Um tribunal em Malumfashi, Estado de Katsina, norte da Nigéria, sentenciou o pastor Gambo Boka, 39, a três anos de prisão por supostamente seqüestrar Lois Garba, 20, uma cristã obrigada por seu pai a se casar com um parente muçulmano.

O ex-chefe de justiça do Estado de Katsina, um líder muçulmano influente, teria influenciado no julgamento final. Ele queria que o pastor Gambo fosse sentenciado a dez anos de prisão. O caso do pastor ilustra a influência que os muçulmanos têm contra os cristãos em Katsina, um dos 12 Estados do norte da Nigéria regidos pelo sistema legal da sharia (lei islâmica).

Uma multidão de muçulmanos de reuniu do lado de fora da corte no dia da sentença do pastor Gambo e cantou vitória sobre ele e os cristãos. “Deus tem um propósito em tudo o que faz. Eu estou tranqüilo”, disse o pastor enquanto era escoltado para a prisão, depois do julgamento.

A sentença do pastor chocou sua esposa Rakiya Gambo, que chorou muito ao receber a notícia. Ela não foi ao julgamento, na certeza de que seu marido estaria de volta depois da audiência. Apesar das contínuas palavras de encorajamento dos colegas do pastor, Rakiya ainda está preocupada com a situação de seu marido na prisão.

A Portas Abertas visitou o pastor Gambo durante sua segunda semana na prisão. Ele havia emagrecido, mas a felicidade se estampou em seu rosto quando ele, de longe, avistou Isaque*, um obreiro da Portas Abertas. “Fiquei muito animado com o jeito que ele sorriu o mim”, contou Isaque.

“Estou feliz em ver você, Isaque. Obrigado por tudo o que você sofreu para vir me visitar na prisão. Agora eu me sinto bem nesse lugar horrível. É bom saber que as promessas de Deus são reais”, disse o pastor Gambo, ao cumprimentá-lo.

O tribunal deu 30 dias para o pastor fazer um apelo. Ávido em ajudá-lo, o conselho eclesiástico do distrito de Katsina está fazendo o que pode para levantar fundos para pagar pelo recurso. Ele vai ficar preso enquanto espera que a fiança seja concedida até a confirmação da data do apelo.

A família do pastor é amparada por cristãos locais que lhe dão alimento, roupas e uma pequena quantia de dinheiro para cobrir as necessidades básicas das crianças. A Portas Abertas também visitou Rakiya e seus filhos, para animá-los espiritualmente.

Lois, ainda escondida, ficou perturbada ao saber da situação do pastor Boka, mas se acalmou quando soube que foi feito um apelo legal em seu favor.

Lois Garba fugiu da casa de seus pais em 19 de fevereiro de 2006, um dia antes de ser casada com um muçulmano. Embora seu pai diga ser cristão, ele deu Lois em casamento a um parente muçulmano no ano passado. Como cristã, Lois não queria se casar com um muçulmano, mas seu pai continuou com os preparativos da cerimônia na ausência dela e agora ela é considerada uma mulher muçulmana casada.

Fonte: Portas Abertas