O sistema de governo secular da Turquia depara-se com seu maior desafio desde a fundação da República turca, em 1923, afirmou o presidente Ahmet Necdet Sezer na sexta-feira, um dia depois de um influente militar de alta patente ter defendido o secularismo.

Em declarações dadas na Academia de Guerra semanas antes das eleições presidenciais marcadas para maio –e nas quais pode ser eleito o primeiro presidente turco com raízes islâmicas–, Sezer disse também acreditar na existência de uma campanha para minar as Forças Armadas do país.

Os militares vêem a si mesmos como os últimos guardiões do sistema secular da Turquia, fundado por Mustafa Kemal Ataturk, e nos últimos 50 anos já tiraram do poder quatro governos.

“O regime político da Turquia não se depara com um perigo do tipo desde a fundação da República”, disse Sezer.

“As ações dirigidas contra a ordem secular e os esforços para colocar a religião dentro da política estão alimentando as tensões sociais”, acrescentou.

Partidários do secularismo devem realizar uma manifestação de grandes dimensões para protestar contra os planos do primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, de concorrer à Presidência.

A elite secular do país teme a possibilidade de Erdogan (um ex-ativista islâmico) minar a separação entre o Estado e a religião caso seja eleito.

O Partido AK, do premiê, deve nomear seu candidato à Presidência na próxima quarta-feira. Como a legenda possui uma folgada maioria no Parlamento, o candidato dela deve, quase certamente, substituir o secularista convicto Sezer, cujo mandato termina no dia 16 de maio.

Na quinta-feira, o chefe das poderosas Forças Armadas do país, general Yasar Buyukanit, fez um alerta velado para o Partido AK, afirmando que o próximo chefe de Estado do país deveria ser um seguidor fiel do sistema secular turco.

Fonte: Reuters