes e ao culto romano, qualificado de idolátrico por muitos grupos pentecostais.

Mosh afirmou que esta situação tem também um alcance político, porque muitos grupos pentecostais, presbiterianos e luteranos apoiaram a ditadura do general Augusto Pinochet, enquanto a igreja romana teve sérios conflitos com o regime militar.

A igreja luterana desenvolveu um processo de discussão que provocou uma divisão interna e que permanece até hoje. “Felizmente, a transição democrática diminuiu a polarização. Com a promulgação da lei de culto, em 1999, temos muitos desafios para enfrentar, com problemas nacionais que podemos encarar em unidade”, manifestou.

Segundo o padre George Abad, do Patriarcado Ortodoxo de Antioquia, o diálogo ecumênico se desenvolve quando as partes envolvidas estão firmes na sua fé. “O fanático é aquele que sabe pouco”, disse. Por isso, uma das tarefas do ecumenismo é ajudar as pessoas a aprofundarem sua fé, a confessar que a Igreja é de Jesus Cristo, independente o quanto cada qual crê ou não crê. “Jesus pede que seu povo seja fraternal, que pratique o amor e a paciência uns com os outros”, frisou Abad.

O bispo da Igreja Luterana do Chile, Rolando Holtz, expressou reconhecimento e gratidão ao pastor Muñoz, da Fraternidade Ecumênica, e ao pastor Eduardo Cid por terem recebido a igreja luterana depois do difícil processo que resultou na sua divisão. “Hoje estamos falando de reconciliação, de voltar à unidade, e queremos reconhecer vossa participação neste novo processo”, enfatizou o bispo Holtz.

Frente aos desafios gerados pelas mega-igrejas, os painelistas concordaram que “quando aparecem esses novos movimentos que exploram a crise econômica e espiritual de nosso povo temos que revisar nossos valores como igreja. Algo anda mal conosco para que esses grupos ganhem tanta importância”.

“As pessoas procuram outras opções porque falta amor de nossa parte. Conhecer as angústias das pessoas e as formas para atingi-las com nosso amor cristão é uma tarefa constante do movimento ecumênico”, destacou Abad.

Fonte: ALC