Pastor Hamid Shabanov, no Azerbaijão
Pastor Hamid Shabanov, no Azerbaijão

Ao mesmo tempo em que o governo do Azerbaijão está exigindo que estudantes universitários estudem religião, também puniu um ministro batista por realizar reuniões de adoração.

O pastor Hamid Shabanov foi preso em 2016 quando a polícia interrompeu uma reunião de oração de sua igreja na cidade de Aliabad, no norte do distrito de Zaqatala.

Ele recebeu uma multa de 1.500 manats, ou cerca de 900 dólares, o que equivale a mais de 3 meses de salário médio no país. A acusação: realizar reuniões de adoração sem permissão do Estado.

Shabanov se recusou a pagar e levou o caso ao tribunal, que rejeitou a alegação de que o ataque e multa eram ilegais. O Tribunal Constitucional recentemente se recusou a considerar seu segundo pedido.

Ele relatou à agência de notícias Forum18 que foi forçado a pagar a multa e agora está consultando outros líderes batistas sobre o que fazer sobre o assunto.

Sua igreja não está oficialmente registrada no governo, apesar de suas tentativas de registro. O que o governo alega é que ele não tem o mínimo de 50 membros adultos para o registro.

Religião nas escolas

O Azerbaijão é oficialmente secular, mas em abril deste ano, um alto funcionário do governo anunciou que matérias sobre religião seriam adicionadas e tornadas obrigatórias para estudantes universitários a partir de 2020.

O curso vai ensinar “sobre o radicalismo religioso, movimentos religiosos radicais, seus métodos de propaganda, valores nacionais e morais, a necessidade de protegê-los, e informações básicas sobre a política do estado do Azerbaijão nesta direção”, disse um comunicado do governo.

A observância religiosa no país de maioria muçulmana aumentou desde a independência da União Soviética; centenas de azeris juntaram-se a grupos extremistas islâmicos internacionais.

“A introdução da religião nas escolas pode ser vista como parte de uma nova tendência – uma mudança recente no foco da prevenção da radicalização através do controle estatal e restrições ao esforço ativo para estabelecer uma narrativa islâmica alternativa, dominante, moderada e dominante controlada e institucionalizada pelo governo do Estado”, disse Sofie Bedford, pesquisadora que estuda religião no Azerbaidjão para o Instituto de Estudos Russos e Eurasianos da Universidade de Uppsala, na Suécia.

O Azerbaijão é o 50º país da Lista Mundial da Perseguição, que classifica os 50 países que mais perseguem cristãos no mundo. De uma população de 9,9 milhões de pessoas, 95% é muçulmana, e apenas 3,2% da população se declara cristã.

Fonte: Portas Abertas