Cristãos em culto no México
Cristãos em culto no México

Um pastor mexicano que sobreviveu a uma tentativa de assassinato na Cidade Juarez, disse que foi vítima porque o trabalho de sua igreja é visto como um impacto negativo na ação dos carteis de drogas.

Um atirador entrou na casa do pastor, fez com que ele se ajoelhasse no chão e disse: “Você não sabe com quem está mexendo”. O homem puxou o gatilho da arma, mas o disparo falhou. Então o invasor bateu no pastor, deixando-o inconsciente, e roubou sua carteira antes de fugir.

“Com o trabalho que fazemos como igreja, temos afetado as atividades de grupos envolvidos com o tráfico de drogas e o crime organizado. Não temos certeza do que virá”, disse o pastor, cujo nome foi ocultado para sua proteção.

Nos últimos anos, o número de mortes violentas no México subiu drasticamente. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Geografia, em 2017 houve mais de 30 mil homicídios no país, o número mais alto desde que as estatísticas começaram a ser coletadas, em 1997.

Em Cidade Juarez, no estado de Chihuahua, um dos lugares mais violentos do país, 80% das mortes estão relacionadas à indústria de drogas. De acordo com as autoridades municipais, apenas em junho houve 1177 assassinatos, um total de seis por dia.

Enquanto a violência afeta a todos, os cristãos praticantes são ainda mais vulneráveis, de acordo com um analista latino-americano da Portas Abertas. “Sempre que um cristão começa a se engajar em trabalho social – por exemplo, criando uma clínica de reabilitação de drogas ou organizando trabalho com jovens – eles se tornam uma ameaça direta às atividades e interesses do crime organizado, ao mercado deles”, afirma.

Ele também mencionou um líder de uma igreja que foi morto por criar uma clínica de reabilitação de drogas e que se recusou a fechá-la, apesar das ameaças. Ainda deu outro exemplo do líder de uma igreja que montou um time de futebol para garotos vulneráveis.

Alguns deles trabalhavam como informantes para os cartéis. Quando um dos garotos disse que não queria mais ser informante, foi morto.

Um motivo óbvio de porque cristãos são alvos fáceis vem da percepção de que a igreja e seus líderes têm muito dinheiro, então os cartéis podem simplesmente entrar no local, fechar as portas e pedir à congregação que esvazie seus bolsos.

Chito Aguilar, de 62 anos, um ex-traficante de drogas que agora é pastor, disse: “A igreja é comparada a uma loja de conveniência. Eles dizem, ‘se em uma igreja há 40, 50 ou 100 pessoas, eles vão levar dinheiro para dar suas ofertas’, então fazem seus ataques no domingo.

Isso aconteceu em Cidade Juarez, onde oito pessoas invadiram a igreja, um ou dois permaneceram nas portas e os outros começaram a pegar relógios, anéis, carteiras. Eles se tornam um alvo fácil para os criminosos”.

Fonte: Missão Portas Abertas